{"id":29496,"date":"2008-01-22T10:11:37","date_gmt":"2008-01-22T10:11:37","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/01\/22\/que-esperar-de-2008-no-que-ao-trabalho-se-refere\/"},"modified":"2008-01-22T10:11:37","modified_gmt":"2008-01-22T10:11:37","slug":"que-esperar-de-2008-no-que-ao-trabalho-se-refere","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/que-esperar-de-2008-no-que-ao-trabalho-se-refere\/","title":{"rendered":"Que esperar de 2008 no que ao trabalho se refere?"},"content":{"rendered":"<p>Que espero de 2008 no que ao trabalho se refere? O que \u00e9 esperar? \u00c9 desejar?  Os problemas s\u00e3o muitos; as tend\u00eancias indesej\u00e1veis; as promessas n\u00e3o fi\u00e1veis; as perspectivas\u2026 \u00e9 dessas que vale a pena falarmos um pouco!  Um dos pontos em ebuli\u00e7\u00e3o \u00e9 a legisla\u00e7\u00e3o do trabalho. Desde que Bag\u00e3o F\u00e9lix fez aprovar o C\u00f3digo do Trabalho, satisfazendo o patronato &#8211; mas n\u00e3o tanto que n\u00e3o tenha imediatamente aspirado \u00e0 sua mudan\u00e7a \u2013 que o patronato quer ganhar na revis\u00e3o, o que n\u00e3o conseguira na cria\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo, muito por causa do Tribunal Constitucional. A moda (ou a f\u00faria?) \u00e9 desregulamentadora. E desregulamenta\u00e7\u00e3o \u00e9 criar uma profunda fragilidade, extens\u00edvel \u00e0s fam\u00edlias. A tend\u00eancia \u00e9 a de encontrar todas as formas de embaratecer o custo do trabalho. Pode ser \u00e0 custa de direitos retirados, pode ser atrav\u00e9s de limita\u00e7\u00f5es \u00e0 actividade sindical nas empresas, pode ser atacando a contrata\u00e7\u00e3o colectiva e desrespeitando as leis. Tudo serve! Neste contexto a negocia\u00e7\u00e3o colectiva, em vez de constituir um factor de din\u00e2mica e inova\u00e7\u00e3o social, uma ferramenta social de progresso e equidade, poder\u00e1 continuar a ser atacada e bloqueada. Entretanto chegou o livro branco das rela\u00e7\u00f5es laborais que promove a famosa flexiNSEguran\u00e7a. Nem sobre o conceito h\u00e1 conformidade! Nem sobre como aplic\u00e1-la se pode ver um rumo! Nem como pagar os custos da seguran\u00e7a. Mas querem que seja pol\u00edtica europeia\u2026S\u00f3 que, por c\u00e1, flexibilidade j\u00e1 n\u00f3s temos h\u00e1 muito e muita! Falta reequilibrar. Falta a seguran\u00e7a. Mas essa n\u00e3o se vislumbra. S\u00f3 se nos dessem a flixiguran\u00e7a que a Dinamarca tem\u2026 Como n\u00e3o se vislumbra acabar com o desemprego: todos temos direito ao trabalho, que \u00e9 essencial para a realiza\u00e7\u00e3o da pessoa, para a promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a social, para a defesa e garantia da dignidade e dos direitos. Nem ao menos a ter emprego decente, de qualidade &#8211; quase todo o emprego criado no pa\u00eds \u00e9 prec\u00e1rio; algum mesmo ilegal e clandestino, o que \u00e9 gerador de vulnerabilidades e mais desigualdades.. Em muitos locais trabalha-se sem hor\u00e1rio e fazem-se horas extra n\u00e3o remuneradas. Os jovens, mesmo qualificados, n\u00e3o t\u00eam emprego adequado. As mulheres continuam a ter dupla jornada de trabalho e mais baixos sal\u00e1rios \u2013 e quando toca a despedir, s\u00e3o as primeiras. E os imigrantes devem continuar \u00e0 procura de realiza\u00e7\u00e3o face as suas qualifica\u00e7\u00f5es, ou a partir \u00e0 procura de novos solu\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que a crise tamb\u00e9m continuar\u00e1 a atingi-los.  Os sal\u00e1rios continuar\u00e3o a pagar o d\u00e9fice? \u2013 e j\u00e1 se v\u00ea os que mais se ressentem: os mais desfavorecidos! N\u00e3o prevejo que mude depressa esta coisa de em Portugal se ser pobre, trabalhando e se ser pobre, tendo trabalhado v\u00e1rios e muitos anos! Tamb\u00e9m n\u00e3o se resolver\u00e3o depressa as diferen\u00e7as, as desigualdades.  A diferen\u00e7a entre os que ganham mais e os que ganham menos \u00e9 abissal, incompreens\u00edvel e injusta. Mas n\u00e3o vai ser certamente prioridade de actua\u00e7\u00e3o governamental. N\u00e3o deixar\u00e1 em 2008 de ser injusta a distribui\u00e7\u00e3o da riqueza, at\u00e9 porque a pol\u00edtica fiscal n\u00e3o cumpre esse efeito redistributivo, nem \u00e9 progressiva, nem baseada em impostos directos, socialmente mais justos. S\u00e3o necess\u00e1rias novas formas de solidariedade e actuar para a defesa da justi\u00e7a social. Tudo o que atr\u00e1s referimos gera tens\u00f5es enormes e pobreza acrescida. A estabilidade da economia (se se conseguir alguma!) ser\u00e1 \u00e0 custa da instabilidade de quem trabalha, ou de quem nem trabalho tem! As pol\u00edticas sociais, que derivam dos direitos de cidadania, continuam a tornar-se assistencialistas, ou caritativas, se se preferir. Importa por\u00e9m ter presente que o ano 2008, ainda no come\u00e7o, ser\u00e1 fruto de escolhas; n\u00e3o h\u00e1 determinismos. O factor decisivo e \u00e1rbitro \u00e9 o Homem. Face \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o da economia, de car\u00e1cter neoliberal e injusto, face \u00e0 competitividade que tudo justifica \u2013 e que \u00e9 uma aut\u00eantica declara\u00e7\u00e3o de guerra! \u2013 face \u00e0 amea\u00e7a aos direitos, temos de ser capazes de imaginar e construir novas formas de solidariedade. O que espero de 2008\u2026 O que \u00e9 esperar? \u00c9 desejar? N\u00e3o, \u00e9 comprometer-se! \u00c9 que mais mudan\u00e7as, imp\u00f5em mais intelig\u00eancia e maior empenho! E assim, com o empenho de todos, at\u00e9 poderemos fazer previs\u00f5es diferentes.   <i>Ulisses Garrido, sindicalista <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Que espero de 2008 no que ao trabalho se refere? O que \u00e9 esperar? \u00c9 desejar? Os problemas s\u00e3o muitos; as tend\u00eancias indesej\u00e1veis; as promessas n\u00e3o fi\u00e1veis; as perspectivas\u2026 \u00e9 dessas que vale a pena falarmos um pouco! Um dos pontos em ebuli\u00e7\u00e3o \u00e9 a legisla\u00e7\u00e3o do trabalho. 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