{"id":287468,"date":"2023-07-02T09:30:25","date_gmt":"2023-07-02T08:30:25","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=287468"},"modified":"2023-06-30T11:32:06","modified_gmt":"2023-06-30T10:32:06","slug":"lisboa-2023-ainda-temos-um-mes-para-fazer-caminho-afonso-virtuoso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lisboa-2023-ainda-temos-um-mes-para-fazer-caminho-afonso-virtuoso\/","title":{"rendered":"Lisboa 2023: \u00abAinda temos um m\u00eas para fazer caminho\u00bb &#8211; Afonso Virtuoso"},"content":{"rendered":"<p><em>Diretor do \u2018Caminho 23\u2019, uma das dire\u00e7\u00f5es do Comit\u00e9 Organizador Local da JMJ Lisboa 2023, \u00e9 convidado da Renascen\u00e7a e da Ecclesia, para falar sobre o acolhimento a peregrinos de todo o mundo, na capital portuguesa<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_287437\" aria-describedby=\"caption-attachment-287437\" style=\"width: 1600px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/virtuoso_jmj2023-2.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-287437 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/virtuoso_jmj2023-2.jpeg\" alt=\"\" width=\"1600\" height=\"1200\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/virtuoso_jmj2023-2.jpeg 1600w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/virtuoso_jmj2023-2-347x260.jpeg 347w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/virtuoso_jmj2023-2-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/virtuoso_jmj2023-2-768x576.jpeg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/virtuoso_jmj2023-2-1536x1152.jpeg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1600px) 100vw, 1600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-287437\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/OC<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>Quando olhamos para a estrutura do Comit\u00e9 Organizador Local, temos dire\u00e7\u00f5es de log\u00edstica, de finan\u00e7as, de voluntariado, e depois h\u00e1 aqui uma entidade misteriosa chamada caminho 23. Que dire\u00e7\u00e3o \u00e9 esta? Qual \u00e9 o trabalho?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 uma novidade nesta Jornada Mundial da Juventude, por algumas raz\u00f5es. Elencaria duas ou tr\u00eas.<\/p>\n<p>Uma primeira que tem que ver com aquilo a que n\u00f3s chamamos uma figura que tamb\u00e9m \u00e9 nova nesta Jornada Mundial da Juventude, que \u00e9 a figura do gestor do peregrino.<\/p>\n<p>A ideia \u00e9 podermos identificar aquilo que s\u00e3o as principais realidades institucionais da Igreja e fora da Igreja com as quais nos podemos relacionar e \u00e0s quais podemos fazer o convite para participarem da Jornada Mundial da Juventude, e criar esta rela\u00e7\u00e3o permanente, e personalizada e pr\u00f3xima com cada uma destas realidades. Para sentirem mesmo a Jornada como deles.<\/p>\n<p>Numa fase inicial, uma rela\u00e7\u00e3o mais institucional com Congrega\u00e7\u00f5es, Movimentos, Confer\u00eancias Episcopais, Universidades, mas depois tamb\u00e9m com muitas realidades institucionais tamb\u00e9m fora da Igreja. Numa realidade mais pr\u00f3xima da Jornada, este gestor de peregrino tem um papel de maior proximidade e o trabalho e a fun\u00e7\u00e3o do gestor de peregrino \u00e9 precisamente acompanhar aqueles que s\u00e3o os principais grupos de peregrinos est\u00e3o inscritos na Jornada. E, portanto, essa essa \u00e9 a primeira grande figura desta dire\u00e7\u00e3o, e a sua primeira grande fun\u00e7\u00e3o: Ser gestor de peregrino<\/p>\n<p>que \u00e9, no fundo garantir esta rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima personalizada, uma cara da jornada para todos os grupos, para todos os grupos de peregrinos. Algu\u00e9m que se eu tenho um problema contato, sei quem \u00e9 que \u00e9 o meu ponto de contato e que me pode ajudar a resolver os problemas. Isso \u00e9 o primeiro ponto. Depois destacaria outro objetivo deste Caminho 23 que nos relembra que a Jornada n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma semana, um evento, mas \u00e9 tamb\u00e9m uma prepara\u00e7\u00e3o e que s\u00e3o importantes os frutos que ficam. Portanto, pretende relembrar-nos para essa necessidade e para essa miss\u00e3o de que a Jornada n\u00e3o seja s\u00f3 uma semana, mas seja verdadeiramente um caminho que exige uma prepara\u00e7\u00e3o e que cria estruturas e processos que envolvem pessoas e que com isso tamb\u00e9m j\u00e1 fazem caminho e trabalho, e deixam frutos para futuro.