{"id":290845,"date":"2023-07-24T11:31:28","date_gmt":"2023-07-24T10:31:28","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=290845"},"modified":"2023-07-24T11:40:41","modified_gmt":"2023-07-24T10:40:41","slug":"lusofonias-o-eco-dos-gritos-da-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-o-eco-dos-gritos-da-amazonia\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; O eco dos gritos da Amaz\u00f3nia"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, em S. Paulo<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Lusofonias-Amazonia3.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-290848 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Lusofonias-Amazonia3.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Lusofonias-Amazonia3.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Lusofonias-Amazonia3-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Lusofonias-Amazonia3-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Lusofonias-Amazonia3-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Lusofonias-Amazonia3-391x260.jpg 391w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A viagem de regresso da Amaz\u00f3nia a Portugal levou oito dias. Comecei na comunidade de \u00c1gua Branca, l\u00e1 nos confins de Fonte Boa. De l\u00e1 sa\u00ed de barco (n\u00e3o h\u00e1 alternativa!), passando por igarap\u00e9s (riachos) e furos (atalhos de \u00e1gua), sempre a olhar para as margens, onde os jacar\u00e9s aproveitavam o sol. Chegamos s\u00e3os e salvos a Fonte Boa e, nessa noite, tomei a lancha r\u00e1pida para Tef\u00e9, aproveitando este barco que faz em dia e meio a dist\u00e2ncia entre Manaus e a fronteira com a Col\u00f4mbia e o Peru, viagem que dura mais de 6 dias no habitual barco de recreio! Tive apenas um dia para encontrar o Bispo, D. Jos\u00e9 Altevir, Espiritano natural da Amaz\u00f3nia, recentemente nomeado para esta Prelazia confiada aos Espiritanos desde a sua funda\u00e7\u00e3o. Tef\u00e9 tem 420 comunidades rurais e urbanas, ficando Itamarati a 1547 kms da sede, com popula\u00e7\u00f5es a viver em pobreza extrema. Foi uma alegria partilhar com ele as alegrias e tamb\u00e9m as dificuldades de uma Igreja de barco com imensas dificuldades de encontrar remadores e dinheiro para pagar o combust\u00edvel das embarca\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m guardo mem\u00f3ria grata do almo\u00e7o com o Dr. Thomas Schwamborn e sua esposa. Ele chegou da Alemanha h\u00e1 mais de 40 anos, casou em Tef\u00e9 e ali est\u00e1 at\u00e9 hoje. Dirigiu durante 33 anos a R\u00e1dio Educa\u00e7\u00e3o Rural de Tef\u00e9, desde 1987 at\u00e9 \u00e0 sua reforma recente. Lembrou-me que, durante mais de cem anos, os Espiritanos foram os \u00fanicos mission\u00e1rios nesta regi\u00e3o amaz\u00f3nica, deixando marcas \u00fanicas pelas vidas dadas em nome do Evangelho, fundando comunidades, formando pessoas, cuidando da sua educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, desenvolvimento integral, protegendo os rios e as florestas e defendendo as pessoas, sobretudo os povos ind\u00edgenas e caboclos, das gan\u00e2ncias de ter e de poder dos poderosos destas terras onde a borracha, a pesca, as madeiras e o garimpo davam milh\u00f5es a muito poucos e condenava \u00e0 mis\u00e9ria a maioria esmagadora das popula\u00e7\u00f5es nativas ou migrantes. Os mission\u00e1rios foram a voz dos sem voz, defensores dos direitos humanos. A R\u00e1dio Rural, fundada em 1963, desempenhou um papel decisivo na evangeliza\u00e7\u00e3o, na forma\u00e7\u00e3o integral das pessoas, na den\u00fancia de viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos, na preserva\u00e7\u00e3o dos rios e das florestas.<\/p>\n<p>Voei de Tef\u00e9 para Manaus, passando um intenso fim de semana nas periferias complexas da capital da Amaz\u00f3nia, na Par\u00f3quia de Cristo Redentor. Tive a alegria de celebrar nas comunidades de S. Francisco de Assis, Nossa Senhora de Montserrat, Luz dos Povos e Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus. Participei na cerim\u00f3nia de entrega de 400 cestas b\u00e1sicas pelo voluntariado social da Honda, empresa com quase dez mil colaboradores em Manaus. A Par\u00f3quia, confiada aos Espiritanos, tem identificadas mais de meio milhar de fam\u00edlias pobres, muitas delas refugiadas da Venezuela. Pude ainda encontrar e jantar com a Prof. Raimunda Shaeken, presidente da Uni\u00e3o dos Escritores da Amaz\u00f3nia.<\/p>\n<p>A noite foi curta para viajar de Manaus at\u00e9 S. Paulo. Ali pude percorrer algumas art\u00e9rias do centro e periferias desta megal\u00f3polis. Encontrei o Provincial, o Ec\u00f3nomo, e os Respons\u00e1veis pelas Casas de Forma\u00e7\u00e3o de Filosofia e Teologia dos Espiritanos. As horas de carro, na ida e volta ao aeroporto, ajudaram-me a perceber porque h\u00e1 tantos sem abrigo no centro e tantas favelas pobres nas periferias. H\u00e1 72 mil moradores de rua identificados e cerca de 330 mil casas vazias\u2026<\/p>\n<p>A Amaz\u00f3nia que eu visitei vive tempos complicados, mas desafiantes. Comecemos pelo negativo: a escolaridade \u00e9 fr\u00e1gil, a sa\u00fade d\u00e9bil, h\u00e1 muito abuso sexual no \u00e2mbito das fam\u00edlias, com \u00edndices alarmantes de maternidade precoce, h\u00e1 muita corrup\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, s\u00e3o comuns os assaltos a casas e embarca\u00e7\u00f5es, regista-se um aumento de traficantes e pirataria nos rios, a invas\u00e3o de grupos auto-proclamados de \u2018evang\u00e9licos\u2019, o desemprego \u00e9 elevado, h\u00e1 um aumento significativo de pessoas afectadas pelo \u00e1lcool e drogas, mesmo nas comunidades da floresta, a economia \u00e9 fr\u00e1gil com pre\u00e7os exorbitantes, uma vez que tudo tem de vir de Manaus.<\/p>\n<p>Mas o lado bom \u00e9 sempre maior e mais rico. Percebe-se que o povo amplifica os sonhos do Papa Francisco para a Amaz\u00f3nia: o social, o cultural, o ecol\u00f3gico e o eclesial H\u00e1 perspetivas de futuro que se abrem. O povo \u00e9 feliz e acolhe sempre de bra\u00e7os abertos, como pude verificar em todas as visitas que fiz. E est\u00e1 disposto a defender os rios e as florestas. Com gente feliz e com f\u00e9, \u00e9 sempre poss\u00edvel inventar um mundo melhor.<\/p>\n<div class=\"ast-oembed-container \" style=\"height: 100%;\"><iframe title=\"Spotify Embed: LUSOFONIAS - O eco dos gritos da Amaz\u00f3nia\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/2972TmA895c6sNKa3ms7Go?si=2IuUo4eVRZOx8ShTp006ig&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves, em S. 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