{"id":29043,"date":"2008-01-02T10:14:01","date_gmt":"2008-01-02T10:14:01","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/01\/02\/o-culto-da-solidariedade-em-2008\/"},"modified":"2008-01-02T10:14:01","modified_gmt":"2008-01-02T10:14:01","slug":"o-culto-da-solidariedade-em-2008","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-culto-da-solidariedade-em-2008\/","title":{"rendered":"O culto da solidariedade em 2008"},"content":{"rendered":"<p>1. &#8220;Unidos na Diversidade&#8221; \u00e9 o lema proposto pela Comiss\u00e3o Europeia para 2008, Ano Europeu do Di\u00e1logo Intercultural. O di\u00e1logo entre culturas surge como instrumento indispens\u00e1vel na perspectiva de uma aproxima\u00e7\u00e3o dos povos e dos cidad\u00e3os, entre si e entre as culturas subjacentes. Com a sua promo\u00e7\u00e3o, a Comiss\u00e3o visa contribuir para a compreens\u00e3o m\u00fatua e para uma melhor viv\u00eancia em conjunto. Nesse sentido, explorar\u00e1 as vantagens da diversidade cultural, da diversidade migrat\u00f3ria, da participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica activa de todos os cidad\u00e3os e procurar\u00e1 promover o sentido de perten\u00e7a.  A promo\u00e7\u00e3o do di\u00e1logo intercultural aparecer\u00e1, ent\u00e3o, como instrumento para auxiliar os cidad\u00e3os a adquirir conhecimentos e aptid\u00f5es, que lhes permitam compreender um ambiente mais aberto e mais complexo, e inserir-se na comunidade e nela serem seus verdadeiros construtores activos e comprometidos. Aparecer\u00e1, tamb\u00e9m, como instrumento de aprecia\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o das v\u00e1rias realidades para que o seu conhecimento favore\u00e7a ainda mais a sua promo\u00e7\u00e3o e o aparecimento de novas iniciativas. Com esta iniciativa, eventualmente ser\u00e3o apoiadas express\u00f5es de di\u00e1logo entre os v\u00e1rios povos europeus e aplaudidas ac\u00e7\u00f5es que visem o exerc\u00edcio activo da cidadania na certeza de que, na causa comum, ningu\u00e9m se dever\u00e1 alhear da sorte comum e na certeza de que a causa comum nunca ser\u00e1 causa comum enquanto grupos ou estados, por mais iluminados ou desenvolvidos que se apresentem, se arroguem exclusividades, abafando ou ignorando compet\u00eancias e iniciativas, de cidad\u00e3os ou de organiza\u00e7\u00f5es. A realidade para povos brit\u00e2nicos, eslavos, germ\u00e2nicos, latinos ou n\u00f3rdicos ser\u00e1 tanto mais auspiciosa quanto mais todos nela se empenharem, simultaneamente como benefici\u00e1rios e construtores, com as suas necessidades e as suas pr\u00f3prias capacidades.  2. Perspectivar o ano 2008 no que \u00e0 actividade solid\u00e1ria diz respeito implica olhar a realidade e analisar como ela se desenvolve. E, entre n\u00f3s, a realidade tamb\u00e9m \u00e9 uma expressiva e din\u00e2mica cultura da solidariedade: no exerc\u00edcio da cidadania ou movidos por esp\u00edrito de caridade ou de solidariedade, irmanados na sorte dos irm\u00e3os ou concidad\u00e3os, homens e mulheres t\u00eam vindo a dar-se as m\u00e3os para marcar a constru\u00e7\u00e3o de um presente e de um devir mais pleno e mais feliz. Assim, apareceram muitas din\u00e2micas. Provavelmente, algumas come\u00e7aram por ser assistencialistas, mas depois desenvolveram-se em organiza\u00e7\u00f5es de acolhimento e de apoio educativo de crian\u00e7as e jovens, de actividades e ocupa\u00e7\u00e3o promocional de tempos livres, de acompanhamento e favorecimento do conv\u00edvio, de apoio e integra\u00e7\u00e3o progressiva de imigrantes oriundos das mais diversas proveni\u00eancias, da resid\u00eancia e da valoriza\u00e7\u00e3o de idosos, de acolhimento, promo\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o e encaminhamento para a vida activa de pessoas com defici\u00eancia. Muitas dessas din\u00e2micas prosseguem com a abertura a novas problem\u00e1ticas que emergem das novas formas de pobreza e exclus\u00e3o e com a aventura na cria\u00e7\u00e3o de empresas de inser\u00e7\u00e3o e combate ao desemprego, na concep\u00e7\u00e3o da cultura, do meio ambiente e da arte como espa\u00e7o de expans\u00e3o para os homens com necessidades de express\u00e3o e com sonhos de infinito.  