{"id":291678,"date":"2023-07-30T09:30:25","date_gmt":"2023-07-30T08:30:25","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=291678"},"modified":"2023-07-28T10:14:28","modified_gmt":"2023-07-28T09:14:28","slug":"jmj-quero-encontrar-me-com-os-jovens-de-mocambique-especialmente-os-de-pemba-d-luiz-fernando-lisboa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/jmj-quero-encontrar-me-com-os-jovens-de-mocambique-especialmente-os-de-pemba-d-luiz-fernando-lisboa\/","title":{"rendered":"JMJ: \u00abQuero encontrar-me com os jovens de Mo\u00e7ambique, especialmente os de Pemba\u00bb &#8211; D. Luiz Fernando Lisboa"},"content":{"rendered":"<p><em>Na antev\u00e9spera do arranque da Jornada Mundial da Juventude de Lisboa 2023 viajamos at\u00e9 ao Brasil ao contacto com o respons\u00e1vel da diocese brasileira de Cachoeiro de Itapemirim, que foi bispo de Pemba, norte de Mo\u00e7ambique de 2013 a 2021<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_291682\" aria-describedby=\"caption-attachment-291682\" style=\"width: 1422px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/combonianos-1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-291682 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/combonianos-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1422\" height=\"949\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/combonianos-1.jpg 1422w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/combonianos-1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/combonianos-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/combonianos-1-768x513.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/combonianos-1-391x260.jpg 391w\" sizes=\"(max-width: 1422px) 100vw, 1422px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-291682\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Combonianos<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Oct\u00e1vio Carmo (Ag\u00eancia Ecclesia) e Henrique Cunha (R\u00e1dio Renascen\u00e7a) <\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Come\u00e7amos pela prepara\u00e7\u00e3o no Brasil para a Jornada Mundial da Juventude. <\/em><\/p>\n<p><em>Sentiu entusiasmo jovens? \u00c9 de esperar uma grande comitiva de peregrinos brasileiros em Lisboa?<\/em><\/p>\n<p>Sim. Haver\u00e1 uma participa\u00e7\u00e3o muito boa dos jovens brasileiros. N\u00e3o todos os que gostariam, porque as passagens s\u00e3o muito caras. Ent\u00e3o n\u00f3s temos muitos jovens das periferias que gostariam de participar, mas n\u00e3o poder\u00e3o.\u00a0No entanto, participaram centenas, milhares de jovens. Da arquidiocese de S\u00e3o Paulo, por exemplo, houve nesse final de semana o envio de milhares de jovens.\u00a0As dioceses menores como a minha diocese que t\u00eam menos possibilidades, enviar\u00e1 6 jovens. Mas no Brasil somos cerca de 280 dioceses. Eu penso que a maior parte delas enviar\u00e1 jovens. Algumas dioceses, maiores, as arquidioceses enviar\u00e3o mais, evidentemente, mas os jovens est\u00e3o muito entusiasmados. Aqui na diocese fizemos uma boa prepara\u00e7\u00e3o. Os jovens aqui do Brasil acompanhar\u00e3o os dias da Jornada, far\u00e3o vig\u00edlias, participar\u00e3o acompanhando todo o programa da jornada. H\u00e1 muito entusiasmo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 10 anos a Jornada decorreu no Rio de Janeiro e 10 anos depois, vamos ter uma Jornada outra vez muito marcada pela lusofonia. Pergunto, qual pode ser o contributo espec\u00edfico dessa delega\u00e7\u00e3o brasileira aqui?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Eu penso que o contributo pode ser a viv\u00eancia da nossa igreja. A Igreja no Brasil, ela tem algumas caracter\u00edsticas que podem ajudar outras igrejas. Por exemplo, eu acabo de voltar do d\u00e9cimo quinto Intraeclesial das Comunidades Eclesiais de base. Eramos cerca de 1500 participantes l\u00e1 na cidade de Rondon\u00f3polis, em Matogrosso, no Centro Oeste do Brasil. E havia representantes das comunidades, das dioceses de todo o Brasil. E a presen\u00e7a da Juventude foi muito forte. Ent\u00e3o n\u00f3s temos uma presen\u00e7a bonita dos jovens nas nossas comunidades, nas nossas igrejas. S\u00e3o muitos os jovens catequistas, os jovens que participam de v\u00e1rios movimentos pastorais, os jovens envolvidos nas suas comunidades. Ent\u00e3o eu penso que essa experi\u00eancia que os jovens levam do Brasil pode enriquecer a Jornada como um todo.