{"id":29344,"date":"2008-01-15T12:32:45","date_gmt":"2008-01-15T12:32:45","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/01\/15\/uma-saudavel-inquietude\/"},"modified":"2008-01-15T12:32:45","modified_gmt":"2008-01-15T12:32:45","slug":"uma-saudavel-inquietude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/uma-saudavel-inquietude\/","title":{"rendered":"Uma saud\u00e1vel inquietude"},"content":{"rendered":"<p>1. N\u00e3o comecei 2008 a contar passas nem a formular desejos. E s\u00f3 n\u00e3o inaugurei o ano distraidamente, apenas porque algu\u00e9m a meu lado ecoou a contagem decrescente da TV e for\u00e7ou um brinde aos presentes e ao Ano Novo. Foi ent\u00e3o que, em meia d\u00fazia de segundos, formulei um \u00edntimo voto: quero viver uma saud\u00e1vel inquietude!.. A muitos pode parecer um estranho des\u00edgnio. Mas aqueles em cujas t\u00eamporas poisam as brancas do tempo e a geada de algumas dezenas de invernos compreend\u00ea-lo-\u00e3o. E saber\u00e3o perceb\u00ea-lo como vontade de resistir ao des\u00e2nimo, ao desencanto, \u00e0 fadiga de muitos projectos, ou \u00e0 (quase) consequente tenta\u00e7\u00e3o de entrar urgentemente na pr\u00e9-reforma!&#8230;  A inquietude que desejo \u00e9, de facto, a \u00abinquietude criativa\u00bb, onde \u00abbate e pulsa aquilo que \u00e9 mais profundamente humano: a busca da verdade, a insaci\u00e1vel necessidade do bem, a fome da liberdade, a nostalgia do belo e a voz da consci\u00eancia\u00bb. O desencanto, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 como a humidade nas casas: revela-se uns dias depois da chuva, raramente aparece no local exacto da infiltra\u00e7\u00e3o e, aos precipitados, leva-os a interven\u00e7\u00f5es mais profundas que o necess\u00e1rio&#8230; Formular o voto de resistir ao desencanto \u00e9 uma quest\u00e3o de bom senso, que a um crente deve parecer ainda mais natural, por estar familiarizado com promessas seguras: s\u00f3 ele, o crente, \u00abtem a grande esperan\u00e7a que sustenta a vida\u00bb. Volto ao princ\u00edpio: viver intimamente a inquietude e dela contagiar quem me rodeia, eis o que quero de mim para 2008 \u2013 de modo que o ano frutifique nas obras que me (pr\u00e9)ocupam. N\u00e3o como sonhos pessoais, mas como necessidades da institui\u00e7\u00e3o (RR) que neste momento sirvo.  Se o conseguir, 2008 ser\u00e1, para o Grupo R\u00e1dio Renascen\u00e7a, um ano muito relevante, merc\u00ea dos projectos em curso. Enumero, a t\u00edtulo de exemplo: a reorganiza\u00e7\u00e3o que refor\u00e7ar\u00e1 a sua identidade e a diversifica\u00e7\u00e3o; a consolida\u00e7\u00e3o da op\u00e7\u00e3o pelo digital (WebTV e P\u00e1gina Um); o desenvolvimento do processo de novas instala\u00e7\u00f5es em Lisboa e no Norte (Gaia). Sem descurar, naturalmente, a lideran\u00e7a das audi\u00eancias, como reflexo da qualidade das nossas r\u00e1dios&#8230; As novidades tecnol\u00f3gicas e as altera\u00e7\u00f5es nos gostos dos p\u00fablicos n\u00e3o s\u00e3o problema, mas oportunidade. Por isso, a inquietude n\u00e3o \u00e9 nervosa inquieta\u00e7\u00e3o&#8230; Mais: um Grupo Renascen\u00e7a s\u00f3lido e afirmativo \u00e9 uma necessidade. De facto, uma sociedade sem vozes que apontem para al\u00e9m das esquinas do imediatismo \u00e9 uma comunidade sem profetas, sem an\u00fancio e den\u00fancia, sem capacidade de convers\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o. E quem melhor pode fazer-se ouvir, sen\u00e3o os que falam sem fome de poder? Atrevo-me a incluir, nos votos desta saud\u00e1vel inquieta\u00e7\u00e3o, todos os meios de comunica\u00e7\u00e3o social mais ou menos claramente afectos \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica. Entendo que, sem perda da leg\u00edtima autonomia e da especificidade de cada um, podem e devem viver uma coopera\u00e7\u00e3o efectiva e afectiva. Completando-se sem repeti\u00e7\u00f5es est\u00e9reis, quais olhos, m\u00e3os ou cora\u00e7\u00e3o do mesmo corpo&#8230; Para tanto, urge uma pastoral da comunica\u00e7\u00e3o, que coloque a comunica\u00e7\u00e3o em todos os sectores da pastoral.  2. Se do plano pr\u00f3ximo passar para um contexto mais amplo, os meus votos n\u00e3o se alteram. Realmente, gostaria de sentir o meu pa\u00eds lavado do desinteresse instalado, do pessimismo militante e do conformismo doentio.  Sei que, uma vez por outra, a in\u00e9rcia \u00e9 desmentida durante tr\u00eas protestos \u00e0 hora do Telejornal. Mas \u00e9 rapidamente restabelecida pela surdez \u2014 hoje apelidada de firmeza\u2014que, no entanto, retira, ordeira, perante amea\u00e7as ou interesses externos e corajosamente se ergue contra os mais fr\u00e1geis. A este poder algu\u00e9m chama \u00abatrevido\u00bb. Mas seria este o adjectivo no tempo das palavras claras?&#8230; Olhando a sociedade portuguesa, desejo que 2008 reforce a nossa capacidade de participa\u00e7\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o do futuro comum. Sem delega\u00e7\u00f5es f\u00e1ceis nem usurpa\u00e7\u00f5es discut\u00edveis; sem leviandades que desrespeitam a alma, nem paralisias de interesses corporativos; sem fugas para a frente e claras irresponsabilidades face \u00e0s gera\u00e7\u00f5es futuras.  3. Eis, resumidamente, os meus votos: que 2008 seja o ano da saud\u00e1vel inquietude!..  <i>P. Jo\u00e3o Aguiar Campos, Pres.  Conselho Ger\u00eancia da RR <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. N\u00e3o comecei 2008 a contar passas nem a formular desejos. E s\u00f3 n\u00e3o inaugurei o ano distraidamente, apenas porque algu\u00e9m a meu lado ecoou a contagem decrescente da TV e for\u00e7ou um brinde aos presentes e ao Ano Novo. 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