{"id":289979,"date":"2023-08-06T09:10:49","date_gmt":"2023-08-06T08:10:49","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=289979"},"modified":"2023-07-18T10:13:26","modified_gmt":"2023-07-18T09:13:26","slug":"o-acaso-do-por-acaso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-acaso-do-por-acaso\/","title":{"rendered":"O acaso do \u201cpor acaso\u201d"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-228266 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>O acaso do \u201cpor acaso\u201d n\u00e3o \u00e9 acaso. Ali\u00e1s, nada acontece por acaso. Basta ver as in\u00fameras pessoas que se cruzam na nossa vida. Cada uma dela traz consigo algo de novo, uma frescura que vai moldando o nosso cora\u00e7\u00e3o e forma a ver o mundo e os outros.\u00a0 Se \u00e9 verdade que as pessoas n\u00e3o entram por acaso na nossa vida, tamb\u00e9m \u00e9 verdade que elas n\u00e3o permanecem por acaso nas nossas. E toda perman\u00eancia implica, analogamente, uma rela\u00e7\u00e3o, pois toda rela\u00e7\u00e3o aporta abertura, novidade, supera\u00e7\u00e3o e partilha. Portanto, abrirmo-nos ao outro \u00e9 abrirmo-nos \u00e0 beleza da novidade. Nestes tempos de uma certa anestesia relacional ou de um certo materialismo fugaz nas rela\u00e7\u00f5es, compreender e viver a vida como um acto de dar-se e doar-se \u00e9 algo de extraordin\u00e1rio e de profunda motiva\u00e7\u00e3o que ter\u00e1 de motivar o outro a esta forma fundante e fundamental de estar e de ser.<\/p>\n<p>A alegria em dar-se \u00e9 incomparavelmente melhor quando o \u00e9 feito sob o p\u00eandulo do amor divino. Na verdade, o amor divino ilumina, sustenta e estimula o viver da vida como acto de doce oblatividade. Com plena assertividade, o Cardeal D. Jos\u00e9 Tolentino de Mendon\u00e7a afirma que \u201cse amarmos, ouviremos. Se amarmos, compreenderemos. Se amarmos, seremos capazes de perdoar\u201d. Sim, o amor permite-nos ouvir, compreender e perdoar. Teremos n\u00f3s a ousadia desta radical pretens\u00e3o?<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 por acaso que os mais inusitados encontros tenham uma dimens\u00e3o edificante e marcante nas nossas vidas. A sua intensidade \u2013 quase revolucion\u00e1ria \u2013 deste encontro aclara o dom maior de se gastar em nome de algu\u00e9m. Um dom imerecido \u2013 diga-se \u2013 e que acolhemos como um tesouro que nos impele a ser mais e melhores. N\u00e3o ser o poss\u00edvel, mas seremos \u201co melhor poss\u00edvel nas condi\u00e7\u00f5es que nos \u00e9 dado viver enquanto n\u00e3o tivermos condi\u00e7\u00f5es melhores para sermos melhores ainda\u201d (M\u00e1rio Cortella, fil\u00f3sofo). Isto perturba. E \u00e9 porque perturba que nos leva a reconhecer que todo o encontro \u00e9 puro dom. O inesperado deste acaso \u00e9 luz que ilumina a nossa vida, que varre, desde dentro, todo o lixo e marasmo que em n\u00f3s coabita e, varrido, limpa e esvazia o nosso cora\u00e7\u00e3o para sermos autenticamente livres para nos doar e dar de forma plena e significativa ao outro. Precisamos de dar significado \u00e0 vida dos outros e, dando significado, damos sentido ao sentido da nossa vida.<\/p>\n<p>Ousemos, com efeito, ser promotores de acasos e facilitadores de encontros. Nunca permitindo, no entanto, que nos roubem a nossa autenticidade ou, pior, deixar que nos roubem ou anulem aquilo que cada um de n\u00f3s \u00e9 e que est\u00e1 destinado a ser. N\u00e3o nos esque\u00e7amos do seguinte: qualquer pessoa que quer ser outra pessoa que n\u00e3o \u00e9, ent\u00e3o \u00e9 porque n\u00e3o sabe que pessoa \u00e9. Isto \u00e9 um enorme risco e um grande perigo! Outro perigo \u00e9 querer vencer na vida como se este fosse o \u00fanico objectivo ou o \u00fanico sentido da nossa exist\u00eancia. Mais, se pensarmos somente que a \u00fanico modo de seremos pessoas \u00e9 conseguir, conquistar ou adquirir determinado patamar ou determinado <em>status<\/em>, ent\u00e3o esta forma de viver \u00e9 um aut\u00eantico inferno! Esta forma b\u00e9lica e monocrom\u00e1tica de ver a vida dissipa do nosso cora\u00e7\u00e3o a matriz do amor radical, livre e oblativo. Com efeito, temos que mudar radicalmente a nossa forma de pensar. Ali\u00e1s, n\u00f3s somos pessoas n\u00e3o pelo que temos ou conquistamos, mas porque simplesmente somos. Portanto, n\u00e3o queiramos vencer na vida, mas viver a vida! Sim, poder ser sempre vida na vida das pessoas \u00e9 o maioree o mais pleno dos desafios, a bela forma de ser e de estar.<\/p>\n<p>Gostava de terminar com um bel\u00edssimo excerto da ora\u00e7\u00e3o \u201c\u00c0 Luz da Tua Figura\u201d do Frei Ign\u00e1cio Larra\u00f1aga, OFMCap, no seu livro \u201cEncontro\u201d: \u201cPossa eu ser como Tu, \/ sens\u00edvel, misericordioso, \/ paciente, manso, humilde, sincero e verdadeiro. \/ Os Teus prediletos, os pobres, \/ sejam os meus prediletos; \/ Os Teus objetivos os meus objetivos. \/ Os que me virem Te vejam, \/ e chegue eu a ser uma transpar\u00eancia \/ do Teu Ser e do Teu Amor\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de 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