<\/p>\n<p><em>\u00c9 uma afirma\u00e7\u00e3o do papel dos pa\u00edses que falam portugu\u00eas na constru\u00e7\u00e3o do futuro da Igreja. O Brasil assume aqui um particular destaque, ent\u00e3o neste campo? <\/em><\/p>\n<p>Eu penso que pode contribuir. N\u00f3s temos muito para aprender, e claro, a Jornada \u00e9 o momento de troca de experi\u00eancias. Aprendemos uns com os outros, mas penso que tamb\u00e9m n\u00f3s podemos contribuir com essa experi\u00eancia que j\u00e1 temos, com longos anos de pastoral da Juventude. E h\u00e1 um fen\u00f3meno no Brasil e creio que em outras igrejas tamb\u00e9m, que \u00e9 o surgimento de muitos movimentos de Juventude. Ent\u00e3o, al\u00e9m de irem jovens se apresentando \u00e0s dioceses e \u00e0s par\u00f3quias v\u00e3o muitos jovens ligados a movimentos nacionais ou internacionais e muitos jovens tamb\u00e9m ligados a congrega\u00e7\u00f5es a carismas de congrega\u00e7\u00f5es. Eu penso que tudo isso pode enriquecer e pode ser muito bom, muito rico para a Jornada Mundial da Juventude.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Falava ainda h\u00e1 pouco das limita\u00e7\u00f5es que se impuseram \u00e0 participa\u00e7\u00e3o dos jovens brasileiros. A situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica do pa\u00eds afetou muito a viagem de pessoas que gostariam de estar em Lisboa? <\/em><\/p>\n<p>Sim. Afetou sim, porque n\u00f3s estamos a vir de alguns anos de muita recess\u00e3o, de muitos problemas aqui no Brasil em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 economia.<\/p>\n<p>As fam\u00edlias em geral, n\u00e3o t\u00eam tantas possibilidades assim. A maior parte da Juventude trabalha e estuda, mas tamb\u00e9m h\u00e1 ainda muitos jovens, desempregados. E os jovens das periferias que n\u00e3o conseguem tirar esse tempo para participar do encontro e tamb\u00e9m s\u00e3o impedidos por causa dos altos pre\u00e7os das passagens.<\/p>\n<p>Para um jovem hoje, para algu\u00e9m sair hoje daqui do Brasil para ir a Portugal o pre\u00e7o \u00e9 muito alto.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o os jovens que v\u00e3o participar, muitos deles fizeram rifas, fizeram festinhas na comunidade, venderam ter\u00e7os, venderam comida, enfim, fizeram um grande esfor\u00e7o para conseguirem viajar para a jornada mundial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E como \u00e9 que est\u00e1 a ser este processo de transi\u00e7\u00e3o da governa\u00e7\u00e3o Bolsonaro para o regresso de Lula da Silva ao poder?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Olha n\u00e3o tem termos de compara\u00e7\u00e3o. O Brasil esteve alguns anos mergulhado numa maneira de governar, muito estranha.\u00a0N\u00f3s demos muitos passos atr\u00e1s em termos de pol\u00edticas p\u00fablicas. N\u00f3s tivemos nega\u00e7\u00e3o da vacina, muitos milhares de pessoas morreram por causa dessa nega\u00e7\u00e3o, e por causa da demora em atender a popula\u00e7\u00e3o e em comprar as vacinas.<\/p>\n<p>E n\u00f3s tivemos tamb\u00e9m um desinteresse muito grande em rela\u00e7\u00e3o aos pobres, \u00e0s pessoas mais necessitadas. Eu penso que a mudan\u00e7a de governo vem ajudar a olharmos o futuro com um pouquinho mais de esperan\u00e7a, porque havia uma sensa\u00e7\u00e3o de muita frustra\u00e7\u00e3o, e de muita desesperan\u00e7a por causa de todos os passos que o Brasil j\u00e1 tinha dado, e parece que n\u00f3s regredimos no tempo do Governo passado. Ent\u00e3o h\u00e1 muita esperan\u00e7a. Os jovens acreditam, tem mais esperan\u00e7a, e est\u00e3o tendo mais oportunidade de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Est\u00e3o sendo oferecidas mais oportunidades de emprego. Eu penso que n\u00f3s retomamos o rumo. Respira-se melhor e h\u00e1 mais esperan\u00e7a no Brasil.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>J\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel notar uma maior aposta no combate \u00e0 pobreza?