{"id":29295,"date":"2008-01-12T17:50:02","date_gmt":"2008-01-12T17:50:02","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/01\/12\/jornada-mundial-do-migrante-e-refugiado\/"},"modified":"2008-01-12T17:50:02","modified_gmt":"2008-01-12T17:50:02","slug":"jornada-mundial-do-migrante-e-refugiado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/jornada-mundial-do-migrante-e-refugiado\/","title":{"rendered":"Jornada Mundial do Migrante e Refugiado"},"content":{"rendered":"<p>Uma an\u00e1lise \u00e0 atitude de Portugal perante as migra\u00e7\u00f5es a prop\u00f3sito da Jornada que a Igreja assinala este Domingo <!--more--> DESVIO INVOLUNT\u00c1RIO DE ROTA?  Escrevo sobre a migra\u00e7\u00e3o em v\u00e9speras da celebra\u00e7\u00e3o, por parte da Igreja, da 94\u00aa Jornada Mundial do Migrante e Refugiado. O Santo Padre dedica este ano a Mensagem aos jovens migrantes.  Vivo numa terra europeia onde quase diariamente h\u00e1 resgates e desembarques de desesperados e infelizmente tamb\u00e9m corpos transfigurados a boiar e a dar \u00e0 costa em praias. Mas, apesar de longe, procurei acompanhar com a aten\u00e7\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o poss\u00edveis a leitura oficial difundida em Portugal sobre o in\u00e9dito acontecimento do naufr\u00e1gio dos 23 estrangeiros de \u00c1frica, na ilha de Culatra, na costa algarvia, num pa\u00eds preocupado com a sua projec\u00e7\u00e3o internacional em finais de Presid\u00eancia Europeia e a aplicar uma nova lei de imigra\u00e7\u00e3o.  Quando em 20 de Setembro, pela primeira vez, v\u00e1rias religi\u00f5es se encontraram na praia da Costa da Caparica, acompanhados por D. Vincent Label, bispo de Rabat (Marrocos) para orar e meditar sobre os imigrantes e refugiados que \u201cmorrem de esperan\u00e7a\u201d no mar, para assim tam\u00e9m nos prepararmos para novos gestos de solidariedade, n\u00e3o imagin\u00e1vamos que t\u00e3o cedo a costa portuguesa fosse violada pelo drama dos desesperados subsaarianos, como muitas vezes os apelidou o Papa Jo\u00e3o Paulo II.   Um dos factos mais significativos para mim, militante crist\u00e3o da causa migrat\u00f3ria, foi o facto de todas estas pessoas jovens, com a menina adolescente de 15 anos, terem chegado, ap\u00f3s quatro dias \u00e0 rola no mar &#8211; sem comer, nem beber, sem saber &#8211; s\u00e3os, vivos e salvos a terra firme. Esta satisfa\u00e7\u00e3o transpareceu pouco nas v\u00e1rias declara\u00e7\u00f5es que li. S\u00f3 a consegui colher nas palavras sensatas do comandante do porto de Faro&#8230;.Vidas salvas! Vidas resgatadas ao mar no m\u00eas mais mort\u00edfero de 2007 com 243 mortes contadas pela ONG \u201cFortress Europe\u201d! S\u00f3 em 2007 morreram 1.861 na margem sul da Europa. Desde 1988, j\u00e0 se contam em 11.750 as vit\u00edmas, das quais 1\/3 dos corpos continuam dispersos no Mediterr\u00e2neo e no Atl\u00e2ntico para desgosto das suas fam\u00edlias. Para uns foi um acontecimento \u201cobra do acaso devido a mudan\u00e7a involunt\u00e1ria de rota\u201d, para outros um \u201ccaso pontual\u201d, e ainda \u201cepis\u00f3dio fortuito\u201d. Assim, se procurou desdramatizar e apaziguar os medos nacionais vendendo a ilus\u00e3o de um Pa\u00eds imune a este tipo de desgra\u00e7as, que afligem hoje outros parceiros europeus. Teceram-se grandes elogios \u00e0s for\u00e7as de seguran\u00e7a e de fronteiras pois demonstraram efici\u00eancia, capacidade e humanismo e, a meu ver, muito bem pois s\u00e3o conhecidas as qualidades humanas de quem est\u00e1 \u00e0 frente do SEF. Contudo, desde as not\u00edcias veiculadas pela Comunica\u00e7\u00e3o Social \u00e0s declara\u00e7\u00f5es de alguns pol\u00edticos, todos priveligiaram as quest\u00f5es da seguran\u00e7a e repatriamento, quase que estas pessoas \u201cclandestinas\u201d &#8211; como todos insistiam em etiquet\u00e1-las, desconhecendo as causas daquela arriscada travessia &#8211; fossem deliquentes (os traficantes s\u00e3o-no, e \u00e9 preciso desmantelar redes e puni-los com firmeza!), e n\u00e3o tivessem tamb\u00e9m elas dignidade, direitos e raz\u00f5es fortes para tal acto. Houve at\u00e9 quem afirmasse, quem sabe se obcecado pela imagem virtual de um Portugal moderno e eficiente, que o caso se apresenta como um bom teste para o regime de expuls\u00e3o portugu\u00eas.  