{"id":294955,"date":"2023-08-12T11:08:49","date_gmt":"2023-08-12T10:08:49","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=294955"},"modified":"2023-08-12T11:08:49","modified_gmt":"2023-08-12T10:08:49","slug":"como-lhe-hei-de-chamar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/como-lhe-hei-de-chamar\/","title":{"rendered":"Como lhe hei-de chamar?"},"content":{"rendered":"<p><em>Ant\u00f3nio Salvado Morgado, Diocese da Guarda<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-271042 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>O acontecimento encontra-se ainda t\u00e3o presente e o tempo tem sido t\u00e3o acelerado que a urg\u00eancia ensombra a lucidez para o adequado discernimento que importa realizar com a necess\u00e1ria lentid\u00e3o do sil\u00eancio e a voz da ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como lhe hei-de chamar? E o pronome \u00ablhe\u00bb est\u00e1 ali em vez de muitos nomes. O \u00ablhe\u00bb \u00e9 plural na sua singularidade. N\u00e3o se trata de uma simples forma de express\u00e3o, n\u00e3o. Verdadeiramente o \u00ablhe\u00bb congrega uma pluralidade. S\u00e3o \u00ablhes\u00bb este \u00ablhe\u00bb e as palavras coram de vergonha quando pretendem adentrar-se na unidade desta multiplicidade plural.<\/p>\n<p>A terra inteira canta e dan\u00e7a e a alegria do mundo concentrou-se em Lisboa. \u00c9 a m\u00fasica da juventude compassada pela f\u00e9, criatividade e energia de quem acolhe e de quem vem de todos os cantos da Terra, para aqui chegar. De quem vem de perto ou de muito longe para chegar a Lisboa, chamado pela f\u00e9 e o apelo do Bispo de Roma vestido de branco. Lisboa ficou \u00ab<em>cidade do encontro<\/em>\u00bb e tornou-se, por dias, a \u00ab<em>capital do mundo<\/em>\u00bb a gritar, a bater palmas, a cantar, a dan\u00e7ar e a rezar, nas veredas, nas ruas, nas pra\u00e7as e nos parques que at\u00e9 mudaram de nome, como na semana anterior j\u00e1 havia acontecido noutras ruas de cidades, vilas e aldeias de todo o Portugal. Caminhos e espa\u00e7os da proximidade e das lonjuras, de pa\u00edses, l\u00ednguas e culturas, de igrejas locais em plena liberdade e de igrejas perseguidas e de sil\u00eancio for\u00e7ado, mas pujantes de f\u00e9.<\/p>\n<p>Como lhe hei-de chamar, se o quadro \u00e9 pintado pela f\u00e9 de tantos? De quem acolhe e de quem \u00e9 acolhido. E de quem, com dedica\u00e7\u00e3o, com espero, com entusiasmo, com f\u00e9, esperan\u00e7a e caridade, preparou o encontro. E s\u00e3o tantos! Desde o Presidente da Funda\u00e7\u00e3o JMJ, at\u00e9 ao mais humilde dos servidores municipais, passando por fam\u00edlias de acolhimento e pelos milhares de volunt\u00e1rios, nacionais e internacionais, vestidos de amarelo. O \u00ablhe\u00bb \u00e9, pois, a pluralidade de todos. E o encontro fez-se como se fez a luz nos prim\u00f3rdios da cria\u00e7\u00e3o, em que tudo era jovem e bom.<\/p>\n<p>O mensageiro vestido de branco chegou e a festa explodiu em plenitude. Trazia no cora\u00e7\u00e3o a mensagem de que \u00ab<em>Cristo Vive<\/em>\u00bb e de que o Evangelho \u00e9 alegria de todos e para todos, \u00ab<em>todos, todos, todos<\/em>\u00bb. Da excel\u00eancia da mensagem, tamb\u00e9m ela plural, t\u00e3o rica nas dimens\u00f5es e vertentes humanas como na simplicidade de a comunicar, ser\u00e1 esta a express\u00e3o papal que mais ter\u00e1 ficado no esp\u00edrito de muitos. N\u00e3o ser\u00e1 de admirar. Uma multid\u00e3o de tantos milhares de jovens a gritar, entusiasta e a pedido do Papa, \u00ab<em>todos, todos, todos<\/em>\u00bb impressiona o mais empedernido dos cora\u00e7\u00f5es humanos.<\/p>\n<p>Que nome hei-de dar a esta assembleia juvenil que assim canta e reza, e grita tamb\u00e9m, em un\u00edssono, a olhar para o futuro celebrando a fraternidade de \u00abtodos\u00bb numa Igreja universal, de \u00ab<em>portas abertas<\/em>\u00bb e sem \u00ab<em>alf\u00e2ndegas<\/em>\u00bb, onde cada um \u00e9 recebido como \u00e9? Como \u00e9, e com a consci\u00eancia de que o \u00abser\u00bb deste \u00ab\u00e9\u00bb, se \u00e9 rico na diversidade de dons e carismas, \u00e9 fr\u00e1gil na caminhada das veredas e que a \u00abconvers\u00e3o\u00bb a Jesus Cristo nunca ser\u00e1 perfeita e sempre se imp\u00f5e, implac\u00e1vel, a necessidade do discernimento, a que Francisco continuamente apela e a que dedicou as catequeses durante as Audi\u00eancias de Quarta-Feira, de Agosto de 2022 a Janeiro de 2023.