{"id":29203,"date":"2008-01-09T13:29:50","date_gmt":"2008-01-09T13:29:50","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/01\/09\/comemoracoes-do-centenario-do-nascimento-de-d-jaime-garcia-goulart\/"},"modified":"2008-01-09T13:29:50","modified_gmt":"2008-01-09T13:29:50","slug":"comemoracoes-do-centenario-do-nascimento-de-d-jaime-garcia-goulart","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/comemoracoes-do-centenario-do-nascimento-de-d-jaime-garcia-goulart\/","title":{"rendered":"Comemora\u00e7\u00f5es do centen\u00e1rio do Nascimento de D. Jaime Garcia Goulart"},"content":{"rendered":"<p>Se fosse vivo, D. Jaime Garcia Goulart, primeiro Bispo de Dili-Timor, completaria, amanh\u00e3, cem anos. Nasceu na freguesia da Candel\u00e1ria, na Ilha do Pico, a 10 de Janeiro de 1908. Numa iniciativa da Diocese de Angra em conjunto com a Ouvidoria do Pico e a Par\u00f3quia de Nossa Senhora das Candeias, realizar-se-\u00e3o comemora\u00e7\u00f5es na Par\u00f3quia natal deste Bispo Mission\u00e1rio. Pelas 17h30 haver\u00e1 a inaugura\u00e7\u00e3o da Rua D. Jaime Garcia Goulart, junto da casa de S\u00e3o Jos\u00e9, seguindo-se o depositar de uma coroa de flores junto do seu busto e a Santa Missa de Ac\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7as, presidida por D. Carlos Filipe Ximenes Belo, Bispo Em\u00e9rito de Dili e pr\u00e9mio Nobel da Paz em 1996, que se desloca ao Pico para estas comemora\u00e7\u00f5es do centen\u00e1rio do nascimento do primeiro bispo de Dili. Terminada a Missa haver\u00e1 no sal\u00e3o da Casa do Povo local uma sess\u00e3o solene com a actua\u00e7\u00e3o do Rancho de Natal da Casa do Povo da Candel\u00e1ria e uma confer\u00eancia proferida por D. Carlos Filipe Ximenes Belo. <b>Dados hist\u00f3ricos sobre D. Jaime Garcia Goulart<\/b> Este prelado nasceu na Candel\u00e1ria do Pico, em 10 de Janeiro de 1908, filho de Jo\u00e3o Garcia Goulart e de D. Maria Felizarda Goulart, primo do cardeal D. Jos\u00e9 da Costa Nunes, por parte de sua av\u00f3 paterna D. Isabel Em\u00edlia da Costa que era irm\u00e3 do pai do cardeal. A av\u00f3 materna de D. Jaime chamada D. Isabel Felizarda de Castro era, por sua vez, irm\u00e3 da m\u00e3e do cardeal Costa Nunes.  Aos treze anos, em 1921, partiu para Macau onde frequentou o semin\u00e1rio de S. Jos\u00e9. Algu\u00e9m escreveu: &#8220;&#8230; foi para Macau com 11 rapazinhos a\u00e7orianos, levados pelo Pe. Jo\u00e3o de Lima&#8221;, que exercia as fun\u00e7\u00f5es de secret\u00e1rio de D. Jos\u00e9 da Costa Nunes. Ainda estudante do 3.\u00ba ano de teologia foi nomeado secret\u00e1rio do primo, ent\u00e3o bispo de Macau. Veio D. Jaime a concluir o curso teol\u00f3gico no semin\u00e1rio de Angra do Hero\u00edsmo, aproveitando a vinda aos A\u00e7ores de D. Jos\u00e9, onde recebeu a ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal a 10 de Maio de 1931, partindo logo para a sua terra natal, a Candel\u00e1ria do Pico, ali celebrando a sua primeira missa em 15 desse m\u00eas. Algum tempo depois regressou a Macau ali permanecendo at\u00e9 1933, ano em que partiu para Timor, onde se demorou at\u00e9 1937 como comiss\u00e1rio, muito contribuindo para a funda\u00e7\u00e3o do semin\u00e1rio menor de N.\u00aa S.\u00aa de F\u00e1tima na Miss\u00e3o de Soibada em 13 de Outubro de 1936 e destinado \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de sacerdotes ind\u00edgenas.  