{"id":29123,"date":"2008-01-05T16:02:46","date_gmt":"2008-01-05T16:02:46","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/01\/05\/um-projecto-cultural-como-homenagem\/"},"modified":"2008-01-05T16:02:46","modified_gmt":"2008-01-05T16:02:46","slug":"um-projecto-cultural-como-homenagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-projecto-cultural-como-homenagem\/","title":{"rendered":"Um projecto cultural como homenagem"},"content":{"rendered":"<p>No centen\u00e1rio do nascimento do C\u00f3n. Avelino de Jesus da Costa <!--more--> <b>Sess\u00e3o Solene<\/b> Um olhar retrospectivo da hist\u00f3ria conduz-nos \u00e0 constata\u00e7\u00e3o de que houve um tempo em que se pensava ser necess\u00e1rio e poss\u00edvel estabelecer uma \u00abcultura universal\u00bb que surgia duma racionalidade capaz de se impor a todos duma maneira inequ\u00edvoca. Ao resultado deste trabalho intelectual muitos apelidaram-no de cultura ocidental que se foi \u00abexportando\u00bb e impondo, com ou sem liberdade, ao mundo. Tratava-se duma verdadeira homogeneiza\u00e7\u00e3o est\u00e1tica que se acolhia num momento e se conservava. A Igreja, no seu caminhar cultural e sem se aperceber que estava a cair num reducionismo, procurava transmitir uma \u00fanica doutrina onde os termos eram especificados com crit\u00e9rios iguais, os argumentos se estruturavam de maneira id\u00eantica e os advers\u00e1rios eram desconsiderados no desmontar das suas objec\u00e7\u00f5es. Uma vez adquiridos estes conhecimentos bastava repetir nos exames ou nas prega\u00e7\u00f5es. Este esquema duma \u00abuniversalidade cultural\u00bb est\u00e1 hoje ultrapassado e predomina o paradigma da \u00abpluralidade das culturas\u00bb. A Igreja situa-se neste contexto e acredita que este pluralismo n\u00e3o significa relativizar a verdade, desde que seja capaz de afirmar a sua identidade ou diferen\u00e7a e estruturar um pensamento de di\u00e1logo com quem pensa diferente. \u00c9 este o mundo novo que nos toca viver sem criar complexo. Importa, por\u00e9m, ter presente quanto o Papa Bento XVI afirmava ainda como Card. Ratzinger, numa confer\u00eancia intitulada: \u00abCristo, f\u00e9 e desafio das culturas\u00bb. Dizia ele: uma cultura manifesta e evidencia o que tem de valioso n\u00e3o atrav\u00e9s dum fechar-se numa auto-refer\u00eancia narcisista mas assegurando uma \u00abessencial abertura\u00bb a outras formas de cultura promovendo um enriquecimento pr\u00f3prio ou partilhando possibilidades de doutrina que os outros desconhecem. 1 &#8211; A celebra\u00e7\u00e3o dos 100 anos do C\u00f3n. Avelino de Jesus da Costa est\u00e1 a assegurar que \u00e9 poss\u00edvel n\u00e3o se acomodar a dados considerados como certos e seguros mas prosseguir numa investiga\u00e7\u00e3o persistente suscitadora de novidades que, entrando no seu confronto acad\u00e9mico, suscitam admira\u00e7\u00e3o e reconhecimento. Gostaria de descortinar, nesta homenagem, uma mais valia para a vida da nossa Arquidiocese. H\u00e1 quem afirme que vivemos de tradi\u00e7\u00f5es e que fazemos delas a nossa bandeira. Necessitamos de acreditar na urg\u00eancia dum verdadeiro projecto cultural que envolva sacerdotes e leigos e faz com que cada um, no seu estatuto pr\u00f3prio, se empenhe, n\u00e3o se desculpando com a idade ou condicionalismo, procurando pensar ao ritmo actual de todos os \u00e2mbitos cient\u00edficos. Outrora s\u00f3 o relacionado com a teologia, directa ou indirectamente, nos interessava e envolvia. Hoje, todo o mundo do pensamento nos pertence e navegar nele significa acolher as suas riquezas para adquirir uma