{"id":29169,"date":"2008-01-08T11:54:48","date_gmt":"2008-01-08T11:54:48","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/01\/08\/25-anos-do-codigo-de-direito-canonico\/"},"modified":"2008-01-08T11:54:48","modified_gmt":"2008-01-08T11:54:48","slug":"25-anos-do-codigo-de-direito-canonico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/25-anos-do-codigo-de-direito-canonico\/","title":{"rendered":"25 anos do C\u00f3digo de Direito Can\u00f3nico"},"content":{"rendered":"<p>Reflex\u00e3o sobre este documento num momento em que F\u00e1tima acolhe Jornadas de Direito Can\u00f3nico <!--more--> No dia 25 Janeiro 2008 assinalou-se o 25\u00ba anivers\u00e1rio da promulga\u00e7\u00e3o do <i>Codex Iuris Canonici<\/i> (C\u00f3digo de Direito Can\u00f3nico) por Sua Santidade o Papa Jo\u00e3o Paulo II, atrav\u00e9s da Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <i>Sacrae Disciplinae Leges<\/i>, tendo entrado em vigor no I Domingo de Advento, mais propriamente a 27 de Novembro do mesmo ano. \u00c9 um C\u00f3digo para a Igreja latina, dado que para as Igrejas Orientais Cat\u00f3licas existe o <i>Codex Canonum Ecclesiarum Orientalium<\/i> (1990). Era assim, abrogado o C\u00f3digo de Direito Can\u00f3nico, promulgado na solenidade de Pentecostes de 1917, o primeiro C\u00f3digo de leis da Igreja Cat\u00f3lica.  O C\u00f3digo cont\u00e9m 1752 c\u00e2nones, distribu\u00eddos por 7 Livros: Das Normas gerais (I), Do Povo de Deus (II), Do m\u00fanus de ensinar da Igreja (III), Do m\u00fanus santificador da Igreja, Dos bens temporais da Igreja (V), Das san\u00e7\u00f5es na Igreja (VI), Dos processos (VII). Ser\u00e1 que a Igreja, uma comunidade suscitada pelo Esp\u00edrito Santo e que se alimenta da Palavra e da Eucaristia, precisa de leis para levar por diante a sua miss\u00e3o?  Da import\u00e2ncia e do lugar do C\u00f3digo na vida da Igreja, ensinava claramente o Romano Pont\u00edfice na Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <i>Sacrae Disciplinae Leges<\/i> (25 Janeiro 1983): \u00abO C\u00f3digo, como principal documento legislativo da Igreja, baseado na heran\u00e7a jur\u00eddica e legislativa da Revela\u00e7\u00e3o e da Tradi\u00e7\u00e3o, deve considerar-se o instrumento indispens\u00e1vel para assegurar a ordem tanto na vida individual e social, como na pr\u00f3pria actividade da Igreja. Por isso, al\u00e9m de conter os elementos fundamentais da estrutura hier\u00e1rquica e org\u00e2nica da Igreja, estabelecidos pelo seu Divino Fundador ou baseados na tradi\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica ou na mais antiga tradi\u00e7\u00e3o, e ainda as principais normas referentes ao exerc\u00edcio do tr\u00edplice m\u00fanus confiado \u00e0 pr\u00f3pria Igreja, deve o C\u00f3digo definir tamb\u00e9m as regras e as normas de comportamento\u00bb. A dimens\u00e3o jur\u00eddica n\u00e3o se op\u00f5e \u00e0 dimens\u00e3o carism\u00e1tica da Igreja, pois esta como institui\u00e7\u00e3o vis\u00edvel precisa de normas que a apoiem na sua miss\u00e3o. A este prop\u00f3sito, n\u00e3o poderemos esquecer as palavras de Jo\u00e3o Paulo II a quando da apresenta\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo: \u00abNa verdade, ela (Igreja), Povo de Deus e Corpo de Cristo, n\u00e3o foi indistintamente fundada somente como comunidade messi\u00e2nica e escatol\u00f3gica \u201csubmetida ao seu Chefe\u201d, mas \u201ccomo organiza\u00e7\u00e3o vis\u00edvel\u201d e \u201cconstitu\u00edda e organizada como sociedade\u201d, foi edificada sobre a pedra (cf. Mt 16,18), e foi enriquecida divinamente pelo pr\u00f3prio Senhor com \u201cdons hier\u00e1rquicos\u201d (cf. <i>Lumen Gentium<\/i>, 4) e por v\u00e1rios institutos, que devem ser considerados seus elementos constitutivos. A Igreja, na sua viva unidade \u00e9 tamb\u00e9m estrutura vis\u00edvel com precisas fun\u00e7\u00f5es e poderes (\u201csacri potestas\u201d) (Vaticano, 3 Fevereiro 1983). Uma das novidades do C\u00f3digo \u00e9 a sistematiza\u00e7\u00e3o dos deveres e direitos dos fi\u00e9is, no Livro II. A Igreja sempre afirmou e promoveu os direitos dos fi\u00e9is e a sua inclus\u00e3o no C\u00f3digo (c\u00e2nones 208-223) demonstra que a ci\u00eancia canon\u00edstica foi reflectindo e desenvolvendo os direitos e os deveres numa base eclesiol\u00f3gica e n\u00e3o de confronto ou de reivindica\u00e7\u00e3o. Perante o Estado, a sociedade civil afirma e insiste nos seus direitos e prerrogativas, dificilmente nos seus deveres. Na Igreja, a pessoa \u00e9 titular de deveres e direitos a partir do Baptismo, porta dos sacramentos e de participa\u00e7\u00e3o na vida da Igreja. Os deveres e direitos (e n\u00e3o direitos e deveres) devem ser compreendidos numa \u00f3ptima de comunh\u00e3o, de unidade e de solidariedade eclesiais, n\u00e3o de luta e de poder. Leigos, cl\u00e9rigos e religiosos t\u00eam de se identificar com a sua pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o e estatuto, do qual derivam consequ\u00eancias para a inser\u00e7\u00e3o na Igreja (cf. c\u00e2nones 224-231; 273-289; 662-672). Este conjunto de deveres e direitos \u00e9 ainda bastante desconhecido na Igreja e que precisa de ser valorizado e aplicado com mais determina\u00e7\u00e3o.  A recta observ\u00e2ncia do C\u00f3digo ser\u00e1 um ind\u00edcio de que as leis podem gerar comunh\u00e3o e disciplina, tornando-se um instrumento indispens\u00e1vel para todo o Povo de Deus. Em Portugal, de 24 a 26 Abril ter\u00e3o lugar umas jornadas comemorativas, cujo programa se encontra dispon\u00edvel em: www.isdc.lisboa.ucp.pt <i>Pe. Saturino Gomes, Director do Instituto Superior de Direito Can\u00f3nico Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa<\/i>  <i>FOTO: O Papa Jo\u00e3o Paulo II assina em 25 Janeiro 1983 a Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Sacrae Disciplinae Legis, promulgando o novo C\u00f3digo.   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reflex\u00e3o sobre este documento num momento em que F\u00e1tima acolhe Jornadas de Direito Can\u00f3nico<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[100,188,207,237,294,314,321],"class_list":["post-29169","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-vaticano","tag-advento","tag-direito-canonico","tag-fatima","tag-joao-paulo-ii","tag-sacramentos","tag-solidariedade","tag-ucp"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29169","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29169"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29169\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29169"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29169"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29169"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}