{"id":28803,"date":"2007-12-17T11:04:55","date_gmt":"2007-12-17T11:04:55","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/12\/17\/eterno-menino-de-ainda-agora\/"},"modified":"2007-12-17T11:04:55","modified_gmt":"2007-12-17T11:04:55","slug":"eterno-menino-de-ainda-agora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/eterno-menino-de-ainda-agora\/","title":{"rendered":"\u00abEterno Menino de ainda agora\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Mensagem de Natal do Bispo do Porto <!--more--> Estimados diocesanos do Porto e todas as pessoas de boa vontade:  Nesta quadra, especialmente nos pa\u00edses de tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, o c\u00e9u e a terra ressumam paz. Sabemo-lo todos, ainda al\u00e9m da nossa vincula\u00e7\u00e3o confessional estrita. Dum modo ou doutro, somos tocados pelo nascimento de Jesus, com o essencial da sua vida e mensagem, como o evangelista a sintetizou no canto dos anjos: \u201cGl\u00f3ria a Deus nas alturas e paz na terra aos homens\u201d (Lc 2, 14). Nenhuma diverg\u00eancia ocasional, nenhum mal-entendido cultural, conseguiram ofuscar a verdade revelada no Pres\u00e9pio de Bel\u00e9m, a beleza e a bondade daquele \u201ceterno Menino de ainda agora\u201d, como lhe chamou um dos nossos cl\u00e1ssicos seiscentistas (Padre Manuel Bernardes). Qual marco definitivo da religi\u00e3o, da cultura e da civiliza\u00e7\u00e3o, o c\u00e9u e a terra, Deus e a humanidade, a devo\u00e7\u00e3o e a caridade encontram-se e projectam-se para sempre.   Para sempre e para agora, necessariamente. Nas actuais circunst\u00e2ncias do nosso mundo, grande ou pequeno, internacional ou local. E, ainda aqui, segundo o Natal, a sua realidade e o seu esp\u00edrito. Quer isto dizer que o Natal continua inspirador e motivador de pensamentos e ac\u00e7\u00f5es, quando o aceitamos no seu irredut\u00edvel significado. Irredut\u00edvel a mero cen\u00e1rio ou pretexto, irredut\u00edvel a qualquer consumismo ou devaneio. O Natal \u00e9 de Cristo, reconhecido pelos seus antigos e actuais disc\u00edpulos como \u201csol de justi\u00e7a\u201d, que crescer\u00e1 sempre e para al\u00e9m de todos os solst\u00edcios\u2026 E, sendo \u201csol de justi\u00e7a\u201d, como predissera um profeta (Ml 3, 20), \u00e9 modo divino de ver e refazer as coisas, compromisso certo com a vida de todos: \u201cEu vim para que tenham vida e a tenham em abund\u00e2ncia\u201d (Jo 10, 10).  Modo divino e felicidade humana, que aquele Menino, tr\u00eas d\u00e9cadas depois, resumiria de modo t\u00e3o inesperado quanto inovador: \u201cFelizes os pobres em esp\u00edrito, os que choram, os mansos, os que t\u00eam fome e sede de justi\u00e7a, os misericordiosos, os puros de cora\u00e7\u00e3o, os pacificadores, os que sofrem persegui\u00e7\u00e3o por causa da justi\u00e7a\u2026\u201d. Estes sim, de ontem, hoje e amanh\u00e3, herdar\u00e3o o Reino, ser\u00e3o consolados, possuir\u00e3o a terra, ser\u00e3o saciados, alcan\u00e7ar\u00e3o miseric\u00f3rdia, ver\u00e3o a Deus, ser\u00e3o chamados filhos de Deus&#8230; (Mt 5, 3 ss). Enunciou assim a carta da felicidade, mas inaugurou-a com a pr\u00f3pria vida: pobre em esp\u00edrito, porque inteiramente recebido de Deus Pai e dado aos homens; insatisfeito com tudo que n\u00e3o fosse de Deus; manso e \u00edntegro, misericordioso e puro, pacificador e abnegado na causa da justi\u00e7a. Trouxe-nos a paz dos que inteiramente se entregam, por Deus e pela humanidade inteira. Mas Cristo inaugurou esta felicidade porque inteiramente a viveu e partilhou. N\u00e3o se trata j\u00e1 de utopia, que s\u00f3 no sonho vagueie, mas de vida concreta, do Pres\u00e9pio \u00e0 Cruz, para a P\u00e1scoa de todos.  