{"id":29161,"date":"2008-01-08T10:51:31","date_gmt":"2008-01-08T10:51:31","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/01\/08\/igreja-e-migracoes\/"},"modified":"2008-01-08T10:51:31","modified_gmt":"2008-01-08T10:51:31","slug":"igreja-e-migracoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-e-migracoes\/","title":{"rendered":"Igreja e migra\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>O mundo actual est\u00e1 marcado por um acelerado crescimento do fen\u00f3meno migrat\u00f3rio. S\u00e3o cada vez mais as pessoas que, devido a diversas causas, muitas vezes dram\u00e1ticas, procuram fora da sua terra de origem um local seguro que lhes permita trabalhar e viver com um m\u00ednimo de seguran\u00e7a e dignidade. Com esta realidade, Portugal passou de pa\u00eds de emigrantes para pa\u00eds de acolhimento de imigrantes. Na verdade, s\u00e3o cada vez mais os que procuram Portugal como local de destino, o que coloca, n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 sociedade civil mas tamb\u00e9m \u00e0 Igreja, desafios que requerem respostas adequadas que v\u00e3o ao encontro das reais necessidades e dificuldades manifestadas pela pessoa do migrante. O Papa Bento XVI, na sua Mensagem para o Dia do Migrante e do Refugiado de 2008, diz-nos que &#8220;se \u00e9 verdade que muito est\u00e1 a ser feito por eles, \u00e9 necess\u00e1rio comprometer-se ainda mais para os ajudar, mediante a cria\u00e7\u00e3o de estruturas de acolhimento e de forma\u00e7\u00e3o&#8221;. A Igreja Portuguesa tem, desde longa data, uma vasta experi\u00eancia no trabalho com os migrantes, basta recordar a cria\u00e7\u00e3o da Obra Cat\u00f3lica das Migra\u00e7\u00f5es, em 1962, como resposta \u00e0s necessidades pastorais emergentes nas comunidades de emigrantes portugueses na di\u00e1spora, no entanto, necessita de encontrar sempre novos m\u00e9todos e novas respostas para os desafios que a realidade migrat\u00f3ria actual levanta. Dadas \u00e0s mudan\u00e7as r\u00e1pidas operadas na sociedade, passando-se de um mundo est\u00e1vel e fechado, para um mundo urbano, sem fronteiras, em permanente mobilidade, marcado por uma enorme multiplicidade de culturas a conviver no mesmo espa\u00e7o e, ao n\u00edvel religioso, por uma diversidade de ritos celebrativos, uma diversidade de confiss\u00f5es crist\u00e3s, a presen\u00e7a de outras religi\u00f5es, mormente a religi\u00e3o mu\u00e7ulmana, s\u00e3o muitos os desafios que hoje se colocam \u00e0 Igreja, o que levanta a quest\u00e3o: como responder a todos eles de forma adequada? No campo das Comunidades Portuguesas no estrangeiro, h\u00e1 que procurar manter uma presen\u00e7a de mission\u00e1rios que garanta o apoio e a dinamiza\u00e7\u00e3o das comunidades, promovendo o interc\u00e2mbio, os encontros de partilha entre os mission\u00e1rios e outros agentes pastorais e, tamb\u00e9m, uma rela\u00e7\u00e3o sempre mais pr\u00f3xima com a Igreja de Portugal. Apesar das dificuldades em encontrar sacerdotes dispon\u00edveis, \u00e9 preciso garantir o envio de mission\u00e1rios para onde as necessidades s\u00e3o mais urgentes. \u00c9 necess\u00e1rio manter um conhecimento actualizado do evoluir migrat\u00f3rio dentro do pa\u00eds, a fim de se promover uma sensibilidade, cada vez maior, nas Dioceses nos Secretariados Diocesanos e nos outros agentes da pastoral. As migra\u00e7\u00f5es manifestam necessidades humanas e espirituais que necessitam de uma resposta que tenha em conta o respeito pela diversidade do patrim\u00f3nio espiritual e cultural trazido pelos migrantes dos seus pa\u00edses e culturas de origem. H\u00e1 