{"id":286619,"date":"2023-06-25T09:30:16","date_gmt":"2023-06-25T08:30:16","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=286619"},"modified":"2023-06-22T15:13:24","modified_gmt":"2023-06-22T14:13:24","slug":"direitos-humanos-perseguicoes-religiosas-aumentaram-no-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/direitos-humanos-perseguicoes-religiosas-aumentaram-no-mundo\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: Persegui\u00e7\u00f5es religiosas aumentaram no mundo"},"content":{"rendered":"<p>A Funda\u00e7\u00e3o Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre acaba de apresentar o Relat\u00f3rio sobre a Liberdade Religiosa no Mundo. Um documento, publicado a cada dois anos, que regista as viola\u00e7\u00f5es ao n\u00edvel dos direitos humanos, nomeadamente o direito fundamental da liberdade religiosa, numa an\u00e1lise a 196 pa\u00edses. Para falar sobre os principais desafios identificados, \u00e9 convidada da ECCLESIA e da Renascen\u00e7a Catarina Martins de Bettencourt, diretora do secretariado portugu\u00eas da AIS<!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_286378\" aria-describedby=\"caption-attachment-286378\" style=\"width: 195px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/catarina_martins_AIS-9.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-286378\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/catarina_martins_AIS-9-195x260.jpeg\" alt=\"\" width=\"195\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/catarina_martins_AIS-9-195x260.jpeg 195w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/catarina_martins_AIS-9-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/catarina_martins_AIS-9-300x400.jpeg 300w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/catarina_martins_AIS-9-1152x1536.jpeg 1152w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/catarina_martins_AIS-9.jpeg 1500w\" sizes=\"(max-width: 195px) 100vw, 195px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-286378\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/OC<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>O relat\u00f3rio mostra que a liberdade religiosa foi violada em pa\u00edses onde vivem mais de 4,9 mil milh\u00f5es de pessoas e h\u00e1 61 pa\u00edses onde os cidad\u00e3os enfrentaram graves viola\u00e7\u00f5es. \u00c9 um cen\u00e1rio cada vez mais preocupante?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida. Neste per\u00edodo em an\u00e1lise, entre janeiro de 2021 a dezembro de 2022, verificamos um aumento no n\u00famero de pessoas, no mundo, que est\u00e1 privado deste direito fundamental, que \u00e9 a liberdade religiosa. Tamb\u00e9m por causa do que n\u00f3s vivemos neste per\u00edodo: n\u00e3o podemos esquecer que, em 2021, est\u00e1vamos a viver a pandemia e depois, em 2022, tivemos o in\u00edcio da guerra na Ucr\u00e2nia, com as consequ\u00eancias econ\u00f3micas que todos n\u00f3s sabemos, tamb\u00e9m o que est\u00e1 a acontecer no mar do sul da China. Tudo Isto acabou foi negativo para a quest\u00e3o da liberdade religiosa. porque acabamos por estar, os nossos governantes, as principais institui\u00e7\u00f5es, mais focados noutros assuntos. N\u00e3o olharam com a devida preocupa\u00e7\u00e3o para esta quest\u00e3o da liberdade religiosa e isso teve um impacto nesta an\u00e1lise que n\u00f3s fazemos, praticamente num ter\u00e7o dos pa\u00edses do mundo, destes 196 que foram analisados, com cerca de 5 mil milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>Ao analisar esses dados, percebemos que a liberdade religiosa acabou por sofrer bastante com esta aus\u00eancia de de monitoriza\u00e7\u00e3o, de olhar com olhos de ver para esta quest\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O documento mostra que h\u00e1 28 pa\u00edses com persegui\u00e7\u00e3o religiosa, 12 dos quais no continente africano. Estamos perante outra trag\u00e9dia esquecida, que afeta milh\u00f5es de pessoas?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida. Neste relat\u00f3rio, ap\u00f3s a an\u00e1lise de todos os pa\u00edses, chegamos \u00e0 conclus\u00e3o de que a \u00c1frica, neste per\u00edodo em an\u00e1lise, se tornou o continente mais violento, onde h\u00e1 mais persegui\u00e7\u00e3o, mais discrimina\u00e7\u00e3o. Em 21 dos 54 pa\u00edses africanos temos estas situa\u00e7\u00f5es extremas de persegui\u00e7\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o, tornou-se o continente mais perigoso, devido \u00e0 expans\u00e3o jihadista a que estamos a assistir. Estamos a falar de pa\u00edses maioritariamente da regi\u00e3o do Sahel &#8211; Mali, N\u00edger, Nig\u00e9ria -, abaixo do deserto do Saara, com Mo\u00e7ambique, tamb\u00e9m. \u00c9 o continente onde verificamos que h\u00e1 uma maior \u00e9 persegui\u00e7\u00e3o religiosa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Que fen\u00f3menos s\u00e3o os mais preocupantes, em termos de persegui\u00e7\u00e3o religiosa?