{"id":28666,"date":"2007-12-10T16:04:18","date_gmt":"2007-12-10T16:04:18","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/12\/10\/ave-cheia-de-graca-o-senhor-esta-contigo\/"},"modified":"2007-12-10T16:04:18","modified_gmt":"2007-12-10T16:04:18","slug":"ave-cheia-de-graca-o-senhor-esta-contigo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ave-cheia-de-graca-o-senhor-esta-contigo\/","title":{"rendered":"<i>Ave, cheia de gra\u00e7a, o Senhor est\u00e1 contigo<\/i>"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Bispo do Porto na Solenidade da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o <!--more--> Celebramos, irm\u00e3os, a Imaculada Concei\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora, Padroeira de Portugal. E queremos celebr\u00e1-la com todo o significado de cada uma destas palavras. \u00c0 Imaculada Concei\u00e7\u00e3o refere-se o Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica (n\u00ba 490) nos seguintes termos: \u201cPara vir a ser M\u00e3e do Salvador, Maria foi adornada por Deus com dons dignos de uma t\u00e3o grande miss\u00e3o. O anjo Gabriel, no momento da Anuncia\u00e7\u00e3o, sa\u00fada-a como \u2018cheia de gra\u00e7a\u2019. Efectivamente, para dar o assentimento livre da sua f\u00e9 ao an\u00fancio da sua voca\u00e7\u00e3o, era necess\u00e1rio que Ela fosse totalmente movida pela gra\u00e7a de Deus\u201d. Com tal sauda\u00e7\u00e3o a surpreendeu o Anjo, no di\u00e1logo evang\u00e9lico: \u201cTendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: \u2018Ave, cheia de gra\u00e7a, o Senhor est\u00e1 contigo\u2019. Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que sauda\u00e7\u00e3o seria aquela\u201d. \u00c9, de facto, assim, a gra\u00e7a de Deus: t\u00e3o absolutamente d\u2019Ele, que encontra a melhor prova na humildade de quem a recebe. A \u201ccheia de gra\u00e7a\u201d, por isso mesmo \u201cimaculada\u201d, comprovou-se assim em humildade total. Como diria depois: \u201cO Senhor p\u00f4s os olhos na humildade da sua serva\u201d. Naquela sauda\u00e7\u00e3o ang\u00e9lica se verificaria a velh\u00edssima profecia, que ouvimos no trecho do G\u00e9nesis, qual proto-evangelho: \u201cDisse ent\u00e3o o Senhor Deus \u00e0 serpente: \u2018Estabelecerei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descend\u00eancia e a descend\u00eancia dela. Esta te esmagar\u00e1 a cabe\u00e7a\u2026\u2019\u201d. A inimizade da mulher em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 serpente \u00e9 a essencial imunidade de Maria em rela\u00e7\u00e3o ao mal, porque fruto antecipado da vit\u00f3ria da sua descend\u00eancia, ou seja, de Cristo, sobre todo o pecado.  Vit\u00f3ria de Cristo, Sol de justi\u00e7a de que a Imaculada Concei\u00e7\u00e3o \u00e9 a aurora. Sol de justi\u00e7a de que todos os baptizados, por gra\u00e7a do mesmo Cristo, h\u00e3o-de ser constante esplendor no mundo. Di-lo-emos no Pref\u00e1cio, louvando o Pai pelo que realizou e realiza em Cristo, em Maria e na Igreja: \u201cSenhor, Pai santo, [\u2026] \u00e9 nossa salva\u00e7\u00e3o dar-vos gra\u00e7as [\u2026] na Imaculada Concei\u00e7\u00e3o da Virgem Santa Maria. V\u00f3s a preservastes de toda a mancha do pecado original, para que, enriquecida com a plenitude da vossa gra\u00e7a, fosse a digna M\u00e3e do vosso Filho. Nela destes in\u00edcio \u00e0 santa Igreja, esposa de Cristo, sem mancha e sem ruga, resplandecente de beleza e santidade\u201d.  