{"id":29029,"date":"2008-01-01T15:17:49","date_gmt":"2008-01-01T15:17:49","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/01\/01\/homilia-do-bispo-do-funchal-na-missa-te-deum\/"},"modified":"2008-01-01T15:17:49","modified_gmt":"2008-01-01T15:17:49","slug":"homilia-do-bispo-do-funchal-na-missa-te-deum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-do-funchal-na-missa-te-deum\/","title":{"rendered":"Homilia do Bispo do Funchal na missa Te Deum"},"content":{"rendered":"<p><i>\u00c9 a passagem de 2007 para 2008, celebrada em louvor e ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as a Deus pelos dons recebidos e em suplica confiante das b\u00ean\u00e7\u00e3os desejadas<\/i> <!--more--> <i>Funchal, 31 de Dezembro de 2007<\/i>   \u201cDeus se compade\u00e7a de n\u00f3s e nos d\u00ea a sua b\u00ean\u00e7\u00e3o. Resplande\u00e7a sobre n\u00f3s a luz do seu Rosto\u201d (Num 6, 24).   Dando cumprimento a uma j\u00e1 longa tradi\u00e7\u00e3o, aqui nos encontramos na bela e vetusta Catedral da nossa diocese a celebrar a eucaristia e a cantar solene Te-Deum ao cair da tarde do dia em que um ano termina e tudo se prepara para a entrada no novo ano. \u00c9 a passagem de 2007 para 2008, celebrada em louvor e ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as a Deus pelos dons recebidos e em suplica confiante das b\u00ean\u00e7\u00e3os desejadas.   \u00c9 tempo de balan\u00e7o, \u00e9 tempo de projecto. Na verdade, consciencializar aquilo que de bom aconteceu e realizamos na nossa vida pessoal e na vida das institui\u00e7\u00f5es a que estamos ligados faz aflorar tamb\u00e9m os sonhos e projectos n\u00e3o concretizados e as nossas pr\u00f3prias responsabilidades assumidas ou negligenciadas. Fazer balan\u00e7o ao ano 2007 conduz-nos certamente a um compromisso ainda maior na constru\u00e7\u00e3o de um projecto de vida pessoal e de servi\u00e7o \u00e0 comunidade de maior qualidade para que a todos v\u00e1 chegando resposta \u00e0s suas car\u00eancias e problemas, no respeito dos direitos humanos universalmente reconhecidos e nos sentido da fraternidade humana que ressalta da mensagem do esp\u00edrito do Natal t\u00e3o festivamente celebrado.   Tempo de balan\u00e7o, \u00e9 tempo de projecto. Cabe a cada pessoa e institui\u00e7\u00e3o fazer a sua pr\u00f3pria avalia\u00e7\u00e3o. O bem que reconhece e deseja agradecer, as necessidades e projectos que reclamam novos ou maiores compromissos. Apenas gostaria de sublinhar no \u00e2mbito da vida da nossa Igreja diocesana e em simples refer\u00eancia alguns pontos profundamente marcantes neste ano e com sentido de futuro, designadamente as bodas de prata episcopais do meu antecessor, a minha entrada como novo Bispo do Funchal, os m\u00faltiplos contactos realizados e a defini\u00e7\u00e3o das prioridades pastorais, as mensagens tornadas p\u00fablica e a reestrutura\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os diocesanos, as visitas pastorais ao Porto Santo e \u00e0 par\u00f3quia do Monte, o encontro com o Papa Bento XVI na visita ad limina e, por fim, a melhor prenda deste Natal, como dizia ontem, foi a ordena\u00e7\u00e3o de tr\u00eas novos di\u00e1conos e a esperan\u00e7a de tr\u00eas novos sacerdotes  a ordenar-se se Deus quiser no \u00faltimo s\u00e1bado de Julho de 2008.   Celebramos nesta tarde a Solenidade de Santa Maria M\u00e3e de Deus, na oitava do Natal do Senhor, dia 1 de Janeiro, primeiro dia do ano novo. Na Carta aos G\u00e1latas, proclamada na segunda leitura, S\u00e3o Paulo d\u00e1-nos o sentido desta Solenidade: \u201cQuando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o Seu Filho nascido de uma mulher para nos tornar seus filhos adoptivos.