{"id":292683,"date":"2023-08-01T18:18:38","date_gmt":"2023-08-01T17:18:38","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=292683"},"modified":"2023-08-01T20:50:29","modified_gmt":"2023-08-01T19:50:29","slug":"a-sombra-do-eterno-pessimismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-sombra-do-eterno-pessimismo\/","title":{"rendered":"A sombra do eterno pessimismo"},"content":{"rendered":"<p><em>Sandra Cortes Moreira, Diocese do Algarve<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Sandra-Cortes-Moreira-Algarve.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-201550 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Sandra-Cortes-Moreira-Algarve-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Sandra-Cortes-Moreira-Algarve-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Sandra-Cortes-Moreira-Algarve-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Sandra-Cortes-Moreira-Algarve-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Sandra-Cortes-Moreira-Algarve-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Sandra-Cortes-Moreira-Algarve-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Sandra-Cortes-Moreira-Algarve-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Sandra-Cortes-Moreira-Algarve-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Sandra-Cortes-Moreira-Algarve.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Dei por mim, nestes dias em que todos os cat\u00f3licos, mais ou menos jovens, se preparam para viver um momento \u00fanico &#8211; a realiza\u00e7\u00e3o da Jornada Mundial da Juventude (JMJ 2023) \u2013 a pensar fortemente no que \u00e9 o otimismo e o pessimismo e como esta \u00faltima forma de olhar para as circunst\u00e2ncias marca a portugalidade, a identidade de todos n\u00f3s. Dizia E\u00e7a de Queiroz (A Cidade e as Serras, Cap. IX, p\u00e1g. 156): \u00abO Pessimismo \u00e9 uma teoria bem consoladora para os que sofrem, porque desindividualiza o sofrimento, alarga-o at\u00e9 o tornar uma lei universal, a lei pr\u00f3pria da Vida (\u2026) o Pessimismo \u00e9 excelente para os Inertes, porque lhes atenua o desgracioso delito da In\u00e9rcia. Se toda a meta \u00e9 um monte de Dor, onde a alma vai esbarrar, para que marchar para a meta, atrav\u00e9s dos embara\u00e7os do mundo?\u00bb<\/p>\n<p>Na verdade, quem n\u00e3o tem a sensa\u00e7\u00e3o de que temos uma enorme facilidade para ver primeiro o mau e, s\u00f3 depois (\u00e0s vezes, bem depois!), o bom?<\/p>\n<p>Se falamos com algu\u00e9m sobre a nossa sa\u00fade e contamos um problema, o outro muito frequentemente responde: \u00abAh, mas olha que isso n\u00e3o \u00e9 nada, porque eu estou bem pior\u00bb. E desenrola um rol de achaques e dores, que parecem n\u00e3o ter perspetiva de cura; s\u00f3 se for milagrosa. Se contamos os problemas profissionais e os desejos que n\u00e3o concretizamos, logo nos dizem: \u00abAh, mas fulano e beltrano est\u00e3o muito pior! Tens de dar gra\u00e7as a Deus e aceitar, porque tens um ganha-p\u00e3o e recebes certo ao fim do m\u00eas\u00bb.<\/p>\n<p>Se vamos a uma reparti\u00e7\u00e3o (e, aten\u00e7\u00e3o, sou funcion\u00e1ria p\u00fablica e conhe\u00e7o honrosas e profissionais exce\u00e7\u00f5es), o que nos aparecem s\u00e3o dificuldades e obst\u00e1culos e, dificilmente, uma solu\u00e7\u00e3o linear e pr\u00e1tica para resolver um problema que, via de regra, \u00e9 concreto. O mesmo acontece quando se tem de encontrar uma resposta de governan\u00e7a: ao inv\u00e9s de procurarmos os expedientes certos, descobrimos todos os problemas que v\u00e3o impedir a concretiza\u00e7\u00e3o de algo.<\/p>\n<p>Sinto isto desde pequena e, de forma mais vis\u00edvel, desde que comecei a trabalhar.<\/p>\n<p>Estes tra\u00e7os melanc\u00f3licos fazem de n\u00f3s o pais do fado, da cautela, da uma certa rigidez an\u00edmica, mas, simultaneamente, d\u00e3o forma ao povo mais perito em \u201cdesenrascan\u00e7o\u201d que provavelmente existe no mundo. \u00c9 que quem vive a olhar para os problemas, em \u00faltima inst\u00e2ncia, tem de encontrar solu\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas para eles, porque gastou todo o tempo que deveria ter sido bastante \u00fatil para planear, para pensar a longo prazo.<\/p>\n<p>E o que tem isto a ver, devem estar j\u00e1 a pensar, com a JMJ 2023?