{"id":29028,"date":"2007-12-31T03:36:48","date_gmt":"2007-12-31T03:36:48","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/12\/31\/2007-para-a-igreja-catolica-em-portugal\/"},"modified":"2007-12-31T03:36:48","modified_gmt":"2007-12-31T03:36:48","slug":"2007-para-a-igreja-catolica-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/2007-para-a-igreja-catolica-em-portugal\/","title":{"rendered":"2007 para a Igreja Cat\u00f3lica em Portugal"},"content":{"rendered":"<p>Dos atrasos na regulamenta\u00e7\u00e3o da Concordata \u00e0s indica\u00e7\u00f5es de Bento XVI an visita Ad limina, uma an\u00e1lise de  D. Jorge Ortiga, Presidente da CEP <!--more--> Em Entrevista \u00e0 Ecclesia, o Presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa (CEP) analisa acontecimentos marcantes para a Igreja Cat\u00f3lica em Portugal durante o ano 2007 e deixa perspectivas de ac\u00e7\u00e3o, nomeadamente as que se referem a projectos comuns para as diferentes Dioceses de Portugal.  <i>Ag\u00eancia Ecclesia \u2013 2007 foi um ano positivo para a Igreja Cat\u00f3lica em Portugal? <\/i> D. Jorge Ortiga \u2013 Como Igreja, n\u00e3o nos podemos situar no \u00e2mbito das estat\u00edsticas, dos n\u00fameros. Porque a Igreja \u00e9 sempre um mist\u00e9rio e, como tal, nem sempre somos capazes de fazer um ju\u00edzo de valor.  <i>AE \u2013 A quem deve prestar contas? <\/i> JO \u2013 \u00c0quele que nos conduz e nos motiva, convidando a servir o Povo de Deus em gratuidade e em esp\u00edrito de servi\u00e7o.  <b>Religi\u00e3o afastada da Presid\u00eancia Portuguesa da UE<\/b> <i>AE \u2013 Como avalia a Presid\u00eancia Portuguesa da Uni\u00e3o Europeia?<\/i> JO \u2013 N\u00e3o sou a pessoa mais indicada para dizer se Portugal conseguiu, em todas as iniciativas a que presidiu, atingir os objectivos a que se prop\u00f4s\u2026  <i>AE \u2013 Tem a sua opini\u00e3o\u2026<\/i> JO \u2013 Creio que Portugal fez o seu trabalho e preparou-se convenientemente para esta Presid\u00eancia. Pelo que nos diz respeito, \u00e0 Igreja, apraz-me registar o encontro que os Presidentes das Confer\u00eancias Episcopais da Europa tiveram com o Primeiro-ministro, onde aconteceu uma sauda\u00e7\u00e3o e um apelo, de um lado e do outro. N\u00f3s sublinhamos que estamos empenhados e comprometidos no bem-estar de Portugal e da Europa. Por outro lado, houve um Bispo de Portugal que participou numa reuni\u00e3o, no Gana, entre representantes do Conselho das Confer\u00eancias Episcopais da Europa e da SECAM (dos Bispos da \u00c1frica) onde foi abordado o problema da escravatura e de onde foi enviado uma Mensagem para a Cimeira Europa-\u00c1frica.  <i>AE \u2013 Acha que \u00c1frica sai a beneficiar desse tipo de encontros? <\/i> JO \u2013 Fa\u00e7o votos para que efectivamente \u00c1frica possa vir a ter bons resultados desta Cimeira.  <i>AE \u2013 Pelas parcerias econ\u00f3micas que se estabelecem? <\/i> JO \u2013 As parcerias econ\u00f3micas, o que foi dito em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 paz, aos direitos humanos, mas eu creio que o fundamental \u00e9 insistir nas pessoas e reconhecer a situa\u00e7\u00e3o em que est\u00e3o a viver neste momento.  <i>AE \u2013 Muitas sem cidadania \u2026<\/i> JO \u2013 Sem cidadania, sem o m\u00ednimo de direitos, sem qualquer coisa que possa significar dignidade humana. Foi uma coincid\u00eancia feliz que o Bispo Auxiliar de Cartum, no Sud\u00e3o, tenha estado aqui, falando tamb\u00e9m com diversos Bispos de Portugal sobre o que acontece no Darfur, aquele esc\u00e2ndalo! <b>Mas eu creio que esta Cimeira \u2013 e talvez esteja a intrometer-me um pouco &#8211; poderia ter falado sobre a quest\u00e3o religiosa, enquanto factor de uni\u00e3o dos dois Continentes, pelo que tem feito no presente, em termos de solidariedade, e pelo que poder\u00e1 fazer em termos de respeito pelas diversas religi\u00f5es.  <i>AE \u2013 A quest\u00e3o religiosa ficou esquecida, na Cimeira? <\/i> JO \u2013 Pelo que sei, n\u00e3o foi referenciada\u2026 E acho que este reconhecer que a religi\u00e3o, seja ela qual for, \u00e9 um bem para o povo, em todo o seu ambiente e em toda a sua responsabilidade, era importante tamb\u00e9m referir.<\/b>  <i>AE \u2013 Mesmo que a religi\u00e3o seja um factor de conflito em muitos contextos africanos\u2026?<\/i> JO \u2013 Precisamente por isso! \u00c9 necess\u00e1rio compreender o que \u00e9 a religi\u00e3o, desafiar as diversas religi\u00f5es a reflectirem sobre a ess\u00eancia da religi\u00e3o, que \u00e9 sempre uma rela\u00e7\u00e3o com um ser sobrenatural (mesmo nas religi\u00f5es mais primitivas) que une as pessoas, n\u00e3o as separa nem permite que vivam em antagonismos, em destrui\u00e7\u00e3o, em esp\u00edrito de morte e de luta. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 a paz que triunfa a partir tamb\u00e9m desta liga\u00e7\u00e3o, n\u00e3o meramente natural mas sobrenatural.  <b> \u201cPux\u00e3o de orelhas\u201d? <\/b> <i>AE \u2013 O m\u00eas de Novembro ficou marcado pela visita Ad Limina do Episcopado Portugu\u00eas. Os Bispos de Portugal vieram de Roma com um \u201cpux\u00e3o de orelhas\u201d do Papa? <\/i> JO \u2013 N\u00e3o! Longe disso! Essa foi uma express\u00e3o da parte de algum jornalista\u2026  Para quem esteve presente e quem conhece a visita Ad Limina sabe que n\u00e3o foi nenhum pux\u00e3o de orelhas\u2026  <i>AE \u2013 Nem o Papa estava l\u00e1 para isso\u2026<\/i> JO \u2013 N\u00e3o estava l\u00e1 para isso\u2026 Mas foi pura e simplesmente a confirma\u00e7\u00e3o do que s\u00e3o as nossas aspira\u00e7\u00f5es, os nossos programas pastorais. At\u00e9 porque o Papa teve oportunidade, directa ou indirectamente, de conhecer os nossos relat\u00f3rios e sabia, por isso, quais s\u00e3o os nossos sonhos, os nossos projectos, o que n\u00f3s reconhecemos que existe de caminho percorrido \u2013 em termos de concretiza\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II \u2013 e tamb\u00e9m do que n\u00e3o conseguimos, por incapacidade da nossa parte ou por resist\u00eancias que ultrapassam as nossas for\u00e7as. Eu creio que o Papa veio ao encontro das nossas expectativas, dos nossos desejos, interpelando-nos a n\u00f3s, como Bispos, a toda a Igreja, para que sejamos capazes de trabalhar por uma Igreja que deve ser comunh\u00e3o e que deve percorrer caminhos de comunh\u00e3o. Para chegar aqui, a organiza\u00e7\u00e3o ter\u00e1 que ser diferente: n\u00e3o piramidal, mas mais comunit\u00e1ria. <b>Urge, para isso, mudar mentalidades, porque ainda h\u00e1 muito ego\u00edsmo, muito autoritarismo, por parte de sacerdotes e de alguns leigos. Creio que esta ideia da comunh\u00e3o, que n\u00f3s procuramos semear nas nossas dioceses, mereceu um apoio, uma ajuda, uma confirma\u00e7\u00e3o por parte do Papa.<\/b>  <i>AE \u2013 N\u00e3o \u00e9 frequente admitir a necessidade dessas mudan\u00e7as\u2026<\/i> JO \u2013 Eu creio que sim! Todos n\u00f3s vamos reconhecendo que essa mudan\u00e7a est\u00e1 a acontecer nas nossas comunidades.  <i>AE \u2013 S\u00e3o mudan\u00e7as estruturais? <\/i> JO \u2013 S\u00e3o e est\u00e3o delineadas pelo Conc\u00edlio Vaticano II: os Conselhos Econ\u00f3micos, os Conselhos Pastorais, nas Dioceses e nas Par\u00f3quias, que j\u00e1 existem (mesmo que n\u00e3o existam em todas as par\u00f3quias). Muitas vezes, quando se fala de mudan\u00e7a, quem est\u00e1 dentro ou fora da Igreja, fixa-se numa interpela\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o como moral e quer que a Igreja mude essa sua moral \u2013 e estou a referir-me a alguns casos concretos \u2013 e pensam que a mudan\u00e7a passa por a\u00ed. Mas a grande mudan\u00e7a passa pela convers\u00e3o. Bento XVI come\u00e7ou o seu discurso aos Bispos por um apelo a uma vida de mais intimidade com Deus. Ele usou uma express\u00e3o de Santo Ambr\u00f3sio: \u201centrar na casa de Deus, permanecer na casa de Deus\u201d. E diz que a miss\u00e3o da Igreja \u2013 e aqui \u00e9 que est\u00e1 a grande mudan\u00e7a \u2013 deve ser transbordar Deus. Por isso disse tamb\u00e9m que quando uma Igreja fala de si n\u00e3o est\u00e1 no caminho justo, porque a Igreja deve falar essencialmente de Deus. E talvez ainda continuemos a falar muito de coisas, das nossas iniciativas, das actividades pastorais, e menos de Deus. Como dizia Pascal, falamos muito das coisas de Deus, mas seria urgente falar do Deus das coisas.  <i>AE \u2013 Para chegar ao modelo de comunh\u00e3o da Igreja, que mudan\u00e7as devem acontecer na estrutura piramidal da Igreja? <\/i> JO \u2013 Eu creio que n\u00f3s os Bispos, a maioria do clero e muitos leigos respons\u00e1veis, j\u00e1 tomamos consci\u00eancia do que \u00e9 a eclesiologia do Conc\u00edlio Vaticano II. E n\u00e3o esquecemos que a constitui\u00e7\u00e3o sobre a Igreja, Lumem Gentium, come\u00e7a pela ideia de Povo de Deus. A hierarquia, essa interpreta\u00e7\u00e3o piramidal, vem mais tarde e coloca-se ao servi\u00e7o desse Povo.   <i>AE \u2013 E \u00e9 isso que est\u00e1 a acontecer? <\/i> JO \u2013 Vai acontecendo, mesmo n\u00e3o estando na perfei\u00e7\u00e3o. Temos que o reconhecer e creio que todos n\u00f3s os fazemos no nosso dia-a-dia, porventura mais no quotidiano das nossas dioceses, que \u00e9 preciso caminhar e progredir muito mais nesse sentido.  <b>Unidade na Igreja Cat\u00f3lica em Portugal<\/b> <i>AE \u2013 Em que ficou diferente a Igreja Cat\u00f3lica em Portugal depois da visita Ad Limina? <\/i> JO \u2013 N\u00f3s teremos que reflectir em comum. Se estamos a falar de uma igreja que \u00e9 comunh\u00e3o e que, na sua org\u00e2nica, deve ser comunit\u00e1ria, isso deve ser estudado em termos de comunh\u00e3o. Com certeza que cada Bispo ouviu a mensagem com toda a solicitude do Papa, acolheu para si e a vai procurar concretizar por sua livre iniciativa e com os seus colaboradores mais imediatos na sua Diocese. Na Igreja em Portugal, isso ter\u00e1 que ser discernido, intu\u00eddo em comum. <b>N\u00e3o podemos estar a dizer que queremos a igreja comunh\u00e3o num sentido e depois algu\u00e9m a decidir por todos e a impor, seja o que for, por todos!<\/b>  <i>AE \u2013 Por vezes, no entanto, espera-se tempo de mais por essa decis\u00e3o em comum\u2026<\/i> JO \u2013 N\u00e3o! N\u00f3s temos o nosso ritmo pr\u00f3prio, que \u00e0s vezes gostar\u00edamos que fosse diferente. Temos as nossas Assembleias &#8211; e poder\u00edamos fazer reuni\u00f5es extraordin\u00e1rias, se fosse urgente, para decidir qualquer coisa em comum.  