E, dizendo \u201cresplandecente\u201d, estamos necessariamente a tomar-nos quais comunicadores da verdade, beleza e bondade de Cristo, que nos restaura pelo baptismo \u2013 como o fizera antecipadamente em sua M\u00e3e, desde o primeiro momento da sua concep\u00e7\u00e3o \u2013 em humanidade aut\u00eantica, porque convivida com Deus, \u00fanica origem e verdadeiro fim de n\u00f3s todos. Ouvimo-lo na Carta aos Ef\u00e9sios: \u201cBendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto dos C\u00e9us nos aben\u00e7oou com toda a esp\u00e9cie de b\u00ean\u00e7\u00e3os espirituais em Cristo. N\u2019Ele nos escolheu, antes da cria\u00e7\u00e3o do mundo, para sermos santos e irrepreens\u00edveis, em caridade na sua presen\u00e7a\u2026\u201d.  Percebeu-o Paulo, desvendando em si e na Igreja nascente o mist\u00e9rio surpreendente da gra\u00e7a. Enaltece-o hoje a Igreja inteira, vendo-o realizado antecipadamente em Maria, a Imaculada Concei\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para a nova \u201cConcei\u00e7\u00e3o\u201d do Mundo, na reden\u00e7\u00e3o de Cristo. Como na primeira terra, sa\u00edda apenas do poder criador de Deus, nasceu o primeiro Ad\u00e3o, Maria aparece qual \u201cnova terra\u201d, onde Deus recria o mundo com o nov\u00edssimo Ad\u00e3o, Jesus Cristo, nosso Senhor.            \u00c9 bom, belo e necess\u00e1rio recordarmos estas coisas, t\u00e3o nossas pela gra\u00e7a divina. \u00c9 sempre em Maria, que nos havemos de rever, pessoalmente e como Igreja. A gra\u00e7a de Cristo continua em n\u00f3s, baptizados, o que come\u00e7ou em Maria, para recriar o mundo. A partir de Deus, sempre a partir de Deus, acolhido como Criador, Pai e \u201camigo dos homens\u201d. Assim O referimos na liturgia, assim O devemos acolher e respeitar continuamente.  Nada em Maria se passa fora de tal acolhimento, estendendo a sua Imaculada Concei\u00e7\u00e3o a cada instante da vida: aceitou a maternidade divina, aceitou o acompanhamento de Cristo at\u00e9 aos p\u00e9s da Cruz, aceitou o acompanhamento do corpo eclesial de Cristo em permanente Pentecostes. Com Ele, \u00e9 agora tamb\u00e9m connosco, para a vida da Igreja, para a vida do mundo. A partir de Deus, em cada momento de cada dia, vigilantes, orantes, dispon\u00edveis e respons\u00e1veis. As coisas dependem de n\u00f3s, porque com Maria, dependemos de Deus. A Igreja cresce e o mundo recria-se, porque o nosso cora\u00e7\u00e3o acolhe o poder do amor de Deus.  Permiti-me circunstancializar brevemente a medita\u00e7\u00e3o. Celebramos a Padroeira de Portugal; realiza-se em Lisboa uma confer\u00eancia euroafricana; ordenarei de seguida um di\u00e1cono passionista. Quando Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o foi proclamada Padroeira de Portugal, o nosso pa\u00eds tinha restaurado h\u00e1 pouco a sua independ\u00eancia. N\u00e3o faltou quem visse nesta coincid\u00eancia um sentido profundo e prof\u00e9tico. O grande Ant\u00f3nio Vieira, por exemplo, ligaria os dois factos, como se a Imaculada Concei\u00e7\u00e3o de Maria indicasse a Portugal um rumo certo e universal, que seria a realiza\u00e7\u00e3o mundial do Evangelho de Cristo, exclusivamente a partir de Cristo. Passaram s\u00e9culos. Temos hoje diante n\u00f3s, como sociedade portuguesa, tarefas imensas de geografia mais pr\u00f3xima. Pobrezas a ultrapassar, desenvolvimentos autenticamente humanos a prosseguir, esperan\u00e7as a consolidar. Que cada um de n\u00f3s, cat\u00f3licos portugueses, estejamos na primeira linha de qualquer destas fronteiras, com o empenho e a persist\u00eancia de quem encontra em Deus a sua for\u00e7a. No Deus de Jesus Cristo, que nos coloca em qualquer destes lugares como estava Maria na Anuncia\u00e7\u00e3o: \u201cEis a escrava do