{"id":28699,"date":"2007-12-11T12:41:36","date_gmt":"2007-12-11T12:41:36","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/12\/11\/maria-estrela-da-esperanca\/"},"modified":"2007-12-11T12:41:36","modified_gmt":"2007-12-11T12:41:36","slug":"maria-estrela-da-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/maria-estrela-da-esperanca\/","title":{"rendered":"Maria, estrela da esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Bispo de Aveiro na Solenidade da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o  <!--more--> 1.Ao abrirmos a B\u00edblia encontramos logo na origem o an\u00fancio da esperan\u00e7a e a profecia da salva\u00e7\u00e3o. O mal ali experimentado e o pecado que tocou a humanidade desde o seu in\u00edcio n\u00e3o prevalecer\u00e3o para sempre: \u201cDa descend\u00eancia da Mulher surgir\u00e1 o Salvador\u201d.[1]  A falta original que rompeu a comunh\u00e3o com Deus e a harmonia da fam\u00edlia humana n\u00e3o feriu a esperan\u00e7a. Deus, o Deus da Esperan\u00e7a, veio ao encontro da fam\u00edlia humana e anunciou o Salvador, o novo Ad\u00e3o, vencedor do pecado e da morte, e Maria, a nova Eva, preservada pela gra\u00e7a de toda a m\u00e1cula de pecado.[2]   Aos profetas pertenceu proclamar a palavra divina para alimentar sempre viva a chama da esperan\u00e7a at\u00e9 \u00e0 plena realiza\u00e7\u00e3o da promessa e para sustentar o \u00e2nimo do povo de Israel diante da sofrida espera a que estivera submetido ao longo da sua hist\u00f3ria.  O Evangelho diz-nos que se cumpriu esta primitiva e primordial promessa. S\u00e3o Lucas recorda-nos, sob uma forma de di\u00e1logo tecido de reminisc\u00eancias b\u00edblicas, esta palavra de Deus a Maria. Uma palavra \u00edntima que revela o mist\u00e9rio da promessa desde sempre feita a Israel e manifesta que Aquele que vai nascer \u00e9 o Filho de Deus.  A resposta de Maria n\u00e3o se fez esperar. Quando se acredita no mist\u00e9rio e na sua ra\u00edz, significado e amplitude e quando se descobre, com a lucidez da raz\u00e3o e com a ajuda da gra\u00e7a, a vontade de Deus, a resposta \u00e9 naturalmente imediata e quase espont\u00e2nea.  Aqui radica um exemplo vivo e um testemunho necess\u00e1rio para os nossos di\u00e1logos com Deus e para as respostas ao que Deus nos pede. Sempre que o bem da humanidade e a esperan\u00e7a das pessoas e dos povos est\u00e3o em causa dev\u00edamos ser mais r\u00e1pidos, mais expeditos e mais generosos.  Passo a passo, Maria aprendeu do Pai, e depois do pr\u00f3prio Filho, o significado e o trajecto do plano de Deus e deixou-se guiar por ele, guardando sempre todas as coisas no seu cora\u00e7\u00e3o de M\u00e3e.  A disponibilidade humana diante da vontade do Pai \u00e9 fonte de alegria, abre-nos caminhos de servi\u00e7o e desvenda-nos m\u00faltiplas raz\u00f5es para cantarmos um hino de gratid\u00e3o pelas maravilhas por Deus realizadas na humildade dos seus servos.[3]  Assim aconteceu com Maria e assim acontecer\u00e1 connosco sempre que acolhermos a voz de Deus e respondermos sem demoras, ambiguidades ou calculismos ao seu chamamento.  2.A carta de S\u00e3o Paulo aos Ef\u00e9sios recorda-nos que \u00e9 pela media\u00e7\u00e3o de Cristo que Deus \u201cnos escolheu para sermos santos e irrepreens\u00edveis, em caridade na sua presen\u00e7a\u201d. [4]  Neste dia solene da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o esta palavra b\u00edblica cumpre-se em todos n\u00f3s mas com particular relevo em ti, Filipe Jos\u00e9 Monteiro da Cunha Coutinho, membro da nossa Comunidade diocesana, que vais ser ordenado Di\u00e1cono.  