{"id":28682,"date":"2007-12-11T10:44:52","date_gmt":"2007-12-11T10:44:52","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/12\/11\/um-projecto-politico-de-paz\/"},"modified":"2007-12-11T10:44:52","modified_gmt":"2007-12-11T10:44:52","slug":"um-projecto-politico-de-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-projecto-politico-de-paz\/","title":{"rendered":"Um projecto pol\u00edtico de paz"},"content":{"rendered":"<p>O projecto europeu teve uma motiva\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e, sobretudo, \u00e9tica. Ap\u00f3s o fim da II Guerra Mundial, v\u00e1rias personalidades pol\u00edticas &#8211; n\u00e3o por acaso, muitas delas crist\u00e3s &#8211; sentiram ser imperativo p\u00f4r fim aos conflitos militares na Europa, que na primeira metade do s\u00e9culo XX haviam originado duas trag\u00e9dias mundiais.  A hostilidade entre a Alemanha e a Fran\u00e7a levara a tr\u00eas guerras em menos de 80 anos. Um dos &#8220;pais da Europa&#8221;, Robert Schuman, combatera no ex\u00e9rcito alem\u00e3o na I Guerra Mundial. Como a derrota alem\u00e3 levou \u00e0 devolu\u00e7\u00e3o da Als\u00e1cia-Lorena \u00e0 Fran\u00e7a, na II Guerra Mundial Schuman estava integrado na pol\u00edtica francesa. Pois foi Robert Schuman, ent\u00e3o Ministro dos Neg\u00f3cios Estrangeiros da Fran\u00e7a, a lan\u00e7ar em 9 de Maio de 1950 um apelo \u00e0 reconcilia\u00e7\u00e3o franco-alem\u00e3 e \u00e0 paz na Europa. Por isso o 9 de Maio se tornou o Dia da Europa. E Robert Schuman est\u00e1 em processo de beatifica\u00e7\u00e3o no Vaticano. Como a as mudan\u00e7as pol\u00edticas n\u00e3o se fazem apenas com boas inten\u00e7\u00f5es, Schuman prop\u00f4s a cria\u00e7\u00e3o de uma Comunidade Europeia do Carv\u00e3o e do A\u00e7o (CECA), ent\u00e3o sectores importantes do ponto de vista econ\u00f3mico e militar. E que eram tradicionalmente um foco de tens\u00e3o entre a Fran\u00e7a e a Alemanha. A CECA concretizou-se, tornando-se o embri\u00e3o da Comunidade Econ\u00f3mica Europeia (CEE), criada em 1957 pelo Tratado de Roma. A integra\u00e7\u00e3o europeia caminhou, assim, pela via econ\u00f3mica (at\u00e9 se costumava chamar Mercado Comum \u00e0 CEE), porque esse era o terreno onde se tornavam mais \u00f3bvias as vantagens de eliminar barreiras na Europa.  Mas o projecto europeu foi pol\u00edtico desde o in\u00edcio, como se v\u00ea no pre\u00e2mbulo do Tratado de Roma. E j\u00e1 nesse Tratado se previa a tomada de algumas decis\u00f5es no Conselho por maioria e n\u00e3o por unanimidade. Tal implica que a soberania de um pa\u00eds pode ser ultrapassada pelos seus parceiros, quando o obrigam a aceitar uma medida com a qual o respectivo governo n\u00e3o concorda. O General de Gaulle op\u00f4s-se, em 1965, a que fossem tomadas decis\u00f5es sem ser por unanimidade. Mas a regra estava no tratado fundador e \u00e9 hoje largamente aplicada na vida comunit\u00e1ria. O Tratado de Lisboa alarga o n\u00famero de decis\u00f5es no Conselho por maioria qualificada, por exemplo na \u00e1rea da justi\u00e7a e da seguran\u00e7a interna. Por outro lado, se a integra\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica europeia avan\u00e7ou nas primeiras d\u00e9cadas, j\u00e1 em 1952 os seis pa\u00edses fundadores da CECA e da futura CEE (Fran\u00e7a, Alemanha, It\u00e1lia, B\u00e9lgica, Holanda e Luxemburgo) assinaram um tratado criando uma Comunidade Europeia de Defesa (CED). Embora a CED n\u00e3o tinha ido para a frente (pois a Assembleia Nacional francesa a &#8220;chumbou&#8221; em 1954), \u00e9 not\u00e1vel que tenha encarado juntar esfor\u00e7os militares gente que se combatia ferozmente sete ou oito anos antes. Ora a &#8220;Europa da defesa&#8221; est\u00e1, desde h\u00e1 algum tempo, de novo na ordem do dia. Entretanto a CEE passou a Uni\u00e3o Europeia e conta agora com 27 Estados Membros. A Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica desapareceu de cena e acabou a guerra fria. A globaliza\u00e7\u00e3o (palavra que n\u00e3o era usada ainda h\u00e1 vinte anos) tornou-se cada vez mais presente. Ou seja, as condi\u00e7\u00f5es em que hoje se processa a integra\u00e7\u00e3o europeia s\u00e3o diversas das prevalecentes h\u00e1 meio s\u00e9culo. Mas o essencial permanece. Desde logo, o ideal de paz. \u00c9 certo que a Uni\u00e3o foi incapaz de prevenir as guerras na ex-Jugosl\u00e1via, mas elas n\u00e3o conduziram a conflitos de maior escala na Europa comunit\u00e1ria. Para quem tome a paz como um dado adquirido, isto veio lembrar a import\u00e2ncia da integra\u00e7\u00e3o europeia na manuten\u00e7\u00e3o de um clima de paz no Velho Continente. Recorde-se que a I Guerra Mundial foi desencadeada por um assassinato em Sarajevo. Por outro lado, a Uni\u00e3o Europeia, embora pouco haja avan\u00e7ado ainda no plano militar, manifesta um grande poder de induzir reformas democr\u00e1ticas em pa\u00edses candidatos \u00e0 ades\u00e3o. \u00c9 o chamado &#8220;soft power&#8221; da UE, em contraste com o &#8220;hard power&#8221; (for\u00e7a militar).  E tornou-se claro que partilhar soberania, exercendo-a em conjunto com outros pa\u00edses, \u00e9 a melhor maneira de os Estados nacionais manterem algum poder num mundo onde pesam crescentemente as for\u00e7as econ\u00f3micas e financeiras. Por isso, a UE n\u00e3o s\u00f3 atrai pa\u00edses que querem entrar para o clube (at\u00e9 a Turquia!) como \u00e9 um modelo original que outros continentes t\u00eam tentado imitar.   <i>Francisco Sarsfield Cabral,  (Director de Informa\u00e7\u00e3o da R\u00e1dio Renascen\u00e7a) <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O projecto europeu teve uma motiva\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e, sobretudo, \u00e9tica. 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