{"id":28984,"date":"2007-12-26T09:35:32","date_gmt":"2007-12-26T09:35:32","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/12\/26\/natal-com-preocupacao-social\/"},"modified":"2007-12-26T09:35:32","modified_gmt":"2007-12-26T09:35:32","slug":"natal-com-preocupacao-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/natal-com-preocupacao-social\/","title":{"rendered":"Natal com preocupa\u00e7\u00e3o social"},"content":{"rendered":"<p>Arcebispo de Braga deixa alertas e pede aposta na constru\u00e7\u00e3o de um verdadeiro humanismo, integral e solid\u00e1rio <!--more--> <b>Quem tem medo da Doutrina Social da Igreja?<\/b>    O ano de 2007 foi marcado pela celebra\u00e7\u00e3o dos 40 anos da Populorum Progressio (26 de Mar\u00e7o de 1967) e pelos 20 da Sollicitudo Rei Socialis (30 de Dezembro de 1987). Dois \u201cmomentos\u201d que integram o Corpo da Doutrina Social da Igreja a que talvez n\u00e3o estejamos a prestar a devida aten\u00e7\u00e3o. O nascimento de Cristo foi an\u00fancio dum Salvador que foi dado \u00e0 humanidade. Neste Natal, gostaria de recordar que o conhecimento e a realiza\u00e7\u00e3o da Doutrina Social da Igreja devem tornar-se proclama\u00e7\u00e3o solene de que podemos construir um futuro de esperan\u00e7a se apostarmos nos itiner\u00e1rios dum verdadeiro humanismo que a mesma doutrina prop\u00f5e. Urge n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o ter medo dela, mas reconhecer que n\u00e3o temos outras alternativas. N\u00e3o negamos a exist\u00eancia doutras propostas. Acolhemos e anunciamos a hip\u00f3tese duma sociedade diferente se n\u00e3o nos calarmos escondendo um tesouro desconhecido, em primeiro lugar pelas comunidades eclesiais e pelo pensamento hodierno.  N\u00e3o me \u00e9 poss\u00edvel deter-me numa s\u00edntese da mesma Doutrina. Atrevo-me a sublinhar dois aspectos fundamentais.  1. Com o Natal, Cristo quis entrar na hist\u00f3ria dos homens. Hoje, a Igreja deve caminhar com toda a humanidade consciente da sua voca\u00e7\u00e3o de ser fermento. O Conc\u00edlio Vat. II sublinhou, insistentemente, o amor, o respeito e a solidariedade que a Igreja deve ter pela fam\u00edlia humana, procurando consciencializar-se dos complexos problemas e introduzir \u201cneles a luz do Evangelho\u201d (G.S. 3), como aut\u00eantica Boa Nova que denuncia os \u201cerros mas nunca condena as pessoas\u201d. Este colocar a luz do Evangelho nos reais problemas da vida moderna significa um esfor\u00e7o \u201cem salvar a pessoa do homem\u201d e \u201crestaurar a sociedade humana\u201d (G.S. 3). Isto sup\u00f5e e exige que a Igreja coloque ao servi\u00e7o do g\u00e9nero humano as \u201cenergias salutares\u201d, recebidas de Cristo.  Num exame de consci\u00eancia, interrogo-me se reconhecemos as \u201cenergias\u201d que o Evangelho cont\u00e9m e se colocamos esta for\u00e7a transformadora no \u00e2mago das quest\u00f5es humanas. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil desempenhar esta tarefa de verdadeira incarna\u00e7\u00e3o no quotidiano humano. Sei, por\u00e9m, que \u00e9 necess\u00e1rio continuar a caminhar e n\u00e3o se limitar a fechar trincheiras capazes de defender um tesouro que, conservado no seio da comunidade crente, se estiola e perde o encanto. A Igreja necessita de sair de si e ir ao encontro da sociedade moderna, mergulhando, conscientemente, nos seus desafios. A fidelidade \u00e0 doutrina de Cristo n\u00e3o permite que n\u00e3o se corra riscos. O medo nunca resolver\u00e1 os problemas.  Esta for\u00e7a de incarnar as \u201cenergias\u201d evang\u00e9licas, consciente de que s\u00f3 assim renovamos a sociedade e salvamos as pessoas, \u00e9 o convite que Bel\u00e9m est\u00e1 a formular. Urge acreditar e ser fermento.  Esta aventura da incarna\u00e7\u00e3o \u00e9 tarefa, essencialmente, laical na sua miss\u00e3o secular e sei que \u00e9 uma das car\u00eancias principais da Igreja de Braga. Somos peregrinos no meio de todos. Muitos j\u00e1 perderam o sentido e n\u00e3o querem procurar como os Pastores e reis. Sem esta resposta \u2013 te\u00f3rica e pr\u00e1tica \u2013 a partir do concreto e das experi\u00eancias e perplexidades, nunca seremos a luz, qual instrumento que conduz ao encontro de Algu\u00e9m.  2. Este mergulhar no contexto social e anunciar a partir de dentro, questionando e propondo um Deus-Homem por amor, deve ser acompanhado por um \u00fanico programa que, de maneiras plurifacetadas de harmonia com os sectores ou dimens\u00f5es da pastoral, dever\u00e1 estar sempre presente. Aqui a Doutrina Social da Igreja ajuda-nos a compreender a li\u00e7\u00e3o do pres\u00e9pio onde contemplamos a hist\u00f3ria do amor de Deus pelos homens e dever\u00edamos reconhecer que a voca\u00e7\u00e3o do g\u00e9nero humano consiste na unidade de filhos do mesmo Pai Jesus feito homem que introduz o homem na fam\u00edlia divina.  