{"id":29058,"date":"2008-01-02T11:21:40","date_gmt":"2008-01-02T11:21:40","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/01\/02\/o-optimismo-possivel\/"},"modified":"2008-01-02T11:21:40","modified_gmt":"2008-01-02T11:21:40","slug":"o-optimismo-possivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-optimismo-possivel\/","title":{"rendered":"O optimismo poss\u00edvel"},"content":{"rendered":"<p>Os \u00faltimos dias foram penosos. Fosse este texto escrito no prazo em que me convidaram a faz\u00ea-lo e, muito provavelmente, a minha postura seria outra. Quando se trabalha com a informa\u00e7\u00e3o \u2013 leia-se \u2018as not\u00edcias\u2019 \u2013 do mundo l\u00e1 longe, os dramas long\u00ednquos tornam-se mais pr\u00f3ximos. No Paquist\u00e3o, os preparativos para as elei\u00e7\u00f5es culminaram numa trag\u00e9dia que ultrapassa a pol\u00edtica interna daquele pa\u00eds e nos faz pensar at\u00e9 que ponto vale a pena ir para fazer nascer uma flor \u00e0 nossa volta. Sobretudo porque corremos o risco de ela vir a nascer nas nossas costas. No Qu\u00e9nia, os resultados eleitorais n\u00e3o agradaram a muitos eleitores que, com ou sem raz\u00e3o nos motivos, levaram a viol\u00eancia para as ruas.  Num e noutro caso, os mortos multiplicam-se. Ali como em muitos outros lugares. Estas duas situa\u00e7\u00f5es fazem-nos pensar na liberdade que temos e naquela que as pessoas querem ou n\u00e3o ter. Mais, faz-nos pensar naquilo que as pessoas est\u00e3o dispostas a fazer para alcan\u00e7ar liberdade. Quando um ano assim termina, \u00e9 dif\u00edcil olhar para o pr\u00f3ximo com optimismo. Mesmo quando apertamos o c\u00edrculo e nos abstra\u00edmos daquilo que se passa l\u00e1 ao fundo. Em 2007 o aborto foi legalizado em Portugal. Por mais que os imediatistas assim queiram crer, poucos conseguiram vit\u00f3rias ou derrotas at\u00e9 agora. As \u00fanicas e verdadeiras consequ\u00eancias, os \u00fanicos e verdadeiros afectados, foram os fetos que, neste momento, j\u00e1 sorririam ou poderiam estar prestes a nascer. O nosso pa\u00eds nasce mais pobre, por todos os que n\u00e3o nasceram, e por todos os que n\u00e3o vir\u00e3o a nascer.  No pa\u00eds e no mundo, 2008 convida-nos a pensar no valor das coisas. At\u00e9 que ponto estamos dispostos a ir na defesa do que queremos, na defesa de uma liberdade que n\u00e3o encontramos, ou na defesa de uma liberdade que, ao fim de s\u00e9culos de L\u00edngua, n\u00e3o rima com responsabilidade.  Para mim, ser\u00e1 um ano dif\u00edcil. \u00c0 primeira vista, as raz\u00f5es parecem distantes. Mas n\u00e3o, tudo se conjuga. Os pr\u00f3ximos meses \u2013 os doze, na pr\u00e1tica \u2013 v\u00e3o ditar muito do que ser\u00e1 o meu futuro no m\u00e9dio prazo. Depois da licenciatura e de est\u00e1gios, avizinha-se um mercado de trabalho contorcionista: esguio por natureza; a desmistificar-se apenas a alguns, \u2018os mais aptos\u2019. \u00c9 verdade que as experi\u00eancias t\u00eam sido satisfat\u00f3rias, mas o mundo pouco se contempla com sonhadores. Os et\u00e9reos \u2018freelancers\u2019 s\u00e3o hoje convidados a trabalhar a recibos verdes, e a liberdade que dominava os primeiros \u00e9 a precariedade que assombra os segundos. Os mesmos, note-se. Das universidades acenam com mestrados a baixo custo (publicidade falsificada, verifica-se depois). Do Governo falam em Novas oportunidades. Todavia, nem o mercado quer receber mestres inexperientes, nem as oportunidades \u2013 as outras \u2013 se propiciam. Num caso e noutro, em cada um \u00e0 sua maneira, o canudo n\u00e3o corresponde \u00e0quilo que se vale, e as quimeras prometidas ficam por detr\u00e1s de uma n\u00e9voa difusa. N\u00e9voa que, entendida de uma forma literal (mas mais lata) tamb\u00e9m marca a ordem do dia, como marcou o ano que termina. Em 2007, o exemplo \u2013 leia-se Nobel \u2013 de Paz dedica-se ao ambiente. Goste-se ou n\u00e3o do tom salv\u00edfico que assombra as suas palestras, em jeito de Arcas de No\u00e9, Al Gore foi ao ponto, na Confer\u00eancia de Bali. \u00c9 que, diariamente, a comunica\u00e7\u00e3o social d\u00e1 li\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas sobre comportamento ambiental. Um engano, diria eu, por duas ordens de ideias: por um lado, n\u00e3o s\u00e3o as habita\u00e7\u00f5es mas a ind\u00fastria quem mais polui; depois, porque \u00e9 em casa que mais se usam as energias renov\u00e1veis ou n\u00e3o poluentes. Das li\u00e7\u00f5es, n\u00e3o sei se bem intencionadas, fica o engodo, para que n\u00e3o reparemos na verdadeira batalha de Al Gore. O americano dirige-se \u00e0s grandes pot\u00eancias poluidoras, quem est\u00e1 de facto a destruir o planeta. (Tivesse ele a presid\u00eancia dos Estados Unidos e ver\u00edamos at\u00e9 que ponto v\u00e3o as suas palavras.) Avizinha-se um ano perigoso. O que me falta em certezas sobra-me em inquieta\u00e7\u00f5es. Mas parto confiante. Os perigos oferecem oportunidades, e este ano \u00e9 tamb\u00e9m um ano de oportunidades. Eu e o mundo temos a oportunidade de virar uma p\u00e1gina no rumo das coisas, e somos convidados a encetar a redac\u00e7\u00e3o da pr\u00f3xima pelo cimo. O que \u00e9 bom, porque nos mostra que ainda podemos fazer muito. Independentemente da caligrafia \u2013 da minha e da do mundo \u2013 virar a pagino \u00e9 imprescind\u00edvel, porque indica vontade, e a vontade \u00e9 essencial. Saibamos \u2013 eu e o mundo \u2013 aprender com os erros do passado e olhar para os valores da vida e da liberdade como aquilo que s\u00e3o: fundamentais  Igor de Sousa Costa, Guarda <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os \u00faltimos dias foram penosos. Fosse este texto escrito no prazo em que me convidaram a faz\u00ea-lo e, muito provavelmente, a minha postura seria outra. Quando se trabalha com a informa\u00e7\u00e3o \u2013 leia-se \u2018as not\u00edcias\u2019 \u2013 do mundo l\u00e1 longe, os dramas long\u00ednquos tornam-se mais pr\u00f3ximos. 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