{"id":29165,"date":"2008-01-08T11:21:59","date_gmt":"2008-01-08T11:21:59","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/01\/08\/vidas-em-espera\/"},"modified":"2008-01-08T11:21:59","modified_gmt":"2008-01-08T11:21:59","slug":"vidas-em-espera","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/vidas-em-espera\/","title":{"rendered":"Vidas em espera"},"content":{"rendered":"<p>Refugiados procuram integra\u00e7\u00e3o em Portugal, que se inicia com o processo de legalidade, procura de emprego, habita\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica quando necess\u00e1rio, educa\u00e7\u00e3o <!--more--> Incontorn\u00e1veis na forma\u00e7\u00e3o das sociedades actuais, os fluxos migrat\u00f3rios colocam constantes desafios \u00e0 pastoral da Igreja Cat\u00f3lica. H\u00e1 94 anos que a Igreja assinala a Jornada Mundial do Migrante e Refugiado, fixada no Domingo do Baptismo do Senhor, que em 2008 se celebra a 13 de Janeiro. Em Portugal, a Ag\u00eancia Ecclesia, a Caritas Portuguesa e a Obra Cat\u00f3lica Portuguesa de Migra\u00e7\u00f5es promovem no m\u00eas de Janeiro, desde o ano 2000, um Encontro destinado a quem trabalho prioritariamente com os migrantes. O VIII Encontro de Animadores S\u00f3cio Pastorais das Migra\u00e7\u00f5es \u00e9 apresentado num dossier especial, onde se analisa esta problem\u00e1tica na sociedade portuguesa: Rui Marques procura coer\u00eancias para mobilidade humana em contexto europeu; Frei Francisco Sales escreve sobre os desafios que as migra\u00e7\u00f5es colocam \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica. A reportagem AE quis saber como vivem os refugiados. A maioria dos pedidos de asilo por parte de refugiados em Portugal s\u00e3o negados. A uma resposta c\u00e9lere que \u00e9 dada numa primeira fase do processo do pedido de protec\u00e7\u00e3o \u2013 cerca de dois meses \u2013 segue-se um tempo indeterminado de espera. O Servi\u00e7o Jesu\u00edta aos Refugiados, em coordena\u00e7\u00e3o com o Conselho Portugu\u00eas para o Refugiado, entra em campo na segunda fase do processo. O CPR d\u00e1 \u201ctoda a resposta no pedido de asilo\u201d, e se este \u00e9 negado ou a pessoa se encontra numa situa\u00e7\u00e3o mais fr\u00e1gil \u201cn\u00f3s tentamos ajudar\u201d, aponta Ros\u00e1rio Farmhouse, directora do JRS-Portugal, \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA.  A segunda etapa de ajuda compreende a integra\u00e7\u00e3o em Portugal, que se inicia com o processo de legalidade, procura de emprego, habita\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica quando necess\u00e1rio, educa\u00e7\u00e3o. Ros\u00e1rio Farmhouse, destaca que as condi\u00e7\u00f5es portuguesas de acolhimento s\u00e3o \u201cfant\u00e1sticas\u201d.  Exemplo disso \u00e9 o Centro de Acolhimento da Bobadela, em Loures, da responsabilidade do Conselho Portugu\u00eas para os Refugiados e celeridade na aprecia\u00e7\u00e3o do processo, que a Directora do JRS afirma ser um prazo \u201caceit\u00e1vel\u201d. O problema surge com os pedidos de recurso, que estes sim, \u201cse estendem indefinidamente\u201d. Com esta extens\u00e3o, prolonga-se a indefini\u00e7\u00e3o na vida das pessoas.  Esta situa\u00e7\u00e3o, c\u00e9lere inicialmente, justifica-se pelo pequeno n\u00famero que pedidos de asilo que chegam a Portugal. \u201cMas tamb\u00e9m por isso, n\u00e3o se percebe porque se prolongam posteriormente\u201d.  \u00c0 nega\u00e7\u00e3o do pedido de asilo, e quando a pessoa n\u00e3o consegue protec\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria e \u201cde facto teme regressar ao seu pa\u00eds de origem\u201d, segue-se uma \u201csitua\u00e7\u00e3o irregular, sem apoio\u201d, por vezes contando apenas com respostas das organiza\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas, mas tamb\u00e9m pontuais. \u201cPortugal pode trabalhar mais na celeridade das respostas para evitar o hiato na vida das pessoas\u201d. Ros\u00e1rio Farmhouse sugere uma protec\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria, mas que possibilite a autonomiza\u00e7\u00e3o das pessoas \u201cenquanto o processo \u00e9 analisado com calma\u201d. A Directora do JRS aponta a dificuldade de se apreciar um processo com este, reconhecendo ser dif\u00edcil \u201cprovar uma persegui\u00e7\u00e3o\u201d, quando muitas vezes faltam provas de amea\u00e7a expl\u00edcita. No entanto, apela a um \u201chumanismo por detr\u00e1s da decis\u00e3o\u201d.  As organiza\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas presentes nos diferentes pa\u00edses, podem dar uma \u201cajuda preciosa\u201d na prova de situa\u00e7\u00f5es de persegui\u00e7\u00e3o e na regulariza\u00e7\u00e3o dos processos.  