Esta descoberta concentra a tarefa na Igreja na responsabilidade de propor a todos os homens um humanismo com a dimens\u00e3o do des\u00edgnio crist\u00e3o, ou seja, integral e solid\u00e1rio. Duas palavras maravilhosas que ainda encontramos muito longe do dicion\u00e1rio da vida e dos condicionalismos de tantas exist\u00eancias.  Com o humanismo integral estamos a apostar num caminho de realiza\u00e7\u00e3o humana que conjuga o material e o espiritual. O primeiro est\u00e1 a reconhecer a dignidade e a liberdade de todo e qualquer ser humano com direitos ao indispens\u00e1vel; com o segundo sabemos que teremos de trabalhar para que \u201cos indiv\u00edduos e grupos cultivem entre si mesmos e difundam na sociedade as virtudes morais e sociais, de maneira a tornarem-se realmente, com o necess\u00e1rio aux\u00edlio da gra\u00e7a divina, homens novos e construtores duma humanidade nova\u201d (G.S. 30).  O humanismo solid\u00e1rio est\u00e1 nos programas dum itiner\u00e1rio que se compromete na luta pela paz, pela justi\u00e7a em ordem a uma sociedade \u201cdigna do homem\u201d, constru\u00edda a partir da civiliza\u00e7\u00e3o do amor. Na verdade, o amor \u00e9 a \u00fanica for\u00e7a capaz de levar a sociedade \u00e1 perfei\u00e7\u00e3o o que exige que esteja presente e penetre em todas as rela\u00e7\u00f5es sociais.  Da\u00ed que, atrav\u00e9s da miss\u00e3o da Igreja, tenhamos o dever de \u201crevalorizar o amor na vida social \u2013 nos planos pol\u00edtico, econ\u00f3mico, cultural -, fazendo dele a norma constante e suprema do agir\u201d.  Atrav\u00e9s do amor, feito solidariedade, estamos a promover o bem comum. Recorda-nos o Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica: \u201cA caridade representa o maior mandamento social. Ela respeita o outro e os seus direitos, exige a pr\u00e1tica da justi\u00e7a, de que s\u00f3 ela nos torna capazes e inspira-nos uma vida de entrega: \u201cQuem procura preservar a vida, h\u00e1-de perd\u00ea-la; quem a perder, h\u00e1-de conserv\u00e1-la\u201d (Lc. 17, 33; Cat. 1889).  O Natal, na sua mensagem de simplicidade, pode parecer um sonho. Vejo-o como inicio duma aventura divina onde o amor que \u201cfaz ver no pr\u00f3ximo um outro tu mesmo\u201d (S. Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo) e se torna semente a colocar no cora\u00e7\u00e3o da cidade dos homens para que esta se torne humana porque possu\u00edda por Deus. A Doutrina Social da Igreja \u00e9 a refer\u00eancia a seguir e a interpretar. Trata-se dum manancial que n\u00e3o temos sido capazes de acolher. Neste Natal, que \u00e9 fam\u00edlia, relembremos, ainda, o Programa da Arquidiocese de tornar a nossa Igreja Particular uma Fam\u00edlia a partir das Familiares. Se ouvirmos os coros dos anjos a proclamar que a gl\u00f3ria de Deus \u00e9 a gl\u00f3ria dos homens, estaremos a ser fermento desta sociedade mais justa e fraterna, n\u00e3o teremos medo duma Doutrina exigente, mas acreditaremos que vale a pena continuar a esperar atrav\u00e9s dum amor activo que gera solidariedade humana, proporciona justi\u00e7a e cria uma sociedade mais fraterna.  S\u00e9 Catedral, 25.12.2007 <i>\u2020 D. Jorge Ortiga, A.P.   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Arcebispo de Braga deixa alertas e pede aposta na constru\u00e7\u00e3o de um verdadeiro humanismo, integral e solid\u00e1rio<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[172,206,267,314],"class_list":["post-28984","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-braga","tag-familia","tag-natal","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28984","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28984"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28984\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28984"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28984"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28984"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}