que promover, entre todos os agentes da pastoral dos imigrantes, uma comunh\u00e3o centrada numa mesma vis\u00e3o estrat\u00e9gica que permita um trabalho de qualidade que ponha no centro o respeito pela pessoa e a defesa dos seus direitos. Urge promover uma cultura de acolhimento, dentro da Igreja e da Sociedade, centrada numa vis\u00e3o ecum\u00e9nica do fen\u00f3meno migrat\u00f3rio, onde sobressaia a necessidade de um tipo de di\u00e1logo inter-religioso e intercultural que combata a exclus\u00e3o, o racismo, a xenofobia e a discrimina\u00e7\u00e3o, ainda presentes em muitos sectores da sociedade e de algumas comunidades crist\u00e3s. A forma\u00e7\u00e3o dos diversos agentes da pastoral, n\u00e3o s\u00f3 dos que est\u00e3o directamente ligados \u00e0 pastoral das migra\u00e7\u00f5es, mas de todos os agentes em geral, \u00e9 uma aposta a ter em conta, pois sendo a tem\u00e1tica migrat\u00f3ria uma realidade cada vez mais global, n\u00e3o pode ser deixada como tema marginal nos planos pastorais, pelo contr\u00e1rio, tem de ser integrada numa vis\u00e3o global da pastoral da Igreja. Promover uma op\u00e7\u00e3o preferencial pelos mais pobres e vulner\u00e1veis: irregulares, refugiados, mulheres, v\u00edtimas de tr\u00e1fico, jovens e menores, olhando cada um como pessoa \u00fanica e irrepet\u00edvel, \u00e0 luz da teologia crist\u00e3 e da filosofia que est\u00e1 na base dos direitos humanos. Positiva continuidade de participa\u00e7\u00e3o em parcerias com organiza\u00e7\u00f5es da Igreja e da Sociedade Civil, com vista a uma reflex\u00e3o e busca de respostas, politicamente isentas, para os problemas que afectam os migrantes. Difus\u00e3o positiva do movimento migrat\u00f3rio pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o social de inspira\u00e7\u00e3o crist\u00e3, procurando dar a conhecer o que a Igreja e outras organiza\u00e7\u00f5es fazem em prol dos migrantes, assim como o contributo dos migrantes na constru\u00e7\u00e3o da Sociedade e da Igreja. Divulga\u00e7\u00e3o da Doutrina Social da Igreja sobre a Mobilidade Humana, a fim de que os crist\u00e3os e, at\u00e9 mesmo a sociedade civil, conhe\u00e7am as orienta\u00e7\u00f5es pastorais e o pensamento da Igreja sobre esta realidade e, assim, possam encontrar princ\u00edpios inspiradores para a sua ac\u00e7\u00e3o junto dos migrantes. Diante do movimento migrat\u00f3rio, isto \u00e9, do fen\u00f3meno da mobilidade humana, &#8220;considerada por alguns como o novo &#8220;credo&#8221; do homem contempor\u00e2neo&#8221; (Erga Migrantis Caritas Christi, 101), a voz da Igreja continua a ser uma for\u00e7a prof\u00e9tica para a constru\u00e7\u00e3o de um mundo melhor (cf. D. Ant\u00f3nio Vitalino Dantas, Mensagem de Natal do Presidente da CEMH). S\u00e3o muitos os desafios, s\u00e3o tantas as prioridades, mas se centrarmos a nossa ac\u00e7\u00e3o no acolhimento misericordioso de Cristo, que viveu no meio dos homens como peregrino e estrangeiro, saberemos fazer op\u00e7\u00f5es pastorais que sejam a resposta mais adequada \u00e0 realidade migrante do nosso tempo.  <i>Fr. Francisco Sales Diniz, director da Obra Cat\u00f3lica Portuguesa de Migra\u00e7\u00f5es <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mundo actual est\u00e1 marcado por um acelerado crescimento do fen\u00f3meno migrat\u00f3rio. S\u00e3o cada vez mais as pessoas que, devido a diversas causas, muitas vezes dram\u00e1ticas, procuram fora da sua terra de origem um local seguro que lhes permita trabalhar e viver com um m\u00ednimo de seguran\u00e7a e dignidade. 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