{"id":294724,"date":"2023-08-08T11:47:13","date_gmt":"2023-08-08T10:47:13","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=294724"},"modified":"2023-08-09T12:06:58","modified_gmt":"2023-08-09T11:06:58","slug":"encontro-com-as-autoridades-com-a-sociedade-civil-e-com-o-corpo-diplomatico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/encontro-com-as-autoridades-com-a-sociedade-civil-e-com-o-corpo-diplomatico\/","title":{"rendered":"Encontro com as autoridades, com a sociedade civil e com o corpo diplom\u00e1tico"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_292927\" aria-describedby=\"caption-attachment-292927\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Papa-CCB_02Julho_Lusa4.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-292927 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Papa-CCB_02Julho_Lusa4.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Papa-CCB_02Julho_Lusa4.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Papa-CCB_02Julho_Lusa4-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Papa-CCB_02Julho_Lusa4-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Papa-CCB_02Julho_Lusa4-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Papa-CCB_02Julho_Lusa4-391x260.jpg 391w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-292927\" class=\"wp-caption-text\">Foto Ant\u00f3nio Pedro Santos\/Lusa, Encontro do Papa no CCB<\/figcaption><\/figure>\n<p>Senhor Presidente da Rep\u00fablica,<\/p>\n<p>Senhor Presidente da Assembleia da Rep\u00fablica,<\/p>\n<p>Senhor Primeiro-Ministro,<\/p>\n<p>Distintos membros do Governo e do Corpo Diplom\u00e1tico,<\/p>\n<p>Ilustres Autoridades, representantes da sociedade civil e do mundo da cultura,<\/p>\n<p>Senhoras e Senhores!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sa\u00fado-vos cordialmente e agrade\u00e7o ao Senhor Presidente o acolhimento e as am\u00e1veis palavras que me dirigiu. O Senhor Presidente sabe acolher bem. Obrigado! Estou feliz por estar em Lisboa, cidade do encontro que abra\u00e7a v\u00e1rios povos e culturas e que, nestes dias, se mostra ainda mais universal; torna-se, de certo modo, a capital do mundo, a capital do futuro, porque os jovens s\u00e3o o futuro. Isto condiz bem com o seu car\u00e1ter multi\u00e9tnico e multicultural (penso, por exemplo, no bairro da Mouraria, onde convivem pessoas provenientes de mais de sessenta pa\u00edses) e revela os tra\u00e7os cosmopolitas de Portugal, que afunda as suas ra\u00edzes no desejo de se abrir ao mundo e explor\u00e1-lo, navegando rumo a novos e amplos horizontes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o muito longe daqui, no Cabo da Roca, est\u00e1 gravada a frase dum grande poeta desta cidade: \u00abAqui&#8230; onde a terra se acaba e o mar come\u00e7a\u00bb (L. Vaz de Cam\u00f5es, Os Lus\u00edadas, canto III, 20). Durante s\u00e9culos, acreditou-se que l\u00e1 estivessem os confins do mundo. E em certo sentido \u00e9 verdade, porque este pa\u00eds confina com o oceano, que delimita os continentes. E, do oceano, Lisboa conserva o abra\u00e7o e o perfume. Fa\u00e7o meu, com muito gosto, aquilo que os portugueses costumam cantar: \u00abLisboa tem cheiro de flores e de mar\u00bb (A. Rodrigues, Cheira bem, cheira a Lisboa, 1972). Muito mais do que um elemento paisag\u00edstico, o mar \u00e9 um apelo que n\u00e3o cessa de ecoar no \u00e2nimo de cada portugu\u00eas, podendo uma vossa poetisa celebr\u00e1-lo como \u00abmar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim\u00bb (S. de Mello Breyner Andresen, Mar sonoro). \u00c0 vista do oceano, os portugueses s\u00e3o levados a refletir sobre os imensos espa\u00e7os da alma e sobre o sentido da vida no mundo. Nesta linha, gostaria tamb\u00e9m eu de partilhar convosco algumas reflex\u00f5es, deixando-me levar pela imagem do oceano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo a mitologia cl\u00e1ssica, Oceano \u00e9 filho do c\u00e9u (Urano): a sua vastid\u00e3o leva os mortais a olharem para cima elevando-se para o infinito. Ao mesmo tempo, por\u00e9m, Oceano \u00e9 filho da terra (Gea) que abra\u00e7a, convidando assim a envolver de ternura todo o mundo habitado. Com efeito, o oceano n\u00e3o liga apenas povos e pa\u00edses, mas tamb\u00e9m terras e continentes; por isso Lisboa, cidade do oceano, lembra a import\u00e2ncia do conjunto, a import\u00e2ncia de conceber as fronteiras, n\u00e3o como limites que separam, mas