\u201d A M\u00e3e do Filho de Deus \u00e9 M\u00e3e de Deus, proclama a f\u00e9 da Igreja. A M\u00e3e de Cristo \u00e9 M\u00e3e da Igreja, \u00e9 nossa M\u00e3e. Da\u00ed a grande devo\u00e7\u00e3o e carinho do povo crist\u00e3o, nomeadamente do povo madeirense e porto-santense para com a Virgem Nossa Senhora de tantos modos nomeada e invocada. Que por sua intercess\u00e3o suba at\u00e9 Deus o nosso louvor e ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as deste dia. Que o seu exemplo constitua um forte est\u00edmulo a vivermos na f\u00e9 e confian\u00e7a, como Ela conservava e meditava no seu cora\u00e7\u00e3o tudo aquilo que ia vivendo, sobretudo os acontecimentos cujo alcance n\u00e3o vislumbrava de imediato. Por isso a invocamos com o Papa Bento XVI: \u201cMaria, estrela da esperan\u00e7a\u201d.   Dia 1 de Janeiro \u00e9 tamb\u00e9m o Dia Mundial da Paz. Por iniciativa do Papa Paulo VI lan\u00e7ada em 1968 e continuada pelos Papas seguintes que sempre a valorizaram propondo um tema de reflex\u00e3o para cada ano. Formulados com diversos slogans interpelativos, os temas dos 39 anos j\u00e1 decorridos constituem uma importante mensagem da Doutrina Social da Igreja em ordem \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da Paz. Apontam princ\u00edpios e valores fundamentais que t\u00eam de ser promovidos e respeitados pelas pessoas e institui\u00e7\u00f5es que desejam sinceramente construir caminhos de paz entre os homens, caminhos de paz entre os povos.  \u201cFam\u00edlia humana, comunidade de paz\u201d \u00e9 o tema que o Papa Bento XVI prop\u00f5e na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz 2008. Olhando para o conjunto dos povos da terra como uma \u00fanica fam\u00edlia humana, o Papa parte da institui\u00e7\u00e3o familiar fundamental, fundada a partir do matrim\u00f3nio entre um homem e uma mulher para estabelecer alguns princ\u00edpios gerais a ter em conta na constru\u00e7\u00e3o da paz universal. A vida de fam\u00edlia apresenta-se, assim, como refer\u00eancia para os esfor\u00e7os de paz ainda t\u00e3o necess\u00e1rios no nosso tempo. Sem pretender substituir uma leitura atenta de toda a mensagem, especialmente por quantos t\u00eam maiores responsabilidades sociais, h\u00e1 breves princ\u00edpios que desejo sublinhar aqui. Escreve o Papa: \u201c A fam\u00edlia \u00e9 a primeira e insubstitu\u00edvel educadora para a paz\u201d; \u00e9 que \u201cna fam\u00edlia se experimentam algumas componentes fundamentais da paz, a justi\u00e7a entre irm\u00e3os e irm\u00e3s, a fun\u00e7\u00e3o da autoridade manifestada pelos pais, o servi\u00e7o carinhoso aos membros mais d\u00e9beis, porque pequenos, doentes ou idosos, a m\u00fatua ajuda nas necessidades da vida, a disponibilidade para acolher o outro e, se necess\u00e1rio, para lhe perdoar\u201d. \u201cN\u00e3o admira\u201d, pois, descreve o Papa que a viol\u00eancia, quando perpetrada em fam\u00edlia, seja sentida como particularmente intoler\u00e1vel\u201d. E depois de lembrar a Carta dos Direitos da Fam\u00edlia, publicada pela S\u00e9 Apost\u00f3lica em 1983, com proposta de protec\u00e7\u00e3o jur\u00eddica \u00e0 fam\u00edlia, o Papa conclui: \u201cA nega\u00e7\u00e3o ou mesmo a restri\u00e7\u00e3o dos direitos da fam\u00edlia, obscurecendo a verdade  sobre o homem, amea\u00e7a os pr\u00f3prios alicerces da paz\u201d.   Um segundo princ\u00edpio, a fam\u00edlia \u00e9 \u201ca principal  ag\u00eancia de paz.\u201d De tal modo que escreve o Papa: \u201ctudo o que contribui para debilitar a fam\u00edlia fundada sobre o matrim\u00f3nio, aquilo que directa ou indirectamente refreia a sua abertura ao acolhimento respons\u00e1vel de uma nova vida, o que dificulta o seu direito de ser a primeira respons\u00e1vel pela educa\u00e7\u00e3o dos filhos, constitui um impedimento objectivo no caminho da paz. A fam\u00edlia tem necessidade da casa, do emprego ou do justo reconhecimento da actividade dom\u00e9stica dos pais, da escola para os filhos, de assist\u00eancia sanit\u00e1ria b\u00e1sica para todos. Quando a sociedade e a pol\u00edtica n\u00e3o se empenham a ajudar a fam\u00edlia nestes campos, privam-se de um recurso essencial ao servi\u00e7o da paz\u201d.   