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo destacaria a nossa vontade &#8211; do Caminho 23 &#8211; de chegar a todos. Pelo trabalho, ou por l\u00f3gicas mais pastorais ou n\u00e3o tanto &#8211; por exemplo estivemos presentes em festivais de ver\u00e3o, estivemos presentes na feira do livro, em encontros culturais &#8211; ou seja, onde as pessoas e os jovens est\u00e3o tentamos deixar o convite. Tentamos que a Jornada e o convite para a Jornada cheguem a todos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Um acompanhamento quase personalizado?&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Esse \u00e9 o objetivo. Se fizermos isso cumprimos a nossa miss\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E como se v\u00e3o organizar os grupos maiores, como os de Espanha, It\u00e1lia ou Fran\u00e7a? H\u00e1 eventos por continente? <\/em><\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o depende muito de realidade para realidade. As grandes Confer\u00eancias Episcopais que v\u00e3o ter representa\u00e7\u00e3o em Portugal, sobretudo a espanhola, francesa, italiana, organizam-se por grandes macro grupos. Alguns deles veem centralizados pela Confer\u00eancia Episcopal, outros por si pr\u00f3prios, mas no fundo sempre nesta l\u00f3gica de comunh\u00e3o, pois veem junto. E nesse sentido, na organiza\u00e7\u00e3o dessas l\u00f3gicas centralizadas de peregrinos, no fundo, tem aqui organizados e pensados por exemplo, no caso dos franceses, italianos, espanh\u00f3is, grandes encontros nacionais, em que chamam todos os peregrinos dessa nacionalidade, a grandes encontros e nesses encontros temos momentos ou celebra\u00e7\u00f5es eucar\u00edstica, ou uma pr\u00f3pria celebra\u00e7\u00e3o religiosa ou muitas vezes, por exemplo, em particular no caso dos espanh\u00f3is e dos italianos, uma pr\u00f3prio celebra\u00e7\u00e3o cultural festival m\u00fasica. Portanto, a ideia \u00e9 criar livremente um momento de encontro que n\u00e3o seja s\u00f3 um momento de celebra\u00e7\u00e3o religiosa, que tamb\u00e9m o \u00e9 e que \u00e9 na jornada o fundamental, mas depois tamb\u00e9m tem ali toda parte do Festival da Juventude tamb\u00e9m naquele encontro nacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Lembro, sobretudo para quem esteve l\u00e1, o que aconteceu com a delega\u00e7\u00e3o portuguesa que foi um megaencontro com 10 mil pessoas&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Sim. Aqui estamos a falar de encontros com 50 mil. S\u00e3o dois encontros de 50 mil e outros de 40.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E o espa\u00e7o para isso? <\/em><\/p>\n<p>\u00c0 partida ser\u00e3o no passeio mar\u00edtimo de Alg\u00e9s, e temos tido uma grande colabora\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara de Oeiras e agradecemos muito. Estamos muito agradecidos a todos aqueles que nos t\u00eam ajudado a a fazer estas coisas concretas acontecer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 cerca de um ano, assumia como objetivos que at\u00e9 agosto n\u00e3o houvesse um \u00fanico portugu\u00eas que n\u00e3o tivesse ouvido falar da JMJ e que houvesse peregrinos de todas as nacionalidades na Jornada. Estamos perto de chegar a essas metas?<\/em><\/p>\n<p>Sobre a primeira eu acho se ainda ningu\u00e9m ouviu falar da Jornada \u00e9 porque est\u00e1 muito desatento.