como zonas de contacto. As grandes quest\u00f5es hoje, como sabemos, s\u00e3o globais e j\u00e1 muitas vezes tivemos de fazer experi\u00eancia da inefic\u00e1cia da nossa resposta \u00e0s mesmas, precisamente porque o mundo, diante de problemas comuns, se mant\u00e9m dividido ou pelo menos n\u00e3o suficientemente unido, incapaz de enfrentar juntos aquilo que nos p\u00f5e em crise a todos. Parece que as injusti\u00e7as planet\u00e1rias, as guerras, as crises clim\u00e1ticas e migrat\u00f3rias correm mais rapidamente do que a capacidade e, muitas vezes, a vontade de enfrentar em conjunto tais desafios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lisboa pode sugerir uma mudan\u00e7a de ritmo. Em 2007, foi assinado aqui o hom\u00f3nimo Tratado de reforma da Uni\u00e3o Europeia. Nele se l\u00ea que \u00aba Uni\u00e3o tem por objetivo promover a paz, os seus valores e o bem-estar dos seus povos\u00bb (Tratado de Lisboa que altera o Tratado da Uni\u00e3o Europeia e o Tratado que institui a Comunidade Europeia, art. 1.4\/2.1); mas vai mais longe afirmando que, \u00abnas suas rela\u00e7\u00f5es com o resto do mundo (&#8230;), contribui para a paz, a seguran\u00e7a, o desenvolvimento sustent\u00e1vel do planeta, a solidariedade e o respeito m\u00fatuo entre os povos, o com\u00e9rcio livre e equitativo, a erradica\u00e7\u00e3o da pobreza e a prote\u00e7\u00e3o dos direitos humanos\u00bb (art. 1,4\/2.5). N\u00e3o se trata apenas de palavras, mas de marcos mili\u00e1rios no caminho da comunidade europeia, esculpidos na mem\u00f3ria desta cidade. Aqui temos o esp\u00edrito do conjunto, animado pelo sonho europeu dum multilateralismo mais amplo do que o mero contexto ocidental.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo uma etimologia, que \u00e9 objeto de discuss\u00e3o, o nome Europa derivaria duma palavra que indica a dire\u00e7\u00e3o do ocidente. O certo \u00e9 que Lisboa constitui a capital mais ocidental da Europa continental, lembrando a necessidade de abrir caminhos de encontro mais vastos, como ali\u00e1s Portugal est\u00e1 a fazer sobretudo com os pa\u00edses de outros continentes irmanados pela mesma l\u00edngua. Espero que a Jornada Mundial da Juventude seja, para o \u00abvelho continente\u00bb \u2013 poder\u00edamos dizer o continente \u201canci\u00e3o\u201d \u2013, um impulso de abertura universal, isto \u00e9, um impulso que o torne mais jovem. Na verdade, o mundo tem necessidade da Europa, da Europa verdadeira: precisa do seu papel de construtora de pontes e de pacificadora no Leste europeu, no Mediterr\u00e2neo, na \u00c1frica e no M\u00e9dio Oriente. Assim poder\u00e1 a Europa trazer, para o cen\u00e1rio internacional, a sua originalidade espec\u00edfica; vimo-la delineada no s\u00e9culo passado quando, do crisol dos conflitos mundiais, fez saltar a centelha da reconcilia\u00e7\u00e3o, tornando verdadeiro o sonho de se construir o amanh\u00e3 juntamente com o inimigo de ontem, o sonho de abrir percursos de di\u00e1logo, percursos de inclus\u00e3o, desenvolvendo uma diplomacia da paz que extinga os conflitos e acalme as tens\u00f5es, capaz de captar o mais d\u00e9bil sinal de distens\u00e3o e de o ler por entre as linhas mais distorcidas da realidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No oceano da hist\u00f3ria, estamos a navegar num momento tempestuoso e sente-se a falta de rotas corajosas de paz. Olhando com grande afeto para a Europa, no esp\u00edrito de di\u00e1logo que a carateriza, apetece perguntar-lhe: Para onde navegas, se n\u00e3o ofereces percursos de paz, vias inovadoras para acabar com a guerra na Ucr\u00e2nia e com tantos conflitos que ensanguentam o mundo? E ainda, alargando o campo: Que rota est\u00e1s a seguir, Ocidente? A tua tecnologia, que marcou o progresso e globalizou o mundo, sozinha n\u00e3o basta; e muito menos bastam as armas mais sofisticadas, que n\u00e3o representam investimentos para o futuro, mas empobrecimento do verdadeiro capital humano que \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o, a sa\u00fade, o estado social. Fica-se preocupado ao ler que, em muitos lugares, se investem continuamente os recursos em armas e n\u00e3o no futuro dos filhos. Isto \u00e9 verdade. Ainda h\u00e1 alguns dias, dizia-me o ec\u00f3nomo que o investimento que rende melhor \u00e9 na fabrica\u00e7\u00e3o de armas. Investe-se mais em armas do que no futuro de nossos filhos. Sonho uma Europa, cora\u00e7\u00e3o do Ocidente, que use o seu engenho para apagar focos de guerra e acender luzes de esperan\u00e7a; uma Europa que saiba reencontrar o seu \u00e2nimo jovem, sonhando a grandeza do conjunto e indo al\u00e9m das necessidades imediatas; uma Europa que inclua povos e pessoas com a sua pr\u00f3pria cultura, sem correr atr\u00e1s de teorias e coloniza\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas. E isto ajudar-nos-\u00e1 a pensar nos sonhos dos pais fundadores da Uni\u00e3o Europeia: eles sonhavam em grande!