{"id":29492,"date":"2008-01-21T16:09:59","date_gmt":"2008-01-21T16:09:59","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/01\/21\/vivencias-preocupacoes-e-desafios-de-d-manuel-felicio\/"},"modified":"2008-01-21T16:09:59","modified_gmt":"2008-01-21T16:09:59","slug":"vivencias-preocupacoes-e-desafios-de-d-manuel-felicio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/vivencias-preocupacoes-e-desafios-de-d-manuel-felicio\/","title":{"rendered":"Viv\u00eancias, preocupa\u00e7\u00f5es e desafios de D. Manuel Fel\u00edcio"},"content":{"rendered":"<p>Entrevista do jornal \u00abA Guarda\u00bb ao Bispo diocesano, por ocasi\u00e3o dos tr\u00eas anos de nomea\u00e7\u00e3o para Bispo Coadjutor da Diocese da Guarda  <!--more--> No dia 16 de Janeiro de 2008 assinalaram-se tr\u00eas anos da nomea\u00e7\u00e3o de D. Manuel da Rocha Fel\u00edcio para Bispo Coadjutor da Diocese da Guarda.  Natural de Mamouros, concelho de Castro Daire, distrito de Viseu, D. Manuel Fel\u00edcio diz conhecer a realidade da Diocese da Guarda desde h\u00e1 v\u00e1rios anos. Em jeito de balan\u00e7o d\u00e1 a conhecer as viv\u00eancias, as preocupa\u00e7\u00f5es e os desafios como Bispo da Diocese da Guarda.  <b>A Guarda: Nomeado h\u00e1 3 anos para a Diocese da Guarda, que avalia\u00e7\u00e3o global faz desta nossa Diocese?<\/b>   D. Manuel Fel\u00edcio: N\u00e3o conhe\u00e7o a Diocese da Guarda apenas h\u00e1 tr\u00eas anos, pois desde o ano de 1990 que, enquanto membro da Equipa Formadora do Semin\u00e1rio Maior de Viseu, tinha encontros regulares com a Equipa formadora do Semin\u00e1rio Maior da Guarda; mais tarde e sobretudo a partir de 1998, como Director e Professor do Instituto Superior de Teologia, tamb\u00e9m frequentado pelo Seminaristas do Semin\u00e1rio Maior da Guarda, conheci grande parte dos padres mais novos que actualmente temos no nosso Presbit\u00e9rio Diocesano. Posso, por isso, dizer que foi maior a surpresa que tive quando fui nomeado Bispo Auxilair de Lisboa em Outubro de 2002 do que aquela com que recebi a not\u00edcia da nomea\u00e7\u00e3o para a Diocese da Guarda.  Neste momento fa\u00e7o uma avalia\u00e7\u00e3o muito positiva da nossa Diocese, da sua identidade e das suas potencialidades. Para ilustrar esta avalia\u00e7\u00e3o positiva refiro apenas que a Diocese da Guarda foi, ao longo do s\u00e9culo XX, um verdadeiro alfobre de voca\u00e7\u00f5es sacerdotais, religiosas e mission\u00e1rias, as quais neste momento se encontram espalhadas por todo o nosso pa\u00eds e mesmo por v\u00e1rias partes do mundo, particularmente em terras de miss\u00e3o \u201cad gentes\u201d. E, a t\u00edtulo de exemplo, acrescento que cerca de metade dos padres do Presbit\u00e9rio da Arquidiocese de \u00c9vora \u00e9 origin\u00e1ria da nossa Diocese, a come\u00e7ar pelo seu actual Arcebispo, D. Jos\u00e9 Francisco Sanches Alves, que \u00e9 natural da freguesia de Lageosa da Raia, concelho do Sabugal.  Sinto tamb\u00e9m que h\u00e1 h\u00e1bitos de viv\u00eancia da F\u00e9 profundamente arreigados na alma das nossas gentes, como \u00e9 o caso do Lausperene e a valoriza\u00e7\u00e3o de tempos fortes como a Quaresma, o m\u00eas de Maio e outros; sinto tamb\u00e9m na generalidade dos fi\u00e9is crist\u00e3os da nossa Diocese um grande apre\u00e7o pelos sacerdotes e pelo Bispo Diocesano. Para ilustrar este \u00faltimo ponto, recordo que, nas visitas pastorais que at\u00e9 agora fiz a todas as par\u00f3quias de 5 arciprestados, qualquer que tenha sido a hora da minha chegada, encontrei sempre clima de festa e muitas pessoas a esperar-me.  <b>A Guarda: A prop\u00f3sito das Visitas Pastorais que acaba de referir, diga-nos o que pretende com elas, como as costuma programar e que avalia\u00e7\u00e3o faz daquelas que at\u00e9 agora j\u00e1 realizou? <\/b>  D. Manuel Fel\u00edcio: Tenho procurado utiliz\u00e1-las como oportunidade para contactar ao vivo com as comunidades da F\u00e9, rezar com o nosso Povo Crist\u00e3o, verificar as suas potencialidades, auscultar os seus anseios e quanto poss\u00edvel delinear novos objectivos pastorais ou reconfigurar e remotivar os que j\u00e1 existem. Isto de acordo com o que \u00e9 recomendado no Direct\u00f3rio para o Minist\u00e9rio Pastoral dos Bispos. Decidi realizar as Visitas Pastorais por arciprestados e da sua prepara\u00e7\u00e3o tem constado encontro com os respectivos p\u00e1rocos e seus mais directos colaboradores, a recolha de uma primeira informa\u00e7\u00e3o sobre a realidade socio-pastoral de cada par\u00f3quia, a defini\u00e7\u00e3o de um calend\u00e1rio; o an\u00fancio atempadamente feito de cada visita, com programa, quanto poss\u00edvel pormenorizado.  Desloco-me depois a cada par\u00f3quia num dia de semana para cumprir o programa previamente anunciado, come\u00e7ando sempre por um momento de ora\u00e7\u00e3o na Igreja Paroquial, vou a todos os lugares de culto nela existentes e outros lugares e equipamentos com import\u00e2ncia para a pastoral paroquial, contacto com todas as institui\u00e7\u00f5es da Igreja e agentes da pastoral paroquial; disponibilizo-me para dialogar com todas as institui\u00e7\u00f5es da terra, a come\u00e7ar pelo Junta de Freguesia sobre a vida das pessoas, dando espcial aten\u00e7\u00e3o ao patrim\u00f3nio e \u00e0s potencialidades pr\u00f3prias do lugar, celebro a Eucaristia pelas inten\u00e7\u00f5es das pessoas da terra e lembro, em ora\u00e7\u00e3o de sufr\u00e1gio, os falecidos, quanto poss\u00edvel incluindo romagem ao cemit\u00e9rio.  No domingo seguinte volto \u00e0 mesma Par\u00f3quia para celebrar a Missa Dominical e dar as orienta\u00e7\u00f5es pastorais, que ficam registadas por escrito em livro pr\u00f3prio da par\u00f3quia.  At\u00e9 agora fiz visitas pastorais a cinco arciprestados, tendo-me deslocado, em pelo menos dois dias diferentes, a cada uma das suas mais de 100 par\u00f3quias.  A avalia\u00e7\u00e3o que fa\u00e7o \u00e9 muito positiva, porque assim tenho podido identificar tanto as reais potencialidades existentes, como tamb\u00e9m algumas dificuldades. Entre essas dificuldades, sublinho, em particular, a falta de crian\u00e7as em v\u00e1rias das par\u00f3quias visitadas, com muitas escolas prim\u00e1rias desactivadas. Tamb\u00e9m julgo que as orienta\u00e7\u00f5es pastorais que vou deixando, depois de di\u00e1logo com os p\u00e1rocos e seus mais directos colaboradores, podem ajudar a definir novos caminhos de ac\u00e7\u00e3o pastoral para essas par\u00f3quias e para o arciprestado em que se inserem.  <b>A Guarda: E quanto a agentes pastorais e servi\u00e7os diocesanos centrais para garantir o funcionamento das par\u00f3quias e da mesma Diocese, que nos pode dizer? <\/b>  D. Manuel Fel\u00edcio: Sobre isso, desejo come\u00e7ar por sublinhar, com muita satisfa\u00e7\u00e3o, que encontrei na nossa Diocese um Presbit\u00e9rio cujos padres, de modo geral, t\u00eam boa prepara\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica e pastoral e tamb\u00e9m s\u00e3o muito generosos. A sua generosidade fica mais do que provada, se lembrarmos que temos 361 par\u00f3quias para um activo de 115 p\u00e1rocos, tantos s\u00e3o aqueles que neste momento existem.  \u00c9 certo que o Padre hoje, por for\u00e7a da pr\u00f3pria eclesiologia do Vaticano II e pelo estatuto que lhe conferem as novas orienta\u00e7\u00f5es da\u00ed decorrentes, n\u00e3o pode continuar a ser aquele que faz tudo, como acontecia h\u00e1 30\/40 anos atr\u00e1s. E felizmente que encontrei na nossa Diocese umas centenas largas de leigos com boa prepara\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, adquirida sobretudo na Escola Teol\u00f3gica de Leigos, que funciona, desde h\u00e1 anos na nossa Diocese, nos arciprestados e em espa\u00e7os inter-arciprestais; encontrei tamb\u00e9m 27 comunidades religiosas, \u00e0s qais, por sinal, estou agora a fazer a visita \u201ccan\u00f3nica\u201d e ainda mais de duas dezenas de casas da Liga dos Servos de Jesus tamb\u00e9m espalhadas pela Diocese. Acrescentem-se ainda os 8 di\u00e1conos permanentes que temos na Diocese, a partir de h\u00e1 pouco mais de um ano. Falta-nos agora \u2013 e reconhe\u00e7o que nesta mat\u00e9ria temos ainda um longo caminho para andar \u2013 fazer a devida articula\u00e7\u00e3o destes v\u00e1rios agentes pastorais. E esta \u00e9, sem d\u00favida, uma das minhas principais preocupa\u00e7\u00f5es que estou a procurar passar quer aos nossos padres, quer aos \u00f3rg\u00e3os de aconselhamento e prepara\u00e7\u00e3o das decis\u00f5es que temos na Diocese.  <b>A Guarda: Como avalia a log\u00edstica e os equipamentos pastorais que a Diocese possui e a sua capacidade de resposta \u00e0 pastoral dos novos tempos? <\/b>  D. Manuel Fel\u00edcio: Perante esta pergunta, quero, antes de mais, dar gra\u00e7as a Deus por ter havido na hist\u00f3ria da nossa Diocese quem tenha cuidado os espa\u00e7os f\u00edsicos da log\u00edstica para as actividades pastorais a fim de que ela, tanto nos seus servi\u00e7os centrais como nos paroquiais, pudesse cumprir a miss\u00e3o que lhe foi confiada. \u00c9 assim que, pelas par\u00f3quias, temos muitos lugares de culto. E posso dizer que, quase sem excep\u00e7\u00f5es, eles est\u00e3o bem cuidados e a espelhar.  Tamb\u00e9m em geral, cada Par\u00f3quia, para al\u00e9m da Igreja Paroquial e outros lugares de culto, possui a Casa Paroquial ou o Sal\u00e3o Paroquial ou simplesmente anexos da Igreja para fins diferentes do culto. Com alguma frequ\u00eancia, estes outros espa\u00e7os, a come\u00e7ar pela Casa Paroquial, n\u00e3o est\u00e3o t\u00e3o bem cuidados como as Igrejas e Capelas, isso \u00e9 verdade. E a justifica\u00e7\u00e3o mais frequente que tenho encontrado \u00e9 que ou n\u00e3o h\u00e1 p\u00e1roco residente, como acontecia h\u00e1 alguns anos atr\u00e1s ou n\u00e3o h\u00e1 crian\u00e7as na catequese.  