No ano de 1937 estava de novo em Macau e, pouco depois, em 1940, encontrava-se j\u00e1 em Timor, investido nas altas fun\u00e7\u00f5es de vig\u00e1rio-geral das Miss\u00f5es.  Dili, cidade capital da prov\u00edncia de Timor, sede do concelho e da diocese do mesmo nome, fica situada na costa norte da ilha de Timor, a 800 quil\u00f3metros da Nova Guin\u00e9, a cerca de 2400 de Singapura e a 3200 de Macau. Esta cidade sofreu grandes danos e destrui\u00e7\u00f5es durante a II Grande Guerra e foi ocupada pelos ex\u00e9rcitos japoneses.  Relatos da sua hist\u00f3ria dizem-nos que em 1665 foi criada a capitania-mor de Timor e que foi seu primeiro capit\u00e3o Sim\u00e3o Lu\u00eds, que levantou uma fortaleza no porto de Lifan, ali instalando a capitania da prov\u00edncia que se manteve at\u00e9 1769, data em que, por motivo de consecutivos ataques holandeses, o governador Teles de Meneses a transferiu para Dili, j\u00e1 ent\u00e3o em vias de boa e segura fortifica\u00e7\u00e3o que a defendia pela orla mar\u00edtima em breve alcan\u00e7ando (1864) a sua eleva\u00e7\u00e3o a cidade.  Foi nesta cidade que a autoridade papal criou em 4 de Setembro de 1940, pela bula Sollemnibus conventionibus a diocese de Dili, sufrag\u00e2nea da de Goa, sendo seu 1.\u00ba bispo o douto a\u00e7oriano D. Jaime Garcia Goulart, que a governou desde 18 de Janeiro de 1941 como administrador apost\u00f3lico e, como bispo, desde 12 de Outubro de 1945 a 31 de Janeiro de 1967. A sua sagra\u00e7\u00e3o efectivou-se em Sidnei, Austr\u00e1lia, na capela do col\u00e9gio de S. Patr\u00edcio em 28 de Outubro de 1945, sendo sagrante o bispo D. Jo\u00e3o Panico, delegado apost\u00f3lico, e co-sagrantes D. Normando Gilroy, arcebispo de Sidnei e D. Jo\u00e3o Coleman, bispo de Annidale, recebendo na altura a simpatia e homenagem de muitas individualidades. Dali partiu a dar entrada solene na sua diocese de Dili (9-12-45), que encontraria devastada e em ru\u00ednas. Exercia ainda administra\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica, quando, em 1942, teve de deixar o bispado devido \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o japonesa. Eis os documentos emanados da Santa S\u00e9 (1) :  PIO PAPA, SERVO DOS SERVOS DE DEUS  Ao dilecto filho, Jaime Garcia Goulart, Administrador Apost\u00f3lico da Diocese de Dili e Bispo eleito da mesma Diocese, sa\u00fade e ben\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica. O oficio do supremo Apostolado pelo qual presidimos a todo o orbe cat\u00f3lico, confiado \u00e0 nossa humildade pelo Eterno Pr\u00edncipe dos Pastores, imp\u00f5e-nos o dever de cuidar com a m\u00e1xima dilig\u00eancia de que presidam a todas as igrejas Prelados tais que saibam e possam apascentar salutarmente, dirigir e governar o rebanho do Senhor que lhes for confiado. Por consequ\u00eancia, como se encontra sem pastor a igreja de Dili que n\u00f3s erigimos como catedral sufrag\u00e2nea da Igreja de Goa pela bula munida de s\u00ealo de chumbo &#8220;Sollemnibus-conventionibus&#8221; do dia quatro do m\u00eas de Setembro do ano de mil novecentos e quarenta, N\u00f3s, ouvido o parecer dos nossos Vener\u00e1veis irm\u00e3os, os Cardeais da Santa Igreja Romana, com autoridade apost\u00f3lica, elegemos-te para ela e colocamos-te \u00e0 sua frente como Bispo e Pastor e outrosim confiamos-te plenamente o cuidado, governo