{"id":287341,"date":"2023-07-03T09:32:37","date_gmt":"2023-07-03T08:32:37","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=287341"},"modified":"2023-07-03T16:26:59","modified_gmt":"2023-07-03T15:26:59","slug":"lusofonias-em-tefe-amazonia-dentro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-em-tefe-amazonia-dentro\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Em Tef\u00e9, Amaz\u00f3nia dentro"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, no Tef\u00e9 &#8211; Amaz\u00f3nia<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Tefe-S-Joao-Boavista.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-287342 alignnone\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Tefe-S-Joao-Boavista.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Tefe-S-Joao-Boavista.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Tefe-S-Joao-Boavista-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Tefe-S-Joao-Boavista-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Tefe-S-Joao-Boavista-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Tefe-S-Joao-Boavista-391x260.jpg 391w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Levantei voo em Manaus rumo a Tef\u00e9, seguindo o Rio Solim\u00f5es na dire\u00e7\u00e3o da nascente, entrando no cora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f3nia. L\u00e1 de cima, v\u00ea-se bem que \u00e9 tempo de chuvas, pois as florestas est\u00e3o alagadas e s\u00f3 se v\u00ea \u00e1gua e \u00e1rvores. Aterrei no Tef\u00e9, uma cidade ribeirinha, com um calor abafado e dif\u00edcil de suportar, a capital da castanha do Par\u00e1 (como provam as est\u00e1tuas), constru\u00edda h\u00e1 168 anos (como dizem os cartazes), junto ao lago com o mesmo nome, uma esp\u00e9cie de ba\u00eda do grande Solim\u00f5es.<\/p>\n<p>Os primeiros tr\u00eas dias vivi-os no Bom Jesus, um dos bairros perif\u00e9ricos pobres da cidade, cuja par\u00f3quia foi fundada pelos Espiritanos e continua animada por eles. As casas s\u00e3o muito pobres, as ruas fracas, sempre a abarrotar de gente, motas, c\u00e3es e, l\u00e1 por cima, bandos de urubus (esp\u00e9cie de abutres) cuja miss\u00e3o\u00a0 &#8211; contou-me a gozar uma l\u00edder da comunidade \u2013 \u00e9 assegurar a limpeza dos lixos no bairro! Segundo se percebe, s\u00e3o os funcion\u00e1rios mais eficazes e baratos da Prefeitura, pois trabalham de gra\u00e7a 24 sobre 24 horas! Tive direito a entrar em diversas casas onde sempre oferecem algo de t\u00edpico para comer\u00a0 (como o ing\u00e1, tapioca de madioca\u2026) ou de beber (sumo de camucamu). Mas passemos adiante: h\u00e1 sempre m\u00fasica no ar e as pessoas sa\u00fadam ao passar, dando aquele feliz ar de aldeia.<\/p>\n<p>A \u00e1rea da Par\u00f3quia tem uma extens\u00e3o que parece n\u00e3o acabar mais. Assim, primeiro de jeep, depois de mota, acompanhei o P. Emmanuel Chuwa, tanzaniano, nas visitas a algumas comunidades da floresta, para a celebra\u00e7\u00e3o das Missas. Nesta esta\u00e7\u00e3o das chuvas, o calor \u00e9 fort\u00edssimo e acho que o meu corpo mudou de \u00e1gua diversas vezes! Gostei muito da festa de S. Jo\u00e3o, na comunidade de Boa Vista. Nada de sardinhas, manjericos, marchas ou martelos! Mas havia foguetes (muito artesanais), um mastro que ostentava uma bandeira de S\u00e3o Jo\u00e3o e estava cheio de cocos, pacotes de batatas fritas, biscoitos ou rebu\u00e7ados, que fizeram as del\u00edcias das muitas crian\u00e7as quando, no fim da missa, foi deitado abaixo a golpes de machado. Tamb\u00e9m se acendeu a fogueira e se distribuiu comida e bebida pelo povo. Tive que provar o tac\u00e1c\u00e1, uma esp\u00e9cie de sopa, muito quente e muito agressiva pelo picante que nos deixa a boca a arder e fumegar!