Perante situa\u00e7\u00f5es destas, que me t\u00eam aparecido sobretudo no decorrer das visitas pastorais, a mensagem que procuro transmitir \u00e9 que cada Par\u00f3quia para al\u00e9m dos espa\u00e7os de culto, tem de possuir quanto poss\u00edvel, espa\u00e7os para outras finalidades, como \u00e9 o atendimento \u00e0s pessoas, a forma\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o pode destinar-se s\u00f3 a crian\u00e7as, mas a todas as idades, o arquivo e arrumos, para al\u00e9m de sede dos diferentes servi\u00e7os paroquiais. A n\u00edvel de servi\u00e7os centrais e de zona, encontrei a nossa Diocese, de modo geral, igualmente bem equipada. Assim, na cidade da Guarda, temos o Centro Apost\u00f3lico \u201cD. Jo\u00e3o de Oliveira Matos\u201d e espa\u00e7os disponibilizados e bem equipados no nosso Semin\u00e1rio Maior sobretudo para a forma\u00e7\u00e3o e sede de servi\u00e7os centrais Diocesanos. A Casa da Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, situada no centro da cidade e na sua zona hist\u00f3rica, tem neste momento projecto de remodela\u00e7\u00e3o para vir a servir simultaneamente a pastoral da cidade (Par\u00f3quias de S\u00e9 e S. Vicente) e movimentos diocesanos. Precisamos de remodelar a C\u00faria Diocesana e o Pa\u00e7o Episcopal, o que esperamos seja poss\u00edvel acontecer em breve. Tamb\u00e9m as instala\u00e7\u00f5es do antigo Col\u00e9gio de S. Jos\u00e9, que s\u00f3 em parte est\u00e3o a ser utilizadas, constituem uma outra possibilidade para a pastoral Diocesana.  A zona sul da Diocese, apesar de ser a mais densamente povoada, neste momento, temos de o reconhecer, precisa de uma log\u00edstica mais adequada para seus servi\u00e7os pastorais. Esperamos que isso possa vir a acontecer, a partir do nosso Semin\u00e1rio Menor do Fund\u00e3o, que foi programado para receber centenas de alunos. \u00c0 semelhan\u00e7a do que j\u00e1 aconteceu no nosso Semin\u00e1rio Maior, poder\u00e1 certamente ser poss\u00edvel reorganizar os espa\u00e7os do Semin\u00e1rio do Fund\u00e3o, contando com resid\u00eancia para os seminaristas e tamb\u00e9m log\u00edstica para outros servi\u00e7os pastorais da respectiva zona.  <b>A Guarda: Sabemos que esteve h\u00e1 poucos meses, com todo o Episcopado Portug\u00eas em visita \u201cad limina\u201d. Das interpela\u00e7\u00f5es que o Santo Padre fez \u00e0 Igreja em Portugal, quais s\u00e3o as que se aplicam mais directamente \u00e0 nossa Diocese?<\/b>  D. Manuel Fel\u00edcio: O Santo Padre pediu-nos que cuid\u00e1ssemos a Inicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3, partindo da verifica\u00e7\u00e3o de que cresce entre n\u00f3s o n\u00famero de cat\u00f3licos n\u00e3o praticantes. Ora, desde h\u00e1 cerca de um ano e meio a esta parte que, na nossa Diocese, estivemos envolvidos num longo processo de elaborar normas fundamentais para a pr\u00e1tica da Inicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 nas comunidades paroquiais da nossa Diocese. Como conclus\u00e3o desse processo, acab\u00e1mos de publicar um pequeno livro com o t\u00edtulo de Orienta\u00e7\u00f5es pastorais para a pr\u00e1tica da Inicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 (Outubro de 2007). O apelo do Papa sobre este assunto veio refor\u00e7ar a op\u00e7\u00e3o que t\u00ednhamos feito um ano antes. O Papa pediu tamb\u00e9m para a Igreja em Portugal uma nova mentalidade e uma nova organiza\u00e7\u00e3o e apontou como seu ponto de partida uma melhor articula\u00e7\u00e3o entre os distintos minist\u00e9rios e servi\u00e7os eclesiais.  