{"id":289968,"date":"2023-07-18T09:57:37","date_gmt":"2023-07-18T08:57:37","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=289968"},"modified":"2023-07-18T09:57:37","modified_gmt":"2023-07-18T08:57:37","slug":"a-cruz-escondida-241","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-241\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>A dif\u00edcil miss\u00e3o da Igreja junto dos mineiros na Diocese de Bukavu\u00a0<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/ACN-20230308-142326-congo.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-289969 alignnone\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/ACN-20230308-142326-congo.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/ACN-20230308-142326-congo.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/ACN-20230308-142326-congo-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/ACN-20230308-142326-congo-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/ACN-20230308-142326-congo-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/ACN-20230308-142326-congo-391x260.jpg 391w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><\/p>\n<h4>Garimpeiros da mis\u00e9ria<\/h4>\n<p>O contraste n\u00e3o podia ser maior. Os que esgravatam o solo \u00e0 procura de minerais preciosos vivem na maior pobreza na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo. Exploram a terra, mas s\u00e3o explorados pelos homens, os negociantes que lhes compram o fruto do trabalho com pre\u00e7os de mis\u00e9ria. A Igreja est\u00e1 empenhada em mudar esta situa\u00e7\u00e3o\u2026<\/p>\n<p>Vivem longe das cidades, vivem longe de tudo. S\u00e3o como formigas que se confundem com a pr\u00f3pria terra que v\u00e3o esventrando em condi\u00e7\u00f5es muito prec\u00e1rias e usando normalmente ferramentas rudimentares. A Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo \u00e9 um pa\u00eds que esconde, no seu subsolo, enormes riquezas. Diamantes, ouro, coltan, cobalto e l\u00edtio s\u00e3o recursos naturais que abundam neste enorme pa\u00eds africano que o Papa Francisco visitou este ano, no in\u00edcio de Fevereiro. Mas o contraste n\u00e3o podia ser maior. Estes milhares de homens, muitas vezes tamb\u00e9m idosos e crian\u00e7as, que esgravatam a terra \u00e0 procura de alguma riqueza, vivem na maior mis\u00e9ria, na mais profunda pobreza. Muitos passam mesmo fome. A fragilidade em que se encontram leva-os normalmente a venderem por baixos pre\u00e7os tudo aquilo que encontram ao fim de muitas horas de trabalho minucioso e em condi\u00e7\u00f5es deplor\u00e1veis. Homens, mulheres, crian\u00e7as e idosos. Ningu\u00e9m escapa ao trabalho e ningu\u00e9m parece escapar \u00e0 fatalidade da pobreza. Toda a gente da comunidade trabalha para a mina. Uns escavam, outros separam, procurando assim ganhar o sustendo do dia-a-dia. Mas o sonho desaba quase sempre quando t\u00eam de vender o que conseguiram obter. Os comerciantes, os negociadores, aproveitam-se da condi\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria destes garimpeiros para lhes pagar a pre\u00e7os baixos. Muito baixos. Para quem est\u00e1 desesperado, n\u00e3o h\u00e1 grande alternativa\u2026<\/p>\n<h4>Uma cooperativa de mineiros<\/h4>\n<p>Mas a Igreja tem procurado alterar este estado de coisas. Come\u00e7ando por denunciar esta realidade dram\u00e1tica que ocorre tamb\u00e9m nas regi\u00f5es onde a viol\u00eancia, a guerra e o terrorismo marcam presen\u00e7a. Kizito Bahati, que fundou uma cooperativa de mineiros na Diocese de Bukavu, \u00e9 um dos rostos dos que n\u00e3o se conformam com esta situa\u00e7\u00e3o. A cooperativa de minera\u00e7\u00e3o dos operadores artesanais, que \u00e9 apoiada pela Igreja Cat\u00f3lica, tem como objectivo precisamente defender os direitos destes trabalhadores. \u201cMuitos deles n\u00e3o t\u00eam sequer um c\u00eantimo\u201d, explica o fundador da cooperativa \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o AIS. \u201cQuando chega o comprador, vendem o que t\u00eam o mais depressa poss\u00edvel, para que eles e os seus filhos possam comer.\u201d A agravar esta situa\u00e7\u00e3o h\u00e1 ainda o facto de estes trabalhadores n\u00e3o terem consci\u00eancia do valor real do que fazem, do que conseguem extrair da terra. Por isso, a associa\u00e7\u00e3o \u00e9 importante. E \u00e9 isso que a Igreja tem procurado transmitir. O Padre Gr\u00e9goire, respons\u00e1vel pela par\u00f3quia local, encoraja todos estes garimpeiros a aderirem \u00e0 cooperativa. A ideia \u00e9 simples. Recolher todos os minerais e vend\u00ea-los a apenas um comprador, conseguindo assim negociar por um pre\u00e7o mais justo.<\/p>\n<h4>Pobre pa\u00eds rico\u2026<\/h4>\n<p>A quest\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o das riquezas naturais da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo tem sido denunciada com frequ\u00eancia pela Igreja Cat\u00f3lica, pois est\u00e1 na base da situa\u00e7\u00e3o terr\u00edvel em que se encontra o pa\u00eds, mergulhado em permanentes conflitos e vendo os seus recursos serem delapidados muitas vezes por grupos que defendem os seus interesses de armas na m\u00e3o, sem que as autoridades consigam fazer-lhes frente. Ainda recentemente, a prop\u00f3sito da visita do Papa a este pa\u00eds africano, o Padre portugu\u00eas Marcelo Oliveira referia \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o AIS este problema. \u201cO Congo \u00e9 um pa\u00eds riqu\u00edssimo em ouro, diamantes, cobalto, coltan, e tudo isso faz com que haja ataques para tentar fazer partir as popula\u00e7\u00f5es e depois tomar posse das terras.\u201d Uma realidade, lembrou ainda o sacerdote comboniano, que ocorre com a cumplicidade ou o interesse directo da comunidade internacional, em especial dos pa\u00edses vizinhos da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo. \u201cQuantas riquezas, quanta madeira, quanto ouro, quantos diamantes s\u00e3o levados sem serem pagos\u201d, lamenta o sacerdote, para quem a situa\u00e7\u00e3o terr\u00edvel em que se encontram os que se dedicam \u00e0 explora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais n\u00e3o \u00e9 indiferente. \u201cS\u00e3o os pobres que trabalham, mas s\u00e3o ricos que levam para fora do pa\u00eds toda a riqueza&#8230;\u201d<\/p>\n<p><em>Paulo Aido | www.fundacao-ais.pt<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A dif\u00edcil miss\u00e3o da Igreja junto dos mineiros na Diocese de Bukavu\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":187728,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center 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