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com a sua imensa vastid\u00e3o de \u00e1gua, o oceano recorda as origens da vida. No mundo evolu\u00eddo de hoje, paradoxalmente, tornou-se priorit\u00e1rio defender a vida humana, posta em risco por derivas utilitaristas que a usam e descartam: a cultura do descarte da vida. Penso em tantas crian\u00e7as n\u00e3o-nascidas e idosos abandonados a si mesmos, na dificuldade de acolher, proteger, promover e integrar quem vem de longe e bate \u00e0s nossas portas, no desamparo em que s\u00e3o deixadas muitas fam\u00edlias com dificuldade para trazer ao mundo e fazer crescer os filhos. Tamb\u00e9m aqui apetece perguntar: Para onde navegais, Europa e Ocidente, com o descarte dos idosos, os muros de arame farpado, as mortandades no mar e os ber\u00e7os vazios? Para onde navegais? Para onde ides se, perante o tormento de viver, vos limitais a oferecer rem\u00e9dios r\u00e1pidos e errados como o f\u00e1cil acesso \u00e0 morte, solu\u00e7\u00e3o c\u00f3moda que parece doce, mas na realidade \u00e9 mais amarga que as \u00e1guas do mar? Penso em tantas leis sofisticadas sobre a eutan\u00e1sia!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas Lisboa, abra\u00e7ada pelo oceano, oferece-nos motivos para esperar; \u00e9 cidade da esperan\u00e7a. H\u00e1 uma mar\u00e9 de jovens que se espraia sobre esta cidade acolhedora. Quero agradecer o grande trabalho e generoso empenho empreendidos por Portugal para acolher um evento t\u00e3o complexo de gerir, mas fecundo de esperan\u00e7a, pois \u2013 como se diz por aqui \u2013 \u00abao lado dos jovens, n\u00e3o se envelhece\u00bb. Jovens provenientes de todo o mundo que cultivam anseios de unidade, paz e fraternidade, jovens que sonham desafiam-nos a realizar os seus sonhos bons. N\u00e3o andam pelas ruas a gritar sua raiva, mas a partilhar a esperan\u00e7a do Evangelho, a esperan\u00e7a da vida. E se, em muitos lugares, se respira hoje um clima de protesto e insatisfa\u00e7\u00e3o, terreno f\u00e9rtil para populismos e conspira\u00e7\u00f5es, a Jornada Mundial da Juventude \u00e9 ocasi\u00e3o para construir juntos. Reaviva o desejo de criar coisas novas, fazer-se ao largo e navegar juntos rumo ao futuro. V\u00eam \u00e0 mente algumas palavras ousadas de Fernando Pessoa: \u00abNavegar \u00e9 preciso; viver n\u00e3o \u00e9 preciso (&#8230;); o que \u00e9 necess\u00e1rio \u00e9 criar\u00bb (Navegar \u00e9 preciso). Trabalhemos, pois, com criatividade para construirmos juntos! Imagino tr\u00eas estaleiros de constru\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a onde podemos trabalhar todos unidos: o ambiente, o futuro, a fraternidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O ambiente. Portugal partilha com a Europa muitos esfor\u00e7os exemplares na defesa da cria\u00e7\u00e3o. Mas o problema global continua extremamente grave: os oceanos aquecem e, das suas profundezas, sobe \u00e0 superf\u00edcie a torpeza com que polu\u00edmos a nossa casa comum. Estamos a transformar as grandes reservas de vida em lixeiras de pl\u00e1stico. O oceano lembra-nos que a exist\u00eancia humana \u00e9 chamada a viver de harmonia com um ambiente maior do que n\u00f3s; este deve ser guardado; deve ser guardado com cuidado, tendo em conta as gera\u00e7\u00f5es mais novas. Como podemos dizer que acreditamos nos jovens, se n\u00e3o lhes dermos um espa\u00e7o sadio para construir o seu futuro?