{"id":28681,"date":"2009-12-23T16:26:00","date_gmt":"2009-12-23T16:26:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/12\/23\/a-maternidade-de-maria-na-pintura\/"},"modified":"2009-12-23T16:26:00","modified_gmt":"2009-12-23T16:26:00","slug":"a-maternidade-de-maria-na-pintura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-maternidade-de-maria-na-pintura\/","title":{"rendered":"A Maternidade de Maria na Pintura"},"content":{"rendered":"<p>Fernando Baptista Pereira aborda um dos temas que maior interesse desperta desde h\u00e1 muitos s\u00e9culos <!--more--> <\/p>\n<p>A Maternidade de Maria ser&aacute;, porventura, um dos temas que, desde h&aacute; muitos s&eacute;culos, maior interesse desperta entre os comitentes, os artistas e, naturalmente, entre a generalidade dos fi&eacute;is. Com efeito, o Nascimento do Menino, o Deus feito Homem, celebrado na festa natal&iacute;cia de 25 de Dezembro desde o s&eacute;culo V, no Ocidente, apesar da escassa refer&ecirc;ncia textual no Evangelho de Lucas (2,7), conheceria uma elaborada iconografia e um consider&aacute;vel desdobramento de epis&oacute;dios.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, gra&ccedil;as aos Evangelhos Ap&oacute;crifos e &agrave; piedade popular, tornou-se poss&iacute;vel a montagem de um cen&aacute;rio &ndash; uma gruta com a manjedoura &ndash; assim como acrescentar diversos figurantes, animais &ndash; o boi e o jumento &ndash; e humanos &ndash; as duas parteiras, que, neste caso, acabar&atilde;o por desaparecer, em face de uma renovada vis&atilde;o da Natividade, a partir do final da Idade M&eacute;dia.<\/p>\n<p>A narrativa e os diversos circunstancialismos dos epis&oacute;dios seriam igualmente muito desenvolvidos e diversamente representados, tanto na Cristandade Oriental como na Ocidental. Os icon&oacute;grafos distinguem os chamados &laquo;prel&uacute;dios&raquo; do Nascimento (a viagem de Maria e Jos&eacute; de Nazar&eacute; a Bel&eacute;m; a recusa de alojamento nesta &uacute;ltima localidade), da Natividade propriamente dita e das duas Adora&ccedil;&otilde;es que se seguem (a dos Pastores e a dos Magos).<\/p>\n<p>A maior modifica&ccedil;&atilde;o iconogr&aacute;fica verificou-se no tratamento da cena da Natividade. At&eacute; ao s&eacute;culo XIV, por influ&ecirc;ncia da Arte Bizantina, que, por sua vez, a recebera da S&iacute;ria, Maria surge representada deitada, como uma parturiente, tendo o Menino, enfeixado, ao seu lado, amamentando-o em certos casos. Posteriormente, os te&oacute;logos e os artistas v&atilde;o preferir uma representa&ccedil;&atilde;o mais conforme &agrave; vis&atilde;o m&iacute;stica de Santa Br&iacute;gida da Su&eacute;cia, que figura Maria, de joelhos, em pose de adora&ccedil;&atilde;o, diante de uma apari&ccedil;&atilde;o do Menino nu e irradiando luz (a &laquo;Luz do Mundo&raquo;). Enquanto Jos&eacute;, surpreso, procura iluminar a cena ou se prepara para adorar o Menino, os Anjos cantam Gl&oacute;ria a Deus. A pintura do Renascimento, tanto na It&aacute;lia como a Norte dos Alpes, vai consagrar e difundir esta f&oacute;rmula, em cen&aacute;rios de grande beleza pl&aacute;stica, povoados de refer&ecirc;ncias simb&oacute;licas: as ru&iacute;nas da Era Ante Gratia, que acabava de terminar; a coluna truncada que simboliza o Novo Ad&atilde;o que devolveu &agrave; Humanidade a promessa da Salva&ccedil;&atilde;o; a fonte da &Aacute;gua da Vida, entre outros.<\/p>\n<p>Os dois epis&oacute;dios seguintes, centrados na Adora&ccedil;&atilde;o do Menino pelos Humildes e pelos Poderosos do Mundo, os Pastores e os Reis Magos, respectivamente, complementam o Ciclo da Natividade, que ainda contempla, nos grandes ciclos narrativos, na iluminura, em frescos ou em ret&aacute;bulos, a Circuncis&atilde;o e imposi&ccedil;&atilde;o do Nome (oitava do Natal, dia de Ano Novo), assim como a Apresenta&ccedil;&atilde;o no Templo ou Purifica&ccedil;&atilde;o da Virgem ou Festa da Candel&aacute;ria (quarenta dias ap&oacute;s o Nascimento, celebrada a 2 de Fevereiro).<\/p>\n<p>Encontram-se nos museus ou ainda in situ nos templos numerosas representa&ccedil;&otilde;es pict&oacute;ricas de todos estes epis&oacute;dios a partir do s&eacute;culo XV, realizadas pelos maiores pintores das Escolas Italiana, Flamenga, Espanhola, Francesa ou Portuguesa. Num dos mais interessantes ret&aacute;bulos portugueses dos in&iacute;cios do s&eacute;culo XVI, o da Madre de Deus, hoje no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, um dos mais belos pain&eacute;is representa a Adora&ccedil;&atilde;o dos Pastores, em que a trucul&ecirc;ncia das oferendas e o ar &laquo;tisnado&raquo; dos humildes nos evoca o contempor&acirc;neo teatro de Mestre Gil Vicente. Num outro painel, o da Adora&ccedil;&atilde;o dos Magos, sobressaem as vestes opulentas dos Reis e os valiosos vasos de ourivesaria em que oferecem o ouro, o incenso e a mirra, reminisc&ecirc;ncias da ostenta&ccedil;&atilde;o manuelina, tanto na vida de corte como na arte sacra.<\/p>\n<p>A Maternidade de Maria est&aacute; tamb&eacute;m presente nas muito apreciadas representa&ccedil;&otilde;es da Madona com o Menino, desde as representa&ccedil;&otilde;es hier&aacute;ticas da Alta Idade M&eacute;dia, em que Maria, coroada, entronizada ou de p&eacute;, apresenta o Divino Infante ao colo, passando pelas Virgens de Ternura das Escolas Bizantina e de Siena, at&eacute; &agrave;s Virgens do Leite e &agrave;s in&uacute;meras Madonas do Renascimento Flamengo e Italiano, imortalizadas por Van Eyck, Memling, Botticelli, Leonardo ou Rafael.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Fernando Ant&oacute;nio Baptista Pereira, Professor Universit&aacute;rio <br \/><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fernando Baptista Pereira aborda um dos temas que maior interesse desperta desde h\u00e1 muitos s\u00e9culos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[119,267],"class_list":["post-28681","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-arte-sacra","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28681","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28681"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28681\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28681"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28681"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28681"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}