O crit\u00e9rio de base para aprecia\u00e7\u00e3o do pedido de asilo \u00e9 a prova de persegui\u00e7\u00e3o, e o reconhecimento, por parte de Portugal, que no pa\u00eds de origem \u201cn\u00e3o h\u00e1 democracia ou liberdade e onde as pessoas est\u00e3o em risco\u201d. A hist\u00f3ria tem de estar bem fundamentada e \u201ca pessoa sob stress n\u00e3o consegue contar os detalhes todos\u201d. Ros\u00e1rio Farmhouse adianta que \u201calgumas vezes as situa\u00e7\u00f5es que descrevem n\u00e3o s\u00e3o reais\u201d, mas n\u00e3o deve ser por isso que se deve desistir, \u201cat\u00e9 porque se tratam de vidas\u201d. Apesar da clandestinidade, \u201cas pessoas temem mesmo o retorno ao seu pa\u00eds de origem e acabam por preferir a ilegalidade ao retorno \u00e0 inseguran\u00e7a\u201d.  Situa\u00e7\u00e3o frequente tamb\u00e9m \u00e9 depois da nega\u00e7\u00e3o da primeira fase do processo, \u201cas pessoas optam por ir para outro pa\u00eds da Europa, encontrar amigos ou comunidades\u201d.   <b>Dificuldade na autonomiza\u00e7\u00e3o<\/b> O prolongamento da estadia nos centros, apesar de em condi\u00e7\u00f5es muito diferentes dos campos de refugiados, \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o do JRS, que disponibiliza o Centro Pedro Arrupe, para o acolhimento de quem se encontra em situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia. Mas as situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia prolongam-se no tempo. Ros\u00e1rio Farmhouse aponta que o Centro acolhe pessoas em duas situa\u00e7\u00f5es. Muitas chegam a Portugal pedindo asilo e ap\u00f3s a resposta negativa, aguardam o resultado do recurso.  Outros exemplos h\u00e1 de pessoas que ao abrigo dos acordos de sa\u00fade com a Guin\u00e9 Bissau e S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe vieram para Portugal, mas os pa\u00edses de origem, respons\u00e1veis pela parte social deste acordo \u201cn\u00e3o t\u00eam capacidade de resposta\u201d. As pessoas t\u00eam de aguardar, n\u00e3o podendo regressar ao seu pa\u00eds de origem nem podendo trabalhar em Portugal.  Para um Centro de acolhimento tempor\u00e1rio que previa uma estadia de quatro meses, \u201cchegam a permanecer mais de um ano, porque n\u00e3o temos como autonomiz\u00e1-las\u201d, refere a Directora. \u201cH\u00e1 uma necessidade de encontrar respostas adequadas\u201d. Uma situa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se restringe ao quadro nacional, mas \u00e9 de \u00e2mbito internacional, \u201cpara que todas as pessoas tenham direito a viver a sua vida com dignidade\u201d.  Os refugiados e requerentes de asilo sentem \u201cum hiato nas suas vidas\u201d, um espa\u00e7o em que a sua vida, \u201caliado a sofrimento e dificuldade na retoma\u201d.  O JRS manifesta uma grande preocupa\u00e7\u00e3o pela educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, porque \u201cmanter as crian\u00e7as a estudar, \u00e9 um motivo de esperan\u00e7a para as fam\u00edlias\u201d, explica. Nem sempre \u00e9 f\u00e1cil e quando a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 nova, \u201cem que n\u00e3o se sabe bem em que ano \u00e9 que a crian\u00e7a estuda e h\u00e1 a barreira da l\u00edngua do pa\u00eds de acolhimento\u201d, regista-se um per\u00edodo de impasse e de sofrimento. Ros\u00e1rio Farmhouse aponta, no entanto, que em Portugal h\u00e1 abertura das escolas no acolhimento a crian\u00e7as estrangeiras.  <b>Promover a interculturalidade<\/b> No ano consagrado ao Di\u00e1logo Intercultural, o JRS quer desenvolver mais incisivamente esta tem\u00e1tica, dando a conhecer as comunidades que j\u00e1 se encontram em Portugal e promovendo a sua integra\u00e7\u00e3o e inter-rela\u00e7\u00e3o.  Este \u00e9 um ano para tamb\u00e9m consolidar projectos internos com a equipa e com as novas instala\u00e7\u00f5es que disponibilizam. O JRS prev\u00ea um novo programa de m\u00e9dicos com vista ao reconhecimento de compet\u00eancias. Em parceria com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e com a Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian, este \u00e9 um passo \u201cimportante para a integra\u00e7\u00e3o e para uma ajuda m\u00fatua\u201d.  <i>Foto: CPR<\/i> <b>Dossier AE<\/b> <a href=\"dossier.asp?dossierid=31\">\u2022 Migra\u00e7\u00f5es<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Refugiados procuram integra\u00e7\u00e3o em Portugal, que se inicia com o processo de legalidade, procura de emprego, habita\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica quando necess\u00e1rio, educa\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[154,168,193,203,206,258,291,304],"class_list":["post-29165","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-crianca","tag-diocese-da-guarda","tag-educacao","tag-europa","tag-familia","tag-migracoes","tag-refugiados","tag-sao-tome-e-principe"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29165","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29165"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29165\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29165"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29165"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29165"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}