e administra\u00e7\u00e3o da mesma igreja com todos os direitos e privil\u00e9gios, encargos e obriga\u00e7\u00f5es inerentes a este m\u00fanus pastoral Queremos, por\u00e9m, que, observado tudo o mais que \u00e9 de direito e antes que recebas a consagra\u00e7\u00e3o episcopal e tomes posse can\u00f3nica da Diocese que te \u00e9 confiada, fa\u00e7as profiss\u00e3o de f\u00e9 cat\u00f3lica e os juramentos prescritos, segundo as f\u00f3rmulas estabelecidas, nas m\u00e3os dalgum Bispo cat\u00f3lico da tua escolha que esteja na comunh\u00e3o e gra\u00e7a da S\u00e9 Apost\u00f3lica, com a obriga\u00e7\u00e3o de enviares, o mais cedo poss\u00edvel, \u00e0 Sagrada Congrega\u00e7\u00e3o Consistorial, exemplares dos mesmos com a tua assinatura e a do dito Bispo e munida de s\u00ealo.  Tendo em vista, al\u00e9m disso, a tua maior comodidade, permitimos-te que possas ser livre e licitamente consagrado Bispo fora de Roma por qualquer Bispo cat\u00f3lico da tua escolha a que assistam outros dois Bispos cat\u00f3licos que estejam em gra\u00e7a e comunh\u00e3o com a Santa S\u00e9 Apost\u00f3lica. Pela presente Bula confiamos o m\u00fanus e mandato de te conferir a consagra\u00e7\u00e3o ao Vener\u00e1vel Irm\u00e3o Bispo que para tal escolheres. Determinamos, por\u00e9m, estritamente, que antes de emitir a profiss\u00e3o e os juramentos de que acima falamos, nem tu ouses receber a consagra\u00e7\u00e3o nem ta d\u00ea o Bispo que escolheres sob pena de incorrer nas censuras determinadas pelo direito se desobedeceres a este meu preceito.  Alimentamos, por fim, a firme esperan\u00e7a e confian\u00e7a de que a Igreja de Dili ser\u00e1 dirigida utilmente pelo teu desvelo pastoral e indefeso esfor\u00e7o, assistindo-te prop\u00edcia a dextra do Senhor, e receber\u00e1, com o andar do tempo, maior desenvolvimento nas coisas espirituais e temporais.  Dada em Roma, junto de S. Pedro, aos dez de Outubro do ano de mil novecentos e quarenta e cinco ano s\u00e9timo do nosso pontificado.  PIO PAPA, SERVO DOS SERVOS DE DEUS  Aos amados filhos, clero e povo da cidade de Dili, sa\u00fade e ben\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica.  Tendo N\u00f3s pela Bula Apost\u00f3lica &#8220;Sollemnibus Conventionibus&#8221;, munida do s\u00ealo de chumbo e datada do 1 \u00e9s de Setembro do ano do Senhor de mil novecentos e quarenta, erigido em Catedral Sufrag\u00e2nea da igreja Metropolitana de Goa, a vossa Igreja de Dili ouvido hoje o parecer dos Vener\u00e1veis Irm\u00e3os Cardeais da Santa Igreja Romana, elegemos com a Nossa autoridade Apost\u00f3lica para a mesma Igreja, ainda n\u00e3o provida de Pastor, o Nosso dilecto filho Jaime Garcia Goulart at\u00e9 agora Administrador Apost\u00f3lico da vossa Diocese, e dela o constitu\u00edmos Bispo e Pastor. Com esta nossa Bula a todos v\u00f3s damos conhecimento disto e vos mandamos no Senhor que, recebendo com venera\u00e7\u00e3o e acatando com a devida honra Jaime, vosso Bispo eleito, presteis obedi\u00eancia aos seus mandatos e avisos salutares e o considereis com rever\u00eancia como o Pai e Pastor das vossas almas de modo que ele se regozije, no Senhor de vos ter como filhos dedicados e v\u00f3s de o ter como Pai benevolente.  Outrosim determinamos e mandamos que sob o cuidado e obriga\u00e7\u00e3o do mesmo Ordin\u00e1rio, o qual presentemente rege a vossa Diocese, seja lida publicamente esta Nossa Bula, do p\u00falpito da Igreja Catedral, no primeiro dia de preceito que se seguir \u00e0 sua recep\u00e7\u00e3o.   