<\/p>\n<p>Todos sabemos que o entusiasmo humano dos grandes momentos traduzido por eloquentes palavras esbarra, depois, com as dificuldades do quotidiano que facilmente entorpecem a energia espiritual, mesmo quando soa, como m\u00fasica que embala o caminho, a palavra de Francisco no encontro com jovens universit\u00e1rios: \u00ab<em>Tende a coragem de substituir os medos pelos sonhos: substitu\u00ed os medos pelos sonhos, n\u00e3o sejais administradores de medos, mas empreendedores de sonhos!<\/em>\u00bb Na Universidade Cat\u00f3lica como na Missa do Envio: \u00ab<em>Gostaria de olhar cada um de voc\u00eas nos olhos e dizer: n\u00e3o tenham medo. N\u00e3o tenham medo\u2026 Coragem, n\u00e3o tenham medo<\/em>.\u00bb<\/p>\n<p>Lisboa, a cidade do encontro e da gra\u00e7a, cidade da juventude e da universalidade, cidade do sorriso e da paz, cidade da f\u00e9 e do amor, \u00e9 tamb\u00e9m a cidade do envio, dos sonhos e da esperan\u00e7a. E tamb\u00e9m cidade da \u00ab<em>Alegria do Evangelho<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p>N\u00e3o esquecerei que as tr\u00eas primeiras Exorta\u00e7\u00f5es Apost\u00f3licas do Papa Francisco possuem um nome comum na pluralidade das palavras latinas, a alegria. Uma, de 19 de Mar\u00e7o de 2018, a \u00ab<em>chamada \u00e0 santidade no mundo actual<\/em>\u00bb come\u00e7a com o \u00ab<em>Gaudete et Exultate<\/em>\u00bb (\u00ab<em>Alegrai-vos e Exultai<\/em>\u00bb) do Evangelho de Mateus (5,12). Outra, de 19 de Mar\u00e7o de 2016, come\u00e7a com a \u00ab<em>Amoris laetitia<\/em>\u00bb (\u00ab<em>Alegria do Amor<\/em>\u00bb) canta o \u00ab<em>amor na fam\u00edlia<\/em>\u00bb. Outra, a primeira na ordem temporal, publicada em 24 de Novembro de 2013, sobre \u00ab<em>O An\u00fancio do Evangelho no Mundo Actual<\/em>\u00bb, \u00e9 a \u00ab<em>Evangelii Gaudium<\/em>\u00bb (\u00ab<em>A Alegria do Evangelho<\/em>\u00bb) que constitui uma esp\u00e9cie de rede de linhas program\u00e1ticas para o Pontificado que ent\u00e3o se iniciava. Valer\u00e1 a pena lembrar o primeiro par\u00e1grafo: \u00ab<em>A Alegria do Evangelho enche o cora\u00e7\u00e3o e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele s\u00e3o libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria. Quero, com esta Exorta\u00e7\u00e3o, dirigir-me aos fi\u00e9is crist\u00e3os a fim de os convidar para uma nova etapa evangelizadora marcada por esta alegria e indicar caminhos para o percurso da Igreja nos pr\u00f3ximos anos<\/em>.\u00bb<\/p>\n<p>N\u00e3o deixarei de lembrar tamb\u00e9m a Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u00ab<em>Christus Vivit<\/em>\u00bb (\u00ab<em>Cristo Vive<\/em>\u00bb) dedicada \u00ab<em>Aos Jovens e ao Povo de Deus<\/em>\u00bb, de 25 de Mar\u00e7o de 2019, que come\u00e7a com estas palavras: \u00ab<em>CRISTO VIVE: \u00e9 Ele a nossa esperan\u00e7a e a mais bela juventude deste mundo! Tudo o que toca torna-se jovem, fica novo, enche-se de vida. Por isso as primeiras palavras, que quero dirigir a cada jovem crist\u00e3o, s\u00e3o estas: Ele vive e quer-te vivo!<\/em>\u00bb<\/p>\n<p>Ignoro, naturalmente, se aqueles milhares de jovens, reunidos em Lisboa vindos de todos os pa\u00edses do mundo, leram alguma vez na \u00edntegra esta Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica que lhe foi dedicada. Mas sei que eles deram testemunho de que \u00ab<em>Cristo Vive<\/em>\u00bb e est\u00e1 com eles.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o sei se alguma vez aqueles jovens leram a Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u00ab<em>Evangelii Gaudium<\/em>\u00bb que j\u00e1 vem de 2013. Mas sei que eles ouviram, com aten\u00e7\u00e3o e entusiasmo, o Papa que a escreveu e que ali a sintetizou, com simplicidade, vida e ternura de pai.<\/p>\n<p>Aquela imensa assembleia de jovens reunidos em Lisboa, encarnou \u00ab<em>Alegria do Evangelho<\/em>\u00bb e foram para o mundo o \u00ab<em>Evangelho da Alegria<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p>Guarda, 9 de Agosto de 2023<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Salvado Morgado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Salvado Morgado, Diocese da Guarda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":271042,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-294955","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/294955","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=294955"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/294955\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/271042"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=294955"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=294955"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=294955"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}