<\/p>\n<p>Quando queremos fazer coisas grandes, temos sempre desafios, e, portanto, eu acho que atualmente estamos, estamos imbu\u00eddos num esp\u00edrito e clara corrente positiva de conhecer. Acho que j\u00e1 todos tomamos consci\u00eancia da escala do que \u00e9 que \u00e9 falar da organiza\u00e7\u00e3o de uma Jornada Mundial da Juventude, mas sobretudo acho que atualmente as pessoas come\u00e7am a ter consci\u00eancia do que \u00e9 que \u00e9 Jornada. De que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o encontro com o Papa. Esse ser\u00e1 o evento central, mas a Jornada \u00e9 muito mais do que isso. A Jornada acontece nos locais mais diversos nas dioceses de acolhimento. Na realidade aquilo a que nos chamamos as pr\u00e9-jornadas e os dias na diocese que acontece no Portugal inteiro, provam-nos que a Jornada \u00e9 mesmo um mundo. E eu acho que \u00e9 mundo que cada vez mais temos vindo a descobrir. E, portanto, este grande objetivo de chegar a toda a gente, em Portugal penso que est\u00e1 a ser cumprido e queremos continuar a garantir at\u00e9 ao \u00faltimo segundo que n\u00e3o h\u00e1 mesmo ningu\u00e9m que n\u00e3o se sinta convidado. E \u00e0queles que n\u00e3o poderem vir, que a Jornada v\u00e1 ter com eles. E queria falar aqui de uma coisa muito concreta que \u00e9 o gesto mission\u00e1rio. Todos os volunt\u00e1rios da Jornada, na semana anterior ao seu in\u00edcio ir\u00e3o a lares, a centros, \u00e0s pris\u00f5es, centros educativos, ou seja, pessoas que n\u00e3o podem vir \u00e0 Jornada e ent\u00e3o a Jornada vai ter com eles, cumprindo este grande desejo mission\u00e1rio que o Papa Francisco tem.<\/p>\n<p>Sobre o segundo desafio, podemos dizer que continuamos \u00e0 procura de o fechar e faltam-nos as Maldivas. Falta-nos a Maldivas e se nos conseguirem ajudar e se tivermos conhecimento ou contacto de algu\u00e9m que queira vir das Maldivas \u00e0 Jornada&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E lembremos que o regime pol\u00edtico nas Maldivas \u00e9 muito particular&#8230;.<\/em><\/p>\n<p>Claro e essa tem sido uma das nossas grandes dificuldades. Temos muitas vezes dificuldades financeiras, mas tamb\u00e9m dificuldades diplom\u00e1ticas. Mas eu acho que temos feito um trabalho que respeitando todas essas dificuldades tem sido um trabalho de procurar mesmo garantir que conseguimos ter todas as nacionalidades presentes, no sentido de podermos ter aqui peregrinos que experimentam a Jornada e que depois podem levar de volta o que aqui experimentaram e que isso seja tamb\u00e9m revelador e transformador. Eu n\u00e3o poria o acento t\u00f3nico no que falta, mas antes na ideia de que j\u00e1 conseguimos muito e j\u00e1 fizemos um caminho incr\u00edvel. Eu acho que neste momento j\u00e1 temos praticamente todas as nacionalidades inscritas, e fica a faltar este bocadinho, falta esta \u00faltima etapa. Se nos conseguirem ajudar \u00f3timo. E depois se o Esp\u00edrito quiser havemos de conseguir. Temos rezado e trabalhado por isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Em 2019, o cardeal-patriarca destacava a proximidade de Portugal com v\u00e1rios pa\u00edses lus\u00f3fonos, em \u00c1frica, onde a JMJ nunca teve qualquer edi\u00e7\u00e3o internacional. Vai haver uma preocupa\u00e7\u00e3o particular para os peregrinos africanos e com as suas comunidades, em Lisboa?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida nenhuma. E a realidade \u00e9 que n\u00f3s fizemos algumas visitas diplom\u00e1ticas da Jornada para convidar pessoalmente alguns pa\u00edses. Todos os pa\u00edses dos Palop (Pa\u00edses de L\u00edngua Oficial Portuguesa) foram visitados e estivemos em todos os pa\u00edses praticamente uma semana a convidar, a ver as diferentes realidades. E mesmo aquelas n\u00e3o poder\u00e3o vir \u00e0 jornada; a jornada tentou ir at\u00e9 elas. Portanto, nessa perspetiva fizemos o convite&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Os S\u00edmbolos peregrinaram em Angola, por exemplo&#8230;.