{"id":28872,"date":"2007-12-19T12:04:47","date_gmt":"2007-12-19T12:04:47","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/12\/19\/uma-prenda-de-natal\/"},"modified":"2007-12-19T12:04:47","modified_gmt":"2007-12-19T12:04:47","slug":"uma-prenda-de-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/uma-prenda-de-natal\/","title":{"rendered":"Uma prenda de Natal"},"content":{"rendered":"<p>Vale a pena voltar \u00e0 esperan\u00e7a. Tenho alguma dificuldade em chamar-lhe documento papal. Mas \u00e9 mais que a medita\u00e7\u00e3o asc\u00e9tica, disserta\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica ou resto de sebenta duma aula long\u00ednqua. Penso que esta escrita \u00e9 como uma tenda onde todos nos podemos albergar, fatigados de caminhos percorridos e temerosos pelos que h\u00e1 a percorrer. Raramente um documento pontif\u00edcio tem uma dimens\u00e3o t\u00e3o profunda, humana, pr\u00f3xima, interessante, sem deixar de ser teol\u00f3gica, asc\u00e9tica, subtil e fraterna. O Papa envolve-se na nossa aventura de f\u00e9 recheada de perguntas mas com uma sa\u00edda muito para al\u00e9m dos trilhos convencionais da doutrina, e das exorta\u00e7\u00f5es. Parece que uma pl\u00eaiade de homens e mulheres, crentes ou n\u00e3o, foi evocada com textos profundos e pr\u00f3ximos, mitol\u00f3gicos e reais, divinos e humanos. N\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil viajar no meio desta esp\u00e9cie de labirinto onde nunca se perde o sentido do homem, da hist\u00f3ria, da f\u00e9 e de Deus. Sempre com a espada da palavra no corte certeiro de cada indecis\u00e3o. Estranhos autores, exemplos raros, cita\u00e7\u00f5es surpreendentes, poemas, fragmentos de serm\u00f5es, fil\u00f3sofos, te\u00f3logos, ascetas, numa aparente complexidade reservada \u00e0 leitura de poucos. Mas um texto que merece ser lido por todos mesmo que \u00e0 primeira se n\u00e3o entenda tudo. H\u00e1 de permeio chaves da vida, da morte, da f\u00e9, tudo por causa duma esperan\u00e7a que ilumina os fios da hist\u00f3ria que parece em rotura. Atrevo-me a propor, como desafio e provoca\u00e7\u00e3o, esta segunda enc\u00edclica de Bento XVI como oferta privilegiada de Natal. Acess\u00edvel no pre\u00e7o, simples na apresenta\u00e7\u00e3o, leve de transportar, sem exigir embalagem especial. D\u00e1 direito a saltar duas, tr\u00eas, dez linhas. E a seu tempo voltar atr\u00e1s para as compreender e cada qual compreender melhor a vida. E que venham, no Ano novo, coment\u00e1rios, esclarecimentos, cr\u00edticas, aplica\u00e7\u00f5es, retiros, palestras, teses, mestrados. Ningu\u00e9m fica de fora porque n\u00e3o h\u00e1 nada l\u00e1 que n\u00e3o diga respeito \u00e0 vida de cada um de n\u00f3s. E \u00e0 morte. \u00c9 \u00e0 luz perp\u00e9tua como estrela de Natal sobre as nossas frontes. Exacto. \u00c9 uma luz plural. Ningu\u00e9m possui, s\u00f3, nem virtude nem pecado. Posso citar um pouco?: \u201cNingu\u00e9m vive s\u00f3. Ningu\u00e9m peca sozinho. Ningu\u00e9m se salva sozinho. Continuamente entra na minha exist\u00eancia a vida dos outros: naquilo que penso, digo, fa\u00e7o, realizo. E, vice-versa, a minha vida entra na dos outros: tanto para o mal como para o bem\u2026 A nossa esperan\u00e7a \u00e9 sempre essencialmente tamb\u00e9m esperan\u00e7a para os outros; s\u00f3 assim \u00e9 verdadeiramente esperan\u00e7a tamb\u00e9m para mim. Como crist\u00e3os n\u00e3o basta perguntarmos: como posso salvar-me a mim mesmo? Devemos antes perguntar-nos: o que posso fazer a fim de que os outros sejam salvos e nas\u00e7a tamb\u00e9m para eles a estrela da esperan\u00e7a?\u201d (Spe Salvi n.48) A ler. Sem pressa. E a oferecer. <i>Ant\u00f3nio Rego <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vale a pena voltar \u00e0 esperan\u00e7a. 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