Vida concreta e situada, esta de Cristo que o Natal nos traz. Para que a acolhamos e perpetuemos, nas fam\u00edlias, aldeias e cidades, como nas empresas, na sociedade e na cultura. Abrindo-nos \u00e0 grande novidade de que \u00e9 pelo pr\u00f3ximo que se chega ao longe, e no pequeno que se abre o grande e at\u00e9 o infinito. \u2013 Queremos ter Natal, neste \u201cano da gra\u00e7a de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2007\u201d? Descubramo-lo ao nosso lado, precisamente a\u00ed onde esteja uma crian\u00e7a a acolher, um idoso ou um imigrante a integrar, um doente a animar, qualquer pobreza a resolver. E n\u00e3o o pensemos em abstracto, mas no rosto preciso com que se abeire de n\u00f3s ou o procuremos at\u00e9. Se se diz e canta que \u201cNatal \u00e9 quando um homem quiser\u201d, mais se saiba e creia que ser\u00e1 apenas onde Deus nos espera, ou seja, onde a caridade acontecer: a de Deus, que suscita a nossa.  Tamb\u00e9m no n\u00edvel mais largo da Europa que somos. Assinou-se em Lisboa um novo Tratado Europeu. E n\u00e3o h\u00e1-de ser um acaso, mas provid\u00eancia, que tal tenha acontecido nos Jer\u00f3nimos, que realmente se chamam Santa Maria de Bel\u00e9m\u2026 Qual pren\u00fancio dum Continente mais solid\u00e1rio, para o bem comum de todos os seus habitantes, e mais motivado para o seu papel no mundo, no constru\u00e7\u00e3o conjunta da justi\u00e7a e da paz. Recome\u00e7amos com pouco, mas havemos de querer muito nesse sentido. Maria estava ali, quase s\u00f3, na gruta de Bel\u00e9m. Aprendamos com ela que a grandeza absoluta s\u00f3 precisa de cora\u00e7\u00f5es confiantes, para alastrar sem fim.    Lembremos ent\u00e3o, entre a contempla\u00e7\u00e3o e o compromisso, a sagrada cena do Pres\u00e9pio de Bel\u00e9m. Deixemo-nos tocar pela beleza singela da caridade divina. Mas, ainda assim, n\u00e3o nos fiquemos pela pena de l\u00e1 n\u00e3o ter estado h\u00e1 dois mil anos, com Maria, Jos\u00e9, os anjos, os pastores ou os magos\u2026 N\u00e3o nos fiquemos pela pena, mas ganhemos pressa de nos juntarmos a eles, todos eles, entre a contempla\u00e7\u00e3o e o compromisso, para acolher e servir o Menino eterno, que continua a nascer em cada semelhante nosso. Em casa ou na rua, de dia ou na noite, ele a\u00ed nos espera. E creio at\u00e9 que muitos dos que me est\u00e3o a ler j\u00e1 descobriram o rosto e a ocasi\u00e3o do seu Natal deste ano. Mais do que escolha nossa, o convite \u00e9 dele: \u201cVinde, benditos de meu Pai! [\u2026] Porque tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era peregrino e recolhestes-me, estava nu e destes-me que vestir, adoeci e visitastes-me, estive na pris\u00e3o e fostes ter comigo. [\u2026] Sempre que fizestes isto a um dos meus irm\u00e3os mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes\u201d (Mt 25, 34 ss).  Um santo e feliz Natal para todos, \u00e0 \u00fanica luz da sua caridade!  <i>+ Manuel Clemente, Bispo do Porto <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem de Natal do Bispo do Porto<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[154,187,203,206,267,275],"class_list":["post-28803","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-crianca","tag-diocese-do-porto","tag-europa","tag-familia","tag-natal","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28803","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28803"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28803\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28803"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28803"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28803"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}