Essas din\u00e2micas desenvolvem-se em organiza\u00e7\u00f5es que, paulatinamente, se v\u00e3o impondo, diversificando-se e pululando ao longo de todo o territ\u00f3rio nacional. Resultam de sinergias e da entrega volunt\u00e1ria a sensibilidades, a capacidades de intuir necessidades e de projectar respostas, a sonhos, a prop\u00f3sitos e a ideias. E como tal se impuseram nas comunidades locais, identificando-se, pela proximidade e pelos afectos, com as particulares fragilidades delas e dando-lhes satisfa\u00e7\u00e3o nas formas mais eficazes e mais diversificadas. Algumas dessas din\u00e2micas s\u00e3o &#8220;hoje&#8221; obras de &#8220;sujeitos da solidariedade&#8221; que &#8220;ontem&#8221; a receberam das institui\u00e7\u00f5es, como tradu\u00e7\u00e3o do reconhecimento e da estima que lhes s\u00e3o devidos. S\u00e3o alguns milhares neste pa\u00eds, com suporte em dezenas de milhares de volunt\u00e1rios. Muitas delas s\u00e3o de iniciativa da Igreja Cat\u00f3lica. E, enquanto tal, s\u00e3o a express\u00e3o de uma certa forma de &#8220;ver&#8221; Deus, de crer que Deus procura o homem, dele se faz aliado e, amando-o com cora\u00e7\u00e3o, o vai &#8220;salvando&#8221; com gestos e iniciativas de caridade, como, na globalidade, o s\u00e3o as institui\u00e7\u00f5es crist\u00e3s. Essa \u00e9 uma matriz que as individualiza e que importa ser cantada e preservada. E a constata\u00e7\u00e3o \u00e9 expressiva: se tr\u00eas quartos das respostas sociais em Portugal s\u00e3o solid\u00e1rias, n\u00e3o lucrativas, a maior parte delas t\u00eam a sua g\u00e9nese no \u00e2mbito da Igreja Cat\u00f3lica, ou a partir dela se inspiraram. E desenvolvem-se em favor de toda a comunidade nacional, independentemente de op\u00e7\u00f5es e ideologias.  Poder-se-\u00e1 dizer que, entre n\u00f3s, a cultura da solidariedade se instalou, tem caracter\u00edsticas que a individualizam no contexto europeu, tem ra\u00edzes e express\u00f5es eminentemente crist\u00e3s e passa inc\u00f3lume ao lado de debates ideol\u00f3gicos.  E esta &#8220;cultura da solidariedade&#8221; \u00e9 algo que, sendo de um povo, pode ser partilhada com outros povos.  3. Num aparente crep\u00fasculo de debates ideol\u00f3gicos, v\u00e3o surgindo e v\u00e3o sendo desenvolvidas iniciativas entre n\u00f3s que se enquadram numa op\u00e7\u00e3o veladamente estatizante: na comunica\u00e7\u00e3o, na educa\u00e7\u00e3o, na sa\u00fade, na solidariedade&#8230; \u00c9 o que se pode concluir de medidas tomadas em \u00e1reas como as que se relacionam, por exemplo, com a propriedade de meios de comunica\u00e7\u00e3o social, com a assist\u00eancia espiritual aos doentes internados em estabelecimentos de sa\u00fade do Estado e com a propriedade de farm\u00e1cias, com o prolongamento do hor\u00e1rio escolar e a &#8220;exclusividade&#8221; do Estado na educa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e jovens, com a transfer\u00eancia de compet\u00eancias do Estado, central para local&#8230; Tudo vai sendo implementado a pretexto de inadi\u00e1veis e justas reformas mas sempre com a ideia de que se o Estado tem o poder \u00e9 porque tamb\u00e9m tem o direito, o dever e o saber&#8230; Tendencialmente com exclusividade, apenas restando para outros agentes algumas sobras pontuais. Assim, colateralmente, tanto s\u00e3o desincentivados o voluntariado e a solidariedade como a pr\u00f3pria caridade.  Em causa est\u00e1 a cultura da solidariedade com evidentes danos na sorte dos portugueses. Em causa est\u00e1 tamb\u00e9m o sinal para o Mundo da especificidade da ac\u00e7\u00e3o social que entre n\u00f3s pontifica. Este ano europeu do Di\u00e1logo Intercultural poder\u00e1 ser uma boa oportunidade desenvolvida em tr\u00eas \u00e1reas: &#8211; Que as pessoas e as institui\u00e7\u00f5es solid\u00e1rias se conhe\u00e7am melhor entre si e se afirmem segundo a sua g\u00e9nese, a sua dimens\u00e3o e a sua for\u00e7a para melhor se defenderem e melhor servirem a sorte dos portugueses num projecto humanizante; &#8211; Que as pessoas e as institui\u00e7\u00f5es solid\u00e1rias tenham a sorte de serem mais conhecidas, reconhecidas e apoiadas para melhor crescerem num melhor servi\u00e7o; &#8211; Que a cultura da solidariedade em Portugal, com a sua verdadeira matriz, seja definitivamente quantificada, valorizada e partilhada com outros povos para sorte de outras culturas.  Para que, em 2008 e nos anos seguintes, a sorte dos portugueses seja acautelada com uma actividade solid\u00e1ria que \u00e9 certeza de compromisso na sorte de um mundo mais humano e de um devir mais feliz&#8230; <i>Pe. Lino Maia, Presidente da CNIS <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. &#8220;Unidos na Diversidade&#8221; \u00e9 o lema proposto pela Comiss\u00e3o Europeia para 2008, Ano Europeu do Di\u00e1logo Intercultural. O di\u00e1logo entre culturas surge como instrumento indispens\u00e1vel na perspectiva de uma aproxima\u00e7\u00e3o dos povos e dos cidad\u00e3os, entre si e entre as culturas subjacentes. 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