{"id":29032,"date":"2008-01-01T15:58:21","date_gmt":"2008-01-01T15:58:21","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/01\/01\/homilia-do-arcebispo-de-braga-no-dia-mundial-da-paz\/"},"modified":"2008-01-01T15:58:21","modified_gmt":"2008-01-01T15:58:21","slug":"homilia-do-arcebispo-de-braga-no-dia-mundial-da-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-arcebispo-de-braga-no-dia-mundial-da-paz\/","title":{"rendered":"Homilia do Arcebispo de Braga no Dia Mundial da Paz"},"content":{"rendered":"<p><i> Se o mundo n\u00e3o encara o futuro com serenidade, deve-se a esta recusa ou desconsidera\u00e7\u00e3o de Deus. Por onde Ele passa e est\u00e1, a\u00ed a luz aparece<\/i> <!--more--> <b>A esperan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 vaga utopia<\/b>   O in\u00edcio dum novo ano sugere-nos a ideia duma caminhada. Caminhada que se entende como projecto ou como andar \u00e0 deriva.  O Papa Bento XVI, na sua \u00faltima enc\u00edclica Spe Salvi, recorda-nos: \u201cA vida humana \u00e9 um caminho. Rumo a que meta? Como encontramos o itiner\u00e1rio a seguir? A vida \u00e9 como uma viagem no mar da hist\u00f3ria, com frequ\u00eancia enevoada e tempestuosa, uma viagem na qual perscrutamos os astros que nos indicam a rota. As verdadeiras estrelas da nossa vida s\u00e3o as pessoas que souberam viver com rectid\u00e3o. Elas s\u00e3o luzes de esperan\u00e7a. Certamente, Jesus Cristo \u00e9 a luz por antonom\u00e1sia, o sol erguido sobre todas as trevas da hist\u00f3ria. Mas, para chegar at\u00e9 Ele, precisamos tamb\u00e9m de luzes vigilantes, de pessoas que d\u00e3o luz recebida da luz d\u2019Ele e oferecem, assim, orienta\u00e7\u00e3o para a nossa travessia.\u201d (N. 49)  Como humanos e crentes reconhecemos que a hist\u00f3ria hodierna nos aterroriza e iniciar um novo ano pode meter medo. Na verdade, o contexto social, por muito que nos digam, est\u00e1 carregado por densas nuvens que geram perplexidade e timidez. Parece que a vida perdeu o encanto e muitos come\u00e7am a resignar-se pelo inevit\u00e1vel deixar correr e aproveitar o que ainda existe de bom.  Conhecedor profundo dos meandros desta hist\u00f3ria, o Santo Padre acaba de lan\u00e7ar um desfio apelando \u00e0 urg\u00eancia da vit\u00f3ria da esperan\u00e7a sobre o des\u00e2nimo. Cristo entrou na hist\u00f3ria humana e, com Ele, \u00e9 poss\u00edvel acordar para a realidade dum mundo melhor.  Duas atitudes s\u00e3o sugeridas pelo Santo Padre: \u201cser capazes da grande esperan\u00e7a e ser ministros da esperan\u00e7a para os outros\u201d.  Olhamos para n\u00f3s e sabemos que a nossa esperan\u00e7a \u00e9 e ser\u00e1, sempre, esperan\u00e7a para os outros. Desta dupla atitude de esperan\u00e7a pessoal aliada \u00e0 responsabilidade de ser ministro da esperan\u00e7a resulta uma nova concep\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a que o Papa apelida de activa ou seja \u201cque nos faz lutar para que as coisas n\u00e3o caminhem para o \u201cfim perverso\u201d e trabalhar para que o mundo se mantenha aberto a Deus\u201d. Importa, como responsabilidade eclesial, reavivar a esperan\u00e7a e tornar o mundo uma casa de serenidade e paz. A igreja poder\u00e1 n\u00e3o fazer muitas coisas. Se for capaz de experimentar a esperan\u00e7a de Cristo e comunica-la ao mundo envolvente est\u00e1 correspondendo \u00e0s exig\u00eancias actuais.  1 &#8211; Esta esperan\u00e7a activa sup\u00f5e, como dizia o Papa, que o mundo se mantenha \u201caberto a Deus\u201d o que acontecer\u00e1 se os crist\u00e3os e as comunidades mostrarem um Deus vivo, \u201cque possuiu um rosto humano e nos amou at\u00e9 ao fim\u201d. S\u00f3 Ele \u00e9 a esperan\u00e7a no meio de tantas esperan\u00e7as. \u201cQuando j\u00e1 ningu\u00e9m me escuta, Deus ainda me ouve. Quando j\u00e1 n\u00e3o posso falar com ningu\u00e9m, nem invocar mais ningu\u00e9m posso sempre falar com Deus. Se n\u00e3o h\u00e1 mais ningu\u00e9m que me possa ajudar \u2013 por tratar-se de uma necessidade ou de uma expectativa que supera a capacidade humana de esperar \u2013 Ele pode ajudar-me. Se me encontro confinado numa extrema solid\u00e3o\u2026 jamais estarei totalmente s\u00f3\u201d. (S.S.n\u00ba 32)  Aqui est\u00e1 o verdadeiro segredo da esperan\u00e7a. Se o mundo n\u00e3o encara o futuro com serenidade, deve-se a esta recusa ou desconsidera\u00e7\u00e3o de Deus. Por onde Ele passa e est\u00e1, a\u00ed a luz aparece e a coragem retoma a sua pujan\u00e7a. Da\u00ed que a grande necessidade e a causa de parecer que o mundo se encontra num beco sem sa\u00edda, \u00e9 este indiferentismo ou agnosticismo, e se o mundo necessita de luz para recuperar o sentido, teremos de ser n\u00f3s os Crist\u00e3os a levar a luz que recebemos de Cristo.  