Senhor; fa\u00e7a-se em mim segundo a tua palavra\u201d. Seja imaculada a nossa disposi\u00e7\u00e3o, intang\u00edvel a nossa vontade, absoluta a nossa entrega. A recria\u00e7\u00e3o do mundo, com Cristo e Maria, tem agora, necessariamente, o nosso protagonismo c\u00edvico e solid\u00e1rio. Realiza-se neste dias a confer\u00eancia euroafricana de Lisboa. \u00c1frica \u00e9 o nosso mais pr\u00f3ximo vizinho, em termos continentais. Mas pela nossa antiga presen\u00e7a l\u00e1, bem como pela crescente presen\u00e7a aqui de pessoas africanas, a vizinhan\u00e7a tornou-se coexist\u00eancia. A gra\u00e7a de Maria foi para a salva\u00e7\u00e3o do mundo e Nossa Senhor da Concei\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 Nossa Senhora de \u00c1frica. D\u00f3i-se o seu cora\u00e7\u00e3o de M\u00e3e, de quanto l\u00e1 falta, quanto \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, quanto ao desenvolvimento e aos direitos humanos. Como em Can\u00e1 mediou a interven\u00e7\u00e3o de Cristo, para que n\u00e3o faltasse o vinho, interv\u00e9m agora junto de muitos disc\u00edpulos do seu Filho para se desdobrarem em ac\u00e7\u00f5es solid\u00e1rias e evang\u00e9licas \u2013 solid\u00e1rias porque evang\u00e9licas! \u2013 que felizmente se repetem e crescem. Na nossa Diocese e no nosso Pa\u00eds s\u00e3o j\u00e1 relevantes as iniciativas de colabora\u00e7\u00e3o e gemina\u00e7\u00e3o entre comunidades, paroquiais ou outras, com correspondentes africanas. E \u00e9 bom verificar como todas crescem assim, interna e externamente. N\u00e3o tenho d\u00favidas de que tamb\u00e9m aqui chega a Imaculada Concei\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora, continuando por n\u00f3s a obra redentora de Cristo, que nela teve o primeiro fruto e coopera\u00e7\u00e3o. Nisto e no necess\u00e1rio acolhimento e justa integra\u00e7\u00e3o dos imigrantes africanos que nos procuram. Ordenarei de seguida um irm\u00e3o nosso, di\u00e1cono passionista. A gra\u00e7a divina, pelo sacramento da Ordem, continuar\u00e1 nele a obra de Cristo servo de todos, porque servo do Pai. Assim mesmo se intitulou Maria, como lhe ouvimos: \u201cEis a escrava do Senhor\u201d. Estimado irm\u00e3o, olha para Maria, para seres absoluto disc\u00edpulo de Cristo, agradando ao Pai no servi\u00e7o dos irm\u00e3os. N\u00e3o receber\u00e1s outro Esp\u00edrito, pela imposi\u00e7\u00e3o das m\u00e3os. As tuas pr\u00f3prias m\u00e3os se tornar\u00e3o assim proximidade e d\u00e1diva, sempre e para todos. Quero tamb\u00e9m exprimir aos nossos Irm\u00e3os Passionistas a gratid\u00e3o e a estima da Diocese do Porto pelo servi\u00e7o que lhe prestam, de acordo com o seu carisma, t\u00e3o pr\u00f3ximo da Cruz do Senhor, onde o mundo se refaz, como no Cora\u00e7\u00e3o de Maria. S\u00e9 do Porto, 8 de Dezembro de 2007 <i>+ Manuel Clemente, Bispo do Porto  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Bispo do Porto na Solenidade da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[101,187,189,193,231,246],"class_list":["post-28666","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-africa","tag-diocese-do-porto","tag-direitos-humanos","tag-educacao","tag-imaculada-conceicao","tag-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28666","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28666"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28666\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28666"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28666"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28666"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}