{"id":289972,"date":"2023-07-18T10:04:56","date_gmt":"2023-07-18T09:04:56","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=289972"},"modified":"2023-07-18T10:09:45","modified_gmt":"2023-07-18T09:09:45","slug":"lusofonias-de-fonte-boa-a-panaua-e-aratizau","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-de-fonte-boa-a-panaua-e-aratizau\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; De Fonte Boa a Panau\u00e3 e Aratizau"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, em Fonte Boa<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-289972 gallery-columns-3 gallery-size-medium'><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-de-fonte-boa-a-panaua-e-aratizau\/lusofonias-fonteboa17-07-2023\/'><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"390\" height=\"260\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Lusofonias-FonteBoa17-07-2023-390x260.jpg\" class=\"attachment-medium size-medium\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Lusofonias-FonteBoa17-07-2023-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Lusofonias-FonteBoa17-07-2023-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Lusofonias-FonteBoa17-07-2023-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Lusofonias-FonteBoa17-07-2023-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Lusofonias-FonteBoa17-07-2023.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div><\/figure><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-de-fonte-boa-a-panaua-e-aratizau\/lusofonias-fonteboa-tefe17-7-2023\/'><img decoding=\"async\" width=\"390\" height=\"260\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/LUSOFONIAS-FonteBoa-Tefe17-7-2023-390x260.jpg\" class=\"attachment-medium size-medium\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/LUSOFONIAS-FonteBoa-Tefe17-7-2023-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/LUSOFONIAS-FonteBoa-Tefe17-7-2023-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/LUSOFONIAS-FonteBoa-Tefe17-7-2023-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/LUSOFONIAS-FonteBoa-Tefe17-7-2023-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/LUSOFONIAS-FonteBoa-Tefe17-7-2023.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div><\/figure>\n\t\t<\/div>\n\n<p>O P. Samuel Fritz fundou Fonte Boa, nas margens do Rio Solim\u00f5es,\u00a0 em 1679, numa terra de dez grupos ind\u00edgenas diferentes. A cidade seria erigida em 1938 e a Par\u00f3quia, dedicada \u00e0 Senhora de Guadalupe, em 1892. Os Espiritanos ali aportaram em 1898 e eu l\u00e1 cheguei, de lancha, no passado 9 de Julho. Sim, h\u00e1 muitos meios de transportes nestes rios e igarap\u00e9s amaz\u00f3nicos: catraia (t\u00e1xi fluvial), baleeira, rabeta, barco recreio, lancha, voadeira, tronco, canoa, s\u00e3o alguns dos nomes que ouvi por c\u00e1, para todas as dist\u00e2ncias, tamanhos, qualidades, feitios, confortos, pre\u00e7os e velocidades. Est\u00e3o preparados para cruzar estas imensid\u00f5es de \u00e1gua a entrecortar a floresta. O munic\u00edpio de Fonte Boa \u00e9 enorme, com quase 12 mil kms 2 e confina com Uarini, Juru\u00e1, Juta\u00ed, Tocantins, Japur\u00e1 e Mara\u00e3. Nestas dist\u00e2ncias fluviais, tudo se mede em dias e horas de barco, mas eu simplifico: est\u00e1 a 1011 kms de barco de Manaus.<\/p>\n<p>Cheguei de noite e fui levado, aos saltos \u2013 tal o mau estado da estrada \u2013 do porto \u00e0 Par\u00f3quia. Calor e chuvas torrenciais habitam juntos nesta terra e nesta esta\u00e7\u00e3o do ano. Comecei por participar num grande encontro de jovens no Centro Cultural Taracuatiua. A minha visita coincidiu com uma miss\u00e3o liderada pela fam\u00edlia Merced\u00e1ria, de uma vintena de padres, irm\u00e3s, irm\u00e3os e leigos, a convite do P. M\u00e1rio, o p\u00e1roco. Fui dali com o P. Ambrose, espiritano nigeriano, rumo ao bairro perif\u00e9rico de Santo Ant\u00f3nio, para a Eucaristia vespertina. No domingo, pude acompanhar o P. Jos\u00e9 Augusto, de Cabo Verde, \u00e0 comunidade de S. Francisco. Ambas as comunidades est\u00e3o na periferia de Fonte Boa.