{"id":28979,"date":"2007-12-25T21:42:48","date_gmt":"2007-12-25T21:42:48","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/12\/25\/natal-felicidade-e-progresso\/"},"modified":"2007-12-25T21:42:48","modified_gmt":"2007-12-25T21:42:48","slug":"natal-felicidade-e-progresso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/natal-felicidade-e-progresso\/","title":{"rendered":"Natal, felicidade e progresso"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de D. Jos\u00e9 Policarpo no Dia de Natal,  durante a qual desafiou a incluir Cristo na no\u00e7\u00e3o de sociedade perfeita e de liberdade. <!--more--> \u201cA Encarna\u00e7\u00e3o do Verbo de Deus \u00e9 o reacender da esperan\u00e7a\u201d  Homilia no Pontifical do Natal do Senhor S\u00e9 Patriarcal, 25 de Dezembro de 2007  1. A seguir \u00e0 Cria\u00e7\u00e3o, o nascimento de Jesus \u00e9 o acontecimento decisivo para a vida dos homens. Separados pelo pecado, Deus e o homem reencontram-se em Jesus Cristo, podem conhecer-se e amar-se, na verdade profunda dos seus cora\u00e7\u00f5es. \u201cE o Verbo fez-Se carne e habitou entre n\u00f3s. N\u00f3s vimos a Sua gl\u00f3ria, que Lhe vem do Pai\u201d (cf. Jo. 1,14). Deus n\u00e3o s\u00f3 se torna pr\u00f3ximo, mas \u00edntimo, pode abrir-nos o Seu cora\u00e7\u00e3o, porque podemos escutar a Sua Palavra amorosa: \u201cMuitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais, pelos Profetas. Nestes dias, que s\u00e3o os \u00faltimos, falou-nos por Seu Filho\u201d (He. 1,1). O afastamento de Deus, ou o seu esquecimento e nega\u00e7\u00e3o, constituem o maior drama da humanidade. Aconteceu, tantas vezes, em nome da autonomia do homem e da sua liberdade, pensando que pela sua intelig\u00eancia e engenho podia atingir a plenitude da vida, esquecendo que \u201cn\u2019Ele estava a vida e a vida era a luz dos homens\u201d (Jo. 1,4). Todas as express\u00f5es de ate\u00edsmo, todas as formas existenciais de nega\u00e7\u00e3o ou esquecimento de Deus, continuam a ser o maior drama da humanidade, que tiram todo o sentido ao Natal, que \u00e9 a exulta\u00e7\u00e3o e o grito de alegria e de esperan\u00e7a que brotou do reencontro do homem com Deus. Esse \u00e9 o testemunho que aqueles que reencontraram a intimidade com Deus, podem dar a uma humanidade desorientada e sofrida. N\u00e3o se trata de uma refuta\u00e7\u00e3o, nem de uma den\u00fancia, nem de um esfor\u00e7o l\u00f3gico para convencer. \u00c9 apenas a alegria de quem reencontrou o sentido decisivo da vida, na esperan\u00e7a da vida aut\u00eantica e definitiva. J\u00e1 o Profeta Isa\u00edas via assim o testemunho daqueles que encontraram o Deus vivo: \u201cComo s\u00e3o belos sobre os montes os p\u00e9s do mensageiro que anuncia a paz, que traz a Boa-Nova, que proclama a salva\u00e7\u00e3o e diz a Si\u00e3o: o teu Deus \u00e9 Rei\u201d (Is. 52,7). Esse \u00e9, tamb\u00e9m, o testemunho que n\u00f3s, que celebramos o Natal com alegria, damos aos nossos contempor\u00e2neos: Deus existe, ama-nos, est\u00e1 pr\u00f3ximo de n\u00f3s, \u00e9 uma promessa libertadora de amor, \u00e9 a fonte da verdadeira esperan\u00e7a; e tudo isto nos \u00e9 dado por este Menino que nasceu para n\u00f3s e \u00e9 \u201cDeus connosco\u201d.  2. O Papa Bento XVI dirigiu-nos, no in\u00edcio do Advento, uma bel\u00edssima Carta Enc\u00edclica sobre a esperan\u00e7a como express\u00e3o da salva\u00e7\u00e3o, sugerindo-nos, assim, o modo de preparar e viver o Natal, encontrando em Jesus Cristo a fonte da verdadeira esperan\u00e7a, concretizando aquela afirma\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II, tantas vezes repetida pelo Papa Jo\u00e3o Paulo II: s\u00f3 no mist\u00e9rio de Cristo, Verbo encarnado, se esclarece definitivamente o mist\u00e9rio do homem. \u00c9 natural no homem procurar a vida, uma vida melhor e feliz. Este dinamismo \u00e9, simultaneamente experi\u00eancia e desejo. Esta busca da vida situa as diversas esperan\u00e7as dos homens. Se Cristo \u00e9 a Vida, s\u00f3 Ele pode ser o fundamento da esperan\u00e7a verdadeira, que resiste a todas as dificuldades e vicissitudes. N\u2019Ele \u00e9 poss\u00edvel viver da esperan\u00e7a, mesmo quando todas as esperan\u00e7as humanas se apagaram. O Santo Padre come\u00e7a por afirmar, na