<\/em><\/p>\n<p>Exatamente. Estivemos e estamos a fazer um grande trabalho de proximidade n\u00e3o s\u00f3 pastoral, mas tamb\u00e9m diplom\u00e1tico, para garantir que todos aqueles que queiram vir possam obviamente vir. Obviamente h\u00e1 dificuldades, h\u00e1 obst\u00e1culos que importa ultrapassar e estamos a trabalhar nesse sentido. Queria dar tamb\u00e9m uma nota. Uma das maiores dificuldades que ter\u00edamos aqui neste grande projeto de trazer todas as nacionalidades era o projeto de, nomeadamente conseguir todos os pa\u00edses da Oce\u00e2nia. E tem sido algo muito interessante. N\u00f3s j\u00e1 temos todos os pa\u00edses da Oce\u00e2nia inscritos. E na altura podemos ter a oportunidade de ir l\u00e1 \u00e0 Oce\u00e2nia l\u00e1 pessoalmente, convidar numa reuni\u00e3o que estavam representantes de todos os pa\u00edses. E uma coisa que nos disseram depois, quando efetivamente fomos fazendo este trabalho de proximidade de tentar garantir a presen\u00e7a de todos os pa\u00edses, e uma das coisas que nos disseram foi: obrigado pelo trabalho que est\u00e3o a fazer porque de facto esta coisa de conseguirmos mobilizar todos e fazermos com que as Confer\u00eancias Episcopais da Oce\u00e2nia se mobilizassem e ajudarem-se uma \u00e0s outras era um trabalho pastoral muito dif\u00edcil, e que nunca tinha acontecido. E disseram-nos que a Jornada de Lisboa foi esta oportunidade de fazer isso acontecer. Eu acho que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para a Igreja de Portugal e para o pa\u00eds que a Jornada \u00e9 boa. A Jornada j\u00e1 tem frutos concretos e que se veem pelo mundo inteiro.<\/p>\n<p>E j\u00e1 agora conto-vos uma hist\u00f3ria que \u00e9 muito interessante e \u00e9 tamb\u00e9m destas hist\u00f3rias que a Jornada \u00e9 feita e sobretudo que \u00e9 com estas hist\u00f3rias que as pessoas se convencem de que a Jornada \u00e9 mesmo uma coisa boa. Eu quando fui \u00e0 Oce\u00e2nia convidar todos os pa\u00edses a virem, a dada altura falava com um bispo que curiosamente se chamava Jo\u00e3o Bosco e falava-lhe do nosso interesse em que viessem \u00e0 Jornada, e falava-lhe do projeto Igrejas Irm\u00e3s que p\u00f5e realidades eclesiais, paroquias movimentos, Congrega\u00e7\u00f5es de Portugal a ajudar peregrinos de nacionalidades que nunca veem \u00e0 Jornada. Uma ajuda que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 financeira, mas tamb\u00e9m pastoral e diplom\u00e1tica. E a dada altura o bispo diz-me: agradecemos imensamente o convite, mas quero contar-te a hist\u00f3ria de um peregrino, de um jovem da minha diocese que est\u00e1 h\u00e1 um ano e meio em tr\u00eas trabalhos diferentes para poder pagar a passagem para ir \u00e0 Jornada, e n\u00e3o tem a certeza se depois no final disto tudo o visto vai ser aceite. N\u00f3s queixamo-nos tanto e uma pessoa com isto ganha perspetiva e percebe que isto \u00e9 que \u00e9 f\u00e9. Um individuo est\u00e1 a trabalhar durante ano e meio, a esfolar-se para tentar criar condi\u00e7\u00f5es para vir \u00e0 Jornada e fazer esta experi\u00eancia \u00fanica e depois n\u00e3o sabe sequer se o visto vai ser aceite. Estas sa\u00eddas da bolha e aqui a sa\u00edda de Portugal ajuda-nos a ganhar perspetiva e \u00e9 uma coisa \u00f3tima.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esteve em Roma para preparar o encontro do pr\u00f3ximo m\u00eas de agosto, na delega\u00e7\u00e3o do Comit\u00e9 Organizador Local. H\u00e1 otimismo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 capacidade de resposta de Lisboa? Sentiu esperan\u00e7a?