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O futuro \u00e9 o segundo estaleiro de obras. E o futuro s\u00e3o os jovens. Mas muitos fatores os desanimam, como a falta de trabalho, os ritmos fren\u00e9ticos em que se veem imersos, o aumento do custo de vida, a dificuldade de encontrar uma casa e, ainda mais preocupante, o medo de constituir fam\u00edlia e trazer filhos ao mundo. Na Europa e em geral no Ocidente, assiste-se a uma fase descendente na curva demogr\u00e1fica: o progresso parece ser uma quest\u00e3o que diz respeito ao desenvolvimento t\u00e9cnico e ao conforto dos indiv\u00edduos, enquanto o futuro pede para se contrariar a queda da natalidade e o decl\u00ednio da vontade de viver. A boa pol\u00edtica pode fazer muito neste sentido; pode gerar esperan\u00e7a. Com efeito, n\u00e3o \u00e9 chamada a conservar o poder, mas a dar \u00e0s pessoas a possibilidade de esperar. \u00c9 chamada, hoje mais do que nunca, a corrigir os desequil\u00edbrios econ\u00f3micos dum mercado que produz riquezas mas n\u00e3o as distribui, empobrecendo de recursos e de certezas os \u00e2nimos. \u00c9 chamada a voltar a descobrir-se como geradora de vida e de cuidado da cria\u00e7\u00e3o, a investir com clarivid\u00eancia no futuro, nas fam\u00edlias e nos filhos, a promover alian\u00e7as intergeracionais, onde n\u00e3o se apague o passado mas se favore\u00e7am os la\u00e7os entre jovens e idosos. \u00c9 preciso retomar o di\u00e1logo ente jovens e idosos. A isto mesmo faz apelo o sentimento da saudade portuguesa, que exprime nostalgia, desejo dum bem ausente, que s\u00f3 renasce em contacto com as pr\u00f3prias ra\u00edzes. Os jovens devem encontrar as suas pr\u00f3prias ra\u00edzes nos idosos. Neste sentido, \u00e9 importante a educa\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o pode limitar-se a fornecer no\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas para se progredir economicamente, mas destina-se a introduzir numa hist\u00f3ria, transmitir uma tradi\u00e7\u00e3o, valorizar a necessidade religiosa do homem e favorecer a amizade social.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O \u00faltimo estaleiro de esperan\u00e7a \u00e9 o da fraternidade, que n\u00f3s, crist\u00e3os, aprendemos do Senhor Jesus Cristo. Em muitas partes de Portugal, est\u00e1 ainda muito vivo o sentido de vizinhan\u00e7a e solidariedade. Contudo, no contexto geral duma globaliza\u00e7\u00e3o que nos aproxima mas n\u00e3o nos d\u00e1 uma proximidade fraterna, somos todos chamados a cultivar o sentido da comunidade, come\u00e7ando por ir ter com quem vive ao nosso lado. Com efeito, como observou Saramago, \u00abo que d\u00e1 verdadeiro sentido ao encontro \u00e9 a busca; e \u00e9 preciso andar muito, para se alcan\u00e7ar o que est\u00e1 perto\u00bb (Todos os nomes, 1997). Como \u00e9 bom voltar a descobrir-nos irm\u00e3os e irm\u00e3s, trabalhar pelo bem comum, deixando para tr\u00e1s contrastes e diferen\u00e7as de perspetiva! Tamb\u00e9m aqui servem de exemplo os jovens que nos levam, com o seu grito de paz e \u00e2nsia de vida, a derrubar as r\u00edgidas divis\u00f3rias de perten\u00e7a erguidas em nome de opini\u00f5es e cren\u00e7as diversas. Soube de muitos jovens que cultivam, aqui, o desejo de se fazerem pr\u00f3ximo dos outros; penso na iniciativa \u00abMiss\u00e3o Pa\u00eds\u00bb, que leva milhares de jovens a viver no esp\u00edrito do Evangelho experi\u00eancias de solidariedade mission\u00e1ria em zonas perif\u00e9ricas, sobretudo nas aldeias do interior, indo ao encontro de muitos idosos sozinhos, e isto \u00e9 uma \u201cun\u00e7\u00e3o\u201d para a juventude. Quero agradecer e encorajar a tantos que na sociedade portuguesa se preocupam com os outros, nomeadamente a Igreja, e que fazem tanto bem mesmo longe dos holofotes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Irm\u00e3os e irm\u00e3s, sintamo-nos chamados, todos juntos fraternalmente, a dar esperan\u00e7a ao mundo em que vivemos e a este magn\u00edfico pa\u00eds. Deus aben\u00e7oe Portugal!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Centro Cultural de Bel\u00e9m, Lisboa<\/p>\n<p>Quarta-feira, 2 de agosto de 2023<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":292927,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[558,274],"class_list":["post-294724","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-jmj-lisboa-2023","tag-papa-francisco"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/294724","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=294724"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/294724\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/292927"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=294724"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=294724"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=294724"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}