{"id":28894,"date":"2007-12-20T09:39:25","date_gmt":"2007-12-20T09:39:25","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/12\/20\/memorias-do-natal-madeirense-e-outras-lembrancas\/"},"modified":"2007-12-20T09:39:25","modified_gmt":"2007-12-20T09:39:25","slug":"memorias-do-natal-madeirense-e-outras-lembrancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/memorias-do-natal-madeirense-e-outras-lembrancas\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3rias do Natal madeirense e outras lembran\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p>A Irm\u00e3 Salva\u00e7\u00e3o, cujo nome de baptismo \u00e9 Alice da Concei\u00e7\u00e3o Nascimento Dias, \u00e9 natural da Beira Baixa e est\u00e1 na Madeira h\u00e1 41 anos, ap\u00f3s ter passado pela Su\u00ed\u00e7a, Macau, Lisboa&#8230; Veio para a Ilha por motivos de sa\u00fade e por aqui desenvolveu significativo apostolado, quer como educadora de inf\u00e2ncia no Convento de Santa Clara e tamb\u00e9m como catequista na par\u00f3quia de S\u00e3o Gon\u00e7alo.  \u201cQuando c\u00e1 cheguei, o que mais me custou foi a pron\u00fancia cerrada da linguagem madeirense, n\u00e3o entendia muito bem no in\u00edcio, mas fui muito feliz . Em S\u00e3o Gon\u00e7alo trabalhei vinte anos e fui respons\u00e1vel por v\u00e1rias actividades, n\u00e3o fui apenas catequista\u201d, recorda com satisfa\u00e7\u00e3o, em declara\u00e7\u00f5es ao Jornal da Madeira. Ainda na freguesia de S\u00e3o Gon\u00e7alo, mais precisamente na zona do Canto do Muro, deu vida a um projecto residencial para duas fam\u00edlias que, entretanto, foi transformado no Jardim de Inf\u00e2ncia Pe. Angelino Barreto  \u201cNa Beira Baixa o Natal n\u00e3o tem o impacto daqui\u201d, reconhece a Irm\u00e3 Salva\u00e7\u00e3o. \u201cFazia-se celebra\u00e7\u00e3o na igreja, em geral, mas como est\u00e1vamos junto da Serra da Estrela havia muita neve e lembro-me que n\u00f3s, as crian\u00e7as, ped\u00edamos ao limpador que fizesse uma carreirinha para irmos \u00e0 Missa do Galo, era uma grande alegria. De resto, o Natal era vivido em casa, na fam\u00edlia, e acredit\u00e1vamos que o Menino Jesus nos dava as prendas.  Na Madeira, sempre gostei imenso da \u00e9poca natal\u00edcia. Por exemplo, aquele carinho expresso nas ornamenta\u00e7\u00f5es, \u00e9 algo especial, porque o exterior tamb\u00e9m chama o interior. E as Missas do Parto! Gosto imenso, coisa bel\u00edssima, ambiente \u00fanico&#8230; . Ainda hoje, canto algumas melodias e at\u00e9 h\u00e1 bem pouco tempo, quando vivia noutra comunidade, na par\u00f3quia da Nazar\u00e9, onde levava a comunh\u00e3o aos doentes, ainda participava nestas novenas em louvor de Nossa Senhora. O Natal, aqui, \u00e9 Festa. A festa das festas, enquanto na Beira festejava-se mais a P\u00e1scoa. \u00c9 engra\u00e7ado que quando cheguei c\u00e1, ao perguntar \u00e0s crian\u00e7as quando faziam anos, era vulgar responderem \u2018antes da Festa, depois da Festa\u2019&#8230; e ent\u00e3o compreendi a for\u00e7a do Natal na vida dos madeirenses\u201d.  <b>Natal ontem e hoje<\/b> As viv\u00eancias do Natal, entretanto, s\u00e3o muito diferentes do que h\u00e1 meio s\u00e9culo. A Irm\u00e3 Salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem d\u00favidas: \u201cAntes, vivia-se mais o Natal crist\u00e3o, hoje \u00e9 mais exterior, n\u00e3o tem aquela viv\u00eancia espiritual. Houve tempos em que se vivia mais o mist\u00e9rio de Deus que veio salvar o mundo e que nasceu pobre. Havia uma certa intimidade, espiritualidade, hoje \u00e9 mais superficial. Tudo isso se espelhava tamb\u00e9m na fam\u00edlia reunida e unida. Era algo muito profundo, em uni\u00e3o com o Senhor, com Jesus, Ele que veio trazer ao mundo essa grande amizade no cora\u00e7\u00e3o das pessoas.\u201d Em compara\u00e7\u00e3o, hoje, porque falta por vezes a convic\u00e7\u00e3o religiosa, \u201cas pessoas s\u00e3o menos felizes, uns acreditam, outros s\u00e3o indiferentes&#8230; . Acreditam mais numa felicidade ef\u00e9mera, passageira, mais baseada no exterior. A convic\u00e7\u00e3o religiosa \u00e9 necess\u00e1ria para a vida, \u00e9 uma grande ajuda para todos os momentos de alegria ou de sofrimento.