{"id":28686,"date":"2009-12-23T16:27:35","date_gmt":"2009-12-23T16:27:35","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/12\/23\/o-natal-na-literatura\/"},"modified":"2009-12-23T16:27:35","modified_gmt":"2009-12-23T16:27:35","slug":"o-natal-na-literatura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-natal-na-literatura\/","title":{"rendered":"O Natal na Literatura"},"content":{"rendered":"<p>Da poesia popular \u00e0 prosa, muitos s\u00e3o os textos de rara beleza e profundo sentimentalismo <!--more--> <\/p>\n<p>O mist&eacute;rio da Natividade de Jesus em Bel&eacute;m, da Judeia, &eacute; o acontecimento original e marcante do Cristianismo, o ponto de partida da contagem da Era Crist&atilde;. N&atilde;o &eacute; de admirar, por isso, que nas literaturas dos pa&iacute;ses de tradi&ccedil;&atilde;o crist&atilde;, como Portugal, se d&ecirc; particular aten&ccedil;&atilde;o a este acontecimento taumat&uacute;rgico, que os Evangelhos crist&atilde;os de Mateus e de Lucas narram com contornos enternecedores, decalcando textos b&iacute;blicos, antigos e prof&eacute;ticos.<\/p>\n<p>A&iacute;, o Natal de Jesus e a Maternidade de Maria s&atilde;o correlativos no que concerne &agrave; Natividade de Jesus, o divino Salvador. Na realidade, percorrendo os diversos per&iacute;odos da Literatura Portuguesa, podemos constatar como, na prosa e na poesia, esse acontecimento mereceu aten&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Na prosa, como n&atilde;o recordar os saborosos serm&otilde;es de Pe. Ant&oacute;nio Vieira e outros, bem como a bela e encantadora obra de Aquilino Ribeiro, &ldquo;O Livro do Menino Deus&rdquo; (1945), com tantas anota&ccedil;&otilde;es de car&aacute;cter etnogr&aacute;fico alusivas &agrave; celebra&ccedil;&atilde;o do Natal beir&atilde;o, lembran&ccedil;as duma idade vivida na candura da religi&atilde;o dos pais? E o paradoxal Jos&eacute; R&eacute;gio com as &ldquo;Confiss&otilde;es dum homem religioso&rdquo; (1970), sempre &agrave;s voltas com o problema da f&eacute; e da incredulidade?<\/p>\n<p>Noutros escritores, poder&iacute;amos encontrar textos de rara beleza e profundo sentimentalismo, referentes &agrave; celebra&ccedil;&atilde;o do Natal, &agrave; Ceia de Natal ou de Consoada, ou relativos ao Pres&eacute;pio, &agrave; Missa do Galo ou da Meia-Noite.<\/p>\n<p>Um escritor contempor&acirc;neo, como Vasco da Gra&ccedil;a Moura, coligiu uma &ldquo;Antologia &ldquo; de autores recentes, a que chamou &ldquo;Gloria in Excelsis Deo. Hist&oacute;rias Portuguesas de Natal&rdquo; (2003). Mas &eacute; sobretudo a poesia, que, com sentido de humanidade, de devo&ccedil;&atilde;o e de eleva&ccedil;&atilde;o m&iacute;stica, mais se prende ao facto da Encarna&ccedil;&atilde;o do Filho de Deus na fragilidade da nossa natureza.<\/p>\n<p>Neste aspecto, cheio de resson&acirc;ncias religiosas, &eacute; o livro de Silva Ara&uacute;jo &ndash; &ldquo;Viver o Natal&rdquo;. Colect&acirc;nea de teatros, can&ccedil;&otilde;es, poemas, celebra&ccedil;&otilde;es da Palavra, m&uacute;sicas e tradi&ccedil;&otilde;es populares, Porto, Livraria A. I, 2&ordf; edi&ccedil;&atilde;o, 1987. Todavia, este &eacute; um livro de f&eacute;, escrito para homens de f&eacute;.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, a respeito da poesia religiosa, composta por homens da literatura, surgiram j&aacute; diversas antologias, desde as de Carolina Michaelis, Augusto C. Pires de Lima, Jos&eacute; R&eacute;gio e Alberto Serpa e, nelas, abundam textos sobre o Natal. Por natureza, a poesia portuguesa prefere o tom l&iacute;rico, sentimental, buc&oacute;lico mesmo, virado para o natural humano e sens&iacute;vel, com arroubos de grande eleva&ccedil;&atilde;o m&iacute;stica, mas sem composi&ccedil;&otilde;es a puxar &agrave; doutrina, &agrave; teologia ou &agrave; metaf&iacute;sica.