Registei com agrado a tomada de posic\u00e3o do director da Obra Cat\u00f3lica Portuguesa de Migra\u00e7\u00f5es, estrutura da Igreja sempre atenta. Tamb\u00e9m me alegro com a presen\u00e7a de crist\u00e3os (JRS) no acompanhamento poss\u00edvel dos cidad\u00e3os marroquinos \u201creclusos\u201d no CIT do Porto, e da menina menor entregue a uma religiosa. Numa altura em que algumas vozes, embriagadas por um laicidade degenerada em laicismo agressivo e anti-cat\u00f3lico, se interrogam sobre a oportunidade da presen\u00e7a da Igreja em certos contextos sociais (escola, pris\u00f5es, for\u00e7as armadas, hospitais&#8230;) \u00e9 bem que se saiba que continua ser a Igreja, sob solicita\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas, a conseguir dar as respostas mais r\u00e1pidas, informais, humanizadas, desinteressadas e adequadas \u2013 dentro das posibilidades, claro &#8211; aos vulner\u00e1veis da mobilidade humana, como neste caso, a imigrantes irregulares: os novos empobrecidos. Muita dessa resposta \u00e9 fruto do voluntariado e generosidade das pr\u00f3prias comunidades crist\u00e3s.   Na verdade, mesmo se sentimos o aumento da press\u00e3o migrat\u00f3ria e o preocupante reorganizar-se silencioso de flex\u00edveis e fatais redes de traficantes de pessoas, s\u00f3 o futuro poder\u00e1 confirmar se este \u00e9 um \u201ccaso fortuito\u201d ou, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 \u201cum aviso \u00e0 navega\u00e7\u00e3o\u201d. Conv\u00e9m n\u00e3o ignorar que somos vizinhos de um Continente em profundas altera\u00e7\u00f5es sociais e, sobretudo, clim\u00e1ticas para o qual j\u00e1 algu\u00e9m previu para os pr\u00f3ximos 40 anos, um aumento significativo de \u201crefugiados ambientais\u201d for\u00e7ados a abandonar a pr\u00f3pria terra porque impr\u00f3pria para viver. Outra causa a provocar a globaliza\u00e7\u00e3o da migra\u00e7\u00e3o e complexidade da mobilidade humana que a Igreja se compromete a reflectir e a servir! Que no pr\u00f3ximo Domingo das Migra\u00e7\u00f5es as comunidades crist\u00e3s renovem o seu compromisso social, ecum\u00e9nico e pedag\u00f3gico em prol do acolhimento e participa\u00e7\u00e3o das comunidades imigrantes e emigrantes no processo de di\u00e1logo intercultural em acto no pa\u00eds. Eu penso que este \u201cnaufr\u00e1gio na ilha deserta\u201d \u2013 adaptando uma express\u00e3o cara a Pio XII que assim apelidava a emigra\u00e7\u00e3o &#8211; foi o sinal eloquente e urgente de que a Cimeira Europa-Africa n\u00e3o pode ficar no papel porque aumentam as \u201chist\u00f3rias de vidas \u00e0 deriva\u201d num Continente que n\u00f3s, portugueses, aprendemos a amar. O desembarque na ilha deserta da Culatra \u00e9 facto que faltava \u00e0 nossa hist\u00f3ria da imigra\u00e7\u00e3o. Recorda-nos oportunamente que estamos no mesmo barco matriculado de \u201cEuropa\u201d. \u00c9 tamb\u00e9m sinal da necessidade de chegar \u00e0 r\u00e1pida implementa\u00e7\u00e3o de canais legais de imigra\u00e7\u00e3o, poucos claros na regulamenta\u00e7\u00e3o da recente lei, e apelo a continuar o combate firme e articulado com outros pa\u00edses \u00e0s redes de angariadores e tr\u00e1fico de pessoas. Que do nosso mar s\u00f3 colhamos peixe e o prazer de o navegar e mergulhar! <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma an\u00e1lise \u00e0 atitude de Portugal perante as migra\u00e7\u00f5es a prop\u00f3sito da Jornada que a Igreja assinala este Domingo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[101,187,203,206,237,258,291,314,329],"class_list":["post-29295","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-africa","tag-diocese-do-porto","tag-europa","tag-familia","tag-joao-paulo-ii","tag-migracoes","tag-refugiados","tag-solidariedade","tag-voluntariado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29295","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29295"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29295\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29295"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29295"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29295"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}