{"id":287880,"date":"2023-07-04T16:43:50","date_gmt":"2023-07-04T15:43:50","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=287880"},"modified":"2023-07-04T16:43:50","modified_gmt":"2023-07-04T15:43:50","slug":"homilia-de-d-antonio-couto-bispo-de-lamego-na-missa-de-ordenacoes-sacerdotais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-antonio-couto-bispo-de-lamego-na-missa-de-ordenacoes-sacerdotais\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Ant\u00f3nio Couto, bispo de Lamego, na Missa de ordena\u00e7\u00f5es sacerdotais"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_287793\" aria-describedby=\"caption-attachment-287793\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/DSC_1371.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-287793 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/DSC_1371.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1278\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/DSC_1371.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/DSC_1371-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/DSC_1371-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/DSC_1371-768x511.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/DSC_1371-1536x1022.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-287793\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Voz de Lamego<\/figcaption><\/figure>\n<p>O Evangelho hoje proclamado nos nossos ouvidos d\u00e1 forma \u00e0 parte final do Discurso Mission\u00e1rio de Jesus (Mt 10,37-42), e desdobra-se em duas vertentes.<\/p>\n<p>Na primeira, Jesus dirige-se aos seus disc\u00edpulos por Ele <em>enviados<\/em> em miss\u00e3o, e deixa claro que quem \u00e9 enviado em miss\u00e3o tem de viver totalmente vinculado a quem o envia, portanto, a Jesus, totalmente comprometido na causa de Jesus e com Ele totalmente identificado (Mt 10,37-39). Dizendo o que acabo de dizer, car\u00edssimos sacerdotes, car\u00edssimos eleitos Eduardo e Tiago, car\u00edssimos fi\u00e9is leigos, compreendei bem que vos deixo totalmente entregues a Jesus, sem nenhum espa\u00e7o de manobra por conta pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>A segunda vertente \u00e9 dirigida \u00e0queles que <em>acolhem<\/em> os disc\u00edpulos de Jesus por Ele enviados em miss\u00e3o. O <em>acolhimento<\/em> feito aos mission\u00e1rios reveste-se de extrema import\u00e2ncia, pois \u00e9 dito que <em>acolher<\/em> os <em>enviados<\/em> de Jesus Cristo \u00e9 <em>acolher<\/em> o pr\u00f3prio Cristo e Aquele que o <em>enviou<\/em> (Mt 10,40), isto \u00e9, Deus, que \u00e9 o verdadeiro e \u00fanico Senhor Nosso, de todos e de tudo. Fazer esta afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 dizer que senhores n\u00e3o s\u00e3o os poderosos deste mundo, nem as doen\u00e7as nem as desgra\u00e7as, nem sequer a pr\u00f3pria morte terrena. Dito isto, j\u00e1 posso ent\u00e3o dizer que <em>acolher<\/em> os <em>enviados<\/em> de Jesus \u00e9 um caso s\u00e9rio, que nos p\u00f5e radicalmente em causa e em crise. Para tornar este aspeto vis\u00edvel e aud\u00edvel, no pequeno texto do Evangelho de hoje, que tem seis vers\u00edculos, o verbo <em>acolher<\/em> (<em>d\u00e9chomai<\/em>) faz-se ouvir por seis vezes (Mt 10,40 [4 vezes].41 [2 vezes]). <em>Acolher<\/em> \u00e9, pois, a palavra-chave do Evangelho de hoje. E a imagem daquele simples <em>copo de \u00e1gua<\/em> continuar\u00e1 ali sempre, sobre a p\u00e1gina ardente do Evangelho, para nos dizer que, nestas contas do ros\u00e1rio do Reino de Deus, teremos sempre de come\u00e7ar pelo abeced\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Resumindo: 1) quem \u00e9 enviado em miss\u00e3o por Jesus, fica completamente vinculado a Jesus, totalmente dependente de Jesus; 2) quem acolhe um enviado em miss\u00e3o por Jesus, deve tomar consci\u00eancia de que tem de virar a vida toda do avesso, como Zaqueu, pois, na verdade, recebe o pr\u00f3prio Jesus e Aquele que o enviou, Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>Para tornar as coisas mais compreens\u00edveis, terei de glosar melhor estas duas pautas:<\/li>\n<\/ol>\n<p>A primeira nota distintiva de todo o disc\u00edpulo enviado a <em>anunciar o Evangelho<\/em> consiste na <em>fidelidade<\/em> \u00e0 pessoa que o envia. N\u00e3o h\u00e1 <em>anunciador<\/em> (<em>k\u00earyx<\/em>) do Evangelho por conta pr\u00f3pria. S\u00e3o Paulo di-lo com rigorosa precis\u00e3o: \u00abComo h\u00e3o de <em>anunciar<\/em> (<em>k\u00ear\u00fdss\u00f4<\/em>), se n\u00e3o forem <em>enviados<\/em> (<em>apost\u00e9ll\u00f4<\/em>)?