<\/p>\n<p>Talvez at&eacute;, seja a poesia popular aquela que, na sua simplicidade e ardor da f&eacute;, mais se eleva &agrave;s alturas da revela&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica, enquanto a poesia moderna e contempor&acirc;nea se prende mais &agrave; dimens&atilde;o humanista, com recrimina&ccedil;&otilde;es mesmo de car&aacute;cter social. De facto, nenhum grande escritor ou poeta escapou ao fasc&iacute;nio deste acontecimento da hist&oacute;ria humano-divina, em que a crian&ccedil;a e o adulto, o homem e a mulher, o pobre e o rico, o servo e o senhor encontram sempre qualquer coisa, que, aos humanos, faz descobrir o valor divino do humano, o encanto e a beleza da criatura feita &agrave; imagem de Deus. Em larga teoria, a&iacute; aparecem cantigas, &eacute;clogas, loas, madrigais, trovas, vilancetes e vilancicos, sonetos, odes, poemas, autos.<\/p>\n<p>Tanto s&atilde;o os poetas trovadores da Idade M&eacute;dia, como os poetas do per&iacute;odo cl&aacute;ssico: S&aacute; de Miranda, Gil Vicente, Cam&otilde;es, o religioso e m&iacute;stico Fr. Agostinho da Cruz. E que dizer dos autos ou representa&ccedil;&otilde;es de Gil Vicente, quer fosse o &ldquo;Auto da F&eacute;&rdquo;, quer fosse a &ldquo;Mofina Mendes&rdquo;, onde, para al&eacute;m do divertir, era permanente a preocupa&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o na f&eacute; e a cr&iacute;tica de costumes?<\/p>\n<p>Na Idade Moderna, mais humanista, democr&aacute;tica e laica, abundam as poesias do engenhoso e gong&oacute;rico Frei Jer&oacute;nimo Ba&iacute;a, do bo&eacute;mio Bocage, do metaf&iacute;sico Antero de Quental, do pensador Herculano, do janota Almeida Garrett, todo o livro da &ldquo;Hist&oacute;ria de Jesus&rdquo; do saudosista Gomes Leal, do simples e enternecedor Jo&atilde;o de Deus, do dolente Ant&oacute;nio Nobre, do franciscano Guerra Junqueiro, do terno Ant&oacute;nio Feij&oacute;.<\/p>\n<p>Na Idade Contempor&acirc;nea, emparelham homens de grande f&eacute; e devo&ccedil;&atilde;o, como Ant&oacute;nio Sardinha, Ant&oacute;nio Correia de Oliveira, Augusto Gil, Afonso Lopes Vieira, Frei Bernardo de Vasconcelos, Armando Cortes-Rodrigues, Am&eacute;rico Cortez Pinto, Am&eacute;rico Dur&atilde;o, Sebasti&atilde;o da Gama, Pe. Moreira das Neves, mas tamb&eacute;m uma longa s&eacute;rie de escritores laicos e mesmo descrentes, a quem a f&eacute; dos antepassados e as tradi&ccedil;&otilde;es dos concidad&atilde;os fizeram despertar a nostalgia humanizante e contagiante da religi&atilde;o, sobretudo nesta quadra em que avultam os valores da fam&iacute;lia, da amizade e da sociabilidade: Fernando Pessoa, Jos&eacute; R&eacute;gio, David Mour&atilde;o Ferreira, Miguel Torga e muitos outros, homens e mulheres tocados pelo carisma da poesia.<\/p>\n<p>Como resumo e amostra desta produ&ccedil;&atilde;o religiosa, podem ler-se alguns trechos do livro de Ant&oacute;nio de Azevedo Pires &ndash; Poesia e Teologia. Poetas de l&iacute;ngua portuguesa, I, 1973. Embora de forma r&aacute;pida, ficaremos a conhecer e apreciaremos trechos da nossa literatura relativos &agrave; Natividade de Jesus, ao amor e &agrave; fam&iacute;lia, que a todos d&atilde;o o aconchego e o sentido duma vida humana assumida com dignidade.<\/p>\n<p>&ldquo;O Menino que nasceu<\/p>\n<p>Da Virgem cheia de gra&ccedil;a,<\/p>\n<p>Entrou e saiu por ela,<\/p>\n<p>Como sol pela vidra&ccedil;a&rdquo;!<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Geraldo J. A. Coelho Dias, OSB , Prof. da Faculdade de Letras &#8211; Porto <br \/><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da poesia popular \u00e0 prosa, muitos s\u00e3o os textos de rara beleza e profundo sentimentalismo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[187,267],"class_list":["post-28686","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-diocese-do-porto","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28686","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28686"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28686\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28686"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28686"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28686"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}