{"id":294,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/reconciliai-vos-com-deus\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"reconciliai-vos-com-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/reconciliai-vos-com-deus\/","title":{"rendered":"&#8220;Reconciliai-vos com Deus&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Inten\u00e7\u00e3o do Santo Padre para o Apostolado da Ora\u00e7\u00e3o\u2013 MAR\u00c7O <!--more--> Que no Povo de Deus e nos seus Pastores aumente a consci\u00eancia da import\u00e2ncia do Sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o, d\u00e1diva misericordiosa de Deus.  1. \u00ab\u00d3 Senhor, d\u00e1-nos a paz, a paz do s\u00e1bado que n\u00e3o entardece\u00bb (Santo Agostinho). Estamos divididos \u2013 connosco, com os outros, com a natureza, com Deus. Podemos viver assim \u2013 e, de facto, vivemos assim habitualmente. N\u00e3o \u00e9 esse, por\u00e9m, o modo como estamos chamados a viver, quando sondamos a profundidade mais \u00edntima do nosso ser. A\u00ed, onde o nosso eu nos escapa para regi\u00f5es quase sempre desconhecidas, porque raramente temos coragem de ir t\u00e3o longe, experimentamos com uma intensidade ag\u00f3nica a nostalgia da paz, que \u00e9 bem estar, harmonia, unidade, perman\u00eancia\u2026 t\u00e3o dif\u00edcil de definir que apenas ocorrem as palavras de Santo Agostinho gritando a Deus pelo dom da \u00abpaz do s\u00e1bado que n\u00e3o entardece\u00bb. 2. \u00abEm nome de Cristo, suplicamo-vos: reconciliai-vos com Deus\u00bb (2 Cor 5, 20). O caminho da paz \u00e9 a reconcilia\u00e7\u00e3o. Caminho dif\u00edcil, mais ainda quando n\u00e3o se fez o caminho mais longo: reconciliar-se com Deus. Digamo-lo com todas as letras: n\u00e3o h\u00e1 reconcilia\u00e7\u00e3o poss\u00edvel consigo, com os outros, entre os povos, com  a natureza\u2026 enquanto n\u00e3o fizermos o sacrif\u00edcio que nos reconcilia com Deus. Entenda-se: fazer sacrif\u00edcio, aqui, n\u00e3o significa penit\u00eancia, andar de joelhos, n\u00e3o significa nada disso que o sacrif\u00edcio se tornou na linguagem comum. Sacrif\u00edcio, aqui, vai \u00e0 raiz das coisas: fazer sagrado, portanto, fazer separado. Qual \u00e9 o sacrif\u00edcio que nos reconcilia com Deus? Aquele que separa o querer e interesse de Deus do nosso querer e interesse. Aquele que n\u00e3o confunde os caminhos de Deus com os caminhos dos homens. Aquele que n\u00e3o invoca o nome de Deus em v\u00e3o. Reconciliar-se com Deus? Fazendo sacrif\u00edcio da vontade de Deus, que n\u00e3o \u00e9 a nossa. Reconciliar-se com Deus? Indo ao mais \u00edntimo de n\u00f3s mesmos, e deixando que, a\u00ed, Deus se fa\u00e7a Senhor da nossa liberdade, para ser Ele a nossa paz, mesmo se isso nos custa tudo aquilo que julg\u00e1vamos ser nosso por direito de conquista: na rela\u00e7\u00e3o connosco, com os outros e sobretudo com Ele. 3.  \u00abTudo isto vem de Deus, que nos reconciliou consigo por meio de Jesus Cristo e nos confiou o minist\u00e9rio da reconcilia\u00e7\u00e3o\u00bb (2 Cor 5, 18). Pasme-se diante deste Deus que, tendo-nos reconciliado consigo, \u00abnos confiou o minist\u00e9rio da reconcilia\u00e7\u00e3o\u00bb! A todos n\u00f3s, a qualquer um de n\u00f3s, que acolhe a reconcilia\u00e7\u00e3o realizada por Deus em Jesus Cristo. Mais importante, pois, do que as formas concretas como este minist\u00e9rio da reconcilia\u00e7\u00e3o se faz presente e se exerce no meio dos homens, \u00e9 o pr\u00f3prio minist\u00e9rio da reconcilia\u00e7\u00e3o e o facto de que ele nos foi confiado. Por isso S. Paulo suplica: \u00abreconciliai-vos com Deus\u00bb. Quem julga que este minist\u00e9rio n\u00e3o lhe diz respeito, faz objectivamente o jogo do poder das trevas, sempre apostado na divis\u00e3o, no \u00f3dio, na afirma\u00e7\u00e3o do \u00absereis como deuses\u00bb e, portanto, na recusa do sacrif\u00edcio que todos temos de fazer. 4. O exerc\u00edcio concreto deste minist\u00e9rio de reconcilia\u00e7\u00e3o conheceu variadas formas hist\u00f3ricas desde que Deus no-lo confiou, em Cristo Jesus. Na Igreja cat\u00f3lica, assumiu dignidade sacramental, tornando-se \u00absinal eficaz da gra\u00e7a de Deus\u00bb que realiza plenamente aquilo que anuncia \u2013 ou seja, realiza, de facto, a reconcilia\u00e7\u00e3o daquele que o celebra com Deus, em Jesus Cristo. Diz-se, por vezes em tom lamentoso, que actualmente este sacramento perdeu \u00abadeptos\u00bb \u2013 e salienta-se como causa a perda do \u00absentido do pecado\u00bb por parte do homem moderno. A quest\u00e3o \u00e9 longa e dif\u00edcil. Mas um princ\u00edpio de resposta encontra-se no texto da Inten\u00e7\u00e3o do Santo Padre, que fala deste sacramento como da Reconcilia\u00e7\u00e3o e como dom misericordioso de Deus. Esta miseric\u00f3rdia manifesta-se no facto de que Deus nos reconciliou consigo em Jesus Cristo e nos confiou o minist\u00e9rio da reconcilia\u00e7\u00e3o, que o sacramento exprime de modo concreto. Importa, por isso, evangelizar a ideia individualista e desculpabilizante de \u00abir confessar-se\u00bb para se \u00ablivrar\u00bb dos pecados, sem qualquer sacrif\u00edcio, prestando maior aten\u00e7\u00e3o ao minist\u00e9rio de reconcilia\u00e7\u00e3o que nos foi confiado e que, no encontro entre o sacerdote e o penitente, se concretiza de modo sacramental. Ser\u00e1, talvez, um modo mais adequado de ajudar os fi\u00e9is a entenderem o valor deste sacramento, para cada um e para o mundo, t\u00e3o necessitado de reconcilia\u00e7\u00e3o. Oxal\u00e1 a Quaresma, prestes a iniciar-se, seja tempo favor\u00e1vel para o sacrif\u00edcio que se imp\u00f5e, tendo em vista uma viv\u00eancia reconciliada do sacramento da reconcilia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inten\u00e7\u00e3o do Santo Padre para o Apostolado da Ora\u00e7\u00e3o\u2013 MAR\u00c7O<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[91],"class_list":["post-294","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-vaticano","tag-quaresma"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/294","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=294"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/294\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=294"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=294"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=294"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}