Dado em Roma, junto de S. Pedro, no ano do Senhor de mil novecentos e quarenta e cinco, no dia dez do m\u00eas de Outubro no ano s\u00e9timo do Nosso Pontificado. Pelo Chanceler da Santa Igreja Romana, Cardeal Janu\u00e1rio Granito Pignatelli di Belmonte, Decano do Sacro Col\u00e9gio.  Nessa long\u00ednqua diocese teve papel preponderante o realizado por Salesianos, jesu\u00edtas, pelas Irm\u00e3s canossianas e dominicanas do SS. Ros\u00e1rio. Elementos estat\u00edsticos indicavam que em 1966 possu\u00eda 15 par\u00f3quias para 131 455 fi\u00e9is de entre uma popula\u00e7\u00e3o de 574.805 habitantes, ao cuidado de quatro dezenas de sacerdotes.  Dando mostras de cansa\u00e7o e com a sa\u00fade abalada, D. Jaime pediu \u00e0 Santa S\u00e9 a nomea\u00e7\u00e3o de um bispo coadjutor com sucess\u00e3o, vindo a resignar em 31 de Janeiro de 1967, permanecendo como bispo titular de Trofimiana. Difundiu um comunicado alegando as raz\u00f5es do seu afastamento. Exara-se seguidamente esse documento:  COMUNICADO OFICIAL (2)  Devido ao meu prec\u00e1rio estado de sa\u00fade e fadiga, ap\u00f3s t\u00e3o longos anos de perman\u00eancia em Timor, e tendo verificado que, por esses motivos, n\u00e3o podia atender a todas as obriga\u00e7\u00f5es do meu cargo, solicitei, h\u00e1 dois anos, \u00e0 Santa S\u00e9 um coadjutor, que, de facto, me foi benignamente concedido na pessoa de Sua Ex. Revm.\u00aa o Senhor D. Jos\u00e9 Joaquim Ribeiro.  Desde ent\u00e3o ficou prevista a minha resigna\u00e7\u00e3o do cargo de Bispo da Diocese de Dili e, nessa previs\u00e3o, o meu Coadjutor foi j\u00e1 nomeado com direito de futura sucess\u00e3o.  Encontrando-se na Diocese, h\u00e1 quase um ano, Sua Ex.\u00aa Revm.\u00aa o Senhor D. Jos\u00e9 Joaquim Ribeiro, e n\u00e3o tendo desaparecido, antes pelo contr\u00e1rio agravado, como era de esperar, as raz\u00f5es que me levaram a solicitar o Coadjutor, entendi ser dever de consci\u00eancia submeter ao Santo Padre, como efectivamente submeti em Setembro \u00faltimo, o meu pedido de resigna\u00e7\u00e3o e exonera\u00e7\u00e3o.  Pode causar alguma estranheza, tomando em considera\u00e7\u00e3o apenas a minha idade, o facto de eu ter formulado esse pedido.  A verdade, por\u00e9m, \u00e9 que todas as circunst\u00e2ncias apontadas e ainda mais o condicionalismo particular desta vasta Diocese, me colocam no caso, em que, segundo a mente do Conc\u00edlio Vaticano II e as subsequentes recomenda\u00e7\u00f5es do Santo Padre, se torna aconselh\u00e1vel a resigna\u00e7\u00e3o de um Bispo. Aguardemos, pois, a decis\u00e3o de Sua Santidade, que espero n\u00e3o tardar\u00e1 e h\u00e1-de ser, como sempre s\u00e3o todas as decis\u00f5es de Vig\u00e1rio de Cristo, para maior gl\u00f3ria de Deus e bem espiritual das almas. Dili. 28 de Dezembro de 1966. Jaime Garcia Goulart, Bispo de Dili. Ao pronunciar as palavras da sua despedida da diocese timorense, que serviu anos a fio desveladamente, D. Jaime exprimia-se comovido: h\u00e1 trinta e tr\u00eas anos, pela primeira vez , pisei terras de Timor e tomei contacto com a sua gente. Desde ent\u00e3o para c\u00e1, se tem vindo, dia a dia, apertando os la\u00e7os de espiritual afecto, que me ligam a este bom Povo Timorense, la\u00e7os que ainda mais fortemente a ele me