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida, acho que a palavra de ordem \u00e9 mesmo essa, esperan\u00e7a, sobretudo identificar as raz\u00f5es da nossa esperan\u00e7a. A primeira raz\u00e3o da nossa esperan\u00e7a \u00e9 que a Jornada Mundial da Juventude \u2013 e pode dizer-se o que se quiser &#8211; est\u00e1 a ser uma coisa que nos traz muita esperan\u00e7a, temos aqui o Esp\u00edrito Santo, que \u00e9 o nosso principal motor. Para n\u00f3s n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida nenhuma sobre isso. Portanto, isso deixamo-nos muito tranquilos. O Dicast\u00e9rio [Leigos, Fam\u00edlia e Vida], a Secretaria de Estado, todos esses intervenientes, o que nos passaram foi essa mensagem de confian\u00e7a: jornada ap\u00f3s jornada, isto vai melhorando. N\u00f3s vamos aprendendo com os erros passados, criando ideias. a palavra foi de confian\u00e7a e foi sobretudo esperan\u00e7a: \u201cn\u00e3o se preocupem, que as dificuldades est\u00e3o a surgir, mas estamos a conseguir ultrapass\u00e1-las. Esperan\u00e7a, porque vem a\u00ed uma coisa muito boa\u201d. Por outro lado, este sentido de ter a consci\u00eancia de que as coisas que estamos a passar, outros j\u00e1 passaram, h\u00e1 este conhecimento acumulado. O que eu senti, verdadeiramente, do lado do Vaticano e do Dicast\u00e9rio, foi esta confian\u00e7a institucional, mas tamb\u00e9m esta esta esperan\u00e7a de que vai correr tudo bem e que as coisas est\u00e3o organizadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Essa confian\u00e7a e essa esperan\u00e7a existem ao n\u00edvel, por exemplo, do acolhimento de peregrinos serem suplantadas de dificuldades que subsistem, nomeadamente no n\u00famero de fam\u00edlias de acolhimento?<\/em><\/p>\n<p>Acho que, de facto, as fam\u00edlias de acolhimento s\u00e3o a melhor oportunidade de evangeliza\u00e7\u00e3o que temos na Jornada, \u00e9 uma coisa \u00f3tima da perspetiva do peregrino e da perspetiva das fam\u00edlias. Mas \u00e0s vezes colocamos a quest\u00e3o de \u201cs\u00f3 temos\u201d\u2026 N\u00e3o, j\u00e1 temos uma quantidade enorme de fam\u00edlias de acolhimento. Que outro evento permitiu esta quantidade de fam\u00edlias de acolhimento?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas tem havido apelos a que haja mais\u2026<\/em><\/p>\n<p>Claro, esse \u00e9 que \u00e9 o ponto: n\u00f3s queremos chegar a todos, um a um. Portanto, enquanto n\u00e3o chegarmos a todos, vamos continuar a apelar. Quem \u00e9 que numa proposta deste g\u00e9nero chegou a tanta gente e conseguiu dar esta oportunidade a tantas fam\u00edlias de acolhimento, sobretudo, a tantos peregrinos a experi\u00eancia de estar em fam\u00edlias de acolhimento? Eu acho que temos de virar, falamos sempre pela negativa, temos de falar pela positiva: j\u00e1 fizemos tanto. Por que continuamos a fazer? Porque queremos chegar a todos e, portanto, quem p\u00f5e essa bitola, arrisca-se a que depois digam: \u201cn\u00e3o chegaram a todos\u201d. Est\u00e1 bem, mas j\u00e1 chegamos a imensos. Isso \u00e9 um problema de ser crist\u00e3o, \u00e9 que n\u00f3s apontamos com a seta l\u00e1 para cima.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O que representa a JMJ para a Igreja, em Portugal? \u00c9 mesmo a maior oportunidade em mais de 100 anos, desde F\u00e1tima?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9, eu disse isso\u2026 na internet fica tudo registado. Eu acho que sim, depois de F\u00e1tima, a Jornada continua a ser a melhor oportunidade e j\u00e1 \u00e9, n\u00f3s temos visto isso. Uma das fun\u00e7\u00f5es da minha equipe \u00e9, precisamente, a l\u00f3gica da \u201crede igreja\u201d: a n\u00edvel nacional, fazer essa rela\u00e7\u00e3o com as dioceses. O trabalho e os processos t\u00eam criado aqui din\u00e2micas entre as dioceses, tem sido uma coisa muito boa e que, se calhar, nunca t\u00ednhamos visto antes. Claro, tem suas dificuldades, mas \u00e9 in\u00e9dito, apontamos l\u00e1 acima. Tem suas dificuldades, mas a quantidade de trabalho conjunto e em comunh\u00e3o que tem sido feito \u00e9 muito bom, \u00e9 mais um dos frutos vis\u00edveis, j\u00e1, da Jornada e pelo qual temos de estar muito gratos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O \u2018Caminho 23\u2019 promoveu v\u00e1rias iniciativas para mostrar que a JMJ \u00e9 uma proposta para todos. Destaco a preocupa\u00e7\u00e3o de ajudar a reduzir a pegada carb\u00f3nica do evento, ligando-se \u00e0s propostas do Papa na Laudato Si\u2019. \u00c9 uma \u00e1rea em que \u00e9 f\u00e1cil criar sinergias e falar \u00e0s periferias, como pede Francisco?