O tempo de Natal fala-nos de estrelas que orientam no seu sil\u00eancio os peregrinos da noite e da\u00ed que o crist\u00e3o, nesta noite cultural, n\u00e3o possa fugir a esta sua voca\u00e7\u00e3o.  2 &#8211; Por outro lado, a esperan\u00e7a crist\u00e3, sendo activa, convida \u00e0 luta contra tudo o que conduz a humanidade para um fim perverso cheio de ilus\u00f5es e enganos. A luta n\u00e3o permite o conformismo e a adapta\u00e7\u00e3o ao mundo que outros v\u00e3o criando. A esperan\u00e7a necessita de \u201cdiques\u201d potentes que impe\u00e7am o dilagar de mentalidades e comportamentos que tudo justificam desde que alguns se aproveitem.  \u00c9 neste contexto que devemos interpretar a mensagem do santo padre para este Dia Mundial da Paz: \u201cFam\u00edlia humana, comunidade de Paz\u201d. A Paz acontece quando se imp\u00f5e a consci\u00eancia da humanidade como fam\u00edlia e quando se trabalha, quotidianamente, para que o mundo cres\u00e7a como fam\u00edlia. Nada nem ningu\u00e9m nos \u00e9 estranho. Tudo nos envolve e compromete. Nascemos dum \u00fanico criador para regressar \u00e0 Sua \u00fanica casa e n\u00e3o podemos caminhar na indiferen\u00e7a ou hostilidade.  Desta consci\u00eancia nova, muitas consequ\u00eancias podemos e devemos tirar. Algumas s\u00e3o referidas na mensagem do Papa. Selecciono uma de urg\u00eancia particular.  Perante os riscos dum aquecimento global do planeta, teremos de, n\u00e3o s\u00f3, exigir uma pol\u00edtica ambiental criadora de futuro mas tamb\u00e9m crescer e viver em atitudes respons\u00e1veis pela protec\u00e7\u00e3o do clima.  A procura da paz, sinal do triunfo da esperan\u00e7a, obriga-nos a recuperar o dever de preservar a natureza como local proporcionador de verdadeira felicidade. Acontece que assistimos a Cimeiras, com bonitos discursos e conclus\u00f5es bem elaboradas, onde as altera\u00e7\u00f5es climat\u00e9ricas assustam com dados objectivos e repletos de verdadeiro realismo. Mas onde se encontram os comportamentos, individuais e de grupos, capazes de reagir e gritar bem alto o valor da natureza com todas as suas maravilhas, desde as florestas que n\u00e3o se respeitam como verdadeiros tesouros que est\u00e3o a ser devorados n\u00e3o s\u00f3 pelos interesses mesquinhos dos inc\u00eandios mas pelo oportunismo voraz de quem n\u00e3o olha aos meios para se enriquecer? O cuidado e o crit\u00e9rio no uso da \u00e1gua, como bem inestim\u00e1vel mas arbitrariamente desconsiderado, que se esgota sem se pensar nas alternativas est\u00e1 presente nas rotinas quotidianas? A luta n\u00e3o passar\u00e1 por uma cidadania vivida no respeito por todo o ambiente?  Perante o dever duma esperan\u00e7a s\u00e3o muitos os fins perversos contra os quais teremos de lutar sem medo ou complexos. Com este trabalho a esperan\u00e7a nasce e o mundo sente os seus efeitos.  A nossa esperan\u00e7a teologal, ou seja alicer\u00e7ada em Deus, compromete-nos nas esperan\u00e7as humanas hist\u00f3ricas daqueles e daquelas que se enfrentam com dificuldade e conduz-nos para a atitude de luta por um mundo mais justo, colocando-nos do lado do sofrimento e, particularmente, dos exclu\u00eddos da sociedade que Deus n\u00e3o esquece embora muitas vezes pare\u00e7a. A esperan\u00e7a crist\u00e3 \u00e9 creditada na vida, transportando-a, e faz com que a Igreja infunda alento, confian\u00e7a e serenidade a todos. Teremos, por isso, de encarar a responsabilidade duma pastoral da esperan\u00e7a de modo que, com empenho decidido, o que hoje parece utopia amanh\u00e3 deixa de o ser.  Nesta combina\u00e7\u00e3o de Deus amado nas pessoas e de luta contra os fins perversos para que a esperan\u00e7a n\u00e3o esmore\u00e7a, quero deixar um pequeno pensamento recebido numa mensagem. Diz o seguinte: \u201cSe Deus criou as pessoas, para amarmos e as coisas para usarmos, porque ent\u00e3o amamos as coisas e usamos as pessoas?\u201d. Eis o segredo da esperan\u00e7a, pessoal e nacional. Importa amar as pessoas todas como rosto de Deus e servimo-nos das coisas como tesouros para todos num equil\u00edbrio harmonioso. N\u00e3o estaremos a percorrer um caminho inverso?  Maria, a M\u00e3e de Deus e a Senhora da Paz, nos conceda o dom duma humanidade que \u00e9 fam\u00edlia. A\u00ed caminharemos com esperan\u00e7a que a sociedade nos parece negar.   Catedral de Braga \u2013 Dia Mundial da Paz\/2008  <i>\u2020 D. Jorge Ortiga, A.P. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se o mundo n\u00e3o encara o futuro com serenidade, deve-se a esta recusa ou desconsidera\u00e7\u00e3o de Deus. 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