<\/em><\/p>\n<p>Com certeza. Foram retomados os programas sociais que haviam sido paralisados pelo governo anterior. N\u00e3o se trata, evidentemente, de apenas dar p\u00e3o e de dar coisas, n\u00e3o. S\u00e3o programas que envolvem as pessoas que, al\u00e9m de dar o necess\u00e1rio no momento, mas tamb\u00e9m preparam as pessoas atrav\u00e9s de cursos profissionalizantes, acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, acesso \u00e0 universidade.<\/p>\n<p>Enfim, oportunidades para que as pessoas possam sair da situa\u00e7\u00e3o em que se encontram. N\u00f3s chegamos a um tempo atr\u00e1s, h\u00e1 uns anos, a sair do mapa da fome, mas o Brasil, nos \u00faltimos anos, voltou para o mapa da fome. Para ter uma ideia, este ano, n\u00f3s trabalhamos na Igreja a campanha da fraternidade com o tema da fome. A campanha da fraternidade \u00e9 uma campanha que a Igreja faz anualmente e sempre traz um tema, uma ferida da sociedade para ser refletida, e para ser enfrentada. Nesse ano n\u00f3s trouxemos pela terceira vez o tema da fome, ou seja, d\u00e1 p\u00e3o a quem tem fome. E tamb\u00e9m oferecer outros tipos de sa\u00eddas para que as pessoas que passam fome possam ter um emprego, possam com seu trabalho buscar o p\u00e3o de cada dia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<ol>\n<li><em> Luiz Fernando Lisboa foi bispo de Pemba, no Norte de Mo\u00e7ambique, tendo sido um dos principais denunciadores da da trag\u00e9dia associada ao terrorismo na regi\u00e3o de Cabo Delgado. Como \u00e9 que olha para o momento atual e para o comportamento das autoridades, perante a situa\u00e7\u00e3o?<\/em><\/li>\n<\/ol>\n<p>Olho ainda com muita tristeza, porque a situa\u00e7\u00e3o da guerra continua. J\u00e1 h\u00e1 mais de cinco anos dessa guerra maldita, que ceifou a vida de tantas pessoas, de milhares de pessoas, e que deslocou das suas aldeias, das suas cidades cerca de um milh\u00e3o de pessoas.<\/p>\n<p>Quando olhamos para um encontro como esse, a Jornada Mundial da Juventude, fico pensando em tantos jovens dos pa\u00edses em guerra &#8211; n\u00f3s temos no mundo cerca de 50 guerras e mais ou menos 30 guerras est\u00e3o na \u00c1frica \u2013, como est\u00e3o esses jovens? Eu sei que o novo cardeal e auxiliar de Lisboa [D. Am\u00e9rico Aguiar] esteve na Ucr\u00e2nia, encontrando-se com jovens um gesto muito bonito. Mas quantos jovens gostariam de estar participando nem v\u00e3o poder acompanhar a Jornada Mundial da Juventude, porque s\u00e3o refugiados, porque s\u00e3o migrantes, porque s\u00e3o deslocados, porque tiveram de sair das suas terras, das suas casas em procura de uma vida mais digna? Fugiram da fome ou da guerra ou da falta de oportunidades.<\/p>\n<p>A guerra em Mo\u00e7ambique, infelizmente, continua, penso que as autoridades n\u00e3o fizeram tudo no tempo certo, o que deveriam fazer. Come\u00e7aram por negar a guerra, demoraram muito para tomar provid\u00eancias e a guerra tomou as propor\u00e7\u00f5es que ela tomou, que todos n\u00f3s acompanhamos. Infelizmente, continua uma regi\u00e3o com muita inseguran\u00e7a: em Cabo Delgado, as pessoas ainda est\u00e3o fora das suas casas. O Governo tentou incentiv\u00e1-las a voltar para as suas aldeias, mas foi um absurdo, uma falta de responsabilidade, porque as pessoas voltaram e tiveram de fugir outra vez, porque a guerra ainda continua.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Provavelmente n\u00e3o temos a informa\u00e7\u00e3o toda sobre a situa\u00e7\u00e3o. Recentemente, houve a informa\u00e7\u00e3o de um massacre em Palma, no qual inicialmente se falava de algumas dezenas de mortos, mas veio a saber-se, depois de uma investiga\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica, que ter\u00e3o morrido mais de 1500 pessoas\u2026<\/em><\/p>\n<p>Houve, na verdade, muitos massacres. Enquanto ainda estava l\u00e1, fal\u00e1vamos do massacre do Chitache, cerca de 50 jovens de uma s\u00f3 vez.