<\/p>\n<p>O momento mais emocionante vivi-o na visita mission\u00e1ria \u00e0 Comunidade de Santa Maria \u2013 \u00c1gua Branca, Rio Panau\u00e3. Foi toda a equipa mission\u00e1ria, uma trintena de pessoas. A viagem de barco durou 2 h de cortar a respira\u00e7\u00e3o. Come\u00e7amos no grande Solim\u00f5es e entramos para \u2018furos\u2019 (ou seja, atalhos) no meio de uma luxuriante floresta, onde o barco parava porque havia \u00e1rvores enormes atravessadas, ou porque se duvidava da profundidade das \u00e1guas, uma vez que a esta\u00e7\u00e3o das chuvas acabou e a floresta, completamente alagada (cheia de gap\u00f3s \u2013 \u00e1reas submersas), come\u00e7a a ter terra firme. Os olhos ficam a vibrar com tanta beleza, mas os medos tamb\u00e9m imperam: v\u00eaem-se jacar\u00e9s nas margens ou a mergulhar \u00e0 nossa beira, cobras, macacos e pregui\u00e7as nas \u00e1rvores e todo o tipo de aves, desde gar\u00e7as a mergulh\u00f5es.<\/p>\n<p>Chegamos extasiados a um rio mais largo onde est\u00e1 constru\u00edda, flutuante, uma comunidade com 18 fam\u00edlias. Quando ali chegamos, fomos recebidos com foguetes, bandeirinhas e muitas can\u00e7\u00f5es e dan\u00e7as, pois esta vintena de mission\u00e1rios vinham ali passar dois dias e participar na inaugura\u00e7\u00e3o da nova Capela, obra de complexa engenharia, pois est\u00e1 constru\u00edda sobre \u00e1guas que sobem e descem v\u00e1rios metros durante o ano. A larga mesa, sempre com \u00e1guas \u00e0 vista, mostrava os pratos mais t\u00edpicos, sobretudo de peixes locais. Mas o que espantava era o facto de pessoas muito idosas e crian\u00e7as de tenra idade andarem \u00e0 vontade em cima de pranchas e mergulharem sem medo naquelas \u00e1guas profundas. Quando perguntei pelos jacar\u00e9s, cobras e piranhas, t\u00e3o numerosas na \u00e1rea, disseram logo que s\u00f3 havia perigo quando as \u00e1guas descessem. Eu, pelo sim pelo n\u00e3o, tomei as minhas medidas cautelares. A Missa foi festiva com alguns batismos e a noite foi de forr\u00f3. Bem tentei dormir um pouco, num quarto cheio de redes e gente, mas a luta foi grande contra o barulho, o calor e a quantidade de insectos que aproveitaram sangue novo para alinhar na festa! Com a vinda da noite, aparecem em quantidades industriais, o mutucu (mosca que ferra a s\u00e9rio e nos p\u00f5e a co\u00e7ar uns tempos! ) e os carapan\u00e3s, nome dado a v\u00e1rias fam\u00edlias de mosquitos que, entre outras coisas, nos \u2018oferecem\u2019 dengues e zicas, doen\u00e7as muito dif\u00edceis de combater.<\/p>\n<p>A manh\u00e3 de ter\u00e7a vivi-a com outros mission\u00e1rios, numa pequen\u00edssima comunidade a meia hora dali: Aratizau. Celebramos a Missa de S\u00e3o Bento e dali regressamos a \u00c1gua Branca, sempre a olhar as \u00e1rvores frondosas e a muita bicharada que nos entravam pelos olhos dentro, parecendo estar a fazer uma visita guiada ao Jardim do \u00c9den, naquela manh\u00e3 da Cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Voltamos a Fonte Boa de olhos e cora\u00e7\u00e3o cheios. As \u00e1guas v\u00e3o descendo e os perigos de navega\u00e7\u00e3o aumentam. Ainda apanhamos alguns sustos, com troncos de \u00e1rvores escondidos, com o banzeiro (ondula\u00e7\u00e3o) ou com a vis\u00e3o de jacar\u00e9s a apanhar sol nas partes da floresta j\u00e1 com terra firme.<\/p>\n<p>O melhor do mundo s\u00e3o as pessoas. Encontramos gente com F\u00e9, de bra\u00e7os abertos, mas a viver as consequ\u00eancias da dist\u00e2ncia e do abandono a que as popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas sempre foram votadas. Ali quase ningu\u00e9m vai, o povo vive da pesca e da floresta, com um grande respeito pelos rios e lagos que os sustentam. Quem ali vai, como eu, percebe melhor o grito do Papa Francisco: \u2018Tudo est\u00e1 interligado! \u00c9 necess\u00e1rio proteger a M\u00e3e-Terra, a nossa Casa Comum!\u2019.<\/p>\n<div class=\"ast-oembed-container \" style=\"height: 100%;\"><iframe title=\"Spotify Embed: LUSOFONIAS - De Fonte Boa a Panau\u00e3 e Aratizau\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/646M5rHEkOVfrASx8pEpxZ?si=Fqy9brbIRu2dARRrRKXtEA&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves, em Fonte 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