Julgo que esta interpela\u00e7\u00e3o do Papa significa que tamb\u00e9m para n\u00f3s a necessidade de encontrar novos caminhos e novas formas de exercer a complementaridade entre os sacerdotes, os di\u00e1conos permanentes, o significativo n\u00famero de leigos que temos preparados doutrinal e pastoralmente, assim como as comunidades de religiosos e religiosas e as casas da nossa Liga dos Servos de Jesus.  Significa ainda, em meu entender, que precisamos de programar e realizar a nossa ac\u00e7\u00e3o pastoral a partir de espa\u00e7os mais abrangentes do que cada uma das nossas par\u00f3quias, o que implica a reorganiza\u00e7\u00e3o da Diocese a partir de unidades pastorais, dos arciprestados e das 4 zonas que j\u00e1 temos.    <b>A Guarda: Na \u00faltima Mensagem de Natal, levantou algumas quest\u00f5es relacionadas com o desenvolvimento desta regi\u00e3o do pa\u00eds. Em seu entender, o que \u00e9 que seria necess\u00e1rio para que esta zona se tornasse atractiva para os investidores? <\/b>  D. Manuel Fel\u00edcio: J\u00e1 foram anunciadas algumas medidas tendentes a atrair investimentos para a nossa terra, como sejam incentivos fiscais e agora a inaugura\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea de implanta\u00e7\u00e3o de empresas. Temo que essas medidas n\u00e3o cheguem, receio ali\u00e1s manifestado pelo Sr. Presidente da Rep\u00fablica, aquando da sua recente visita \u00e0 Guarda.  A discrimina\u00e7\u00e3o positiva tinha de ser mais vis\u00edvel e estender-se muito mais \u00e0 canaliza\u00e7\u00e3o para estes meios das disponibilidades financeiras previstas no quadro comunit\u00e1rio de apoio que vigora at\u00e9 2013. Todavia muito mais do que importar empresas, julgo que \u00e9 necess\u00e1rio apostar na capacidade dos nossos jovens e incentiv\u00e1-los a montar as suas pr\u00f3prias empresas, disponibilizando apoios n\u00e3o s\u00f3 financeiros, mas tamb\u00e9m de esclarecimento e acompanhamento dos mesmos na fase de cria\u00e7\u00e3o dos seus pr\u00f3prios empregos.  Felizmente que temos, nesta mat\u00e9ria, algumas boas pr\u00e1ticas. Da Guarda e das suas escolas sempre sa\u00edram cabe\u00e7as que, em muitos pontos do pa\u00eds e mesmo na Administra\u00e7\u00e3o Central, t\u00eam dado muito boa conta de si. \u00c9 preciso continuar a apostar nelas para travar a sangria da popula\u00e7\u00e3o activa que, de facto, se est\u00e1 a verificar nos nossos meios, com fuga para os grandes centros, os \u00fanicos onde supostamente continua a haver oferta de emprego.  <b>A Guarda: Como avalia o patrim\u00f3nio de arte crist\u00e3 da nossa Diocese? Como est\u00e1 a ser tratado, como pode interessar o Turismo Religioso e como \u00e9 que o Museu de Arte Sacra e o Arquivo Diocesano podem vir a ser instrumentos valorizados ao servi\u00e7o deste patrim\u00f3nio e do bem da comunidade local? <\/b>  D. Manuel Fel\u00edcio: Verifico que temos um patrim\u00f3nio riqu\u00edssimo e muito valioso que pode constituir importante alavanca no desenvolvimento dos nossos meios. E certamente que o Turismo Religioso \u00e9 um bem para as nossas terras que est\u00e1 longe de se encontrar devidamente desenvolvido e valorizado, nomeadamente com o aproveitamento das rotas das muitas pessoas que anualmente procuram o maci\u00e7o da Serra da Estrela como destino de recreio, de descanso e de lazer.  \u00c9 j\u00e1 uma pergunta recorrente aquela que sistematicamente me fazem sobre quando est\u00e1 pronta a rota das capelas da Serra de Estrela. Esperamos que o Museu de Arte Sacra, cujas instala\u00e7\u00f5es a C\u00e2mara se prepara para entregar \u00e0 Diocese, dentro de um acordo que foi estabelecido j\u00e1 h\u00e1 alguns anos e que o Arquivo Diocesano em fase de organiza\u00e7\u00e3o venham a ser dois importantes instrumentos ao servi\u00e7o do nosso patrim\u00f3mio e consequentemente para bem das nossas gentes.  <b>Pa\u00e7o Episcopal?<\/b> Temos preparado projecto de remodela\u00e7\u00e3o que j\u00e1 foi entregue na C\u00e2mara e esperamos que o concurso para as obras a realizar seja lan\u00e7ado ainda neste primeiro semestre do ano em curso.  <b>\u00d3rg\u00e3o de tubos?<\/b> Sem d\u00favida que essa \u00e9 minha esperan\u00e7a e uma esperan\u00e7a para realizar a curto prazo. H\u00e1 contactos nesse sentido com o GESPPAR (antigo IPPAR) e todos estamos de acordo em que esse \u00e9 um passo urgente a dar para a valoriza\u00e7\u00e3o patrimonial da nossa S\u00e9, considerada o monumento mais valioso de toda a zona de interven\u00e7\u00e3o da equipa do GESPPAR de Castelo Branco, que \u00e9 aquela que tutela tamb\u00e9m a nossa regi\u00e3o.  <b>Sociedade Civil?<\/b> Penso que tenho um bom relacionamento tanto com as autoridades aut\u00e1rquicas e outras como tamb\u00e9m com as diferentes institui\u00e7\u00f5es que d\u00e3o vida \u00e0 nossa Sociedade local.  <b>Cidade da Guarda?<\/b> Vista de fora \u00e9 uma cidade bonita, tanto de dia como de noite, cidade situada no cimo do monte, fazendo jus ao nome de formosa que a tradi\u00e7\u00e3o lhe atribui.  Vista por dentro, percebem-se algumas limita\u00e7\u00f5es, sobretudo por n\u00e3o ter sido definido atempadamente um projecto de ordenamento urban\u00edstico. Esperamos que haja coragem para intervir com rigor na requalifica\u00e7\u00e3o e at\u00e9 algum reordenamento do nosso valios\u00edssimo Centro Hist\u00f3rico, incluindo a zona da Judiaria.  \u00c9 preciso que o Centro Hist\u00f3rico seja encarado como oportunidade para atrair pessoas, passando, assim, a ser factor de desenvolvimento.  <b>Desejos para 2008?<\/b> Que se consolide a paz no M\u00e9dio Oriente; que a guerra termine no Iraque; que o Paquist\u00e3o encontre caminhos de tranquilidade e que o terrorismo possa terminar.   <b>Op\u00e7\u00f5es pastorais para os pr\u00f3ximos tempos?<\/b> \u201cA nossa aposta julgo que tem de continuar a ser na forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 dirigida a todas as idades e quanto poss\u00edvel a come\u00e7ar pelos adultos. Pelo segundo ano consecutivo, temos o nosso programa pastoral diocesano voltado para esta forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 dos adultos feita a partir do catecismo da Igreja Cat\u00f3lica.  Sentimos tamb\u00e9m que \u00e9 preciso aprofundar ainda mais esta forma\u00e7\u00e3o para todas as idades, motivando seriamente a Inicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3, a qual para uns ser\u00e1 feita no processo catequ\u00e9tico previsto at\u00e9 ao final da adolesc\u00eancia; mas para outros em idades mais avan\u00e7adas.  