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida. A Jornada tamb\u00e9m tem sido esta oportunidade de falar da quest\u00e3o da sustentabilidade e da ecologia de uma forma integrada e integral, que \u00e9 o grande objetivo do Papa. A quest\u00e3o da sustentabilidade e da ecologia ter sido um pilar t\u00e3o forte do pontificado do Papa Francisco n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 pela quest\u00e3o gen\u00e9rica, e \u00e0s vezes um bocadinho mal interpretada, de uma preocupa\u00e7\u00e3o, como um fim, com o ambiente. N\u00e3o, \u00e9 uma vis\u00e3o integrada em que o homem existe no meio de uma casa comum, e o homem, para respeitar-se a si e respeitar os outros, tem tamb\u00e9m de aprender a respeitar e a cuidar da sua casa comum. A Jornada tamb\u00e9m tem conseguido criar oportunidades e iniciativas em que, promovendo o cuidado da casa comum, n\u00e3o deixamos de ter essa promo\u00e7\u00e3o e esse cuidado centrados naquilo que \u00e9 essencial, que \u00e9 sempre a dignifica\u00e7\u00e3o do homem, sempre o homem no centro, a pessoa no centro.<\/p>\n<p>Isso nas iniciativas de sustentabilidade, mas tamb\u00e9m as iniciativas de inclus\u00e3o da defici\u00eancia, da inclus\u00e3o das pessoas com defici\u00eancia. Tem sido um trabalho in\u00e9dito e muito bem feito, nesta Jornada Mundial da Juventude. Mais uma vez, na equipa do \u2018Caminho 23\u2019 e relacionado com o Gabinete de Di\u00e1logo e Proximidade, a quest\u00e3o do trabalho dos peregrinos com defici\u00eancia tem sido um trabalho super central, tem tido o nosso maior foco e \u00e9 um trabalho de cada dia: saber quais s\u00e3o as necessidades de cada grupo, para garantir que os jovens n\u00e3o s\u00f3 v\u00eam \u00e0 Jornada, mas vivem a Jornada e aproveitam tudo aquilo que a Jornada tem para lhes dar.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E podem protagonizar\u2026 lembro agora, por exemplo, a quest\u00e3o do desporto inclusivo.\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Exatamente. N\u00f3s queremos que os jovens com defici\u00eancia n\u00e3o sejam s\u00f3 meros assistentes, mas que sejam participantes, sejam verdadeiros promotores, embaixadores da Jornada, n\u00e3o s\u00f3 por uma quest\u00e3o de representatividade, mas por que verdadeiramente merecem. S\u00e3o pessoas como qualquer outra e temos de lhes dar as oportunidades de poderem viver verdadeiramente a Jornada.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Outros projetos do Caminho 23 estiveram ligados \u00e0 Pastoral Penitenci\u00e1ria e \u00e0 Pastoral Universit\u00e1ria. Nomeadamente o contacto com o meio prisional, aponta para o perd\u00e3o e a mudan\u00e7a de vida: deve ter sido muito enriquecedor?<\/em><\/p>\n<p>Tem sido espetacular. Agora fala-se das amnistias, mas queria focar noutra coisa: n\u00f3s escrevemos escrever cartas a pessoas que est\u00e3o que est\u00e3o presas e agora estamos a come\u00e7ar a receber as respostas, e temos lidas essas respostas e estamos a responder de volta, a algumas. \u00c9 espetacular. Obviamente n\u00e3o vou estar aqui, dizer coisas concretas, at\u00e9 porque aquelas cartas s\u00e3o privadas, mas escrevemos a dezenas, centenas de pessoas que est\u00e3o na pris\u00e3o. As respostas que temos recebido t\u00eam sido coisas espetaculares, de uma humanidade&#8230; Eu acho que isto tamb\u00e9m \u00e9 Jornada: demos oportunidade a essas pessoas, a Jornada foi oportunidade de Jesus tocar a vida delas, da Jornada ser uma oportunidade