E um terceiro ponto a sublinhar: \u201cA fam\u00edlia precisa duma casa, dum ambiente \u00e0 sua medida onde tecer as pr\u00f3prias rela\u00e7\u00f5es. No caso da fam\u00edlia humana\u201d, escreve Bento XVI, \u201cesta casa \u00e9 a terra, o ambiente que Deus criador nos deu para que o habit\u00e1ssemos com criatividade e responsabilidade. Devemos cuidar do ambiente: este foi confiado ao homem, para que o guarde e cultive com liberdade respons\u00e1vel, tendo sempre como crit\u00e9rio orientador o bem de todos\u201d. Neste \u00e2mbito do ambiente como casa comum, \u201cmerece urgente e especial aten\u00e7\u00e3o o equil\u00edbrio ecol\u00f3gico e a gest\u00e3o dos recursos energ\u00e9ticos do planeta\u201d, a processar-se no di\u00e1logo entre os poderes institu\u00eddos e num quadro transcendente de valores que possam incrementar uma s\u00e1bia utiliza\u00e7\u00e3o dos recursos e uma \u201cequitativa distribui\u00e7\u00e3o da riqueza\u201d, sem esquecer os pobres, em muitos casos exclu\u00eddos do destino universal dos bens da cria\u00e7\u00e3o. Est\u00e3o assim afirmados alguns princ\u00edpios fundamentais que assentam numa concep\u00e7\u00e3o de desenvolvimento centrada na pessoa humana e ao servi\u00e7o dela, de tal modo que podemos dizer com o Papa Paulo VI: \u201cO desenvolvimento dos povos \u00e9 o novo nome da paz\u201d. A aplica\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios ter\u00e1 de fazer nos diversos \u00e2mbitos e n\u00edveis de ac\u00e7\u00e3o social e econ\u00f3mica, no maior respeito pelos humanos fundamentais.   A terminar, irm\u00e3os e amigos, ficam os meus votos de um feliz e pr\u00f3spero ano novo de 2008 para todos os madeirenses e porto-santenses, onde quer que se encontrem. Oxal\u00e1 que consigam concretizar os seus melhores desejos e aspira\u00e7\u00f5es, animados pela f\u00e9 e esperan\u00e7a, com um ideal e sentido de vida que est\u00e1 para al\u00e9m dos simples bens materiais e nos projecta em Deus. \u201c\u00c9 Ele a nossa grande esperan\u00e7a\u201d, escreve Bento XVI. E o Seu rosto, a Sua presen\u00e7a mais perto de n\u00f3s, \u00e9 Jesus Cristo, Seu Filho. Que a ningu\u00e9m falte a luz, a for\u00e7a interior e a coragem para assumir a vida com as suas dificuldades e problemas, e para saborear tamb\u00e9m as suas alegrias. Servindo-me do texto da primeira leitura, tamb\u00e9m suplico as maiores b\u00ean\u00e7\u00e3os de Deus para todos. O Senhor vos aben\u00e7oe e vos proteja, o Senhor fa\u00e7a brilhar sobre n\u00f3s a Sua face e vos seja favor\u00e1vel, o Senhor volte para v\u00f3s os Seus olhos e vos conceda a paz.  Feliz ano novo para todos. \u2020 Ant\u00f3nio Carrilho, Bispo do Funchal <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 a passagem de 2007 para 2008, celebrada em louvor e ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as a Deus pelos dons recebidos e em suplica confiante das b\u00ean\u00e7\u00e3os desejadas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,165,186,187,189,193,206,267,327],"class_list":["post-29029","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-dia-mundial-da-paz","tag-diocese-do-funchal","tag-diocese-do-porto","tag-direitos-humanos","tag-educacao","tag-familia","tag-natal","tag-visita-ad-limina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29029","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29029"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29029\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29029"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29029"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29029"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}