<\/p>\n<p>Acompanhei tamb\u00e9m com muita preocupa\u00e7\u00e3o, com muita dor, essa investiga\u00e7\u00e3o dizendo que teria passado de 1300 pessoas [em Palma, a 24 de mar\u00e7o de 2021]. Se isso realmente aconteceu, e eu n\u00e3o duvido, porque o Governo sempre teve uma atitude de nega\u00e7\u00e3o, e se esconderam esses dados, ent\u00e3o \u00e9 um crime em cima de outro crime. Eu penso que a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o merece isso, n\u00e3o s\u00f3 passar por isso, mas a popula\u00e7\u00e3o em geral, de Mo\u00e7ambique, n\u00e3o merece ter dados escondidos, n\u00e3o merece ficar sem chorar os seus mortos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li><em> Ant\u00f3nio Juliasse pediu que pediu que fosse decretado um dia de luto nacional\u2026<\/em><\/li>\n<\/ol>\n<p>Exatamente, o bispo de Pemba pediu isso e com toda a raz\u00e3o, deveria ser falado de forma aberta para a popula\u00e7\u00e3o. \u00c9 muito pior quando se esconde a verdade, porque quando ela vem \u00e0 tona causa muito mais dor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como v\u00ea a participa\u00e7\u00e3o de jovens de Pemba na JMJ? Espera que possam chamar a aten\u00e7\u00e3o para a crise na regi\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Acredito que sim e naquilo que depender de mim, vou ajudar a chamar essa aten\u00e7\u00e3o, porque o mundo precisa de conhecer, precisa de saber. A guerra da Ucr\u00e2nia \u00e9 tamb\u00e9m uma dor profunda para o Santo Padre e para toda a Igreja, para a humanidade, mas acabou escondendo outras guerras, como a guerra de Mo\u00e7ambique, por exemplo, de Cabo Delgado &#8211; depois que come\u00e7ou a guerra da Ucr\u00e2nia, quase n\u00e3o se fala, a imprensa j\u00e1 n\u00e3o divulga, mas s\u00e3o muitas as guerras. Eu gostaria de encontrar-me com esses jovens que v\u00eam d Pemba.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Era o que lhe ia perguntar, se espera concretizar esse encontro?<\/em><\/p>\n<p>Espero, com certeza, vou procurar a delega\u00e7\u00e3o de Mo\u00e7ambique e quero encontrar-me com os jovens de Mo\u00e7ambique, especialmente os de Pemba.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A situa\u00e7\u00e3o em Cabo Delgado levou-o ao Vaticano. Privou com o Papa. Francisco optou por uma presen\u00e7a mais prolongada do que \u00e9 habitual na Jornada. Atribui algum significado especial ao facto? O que espera do Papa em Lisboa?<\/em><\/p>\n<p>Bom, em primeiro lugar, eu vejo que \u00e9 um Papa muito ativo e tem mostrado uma alegria muito grande, afirmando sempre que temos de ser uma Igreja que transborda alegria. Ele tem mostrado muita for\u00e7a para governar a Igreja. Quando me chamou l\u00e1 [Vaticano] para conversar, eu me senti muito amparado por ele. Eu sei que se preocupa com todas as regi\u00f5es onde as pessoas est\u00e3o sofrendo.<\/p>\n<p>Ele vai ficar bastante tempo na Jornada Mundial: com os problemas de sa\u00fade que teve, com as cirurgias que fez, ele est\u00e1 a querer marcar a sua presen\u00e7a. Ele quer mostrar a for\u00e7a do Evangelho e, como um sinal de Deus neste mundo, mostrar que Deus est\u00e1 presente, para que n\u00e3o desanimemos e a juventude se sinta amada por Deus, para que possa assumir o seu protagonismo.<\/p>\n<p>Penso que ser\u00e1 uma Jornada muito bonita. As nomea\u00e7\u00f5es que fez, a cria\u00e7\u00e3o de novos cardeais, inclusive a do auxiliar de Lisboa, mostram o amor que tem pela juventude, s\u00e3o v\u00e1rios sinais que tem dado e a sua presen\u00e7a vai ser muito importante para toda a juventude e para a Igreja no mundo inteiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A partir da sua experi\u00eancia como mission\u00e1rio, que papel v\u00e3o ter as novas gera\u00e7\u00f5es africanas na constru\u00e7\u00e3o do futuro do continente? H\u00e1 esperan\u00e7a numa mudan\u00e7a de rumo?<\/em><\/p>\n<p>Penso que os jovens da \u00c1frica, como jovens de toda a parte, devem olhar as experi\u00eancias atuais e procurar perceber o que que \u00e9 importante fazer e o que que n\u00e3o \u00e9 importante. Porque se n\u00f3s olharmos p para a governa\u00e7\u00e3o, para os pol\u00edticos atuais\u2026 quanto mau exemplo, quanta coisa errada quanta corrup\u00e7\u00e3o. A \u00c1frica precisa, como o mundo precisa, de l\u00edderes que sejam honestos, que sejam corretos, que tenham uma verdadeira preocupa\u00e7\u00e3o com a popula\u00e7\u00e3o e que governem de maneira especial para os mais pobres. Muitos governos governam para manter alguma classe