linguagem que, transmitida, imponha o estilo de Cristo. Centralizar-se em Cristo e partir dEle para estar na literatura, na filosofia, na educa\u00e7\u00e3o, na hist\u00f3ria, na arte, na m\u00fasica, etc. \u00e9 um desafio que nunca se pode ignorar. Trata-se, enfim, de mergulhar numa antropologia crist\u00e3 onde as diversas dimens\u00f5es ou problem\u00e1ticas s\u00e3o iluminadas pelo dinamismo da f\u00e9 para se abrir a uma permuta ou confronto com tudo o que se pensa ou vive. 2 &#8211; Este projecto cultural \u2013 e situemo-nos nesta quadra natal\u00edcia \u2013 significa somente um inserir-se num processo de incarna\u00e7\u00e3o da f\u00e9 na cultura ou culturas que nos rodeiam. A\u00ed poderemos ser \u00abestrela\u00bb que questiona, sem abalar, a sabedoria dos procuradores da verdade ou fazedores de opini\u00e3o. Se isto foi sempre fundamental, hoje \u00e9 imperioso perante um pensamento \u00ablaico\u00bb que alguns pensam ser o \u00fanico poss\u00edvel ou moderno. A nossa f\u00e9 n\u00e3o se pode resignar a ser \u00abpura\u00bb tornando-se desincarnada, como algo que n\u00e3o interessa. H\u00e1 sempre o risco de cair num espiritualismo ou f\u00e9 alienante esquecendo-nos da miss\u00e3o humilde de ser guias na hist\u00f3ria do mundo. 3 &#8211; Este projecto cultural da Igreja deve, permanentemente, crescer em rela\u00e7\u00e3o com as pessoas, ambientes e estruturas expressamente dedicadas \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o. N\u00e3o crescemos isolados. No c\u00e9lebre e pol\u00e9mico discurso do Papa, na Universidade de Regensburg, estimulava e convidada a Igreja a \u00abalargar os espa\u00e7os da nossa racionalidade\u00bb. Nestas considera\u00e7\u00f5es regresso \u00e0 homenagem que dever\u00e1 perdurar. O C\u00f3n. Avelino deixou-nos um testamento de compromisso com a procura da verdade que todos os crist\u00e3os \u2013 sacerdotes e leigos \u2013 deveriam entender como aventura da intelig\u00eancia para tornar a f\u00e9 presente em todos os \u00e2mbitos. Por outro lado, a abrang\u00eancia dos seus conhecimentos colocou-o em rela\u00e7\u00e3o com toda a Academia Universit\u00e1ria. Era g\u00e9nio num aspecto e isto concedeu-lhe cr\u00e9ditos para se impor a tantos que pensavam como ele e dele aprendiam e a outros que discordavam mas aceitavam o discurso das verdades descobertas. Esta Biblioteca, criada para acolher o seu esp\u00f3lio como modo de comemorar o centen\u00e1rio do seu nascimento, pretende ser um \u00absinal\u00bb do amor da Arquidiocese a quem trabalha no mundo do pensamento. Da nossa parte continuaremos a investir para conservar aut\u00eanticos tesouros que podem ser dispersos ou perdidos. Colocados num espa\u00e7o da Igreja continuar\u00e3o a falar do interesse da Igreja pela cultura que muitos \u2013 sacerdotes e leigos \u2013 testemunharam. Aqui podem tornar-se \u00abvigas\u00bb pelas consultas que muitos ir\u00e3o efectuar. A elabora\u00e7\u00e3o e prepara\u00e7\u00e3o desta homenagem \u2013 na Biblioteca e publica\u00e7\u00f5es \u2013 foi uma canseira herc\u00falea para algures. Poderia e deveria enumerar os seus nomes. Sabem quanto lhes estou grato e como muitos lhe agradecer\u00e3o. A Arquidiocese ficou mais rica com o vosso trabalho. Saibamos colher a mensagem deste momento. Como o C\u00f3n. Avelino de Jesus da Costa apaixonamo-nos pela cultura para uma maior credibilidade da Igreja. Sal\u00e3o S. Frutuoso 04-01-08 <i>D. Jorge Ortiga, A. P.<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No centen\u00e1rio do nascimento do C\u00f3n. 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