dimens\u00e3o b\u00edblico-teol\u00f3gica, a natureza da esperan\u00e7a crist\u00e3, inclu\u00edda na pr\u00f3pria f\u00e9, concebida como ades\u00e3o total e confiante a Jesus Cristo. Acreditar em Jesus Cristo \u00e9 unir-se a Ele, ser um com Ele, partilhar, desde j\u00e1, a vida d\u2019Ele, vida plena e definitiva, aquela que Deus desejou para o homem ao cri\u00e1-lo \u00e0 Sua imagem. Na f\u00e9 come\u00e7a a viver-se, desde j\u00e1, a plenitude de vida de Jesus Cristo, a verdadeira vida eterna que Ele hoje vive na comunh\u00e3o com Deus, na Trindade. E \u00e9 a partir desta experi\u00eancia de vida eterna, que a f\u00e9 se transforma em esperan\u00e7a da plenitude dessa vida, em esperan\u00e7a de vida eterna. O Santo Padre recorda-nos o texto da Carta aos Hebreus: \u201cA f\u00e9 \u00e9 a subst\u00e2ncia das coisas que se esperam e a prova das coisas que n\u00e3o se v\u00eaem\u201d (He.5,1) . N\u00e3o h\u00e1 verdadeira f\u00e9 sem esperan\u00e7a na vida eterna, participa\u00e7\u00e3o na vida de Jesus Cristo. \u201cNa verdade, foi da sua plenitude que todos n\u00f3s recebemos gra\u00e7a sobre gra\u00e7a\u201d (Jo. 1,16); \u201c\u00e0queles que o receberam e acreditaram no Seu Nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus\u201d (Jo. 1,12). O Papa acrescenta: \u201cA express\u00e3o vida eterna procura dar um nome a esta desconhecida realidade conhecida\u201d. Conhecida, porque a experimentamos j\u00e1, desconhecida porque constitui a grande surpresa que Deus ainda nos reserva. Bento XVI define esse encontro definitivo com Deus como \u201calgo parecido com o instante repleto de satisfa\u00e7\u00e3o, onde a totalidade nos abra\u00e7a e n\u00f3s abra\u00e7amos a totalidade\u201d .  3. O Santo Padre refere, de seguida, a longa aventura da humanidade, tentando situar a esperan\u00e7a de uma vida melhor apenas no progresso deste mundo, fruto exclusivo do engenho humano e das capacidades dos homens. Filosofias e ideologias, revolu\u00e7\u00f5es e transforma\u00e7\u00f5es sociais, progresso cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico acreditaram e prometeram que era poss\u00edvel chegar a uma sociedade onde todos os homens fossem felizes e encontrassem a plenitude da vida. Mas a par de um progresso real e de conquistas boas para o homem, geraram quase sempre novas injusti\u00e7as e sofrimentos incalcul\u00e1veis. Esqueceram que o progresso material n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica componente da felicidade humana, e que nenhuma esperan\u00e7a deste mundo anula a esperan\u00e7a na vida eterna. Abandonaram Deus, enquanto factor decisivo da felicidade humana, esqueceram a mensagem do Natal, esperan\u00e7a definitiva de reencontro de Deus com o homem, que redescobre em Deus o segredo da sua vida, a fonte da sua plenitude. Esqueceram que \u201cn\u00e3o \u00e9 a ci\u00eancia que redime a pessoa humana. O ser humano \u00e9 redimido pelo amor\u201d, e n\u00e3o um amor qualquer: \u201co ser humano necessita do amor incondicionado. Precisa daquela certeza que o faz exclamar: nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem o presente, nem o futuro, nem as potestades, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poder\u00e1 separar-nos do amor de Deus, que est\u00e1 em Cristo Jesus, Nosso Senhor\u201d (Ro. 8,38-39) .  4. Os diversos ate\u00edsmos, nas mais variadas express\u00f5es, tiveram origem neste reduzir a esperan\u00e7a humana \u00e0 dimens\u00e3o da hist\u00f3ria, e numa vis\u00e3o de felicidade que o homem pode construir. Celebrar o Natal exige o reencontro profundo com a primazia de Deus na nossa vida, pede-nos que revejamos as no\u00e7\u00f5es de felicidade e de progresso, de sociedade perfeita e de liberdade. Tudo o que formos capazes de construir neste mundo, tem de ser express\u00e3o de um desejo maior, num horizonte de eternidade. N\u00e3o podemos desejar a felicidade, ansiar pelo amor, procurar construir um mundo melhor, sem ser em di\u00e1logo com Deus. A nossa vida descobre-se em Deus. E isso foi-nos tornado poss\u00edvel por aquele Menino que nasceu para n\u00f3s, o Verbo eterno de Deus feito homem.  \u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. 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