pol\u00edtica, uma classe e \u00e9 de ricos, que dominam, que comandam, mas n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que isso continue. Espero que os jovens africanos e do mundo inteiro aprendam que podem ajudar a construir o futuro, come\u00e7ando agora, preparando-se bem e n\u00e3o entrando nesse tipo de manipula\u00e7\u00e3o que acontece nos dias de hoje, que n\u00e3o se deixem cooptar nem pela corrup\u00e7\u00e3o nem pelos corruptos, por aquelas pessoas que lhes querem roubar a esperan\u00e7a. O Papa Francisco diz nos seus documentos: n\u00e3o deixemos que nos roubem a alegria, n\u00e3o deixemos que nos roubem a esperan\u00e7a, n\u00e3o deixemos que nos roubem o futuro.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E o futuro est\u00e1 nestes jovens. Que contributo podem ter na vida da Igreja?<\/em><\/p>\n<p>Em primeiro lugar, eles precisam de sentir que s\u00e3o Igreja. Eles, os jovens, s\u00e3o Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A Jornada poder\u00e1 contribuir para isso?<\/em><\/p>\n<p>Com certeza, a Jornada vai contribuir. Um jovem n\u00e3o precisa de pedir licen\u00e7a para entrar na Igreja, eles s\u00e3o Igreja. \u00c9 importante que as comunidades tamb\u00e9m reflitam sobre isso: qual o espa\u00e7o que damos aos jovens, na nossa Igreja. H\u00e1 muitos adultos que t\u00eam dificuldades em acolher a juventude e eu pergunto sempre isso aos pais, aos av\u00f3s: na sua casa, o jovem coloca a sand\u00e1lia no lugar certo, os chinelos, n\u00e3o deixa espalhado pela casa? Na Igreja tamb\u00e9m \u00e9 assim, os jovens s\u00e3o jovens, eles t\u00eam a sua maneira de ser e n\u00f3s precisamos de os acolher, aceit\u00e1-los, valoriz\u00e1-los para que eles possam assumir o seu papel, o seu protagonismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>S\u00e3o li\u00e7\u00f5es que temos de tirar da Jornada?<\/em><\/p>\n<p>Penso que a Jornada trar\u00e1 muitas li\u00e7\u00f5es e uma delas, come\u00e7ando pelo Papa, \u00e9 esse acolhimento da juventude: devemos fazer o mesmo nas nossas dioceses, par\u00f3quias e comunidades. Devemos mostrar ao jovem que \u00e9 importante para Deus, para a Igreja, que a Igreja sem ele n\u00e3o \u00e9 a verdadeira Igreja de Jesus &#8211; lembrando que Jesus chamou um grupo de jovens para estar com ele, os ap\u00f3stolos eram um grupo de jovens e os jovens podem muito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Costuma dizer-se que, 10 anos depois, ainda sentem os efeitos da Jornada, no Brasil ainda sentem os efeitos da Jornada de 2013, no Rio. Podemos tamb\u00e9m ter essa expectativa em rela\u00e7\u00e3o a Portugal?<\/em><\/p>\n<p>Com toda a certeza. No Brasil, a Jornada foi um despertar da juventude e voca\u00e7\u00f5es. H\u00e1 poucos dias eu ouvi um testemunho, de um padre, dizendo que a decis\u00e3o dele foi tomada na Jornada Mundial. A partir da Jornada, ele entrou para o semin\u00e1rio, hoje \u00e9 padre e agradece ao Papa Francisco, agradece \u00e0 Jornada por isso. Penso que \u00e9 um momento de revigoramento, um momento de renova\u00e7\u00e3o. \u00c9 um momento de despertar a juventude, com certeza. Lisboa e Portugal v\u00e3o falar, durante muitos anos, dessa Jornada e receber os frutos que trar\u00e1 para Portugal e para a Igreja no mundo todo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na antev\u00e9spera do arranque da Jornada Mundial da Juventude de Lisboa 2023 viajamos at\u00e9 ao Brasil ao contacto com o respons\u00e1vel da diocese brasileira de Cachoeiro de Itapemirim, que foi bispo de Pemba, norte de Mo\u00e7ambique de 2013 a 2021<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":291682,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[],"class_list":["post-291678","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/291678","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=291678"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/291678\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/291682"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=291678"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=291678"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=291678"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}