O importante \u00e9 que as nossas comunidades paroquiais, cada uma por si mesma ou associadas em espa\u00e7os mais alargados, se empenhem na evangeliza\u00e7\u00e3o, seja de primeiro an\u00fancio, seja na fase de Inicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 propriamente dita, seja em ac\u00e7\u00f5es de miss\u00e3o dirigidas aos que est\u00e3o fora.  Para cumprirmos estes objectivos, precisamos de continuar a preparar agentes pastorais e, ao mesmo tempo, de abrir as portas a novas formas de desenvolver a actividade evangelizadora, como s\u00e3o, por exemplo, as dos novos movimentos eclesiais.  Precisamos de fazer passar a mensagem a todos os nossos crist\u00e3os de que n\u00e3o pode haver vida de F\u00e9 sem forma\u00e7\u00e3o permanente na F\u00e9 e a mesma obriga\u00e7\u00e3o que todos temos de participar na Missa ao domingo temo-la igualmente para participar nas ac\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o programadas pelas par\u00f3quias ou grupos de par\u00f3quias. S\u00f3 assim levamos a s\u00e9rio o apelo \u00e0 pr\u00e1tica da nova evangeliza\u00e7\u00e3o que nos continua a ser insistentemente feito. Uma outra op\u00e7\u00e3o pastoral que nunca est\u00e1 completamente cumprida \u00e9 a promo\u00e7\u00e3o das voca\u00e7\u00f5es sacerdotais. Sabemos que sem padres que celebrem a Eucaristia e orientem o Povo em nome de Cristo, a Igreja n\u00e3o teria futuro. Da\u00ed a import\u00e2ncia que temos de continuar a dar ao nosso Semin\u00e1rio Maior, ao nosso Semin\u00e1rio Menor e ao Pr\u00e9-Semin\u00e1rio ou Semin\u00e1rio em fam\u00edlia. Tamb\u00e9m sinto que h\u00e1 potencialidades pr\u00f3prias desta Diocese que \u00e9 preciso desenvolver e aproveitar ainda mais para a evangeliz\u00e7\u00e3o e o an\u00fancio e viv\u00eancia da F\u00e9.  Uma delas \u00e9 o maci\u00e7o da Serra de Estrela, \u00e0 volta do qual esta nossa Diocese se organiza. J\u00e1 a\u00ed estamos presentes em tr\u00eas espa\u00e7os. Refiro-me \u00e0s Penhas da Sa\u00fade, com Casa de acolhimento e Igreja; \u00e0 Torre, com a Capela de Nossa Senhora do Ar e \u00e0s Penhas Douradas, tamb\u00e9m com Casa de acolhimento e Capela de Nossa Senhora da Estrela. Sinto que temos de continuar a revalorizar esta presen\u00e7a\u201d. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista do jornal \u00abA Guarda\u00bb ao Bispo diocesano, por ocasi\u00e3o dos tr\u00eas anos de nomea\u00e7\u00e3o para Bispo Coadjutor da Diocese da Guarda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[95,119,127,154,168,175,184,206,267,268,285,91,320],"class_list":["post-29492","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-accao-catolica","tag-arte-sacra","tag-catequese","tag-crianca","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-evora","tag-diocese-de-viseu","tag-familia","tag-natal","tag-nova-evangelizacao","tag-patrimonio","tag-quaresma","tag-turismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29492","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29492"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29492\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29492"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29492"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29492"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}