Mas a vida continua: a interpela\u00e7\u00e3o est\u00e1 feita. Foi um avivar do esp\u00edrito do Vaticano II que queremos concretizar e continuaremos vendo o que podemos fazer. E dou um exemplo: a partir do dado que comunicamos da diminui\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica dominical, o Papa fala da problem\u00e1tica da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Eu posso dizer, na qualidade de Presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, que esse foi precisamente o tema que escolhi para falarmos em todas as Assembleias durante estes tr\u00eas anos. Na \u00faltima, no m\u00eas de Abril, iremos tirar conclus\u00f5es!  <i>AE \u2013 A concretizar em todas as diocese do Pa\u00eds? <\/i> JO \u2013 Eu espero\u2026! Eu creio que a Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa \u00e9 uma express\u00e3o da comunh\u00e3o dos Bispos que trabalham, cada um, na sua Diocese, onde \u00e9 o respons\u00e1vel. Depois procuramos concretizar esta comunh\u00e3o entre n\u00f3s de uma maneira afectiva. \u00c9 uma Confer\u00eancia Episcopal onde a amizade reina entre n\u00f3s, onde nos entendemos, mesmo com pontos de vista diferentes, mas sem conflitos e sem grandes tens\u00f5es. Efectivamente, \u00e0s vezes n\u00e3o somos capazes de atingir a operacionalidade que dever\u00edamos, em comum. Talvez se discuta muito para depois &#8211; quem sabe \u2013 at\u00e9 encontrar desculpas e n\u00e3o chegar a uma interpreta\u00e7\u00e3o de um programa que, respeitando a autonomia de cada diocese, pud\u00e9ssemos dizer: \u00e9 um programa nacional. Somos interpelados por dois acontecimentos prop\u00edcios: o Ano Paulino e a realiza\u00e7\u00e3o do S\u00ednodo, em Roma, sobre a Palavra. Ser\u00e3o duas oportunidades que ir\u00e3o permitir \u2013 assim o espero \u2013 uma ac\u00e7\u00e3o conjunta mais concorde.  <b>F\u00e1tima no s\u00e9c. XXI<\/b> <i>AE \u2013 F\u00e1tima celebrou 90 anos das Apari\u00e7\u00f5es e inaugurou uma inovadora igreja. O que ser\u00e1 F\u00e1tima no s\u00e9c. XXI? <\/i> JO &#8211; Os dados s\u00e3o evidentes. O s\u00e9c. XXI est\u00e1 a manifestar que F\u00e1tima continua a ter uma plena actualidade. Porque s\u00e3o as pessoas que procuram o Santu\u00e1rio. Servindo-me ainda do que o Papa dizia e alargando a todo o pa\u00eds, os santu\u00e1rios que existem pelo pa\u00eds deveriam ser uma C\u00e1tedra de Maria, uma escola de f\u00e9. F\u00e1tima foi o lugar onde Maria ensinou a gente simples e humilde. Hoje \u00e9 uma oportunidade para repensar e fazer de todos os Santu\u00e1rios, sem descurar o turismo que hoje \u00e9 algo que diz muito ao pa\u00eds, mas que o nosso turismo esteja marcado por uma evangeliza\u00e7\u00e3o, por um falar n\u00e3o s\u00f3 do passado, mas mostrando uma a actualidade vivida no tempo que passa.   <i>AE &#8211; Chegar\u00e3o homens e mulheres diferentes a F\u00e1tima, crentes e n\u00e3o crentes, atra\u00eddos pela arte da nova igreja? <\/i> JO &#8211; \u00c9 prov\u00e1vel que sim. Temos que reconhecer que estamos num tempo diferente:  antes a raz\u00e3o \u00e9 que procurava explicitar a f\u00e9; hoje estamos no tempo da beleza. <b>Talvez a Iigreja, nos \u00faltimos anos, tenha esquecido um pouco do valor da arte. <\/b>Porque a Igreja foi promotora da arte. Hoje verificamos que a Igreja precisa de regressar e colocar-se na vanguarda da arte, seja ela escultura, pintura ou m\u00fasica. \u00c9 tamb\u00e9m um modo de anunciar esta beleza de Deus, de um modo actual.  <b>Do CNE \u00e0 Concordata<\/b> <i>AE \u2013 Foi menos medi\u00e1tica, durante o ano 2007, a celebra\u00e7\u00f5es dos 100 anos do CNE? <\/i> JO &#8211; Talvez n\u00e3o se tenha falado tanto dessa realidade, mas fico contente que essa quest\u00e3o seja levantada. Porque o CNE, enquanto express\u00e3o do escutismo na sua dimens\u00e3o cat\u00f3lica, \u00e9 um movimento onde a juventude se encontra com uma pedagogia que, para al\u00e9m da viv\u00eancia do Evangelho, como cat\u00f3licos que s\u00e3o, est\u00e1 numa linha de servi\u00e7o \u00e0 humanidade.  <i>AE &#8211; A Igreja cat\u00f3lica e os seus respons\u00e1veis limitam-se, por vezes, a assistir aos dinamismos deste Movimento? <\/i> JO &#8211; Penso que n\u00e3o. Acompanhamos, de alma e cora\u00e7\u00e3o, o CNE. Acompanhamos diariamente, mas reconhecemos que o escutismo \u00e9 um movimento de jovens, com os chefes e com o padre como assistente. Esta \u00e9 uma imagem eloquente desta Igreja, povo de Deus que j\u00e1 fal\u00e1mos, onde efectivamente cada um est\u00e1 no seu lugar. Sem d\u00favida que o assistente \u00e9 imprescind\u00edvel. Mas costumo dizer que um bom chefe, com forma\u00e7\u00e3o e cultura, pode desempenhar um papel t\u00e3o importante como o assistente.     <i>AE \u2013 A regulamenta\u00e7\u00e3o da Concordata percorreu todo o ano. H\u00e1 algum mal-estar ainda por resolver nas rela\u00e7\u00f5es entre a Igreja Cat\u00f3lica em Portugal e o Governo? <\/i> JO \u2013 <b>O mal-estar existe porque a regulamenta\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o aconteceu. A Concordata foi aprovada em finais de 2004, passaram tr\u00eas anos e era de esperar que esta regulamenta\u00e7\u00e3o estivesse efectuada.<\/b>  <i>AE &#8211; E porque \u00e9 que n\u00e3o est\u00e1, na sua opini\u00e3o? <\/i> JO \u2013 Talvez outras preocupa\u00e7\u00f5es\u2026 N\u00e3o esque\u00e7amos que a Concordata \u00e9 um acordo entre o Governo Portugu\u00eas e a Santa S\u00e9. O Governo Portugu\u00eas, com as preocupa\u00e7\u00f5es da Presid\u00eancia da Uni\u00e3o Europeia e com as v\u00e1rias altera\u00e7\u00f5es de governo, talvez se tenha limitado \u00e0 lei da liberdade religiosa e tenha esquecido, esta \u00e9 a minha impress\u00e3o, as implica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas e concretas da Concordata. Estou convencido que, a partir de agora, vai haver mais empenho no regulamentar, para que sejamos capazes de por a Concordata em pr\u00e1tica, de ambos os lados, sem privil\u00e9gios, mas ao mesmo tempo com a aten\u00e7\u00e3o ao caracter\u00edstico, ao particular e at\u00e9 diferente, que \u00e9 a Igreja Cat\u00f3lica. Pois n\u00e3o se pode tratar por igual, o que por si \u00e9 diferente. \u00c9 importante que isto aconte\u00e7a.  <i>AE \u2013 H\u00e1 aspectos em que a Lei de Liberdade Religiosa deixa a Igreja Cat\u00f3lica com um tratamento insuficiente? <\/i> JO &#8211; N\u00e3o. Da leitura que fa\u00e7o, a Concordata \u00e9 quase uma repeti\u00e7\u00e3o da Lei da liberdade religiosa. A Lei da Liberdade Religiosa diz que \u00e9 para ser aplicada a todas as confiss\u00f5es e express\u00f5es religiosas existentes no pa\u00eds, mas diz tamb\u00e9m que, ao colocar de lado a Igreja Cat\u00f3lica, diz que as religi\u00f5es podem fazer acordos particulares naquilo que \u00e9 pr\u00f3prio e espec\u00edfico dessas religi\u00f5es. A Lei da Liberdade Religiosa fala da n\u00e3o confessionalidade do Estado, do princ\u00edpio da separa\u00e7\u00e3o, mas fala tamb\u00e9m do princ\u00edpio da colabora\u00e7\u00e3o e, neste princ\u00edpio da colabora\u00e7\u00e3o, fala tamb\u00e9m do princ\u00edpio da proporcionalidade. \u00c9 a pr\u00f3pria Lei que reconhece isso! E s\u00e3o princ\u00edpios que importa ter presente e considerar sempre.  <b>Desejos para 2008<\/b> <i>AE &#8211; Que acontecimento fica para a sua hist\u00f3ria de 2007? <\/i> JO \u00ac- Torna-se dif\u00edcil seleccionar porque a nossa vida \u00e9 cheia de tantas realidades. Mas creio que, a celebra\u00e7\u00e3o dos 90 anos de F\u00e1tima, a visita Ad limina e toda esta nossa preocupa\u00e7\u00e3o, expectativa e esfor\u00e7o que foi feito junto do governo portugu\u00eas para regulamentar a Concordata, n\u00e3o sei o que colocaria em primeiro lugar\u2026  <i>AE &#8211; S\u00e3o todos acontecimentos que marcam o ano de 2007? <\/i> JO &#8211; Eu penso que sim. <b>E espero que, agora que terminou a presid\u00eancia da EU, que possamos, em termos da Concordata, fazer aquilo que j\u00e1 dever\u00edamos ter feito, para podermos caminhar num entendimento m\u00fatuo e rec\u00edproco. Sem estar com desconfian\u00e7a, sem estar a permitir que alguns funcion\u00e1rios de Minist\u00e9rios nos criem dificuldades, porque isso tem acontecido.  Acho que ser\u00e1 um momento oportuno para rever atitudes de um lado e de outro.  <i>AE &#8211; Existir\u00e3o pessoas, esses funcion\u00e1rios, que poder\u00e3o representar alguns movimentos e sensibilidades, que poder\u00e3o colocar a Igreja Cat\u00f3lica \u00e0 margem? <\/i> JO &#8211; H\u00e1 muita gente que, imediatamente, diria que sim. Eu n\u00e3o tenho coragem de dizer que sim. O que \u00e9 certo \u00e9 que \u00e0s vezes nos d\u00e1 impress\u00e3o de que, de maneira organizada ou camuflada e pequenos grupos, talvez n\u00e3o queiram que a Igreja trabalhe num exerc\u00edcio de uma liberdade que \u00e9 pr\u00f3pria de qualquer institui\u00e7\u00e3o.<\/b>  <i>AE &#8211; Um desejo para 2008? <\/i> JO &#8211; O meu desejo maior \u00e9 que os crist\u00e3os acordassem para a necessidade de um encontro mais pessoal com Cristo, de procurar conhecer a pessoa de Cristo, no seu dinamismo mais \u00edntimo, numa liga\u00e7\u00e3o mais profunda com a pessoa de Jesus Cristo. Ao mesmo tempo, que compreendessem que o crist\u00e3o \u00e9 Igreja e, por isso, ter\u00e1 que assumir a sua responsabilidade de Igreja, dentro das comunidades, numa corresponsabilidade que referi neste balan\u00e7o. Nota-se em Portugal ainda uma aus\u00eancia de um pensamento e ac\u00e7\u00e3o crist\u00e3 ou cat\u00f3lica em diversos \u00e2mbitos da vida. Seja na pol\u00edtica, na medicina, na assist\u00eancia, na sa\u00fade, nota-se que os nossos crist\u00e3os n\u00e3o est\u00e3o ainda devidamente motivados para viver o Evangelho nesse ambiente onde a sua vida se vai realizando. Ao dizer isto n\u00e3o quero de forma alguma desconsiderar a exist\u00eancia de muitos que come\u00e7am a compreender que a voca\u00e7\u00e3o de leigo \u00e9 de \u00edndole secular. \u00c9 viver no mundo para realizar uma voca\u00e7\u00e3o \u00fanica e insubstitu\u00edvel.  (Emiss\u00e3o de parte desta entrevista no Programa Ecclesia do dia 31, na RTP2, \u00e0s 18h30)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dos atrasos na regulamenta\u00e7\u00e3o da Concordata \u00e0s indica\u00e7\u00f5es de Bento XVI an visita Ad limina, uma an\u00e1lise de D. 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