vinculou a cruz episcopal Por isso, certamente me n\u00e3o levareis a mal que, na ang\u00fastia deste momento, eu me ampare a alguns pensamentos de conforto e esperan\u00e7a. De todos o maior \u00e9 o de Ter podido dotar a diocese de um semin\u00e1rio e de ter visto j\u00e1 os seus primeiros e ben\u00e9ficos frutos. O Reino de Deus em Timor n\u00e3o se dilatar\u00e1 nem consolidar\u00e1 sem numerosos e santos sacerdotes timorenses. Outro motivo de satisfa\u00e7\u00e3o: o consolador e sempre crescente aumento da comunidade crist\u00e3. Recebi a diocese com 30 000 cat\u00f3licos. Entrego-a com mais de 150 000. Ainda e s\u00f3 mais uma reconfortante verifica\u00e7\u00e3o: durante o meu episcopado vi subir o n\u00famero de alunos das escolas mission\u00e1rias de 1500 para 8000. Cessam as minhas fun\u00e7\u00f5es de pastor directamente respons\u00e1vel por esta por\u00e7\u00e3o dilecta da Grei Crist\u00e3. N\u00e3o cessam, por\u00e9m, as de bispo da Igreja Cat\u00f3lica. De algum modo continuo presente em Timor. Presente, por dever de membro do col\u00e9gio Episcopal, presente por afecto e gratid\u00e3o; presente nas minhas ora\u00e7\u00f5es e nos meus sacrif\u00edcios, presente pela minha imorredoira saudade.  D. Jaime foi agraciado pelo governo portugu\u00eas com o oficialato da Ordem do Infante D. Henrique, que lhe foi concedido por decreto de 23 de Maio de 1964. Considerado de uma grande e proverbial mod\u00e9stia, D. Jaime quando na intimidade e em devaneio com os seus mais \u00edntimos revela-se um conversador inigual\u00e1vel e extremamente afectuoso e simples. Com uma &#8220;cultura enciclop\u00e9dica&#8221; ao que se afirma sem favor a todos tem o dom de conquistar seja qual for o credo, a ideologia ou a nacionalidade. Nele n\u00e3o residem preconceitos de ra\u00e7as ou de cor. A palavra divina. proferida do alto do p\u00falpito, rica de imagens, de saber e de experi\u00eancia, a todos se dirige por igual.  D. Jaime regressou aos A\u00e7ores em Agosto de 1967 e foi residir na Horta, ilha do Faial e depois no Pico, onde dirigiu a obra da Casa de S. Jos\u00e9, na Candel\u00e1ria da ilha do Pico. Viveu nos \u00faltimos anos da sua vida em Rabo de Peixe e em Ponta Delgada em casa de familiares seus, na ilha de S. Miguel, e Angra teve ocasi\u00e3o de o rever e relembrar por altura das solenidades com que se reiniciou o culto da S\u00e9 de Angra, em 3 de Novembro de 1985. &#8220;Dedicado de alma e cora\u00e7\u00e3o ao seu povo timorense&#8221;, recebeu a visita de D. Carlos Ximenes Belo, que o inteirou da situa\u00e7\u00e3o do martirizado povo.  Faleceu, com 89 anos, na cidade de Ponta Delgada a 15 de Abril na cl\u00ednica do Bom Jesus, onde se encontrava internado deste 8 de Mar\u00e7o daquele ano (3) .  _______  Notas  1. Seara, direc\u00e7\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o do P.&#8217; Ezequiel Enes Pascoal, Imprensa Nacional de Timor, ano 1, n.\u00ba 1, Janeiro 1949.  2. Boletim Eclesi\u00e1stico da Diocese de Dili, ano V. n.,, 1. 10 Jan. 1967  3. Cf. Boletim Eclesi\u00e1sticos dos A\u00e7ores, n\u00ba 848, 1997 <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se fosse vivo, D. Jaime Garcia Goulart, primeiro Bispo de Dili-Timor, completaria, amanh\u00e3, cem anos. Nasceu na freguesia da Candel\u00e1ria, na Ilha do Pico, a 10 de Janeiro de 1908. 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