<\/p>\n<p>Por acaso repararam na quantidade de opini\u00f5es, reflex\u00f5es, pontos de vista, posi\u00e7\u00f5es, teorias, teses sobre tudo o que diz respeito a este evento? H\u00e1 os \u201cc\u00e9ticos humanit\u00e1rios\u201d, que apontam falhas \u00e0 Igreja, ressaltando os esc\u00e2ndalos de pedofilia como motivo justificativo para a n\u00e3o realiza\u00e7\u00e3o deste evento; h\u00e1 os \u201cc\u00e9ticos laicos\u201d, que defendem que o problema do envolvimento do Estado e das autarquias \u00e9 uma incongru\u00eancia num estado n\u00e3o confessional; h\u00e1 os \u201cc\u00e9ticos financeiros\u201d, que n\u00e3o veem com bons olhos o financiamento e a facilita\u00e7\u00e3o do evento e, sobretudo, o volume dos gastos envolvidos na sua organiza\u00e7\u00e3o, sendo descrentes dos poss\u00edveis retornos que ele traga; h\u00e1 os \u201cc\u00e9ticos, muito c\u00e9ticos\u201d, que juntam tudo e somam ainda mais argumentos \u2013 todos os que se conseguirem lembrar \u2013 para criticar a JMJ 2023.<\/p>\n<p>Estamos perante um acontecimento absolutamente paradigm\u00e1tico da verve pessimista nacional. E, n\u00e3o h\u00e1 problema algum com isso. Cada qual, diz a nossa Constitui\u00e7\u00e3o (e bem!), tem o direito de pensar e manifestar livremente o seu pensamento.<\/p>\n<p>Mas pergunto-me se quem o faz passou por estes dias nas v\u00e1rias cidades do pa\u00eds, que acolheram delega\u00e7\u00f5es de todo o mundo. Ao Algarve, de onde vos escrevo, chegaram, desde o dia 26 de julho, 41 grupos, provenientes de 19 pa\u00edses: Argentina, Canad\u00e1, Col\u00f4mbia, Coreia do Sul, Dinamarca, Eslov\u00e9nia, Espanha, Fran\u00e7a, Ilhas Mariana do Norte, It\u00e1lia, Kuwait, Madag\u00e1scar, Mo\u00e7ambique, M\u00e9xico, Pol\u00f3nia, Uruguai, Zimbabu\u00e9, Filipinas e Taiwan. At\u00e9 ao dia 31 de julho fizeram a\u00e7\u00f5es ambientais, participaram em palestras, em eventos culturais, em atividades de solidariedade social, em celebra\u00e7\u00f5es religiosas. Compraram <em>souvenirs<\/em>, comeram, beberam, conviveram, fizeram despesas com transportes, deram o melhor de si mesmos para que se criasse um esp\u00edrito de fraternidade, que \u00e9, ali\u00e1s, o esp\u00edrito da Jornada, desde a sua cria\u00e7\u00e3o em 1984.<\/p>\n<p>A JMJ 2023, especificamente, ser\u00e1 um desafio para que os jovens do mundo, conscientes de serem membros de uma humanidade dividida, fragmentada, aceitem o repto de promoverem a unidade entre as pessoas e povos. Dizia o Papa Francisco na mensagem que lhes dirigiu sobre este evento: \u00ab\u00c9 certo que n\u00e3o podeis resolver todos os problemas do mundo; mas talvez possais come\u00e7ar por aqueles de quem est\u00e1 mais pr\u00f3ximo de v\u00f3s, pelas quest\u00f5es do vosso territ\u00f3rio\u00bb.<\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 este encontro, quanto mais n\u00e3o seja por abrir horizontes de aceita\u00e7\u00e3o do diferente, de intergeracionalidade, de cuidado ambiental, de respeito e companheirismo, um momento de esperan\u00e7a na consolida\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o de gera\u00e7\u00f5es futuras, mais capazes de vencer os conflitos e as dificuldades? O mundo atravessa, de facto, um dos tempos mais desafiantes da sua hist\u00f3ria e \u00e9 preciso que d\u00eamos todas as armas a quem o vai herdar, para serem bons cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>Enfim, se mais raz\u00f5es n\u00e3o houver para o otimismo, eu agarrar-me-ei a esta, porque creio que a Esperan\u00e7a \u00e9 a grande mola da Humanidade, que vence a in\u00e9rcia e o sofrimento de que falava E\u00e7a. Quem n\u00e3o consegue olhar para o horizonte e ver a luz do sol, que come\u00e7a a raiar nos sorrisos destes jovens, nos seus c\u00e2nticos, nas suas palavras e gestos, viver\u00e1 sempre na sombra do eterno pessimismo. <strong>E eu quero mais<\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sandra Cortes Moreira, Diocese do Algarve<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":201550,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-292683","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/292683","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=292683"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/292683\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/201550"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=292683"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=292683"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=292683"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}