\u00bb (Rm 10,15). O estreit\u00edssimo v\u00ednculo que une os anunciadores do Evangelho a Jesus e ao Pai, que o enviou, constitui a for\u00e7a inquebr\u00e1vel e a p\u00e9rola inegoci\u00e1vel dos disc\u00edpulos de Jesus, por Jesus <em>enviados<\/em>. Esta for\u00e7a que une a Jesus os seus disc\u00edpulos \u00e9 mais forte e valiosa do que a <em>fam\u00edlia<\/em> que nos \u00e9 mais pr\u00f3xima e querida: o pai, a m\u00e3e, o filho, a filha. \u00c9 mesmo mais forte e valiosa do que a nossa pr\u00f3pria <em>vida terrena<\/em>.<\/p>\n<p>Oh divina ousadia! Por que raz\u00e3o \u00e9 que eu digo isto? Porque s\u00f3 Deus nos pode pedir tanto! S\u00f3 Deus me pode pedir que me desprenda da minha <em>fam\u00edlia<\/em> e\u2026 da minha pr\u00f3pria <em>vida terrena<\/em>! \u00c9 assim, e \u00e9 s\u00f3 assim, que quem me v\u00ea e ouve, deve ver e ouvir tamb\u00e9m Deus a operar na minha vida! Para os mission\u00e1rios do Evangelho o que vale \u00e9 a <em>vida eterna<\/em>, a vida divina, a vida vivente, a vida que n\u00e3o morre, que por Deus lhes \u00e9 dada, e que eles podem e devem oferecer como <em>dom supremo<\/em>, assim como podem ainda ser tamb\u00e9m fonte de b\u00ean\u00e7\u00e3os para quem evangelicamente os acolher. \u00c9, portanto, inegoci\u00e1vel o amor a Jesus, isto \u00e9, a nossa liga\u00e7\u00e3o e identifica\u00e7\u00e3o com Jesus. Dev\u00edamos ter sempre diante de n\u00f3s a cena em que Jesus confia a Sim\u00e3o Pedro o cuidado pastoral dos seus pr\u00f3prios cordeiros e ovelhas. Jesus pergunta por tr\u00eas vezes: \u00abSim\u00e3o, filho de Jo\u00e3o, tu amas-<em>me<\/em>?\u00bb (Jo 21,15-17). J\u00e1 sabemos que Pedro n\u00e3o deve levar nada na mochila. Ficamos agora a saber que, na sua vida e na sua miss\u00e3o de enviado, o seu amor a Jesus ter\u00e1 de ocupar sempre o primeiro lugar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li>A segunda nota diz respeito a quem acolhe os enviados de Jesus. Acolher Jesus ou os seus <em>enviados<\/em> \u00e9 aceitar expor-se \u00e0 cirurgia da Palavra, que divide junturas e medula e julga as disposi\u00e7\u00f5es e inten\u00e7\u00f5es do cora\u00e7\u00e3o (Hb 4,12). Acolher os <em>enviados<\/em> de Jesus n\u00e3o \u00e9 como organizar uma festa de amigos. \u00c9 aceitar conviver com um bisturi dentro de si, com um fogo a arder nos ossos e na alma, dentro de si, como se v\u00ea em Jeremias 20,9, em Isa\u00edas 6,6-7, em Elias (Sir 48,1), naqueles dois de Ema\u00fas (Lc 24,32) e naqueles que, naquele quinquag\u00e9simo dia, estavam em Jerusal\u00e9m (At 2,3): como o fogo os modelou e habilitou para entender e para dizer tudo de novo, de modo novo! Ousar andar t\u00e3o perto de Deus, aproximar-se de Deus, diz Jeremias, \u00e9 \u00abempenhar o cora\u00e7\u00e3o\u00bb (<em>\u02bd<\/em><em>arab <\/em><em>\u02bc<\/em><em>et-lib\u00f4<\/em>) (Jr 30,21), no sentido genu\u00edno de \u00abp\u00f4r o cora\u00e7\u00e3o no prego\u00bb, numa casa de penhores. \u00c9 como subir a um poste de alta tens\u00e3o, onde est\u00e1 escrito: \u00abPerigo de morte!\u00bb. Quem entra no mundo de Deus ou deixa Deus entrar no seu mundo, sabe bem que anda Deus ali por perto, e sabe, por isso, que n\u00e3o andar\u00e1 nunca perdido, e compreende ainda que nem esta <em>vida terrena<\/em> \u00e9 o bem maior, nem a <em>morte terrena<\/em> o maior mal. O valor mais alto \u00e9 a nossa estreita liga\u00e7\u00e3o com Deus, Senhor Nosso, de todos e de tudo, Senhor da <em>vida eterna<\/em>.<\/li>\n<\/ol>\n<p>E n\u00e3o nos esque\u00e7amos que aquele simples <em>copo de \u00e1gua<\/em> continuar\u00e1 sempre ali, sobre a p\u00e1gina ardente do Evangelho, para nos dizer que, nestas contas do ros\u00e1rio do Reino de Deus, teremos sempre de come\u00e7ar pelo abeced\u00e1rio. Diz-nos o Evangelho de hoje (Mt 10,42) que aquele simples copo de \u00e1gua, com amor oferecido, pode trazer pela m\u00e3o a <em>vida eterna<\/em>!<\/p>\n<p>Bendito seja Deus que nos deu a gra\u00e7a de podermos come\u00e7ar a viver j\u00e1 sobre esta terra tanta coisa divina!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lamego, Igreja Catedral, 02 de julho de 2023<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":287793,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[176],"class_list":["post-287880","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-lamego"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/287880","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=287880"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/287880\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/287793"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=287880"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=287880"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=287880"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}