{"id":28962,"date":"2007-12-22T12:47:24","date_gmt":"2007-12-22T12:47:24","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/12\/22\/sons-da-catedral\/"},"modified":"2007-12-22T12:47:24","modified_gmt":"2007-12-22T12:47:24","slug":"sons-da-catedral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sons-da-catedral\/","title":{"rendered":"Sons da Catedral"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Catedral de Sons&#8221; \u00e9 uma proposta inovadora da Sociedade Art\u00edstica e Musical dos Pousos (SAMP) e da par\u00f3quia de Leiria, que leva \u00e0 igreja Catedral um misto indefinido de arte e espiritualidade, de espect\u00e1culo e de ora\u00e7\u00e3o.  O grande \u00f3rg\u00e3o da S\u00e9 \u00e9 o rei destes sons, acompanhado por outros instrumentos convidados, por palavras que se soltam pela ac\u00fastica das naves, por gestos de bailado que lhes tentam dilatar o significado. O resultado \u00e9 algo de novo, surpreendente e que assume mesmo o risco de chocar os menos preparados para o diferente. Sem defini\u00e7\u00e3o f\u00e1cil, ser\u00e1 uma \u201cprocura\u201d, como refere o m\u00fasico Paulo Lameiro, mentor do projecto, em entrevista ao seman\u00e1rio \u201cO Mensageiro\u201d.  <b>Como nasceu esta ideia?<\/b> O \u201cCatedral de Sons\u201d nasce a prop\u00f3sito do 10.\u00ba anivers\u00e1rio do GRANDE \u00d3RG\u00c3O da nossa S\u00e9, que se comemorou no passado dia 4 de Outubro, mas cujo programa de anivers\u00e1rio se prolonga at\u00e9 4 de Outubro de 2008. Para al\u00e9m de concertos e visitas estudo para crian\u00e7as, quisemos procurar uma outra forma de sentir e comunicar com este precioso instrumento.   <b>Porqu\u00ea \u201cCatedral de Sons\u201d? <\/b> Sons, porque n\u00e3o \u00e9 a m\u00fasica enquanto linguagem que alicer\u00e7a a sua ideia de base, mas o som na sua forma mais pura poss\u00edvel. Procuramos oferecer a mat\u00e9ria-prima da m\u00fasica, como porta de entrada para a frui\u00e7\u00e3o. Se quisermos, numa compara\u00e7\u00e3o com a pintura, em vez de termos uma exposi\u00e7\u00e3o de quadros, temos uma exposi\u00e7\u00e3o de cores, ou de paletas de cores. Catedral, porque o espa\u00e7o f\u00edsico \u00e9 parte integrante do som, pelas suas caracter\u00edsticas arquitect\u00f3nicas, pelas particularidades dos materiais de constru\u00e7\u00e3o, pela temperatura, a luz, etc. Todos sabemos que o som numa grande igreja tem caracter\u00edsticas \u00fanicas, nomeadamente pela reverbera\u00e7\u00e3o, que no fundo \u00e9 a possibilidade de um som se prolongar mais ou menos tempo depois de ter terminada a sua emiss\u00e3o.    <b>Podemos ent\u00e3o dizer que \u00e9 um concerto de sons? <\/b> Este programa \u00e9 uma experi\u00eancia de procura. E procuramos um caminho que se cruza entre o concerto e a celebra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o sendo efectivamente nem uma coisa nem outra. Ou, pelo menos, assim o pensamos, porque depois o p\u00fablico acaba por sentir aquele momento de uma maneira pessoal e \u00fanica, que escapa a quem o concebeu.    <b>Na pr\u00e1tica, o que \u00e9 apresentado \u00e0s pessoas que v\u00e3o a um destes programas? <\/b> Ouvem algum repert\u00f3rio de \u00f3rg\u00e3o, maioritariamente do s\u00e9culo XX, portanto muito afastado das obras de Bach que \u00e9 mais conhecido. Ouvem um ou mais instrumentos a dialogar com o \u00f3rg\u00e3o. A palavra tem um lugar de destaque nestes momentos, pela poesia ou pela prosa, e com ela dialogam o \u00f3rg\u00e3o e o instrumento convidado de cada sess\u00e3o. Temos ainda uma ou mais bailarinas, que nos ajudam a visualizar com movimentos os sons e palavras que ouvimos.   <b>Viagem pelo espa\u00e7o?! <\/b> Uma das formas de explorar os sons na Catedral \u00e9 viajar pelo seu espa\u00e7o. Na capela-mor, o \u00f3rg\u00e3o tem um som muito diferente do que no transepto direito. Nos bancos do coro, o \u00f3rg\u00e3o est\u00e1 numa sombra ac\u00fastica que ao fundo do templo n\u00e3o existe. Se ouvirmos um canto processional, n\u00e3o ouvimos somente as notas e as palavras, ouvimos o som a viajar no espa\u00e7o. Este programa explora tamb\u00e9m essas viagens, por isso os presentes, p\u00fablico e int\u00e9rpretes, movimentam-se por diferentes espa\u00e7os, que podem chegar ao claustro ou ao adro.   <b>Sendo t\u00e3o \u201cexperimentalista\u201d, h\u00e1 algum espa\u00e7o para a participa\u00e7\u00e3o do p\u00fablico? <\/b> Na verdade, o \u201cCatedral de Sons\u201d \u00e9 um programa aberto, que faz apelo \u00e0 participa\u00e7\u00e3o. Melhor do que ouvir m\u00fasica \u00e9 fazer m\u00fasica, melhor do que assistir a celebra\u00e7\u00f5es \u00e9 celebrar. Por isso, os int\u00e9rpretes v\u00e3o deixando um ou outro espa\u00e7o para a participa\u00e7\u00e3o dos presentes, seja pela repeti\u00e7\u00e3o falada ou cantada de uma palavra, seja pelo movimento corporal, ou pela viagem pelo espa\u00e7o.   <b>Isso soa a uma esp\u00e9cie de teatro ou a uma evoca\u00e7\u00e3o dos antigos dramas lit\u00fargicos\u2026<\/b> Efectivamente, tem algumas caracter\u00edsticas dos dramas lit\u00fargicos, nomeadamente a diversidade de elementos \u2013 som, palavra, movimento \u2013 mas n\u00e3o h\u00e1 uma hist\u00f3ria. Quem for \u00e0 procura de personagens e hist\u00f3rias n\u00e3o as vai encontrar. Na \u201ccatedral de sons\u201d, espera-se que cada um dos presentes, incluindo os int\u00e9rpretes, construa o seu caminho pessoal, momento a momento. Devo dizer que alguns momentos-chave s\u00e3o improvisa\u00e7\u00e3o em tempo real e, por isso, muito afectados pela reac\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. Trata-se de um momento n\u00e3o adequado a crian\u00e7as, pois requer-se alguma capacidade cr\u00edtica e de concentra\u00e7\u00e3o.   <b>Quem s\u00e3o os int\u00e9rpretes deste programa? <\/b> Neste momento, o Jo\u00e3o Santos no \u00f3rg\u00e3o, eu na palavra dita e cantada e a Inesa Markava na dan\u00e7a somos os elementos residentes em todos os programas. Depois, vamos convidando outros instrumentistas e professores da Escola de Artes SAMP.   <b>J\u00e1 foi realizada a primeira sess\u00e3o. Como correu? <\/b> Bastante bem. Come\u00e7\u00e1mos com 5 pessoas \u00e0 hora marcada [este programa, com uma dura\u00e7\u00e3o vari\u00e1vel entre os 40 e 50 minutos, come\u00e7a impreterivelmente \u00e0s 09h00] e acab\u00e1mos com cerca de 40. Primeiro, as pessoas pareciam precisar de bater palmas, depois perturbaram-se com os movimentos dentro da catedral. Quem foi \u00e0 procura de um concerto saiu, de certo, decepcionado. Quem procurava um momento de ora\u00e7\u00e3o ter\u00e1 sa\u00eddo escandalizado. N\u00e3o podemos esperar um grande contentamento ou festa depois de um \u201cCatedral de Sons\u201d, estamos ali para procurar. Nesse sentido, foi muito interessante verificar o ar de espanto das pessoas, quando se viram no adro e se aperceberam de que j\u00e1 havia acabado o momento.    <b>Quando ser\u00e3o as pr\u00f3ximas sess\u00f5es? <\/b> Todas as quartas quintas-feiras do m\u00eas, \u00e0s 21h00, pontualmente, na S\u00e9. O pr\u00f3ximo ser\u00e1, pois, no dia 27 do presente m\u00eas. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Catedral de Sons&#8221; \u00e9 uma proposta inovadora da Sociedade Art\u00edstica e Musical dos Pousos (SAMP) e da par\u00f3quia de Leiria, que leva \u00e0 igreja Catedral um misto indefinido de arte e espiritualidade, de espect\u00e1culo e de ora\u00e7\u00e3o. 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