para voltarem a descobrir as raz\u00f5es da esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Elas n\u00e3o v\u00e3o poder vir \u00e0 Jornada, mas a Jornada j\u00e1 chegou a elas, j\u00e1 foi oportunidade, j\u00e1 deu frutos na vida destas pessoas. Nas mais diversas \u00e1reas, n\u00e3o fizemos tudo, n\u00e3o vamos conseguir fazer tudo, mas queremos fazer muito e, para isso, precisamos da envolv\u00eancia de todos e que todos aqueles que queiram participar na Jornada, como volunt\u00e1rios, como peregrinos, das formas que puderem ajudar, se juntem, ainda v\u00e3o a tempo. Ainda temos um m\u00eas para fazer caminho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Um dos grandes motivos de entusiasmo da JMJ \u00e9 o encontro do Papa com jovens de todo o mundo. No caso do Afonso, viveu um momento particular, em 2019, quando participou no F\u00f3rum Internacional da Juventude, promovido pelo Vaticano, e esteve junto de Francisco. Foi um momento inspirador?<\/em><\/p>\n<p>Foi um momento inspirador. A Jornada Mundial da Juventude de Crac\u00f3via [2016] foi a minha primeira grande oportunidade de descobrir a Igreja universal. Lembro-me perfeitamente de chegar ao Campus Miseric\u00f3rdia, um milh\u00e3o e meio de jovens\u2026 n\u00f3s v\u00ednhamos com um grupo de 300, \u00edamos aos berros e, ao chegarmos, ficou um sil\u00eancio gigante. De repente, deparamo-nos com um milh\u00e3o e meio de jovens. A\u00ed deparei-me com a Igreja Universal, tive ali a primeira imagem da Igreja universal.<\/p>\n<p>Mas no encontro p\u00f3s-sinodal [2019], vivi, discuti esta Igreja universal.<\/p>\n<p>Temos de perceber que, em tudo na nossa vida, mas tamb\u00e9m na quest\u00e3o da f\u00e9, n\u00f3s vivemos muito virados para o nosso umbigo, como se as quest\u00f5es fundamentais da f\u00e9 fossem aquelas que n\u00f3s vivemos no nosso continente. De repente, uma pessoa senta-se ali, ouve a Oce\u00e2nia, ouve a Am\u00e9rica, ouve a \u00c1frica e percebe que os nossos problemas n\u00e3o s\u00e3o os problemas deles, mas que as raz\u00f5es da nossa esperan\u00e7a s\u00e3o exatamente as mesmas. Foco muito nesta quest\u00e3o: a Jornada \u00e9 sobretudo este ponto de unidade, de comunh\u00e3o, que traz esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E espera que seja tamb\u00e9m a Mensagem do Papa, aqui em Lisboa?<\/em><\/p>\n<p>Tem sido, essa \u00e9 a mensagem da Igreja Cat\u00f3lica deste sempre \u00e9, portanto, o Papa como guardi\u00e3o da f\u00e9, certamente n\u00e3o far\u00e1 outra coisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Estamos concentrados na prepara\u00e7\u00e3o da Jornada e bem, mas n\u00e3o devemos come\u00e7ar tamb\u00e9m a preparar o p\u00f3s-Jornada?<\/em><\/p>\n<p>Devemos, estou de acordo, acho que sim. Santo In\u00e1cio dizia uma coisa que \u00e9 engra\u00e7ada: correr atr\u00e1s do Esp\u00edrito, n\u00e3o \u00e0 frente. Portanto, deixar o Esp\u00edrito, abrir portas, abrir caminhos, apontar luzes, n\u00e3o ter pressa, n\u00e3o dizer ao Esp\u00edrito o que \u00e9 que Ele tem de dizer, darmos espa\u00e7o ao Esp\u00edrito para que nos diga o que \u00e9 que Ele acha que deve ser o p\u00f3s-Jornada.<\/p>\n<p>Acho que sim, acho que devem come\u00e7ar a iniciar-se processos. O padre Duarte da Cunha escrevia num artigo que eu achei muito pertinente, h\u00e1 2 semanas, esta coisa fundamental: abrir-nos \u00e0 surpresa, abrir-nos \u00e0 surpresa que o Esp\u00edrito Santo nos vai sussurrar durante a Jornada e deixarmos e aderirmos de cora\u00e7\u00e3o a essa surpresa e, mais uma vez, continuarmos a fazer caminho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diretor do \u2018Caminho 23\u2019, uma das dire\u00e7\u00f5es do Comit\u00e9 Organizador Local da JMJ Lisboa 2023, \u00e9 convidado da Renascen\u00e7a e da Ecclesia, para falar sobre o acolhimento a peregrinos de todo o mundo, na capital 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