\u201d  <b>Madeira<\/b> A prop\u00f3sito das mem\u00f3rias sobre o Natal, registamos tamb\u00e9m o testemunho da Irm\u00e3 Leonor Rodrigues Teixeira, 94 anos de idade, natural do Arco da Calheta. \u201cSa\u00ed de casa e da Madeira cedo, aos 12 anos\u201d, diz, ao explicar o in\u00edcio da sua voca\u00e7\u00e3o religiosa. Mas, a viv\u00eancia do Natal nos tempos da sua inf\u00e2ncia ainda permanece&#8230; \u201c\u00c9ramos uma fam\u00edlia de 16 filhos. E toda a gente tinha muito entusiasmo em participar nas celebra\u00e7\u00f5es na Igreja. Mas \u00e9ramos muitos, pequeninos, e ainda que o tempo fosse passado mais a dormir, o que mais nos interessava era ver os presentes que se davam ao Menino Jesus; e cada s\u00edtio da freguesia tinha os seu c\u00e2nticos pr\u00f3prios, eram engra\u00e7ados; e havia romagens dos produtos da terra&#8230;, lembro-me uma vez de uma pessoa que levava um cacho de bananas \u00e0s costas e dizia: \u2018\u00f3 meu Menino Jesus, o cacho n\u00e3o \u00e9 maduro, aben\u00e7oai a pastora que traz aqui o que tinha\u2019, ou seja, mesmo sem rima, cada um dizia o que lhe \u00eda na alma\u201d. O Natal na fam\u00edlia numerosa da Irm\u00e3 Leonor tamb\u00e9m era em grande: \u201c Ah!, sim, no dia seguinte \u00e0 vig\u00edlia do Natal (que demorava horas) acordava-se muito tarde. E a primeira cosia era procurar os presentes na lareira ou debaixo das cadeiras&#8230; . Na primeira oitava, o dia inteiro, era para as visitas aos av\u00f3s, aos tios e primos\u201d.  As iguarias e as melhores refei\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m se guardavam para a altura da Festa, depois de alguma \u201cabstin\u00eancia\u201d nos dias em que se preparava o Natal, com \u201cas Missas do Parto preparadas por cada s\u00edtio, n\u00e3o se falava de outra coisa no m\u00eas de Dezembro; e tamb\u00e9m as confiss\u00f5es, toda a gente se confessava nesta altura, fazia-se uma certa abstin\u00eancia, mas no dia de Festa, era comer e beber \u00e0 vontade\u201d. E o Natal hoje? \u201cVive-me mais o Natal, \u00e9 mais real. \u00c9 verdade que se pensa mais no corporal do que no espiritual, mas hoje procura-se tamb\u00e9m mais o espiritual, hoje est\u00e1 um pouco melhor; se n\u00e3o \u00e9 ainda o espiritual, as pessoas procuram-no com inquieta\u00e7\u00e3o intensa\u201d.  <b>Os melhores presentes<\/b> Apesar da sua provecta idade, tanto a Irm\u00e3 Salva\u00e7\u00e3o como a Irm\u00e3 Leonor acompanham a actualidade, as not\u00edcias e as novidades do nosso tempo. Gostam de ficar a par dos acontecimentos di\u00e1rios e nem as tecnologias passam despercebidas: \u201ca Internete e outros meios, ouvimos falar muito, \u00e9 bom, mas tamb\u00e9m h\u00e1 que ter cuidado\u201d, explicam \u201cGostava muito de ler, mas agora tenho problemas de vis\u00e3o\u201d, diz a Irm\u00e3 Salva\u00e7\u00e3o. Apesar de tudo, a sabedoria interior permance intacta e pronta a reflectir sobre as situa\u00e7\u00f5es que ao \u201cser humano diz respeito\u201d. Quase a completar 96 anos de idade, no pr\u00f3ximo dia 31 de Dezembro, a Irm\u00e3 Salva\u00e7\u00e3o j\u00e1 escolheu o melhor presente, afinal o que mais ofereceu na vida, no acolhimento aos outros: \u201c Presente de anos? Conhe\u00e7o muita gente, gostaria de uma visita de pessoas com quem trabalhei e que se mostram gratas. Agrade\u00e7o o encontro\u201d.  O mesmo desejo \u00e9 partilhado pela Irm\u00e3 Leonor. Ambas as religiosas concluem que a vida \u00e9 \u201cum presente de Deus, a todo o momento. Estamos nas m\u00e3os de Deus \u00e9 n\u2019Ele que confiamos. Tentamos viver como Ele quer e at\u00e9 quando Ele quiser\u201d. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Irm\u00e3 Salva\u00e7\u00e3o, cujo nome de baptismo \u00e9 Alice da Concei\u00e7\u00e3o Nascimento Dias, \u00e9 natural da Beira Baixa e est\u00e1 na Madeira h\u00e1 41 anos, ap\u00f3s ter passado pela Su\u00ed\u00e7a, Macau, Lisboa&#8230; Veio para a Ilha por motivos de sa\u00fade e por aqui desenvolveu significativo apostolado, quer como educadora de inf\u00e2ncia no Convento de Santa [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[154,168,199,206,267,275],"class_list":["post-28894","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-crianca","tag-diocese-da-guarda","tag-espiritualidade","tag-familia","tag-natal","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28894","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28894"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28894\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28894"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28894"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28894"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}