{"id":29054,"date":"2008-01-02T10:37:46","date_gmt":"2008-01-02T10:37:46","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/01\/02\/centenario-de-d-jaime-garcia-goulart-primeiro-bispo-de-dili\/"},"modified":"2008-01-02T10:37:46","modified_gmt":"2008-01-02T10:37:46","slug":"centenario-de-d-jaime-garcia-goulart-primeiro-bispo-de-dili","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/centenario-de-d-jaime-garcia-goulart-primeiro-bispo-de-dili\/","title":{"rendered":"Centen\u00e1rio de D. Jaime Garcia Goulart, primeiro Bispo de D\u00edli"},"content":{"rendered":"<p>D. Jaime Garcia Goulart, primeiro Bispo de D\u00edli, nasceu na Candel\u00e1ria do Pico, em 10 de Janeiro de 1908. Primo do cardeal D. Jos\u00e9 da Costa Nunes, partiu em 1921 para Macau onde frequentou o semin\u00e1rio de S. Jos\u00e9.  Ainda estudante do 3.\u00ba ano de teologia foi nomeado secret\u00e1rio de D. Costa Nunes, ent\u00e3o bispo de Macau. Veio D. Jaime a concluir o curso teol\u00f3gico no semin\u00e1rio de Angra do Hero\u00edsmo, aproveitando a vinda aos A\u00e7ores de D. Jos\u00e9, onde recebeu a ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal a 10 de Maio de 1931. Algum tempo depois regressou a Macau ali permanecendo at\u00e9 1933, ano em que partiu para Timor, onde se demorou at\u00e9 1937 como comiss\u00e1rio, muito contribuindo para a funda\u00e7\u00e3o do semin\u00e1rio menor de N.\u00aa S.\u00aa de F\u00e1tima na Miss\u00e3o de Soibada, em 13 de Outubro de 1936 e destinado \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de sacerdotes ind\u00edgenas.  No ano de 1937 estava de novo em Macau e, pouco depois, em 1940, encontrava-se j\u00e1 em Timor, investido nas altas fun\u00e7\u00f5es de vig\u00e1rio-geral das Miss\u00f5es.  Dili, cidade capital da prov\u00edncia de Timor, sede do concelho e da diocese do mesmo nome, fica situada na costa norte da ilha de Timor, a 800 quil\u00f3metros da Nova Guin\u00e9, a cerca de 2400 de Singapura e a 3200 de Macau. Foi nesta cidade que a autoridade papal criou em 4 de Setembro de 1940, pela bula Sollemnibus conventionibus a diocese de D\u00edli, sufra-g\u00e2nea da de Goa, sendo seu primeiro bispo D. Goulart, que a governou desde 18 de Janeiro de 1941 como administrador apost\u00f3lico e, como bispo, desde 12 de Outubro de 1945 a 31 de Janeiro de 1967.  A sua sagra\u00e7\u00e3o efectivou-se em Sidney, Austr\u00e1lia, na capela do col\u00e9gio de S. Patr\u00edcio, em 28 de Outubro de 1945, sendo sagrante o bispo D. Jo\u00e3o Panico, delegado apost\u00f3lico, e co-sagrantes D. Normando Gilroy, arcebispo de Sidney e D. Jo\u00e3o Coleman, bispo de Annidale, recebendo na altura a simpatia e homenagem de muitas individualidades. Dali partiu a dar entrada solene na sua diocese de Dili (9-12-45), que encontraria devastada e em ru\u00ednas. Exercia ainda administra\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica, quando, em 1942, teve de deixar o bispado devido \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o japonesa (1).  Nessa long\u00ednqua diocese teve papel preponderante o realizado por Salesianos, jesu\u00edtas, pelas Irm\u00e3s canossianas e dominicanas do SS. Ros\u00e1rio. Elementos estat\u00edsticos indicavam que em 1966 possu\u00eda 15 par\u00f3quias para 131 455 fi\u00e9is de entre uma popula\u00e7\u00e3o de 574.805 habitantes, ao cuidado de quatro dezenas de sacerdotes.  Dando mostras de cansa\u00e7o e com a sa\u00fade abalada, D. Jaime pediu \u00e0 Santa S\u00e9 a nomea\u00e7\u00e3o de um bispo coadjutor com sucess\u00e3o, vindo a resignar em 31 de Janeiro de 1967, permanecendo como bispo titular de Trofimiana. Ao pronunciar as palavras da sua despedida da diocese timorense, D. Jaime exprimia-se comovido: &#8220;H\u00e1 trinta e tr\u00eas anos, pela primeira vez , pisei terras de Timor e tomei contacto com a sua gente. Desde ent\u00e3o para c\u00e1, se tem vindo, dia a dia, apertando os la\u00e7os de espiritual afecto, que me ligam a este bom Povo Timorense, la\u00e7os que ainda mais fortemente a ele me vinculou a cruz episcopal&#8221;. D. Jaime foi agraciado pelo governo portugu\u00eas com o oficialato da Ordem do Infante D. Henrique, que lhe foi concedido por decreto de 23 de Maio de 1964. Considerado de uma grande e proverbial mod\u00e9stia, D. Jaime quando na intimidade e em devaneio com os seus mais \u00edntimos revela-se um conversador inigual\u00e1vel e extremamente afectuoso e simples.  D. Jaime regressou aos A\u00e7ores em Agosto de 1967 e foi residir na Horta, ilha do Faial e depois no Pico, onde dirigiu a obra da Casa de S. Jos\u00e9, na Candel\u00e1ria da ilha do Pico. Viveu nos \u00faltimos anos da sua vida em Rabo de Peixe e em Ponta Delgada em casa de familiares seus, na ilha de S. Miguel, e Angra teve ocasi\u00e3o de o rever e relembrar por altura das solenidades com que se reiniciou o culto da S\u00e9 de Angra, em 3 de Novembro de 1985.  &#8220;Dedicado de alma e cora\u00e7\u00e3o ao seu povo timorense&#8221;, recebeu a visita de D. Carlos Ximenes Belo, que o inteirou da situa\u00e7\u00e3o do martirizado povo. Faleceu, com 89 anos, na cidade de Ponta Delgada a 15 de Abril na cl\u00ednica do Bom Jesus, onde se encontrava internado deste 8 de Mar\u00e7o daquele ano (2).  NOTAS: 1 Seara, direc\u00e7\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o do P.&#8217; Ezequiel Enes Pascoal, Imprensa Nacional de Timor, ano 1, n.\u00ba 1, Janeiro 1949.  2 Cf. Boletim Eclesi\u00e1sticos dos A\u00e7ores, n\u00ba 848, 1997  <i>Fonte: Diocese de Angra <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. Jaime Garcia Goulart, primeiro Bispo de D\u00edli, nasceu na Candel\u00e1ria do Pico, em 10 de Janeiro de 1908. Primo do cardeal D. 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