<\/p>\n<p>No dia seguinte, voltamos aos caminhos lamacentos da floresta. Depois de alguns kms de carro, tivemos que o deixar e seguir o resto do percurso a p\u00e9, at\u00e9 chegarmos \u00e0 Fazenda da Esperan\u00e7a, uma institui\u00e7\u00e3o que acolhe e tenta recuperar jovens presos \u00e0 droga e ao \u00e1lcool. Transpirei que chegue, mas tal n\u00e3o impediu uma missa muito animada, um almo\u00e7o fraterno com os jovens e at\u00e9 um jogo de ping pong e alguns minutos de descanso de guerreiro, numa rede feita com bocados de ramos de \u00e1rvores. Regressamos a p\u00e9 at\u00e9 ao carro, com a minha cabe\u00e7a sempre a processar a conversa de um dos jovens que dizia ter medo das serpentes que atacam o galinheiro por causa dos ovos e as on\u00e7as que v\u00e3o vir, mais dia menos dia, atr\u00e1s das galinhas! De facto, escolheram um local muito isolado do mundo, conquistando um terreno \u00e0 floresta. \u00c9 um para\u00edso, pela beleza, mas os riscos que correm tamb\u00e9m s\u00e3o grandes.<\/p>\n<p>A Missa de domingo \u00e0 tarde foi na Igreja Matriz do Bom Jesus, com o P. Fl\u00e1vio Gonzaga, novamente de regresso ao cora\u00e7\u00e3o do bairro. Ap\u00f3s a solene e viva Eucaristia, participei na festa joanina da Par\u00f3quia, no grande adro da Igreja. Jantar, bingo, quadrilha (uma esp\u00e9cie de rancho folcl\u00f3rico) e karimb\u00f3 (dan\u00e7a de mulheres adultas com vestidos compridos e muito coloridos). Foi festa da rija, at\u00e9 \u00e0s tantas.<\/p>\n<p>Segunda entrei na cidade do Tef\u00e9 para o encontro dos Superiores Espiritanos de toda a Am\u00e9rica Latina do Sul. Aqui se avaliaram os passos dados e se lan\u00e7aram bases para compromissos futuros, nestes tempos que s\u00e3o desafiantes. A gastronomia \u2018mata-me\u2019 sempre: n\u00e3o resisti a um pirarucu frito (peixe enorme e muito saboroso), a um tambaqui (outro peixe fant\u00e1stico), a um mingau de banana (cozido, batido e servido morno), a uma mousse de cupuassu (fruto parecido com o cacau), a um a\u00e7a\u00ed (fruto de uma palmeira, mo\u00eddo para sair l\u00edquido) com tapioca. E, claro, em cima de todas as comidas se coloca farinha de macaxeira, uma esp\u00e9cie de mandioca.<\/p>\n<p>Agora chegou o tempo de deixar a cidade, os seus bairros e as florestas, Vou-me fazer ao Lago, de canoa, de lancha ou de catraia e os pr\u00f3ximos dias vou passa-los no Rio ou nas suas margens. Se tiverem paci\u00eancia, vou p\u00f4r-vos a par destas \u2018miss\u00f5es\u2019 rio adentro!<\/p>\n<div class=\"ast-oembed-container \" style=\"height: 100%;\"><iframe title=\"Spotify Embed: LUSOFONIAS - Em Tef\u00e9, Amaz\u00f3nia dentro\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/6iTpsxcQUjHzyLP2fJdTnU?si=zOl-zGQVRqiD-jr_XCW4vA&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves, no Tef\u00e9 &#8211; Amaz\u00f3nia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":114253,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-287341","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/287341","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=287341"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/287341\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/114253"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=287341"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=287341"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=287341"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}