No louvor a Deus por esta escolha exprime-se a gratid\u00e3o de toda a comunidade diocesana \u00e0 tua fam\u00edlia, a S. Juli\u00e3o de Cacia, tua par\u00f3quia de origem, e a S.to Andr\u00e9 de Esgueira, tua comunidade de est\u00e1gio pastoral, ao Semin\u00e1rio em Aveiro, em Leiria e em Coimbra e nele a todos os que te acompanharam e ajudaram neste necess\u00e1rio percurso de forma\u00e7\u00e3o. Esta hora \u00e9 simultaneamente uma hora de esperan\u00e7a e de exig\u00eancia: a esperan\u00e7a que constitui para a Igreja de Aveiro a resposta generosa e decidida de um jovem que caminha para o presbiterado; a exig\u00eancia que o minist\u00e9rio de di\u00e1cono em ordem ao presbiterado implica daqueles que escolhem Deus como sua heran\u00e7a, unindo-se a Cristo de cora\u00e7\u00e3o indiviso e consagrando-se a Ele para sempre numa vida de celibato e de obedi\u00eancia por amor do Reino.[5]   Em ti, irm\u00e3o candidato ao diaconado, deve brilhar \u201ca caridade, a solicitude pelos doentes e pelos pobres, a autoridade modesta, a rectid\u00e3o e a docilidade espiritual\u201d.[6]  Acompanha-te neste imperativo de santidade e na generosidade da tua entrega, em cada dia renovada, a M\u00e3e de Jesus e nossa M\u00e3e, a Imaculada Concei\u00e7\u00e3o. Ela vela por ti, pela verdade da tua doa\u00e7\u00e3o e pela fidelidade do teu minist\u00e9rio.  Recordo sempre o conselho de Santo Ambr\u00f3sio, Bispo de Mil\u00e3o, que ao comentar o encontro de Mois\u00e9s com Deus na sar\u00e7a ardente nos diz: \u201cEu sou fogo, diz-nos Deus, para te iluminar, para destruir os teus espinhos, os teus pecados e te manifestar a minha benevol\u00eancia\u201d.  3. Foi a partir desta mesma cita\u00e7\u00e3o que o Santo Padre Bento XVI lembrava aos Bispos de Portugal que \u201c\u00e9 preciso mudar o estilo de organiza\u00e7\u00e3o da comunidade eclesial portuguesa e a mentalidade dos seus membros para se ter uma Igreja ao ritmo do Conc\u00edlio Vaticano II\u201d.[7]  Mais do que um pedido ou um conselho, esta vontade de Santo Padre constitui para todos n\u00f3s um imperativo pastoral urgente, partilhado na comunh\u00e3o filial com o sucessor de Pedro e cumprido no esfor\u00e7o de renova\u00e7\u00e3o que o caminho da nova evangeliza\u00e7\u00e3o exige e imp\u00f5e.  \u00c9 esta consci\u00eancia que urge assumir e este caminho que importa percorrer.  Todos sentimos que as marcas da ruralidade e da territorialidade se dilu\u00edram e muitas estruturas envelheceram, enquanto simultaneamente novas inst\u00e2ncias pastorais e novos movimentos apost\u00f3licos emergem com renovado dinamismo numa Igreja, Povo de Deus em comunh\u00e3o.   O Esp\u00edrito Santo \u00e9 a alma da Igreja. N\u00e3o temamos.  N\u00e3o tenhamos medo do futuro que se avizinha numa sociedade secularizada e laica onde os crist\u00e3os devem ser \u201cluz do mundo e sal da terra\u201d, fermento que leveda, renova e transforma. O imperativo da miss\u00e3o \u00e9 a\u00ed muito maior.  Os novos m\u00e9todos que o Santo Padre nos pede, a nova linguagem e o atento e l\u00facido modo de servir de que o mundo necessitam passam pela corresponsabilidade de todos, clero, religiosos e leigos, e pelo sentido de miss\u00e3o de toda a Igreja  S\u00f3 uma eclesiologia de comunh\u00e3o e uma miss\u00e3o pastoral una e coordenada para um pa\u00eds como o nosso, onde a mobilidade crescente nos torna cada vez mais pr\u00f3ximos, pode abrir novas portas \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o e dar respostas pastoralmente criativas \u00e0s exig\u00eancias do nosso tempo.  4.Cumpre-se hoje o anivers\u00e1rio da minha ordena\u00e7\u00e3o de presb\u00edtero e um ano do in\u00edcio do meu minist\u00e9rio episcopal na Igreja de Aveiro. Quero viver e partilhar com toda a Igreja diocesana este anivers\u00e1rio na ora\u00e7\u00e3o, na alegria e no compromisso pastoral.  Compreendo agora ainda melhor e agrade\u00e7o ainda mais as palavras e os sentimentos do Senhor D. Ant\u00f3nio Marcelino que dizia: \u201cj\u00e1 n\u00e3o saber passar sem v\u00f3s\u201d.  \u00c9 hora de olhar o futuro e de caminhar em frente. Na comunh\u00e3o, na corresponsabilidade e na complementaridade de minist\u00e9rios e acompanham-nos neste caminho pastoral o incentivo recebido do S\u00ednodo Diocesano, o dinamismo de um ano dedicado \u00e0 fam\u00edlia, a afirma\u00e7\u00e3o da prioridade que a pastoral juvenil e vocacional constitui para a Igreja Diocesana, e a aten\u00e7\u00e3o e o servi\u00e7o pastoral aos mais pobres como sinal vis\u00edvel e expl\u00edcito da Igreja que somos.  Uma Igreja serva e pobre como \u00e9 a Igreja de Jesus Cristo exige que sejamos s\u00f3brios e austeros, mas imp\u00f5e-nos igualmente que sejamos audaciosos e empreendedores, dotando-a de estruturas essenciais para a miss\u00e3o. A Casa Sacerdotal, onde se acolham com dignidade, alegria e esp\u00edrito fraterno os sacerdotes idosos ou doentes e os familiares que a eles sempre se dedicaram, \u00e9 o primeiro compromisso a realizar.  Darei in\u00edcio, amanh\u00e3, no Carmelo de Cristo Redentor, recebido o necess\u00e1rio consentimento do Superior Provincial da Ordem do Carmo, ao ano Jubilar que assinala os 25 anos da presen\u00e7a das Monjas Carmelitas em Aveiro, retomando uma santa e antiga mem\u00f3ria da sua presen\u00e7a no Carmelo de S\u00e3o Jo\u00e3o Evangelista, no cora\u00e7\u00e3o hist\u00f3rico desta nossa cidade.  Espero que este ano jubilar nos inspire a cria\u00e7\u00e3o e a manuten\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os de ora\u00e7\u00e3o e de atendimento espiritual, onde se revigore a nossa f\u00e9 e as pessoas se encontrem com Deus. O Carmelo \u00e9 um desses lugares vis\u00edveis onde Deus se procura, se encontra, se revela e se testemunha. O Carmelo, como lugar de vida contemplativa \u00e9 uma escola de esperan\u00e7a.  Na primeira semana de Janeiro iniciarei, querendo Deus, as Visitas Pastorais nos arciprestados de Estarreja e da Murtosa. Quero percorrer os caminhos da Diocese ao encontro de todas as comunidades, dos seus membros e dos seus pastores, testemunhando esta forma de viver pr\u00f3ximo e irm\u00e3o com todos, anunciando Jesus, vivo e ressuscitado, confirmando na f\u00e9 os crist\u00e3os, celebrando os mist\u00e9rios de Deus a favor do seu Povo e construindo pontes de di\u00e1logo da Igreja com o mundo, que somos chamados a servir e a evangelizar.   5.Coloco a gratid\u00e3o deste dia e de sempre e os projectos da nossa Igreja diocesana no cora\u00e7\u00e3o da M\u00e3e, a Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, Padroeira de Portugal e sob a protec\u00e7\u00e3o de Santa Joana Princesa, nossa Intercessora e Padroeira.  <i>D. Ant\u00f3nio Francisco dos Santos, Bispo de Aveiro    &#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;  [1] Gn 3, 15.  [2] Cf. Gn 3, 15.20.  [3] Cf. Lc 1, 46ss.  [4] Ef 1, 4.  [5] Cf. PONTIFICAL ROMANO Ordena\u00e7\u00e3o do Bispo dos Presb\u00edteros e dos Di\u00e1conos, 199.  [6] PONTIFICAL ROMANO Ordena\u00e7\u00e3o do Bispo dos Presb\u00edteros e dos Di\u00e1conos, 207.  [7] BENTO XVI, Discurso de Bento XVI aos bispos portugueses, Roma 2007.   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Bispo de Aveiro na Solenidade da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,126,144,159,168,170,174,206,231,268,280],"class_list":["post-28699","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-carmelitas","tag-concilio-vaticano-ii","tag-d-antonio-francisco-dos-santos","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-aveiro","tag-diocese-de-coimbra","tag-familia","tag-imaculada-conceicao","tag-nova-evangelizacao","tag-pastoral-juvenil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28699","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28699"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28699\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28699"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28699"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28699"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}