<\/em><\/p>\n<p>O que n\u00f3s observamos neste relat\u00f3rio, quanto aos fen\u00f3menos mais perigosos, \u00e9 a atua\u00e7\u00e3o de grupos terroristas, que muitas vezes n\u00e3o atuam com esta quest\u00e3o da religi\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 o principal objetivo. A atua\u00e7\u00e3o desses grupos est\u00e1 nas zonas onde as quest\u00f5es econ\u00f3micas s\u00e3o muito importantes, a n\u00edvel de min\u00e9rio, de petr\u00f3leo, de cursos da \u00e1gua. Portanto, todas estas regi\u00f5es est\u00e3o a ser atacadas e, verificamos que h\u00e1 estes grupos que v\u00e3o atuando, que utilizam a religi\u00e3o, mas se olharmos h\u00e1 um padr\u00e3o, \u00e9 a quest\u00e3o econ\u00f3mica que est\u00e1 muitas vezes por tr\u00e1s.<\/p>\n<p>As comunidades, as minorias s\u00e3o muitas vezes as v\u00edtimas da atua\u00e7\u00e3o destes grupos, que acabam por ser um Estado dentro do pr\u00f3prio Estado, porque atuam impunemente, t\u00eam armamento ultrassofisticado e conseguem fazer a extra\u00e7\u00e3o destes min\u00e9rios, utilizar estes min\u00e9rios para o seu pr\u00f3prio proveito, trazendo consequ\u00eancias terr\u00edveis para a popula\u00e7\u00e3o, desde a fuga de milh\u00f5es de pessoas em \u00c1frica \u00e0 morte de muitas pessoas que s\u00e3o assassinadas nestas nestes ataques violentos, nestas pilhagens que s\u00e3o feitas \u00e0s aldeias, \u00e0s vilas destes pa\u00edses.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Relativamente a \u00c1frica, \u00e9 imposs\u00edvel deixar de falar da situa\u00e7\u00e3o em Mo\u00e7ambique. O relat\u00f3rio fala da tentativa de estabelecer \u201cum regime isl\u00e2mico separatista\u201d em Cabo Delgado. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o que a AIS acompanha com preocupa\u00e7\u00e3o particular?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida, Mo\u00e7ambique \u00e9 um pa\u00eds historicamente ligado a n\u00f3s e, portanto, estamos preocupados. Mais uma vez temos a quest\u00e3o econ\u00f3mica, porque \u00e9 uma zona muito rica em termos de g\u00e1s, n\u00e3o \u00e9 por acaso que foi escolhida esta zona. H\u00e1 esta tentativa de criar ali um califado, uma zona onde seja um Estado Isl\u00e2mico, em que a Sharia, na sua vers\u00e3o mais radical \u00e9 implementada.<\/p>\n<p>Estamos preocupados, estamos a apoiar e queremos continuar a estar presentes, porque um dos principais objetivos deste relat\u00f3rio \u00e9 dar visibilidade a estas situa\u00e7\u00f5es, denunciar, dar a conhecer o que se est\u00e1 a passar nestes pa\u00edses, que muitas vezes ficam esquecido nos nossos alinhamentos\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Encontra nas autoridades vontade para combater estes extremismos? Ou \u00e0s pessoas est\u00e3o \u00e0 sua sorte?<\/em><\/p>\n<p>Sim, muitas vezes est\u00e3o\u2026 A atua\u00e7\u00e3o do Estado \u00e9 muito d\u00e9bil, as o for\u00e7as de seguran\u00e7a n\u00e3o s\u00e3o suficientes. O que n\u00f3s sentimos, dos testemunhos que v\u00e3o chegando, de Mo\u00e7ambique, \u00e9 que h\u00e1 uma certa impunidade. Muitas vezes, os jovens que fazem parte das fileiras destes grupos, dos insurgentes, que \u00e9 assim que s\u00e3o chamados em Mo\u00e7ambique, n\u00e3o t\u00eam tamb\u00e9m expectativas de futuro. Aqui \u00e9-lhes dada uma expectativa de futuro &#8211; claro que n\u00f3s sabemos que n\u00e3o \u00e9 um futuro brilhante, como \u00e9 \u00f3bvio -, a condi\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica de apoio \u00e0 fam\u00edlia, portanto, acabam por ser inclu\u00eddos nestas fileiras, tamb\u00e9m com o objetivo de melhorar a sua vida. Temos de olhar para todo o problema, de Mo\u00e7ambique, um pa\u00eds muito pobre, dos mais pobres do mundo: \u00e9 preciso que o Estado pegue nestes jovens e que lhes consiga dar esta expectativa de futuro, para que eles n\u00e3o vejam que a \u00fanica sa\u00edda que t\u00eam para a sua vida \u00e9 ingressar nas fileiras destes grupos jihadistas. Mas o Estado at\u00e9 agora, infelizmente, n\u00e3o tem tido essa capacidade, \u00e9 necess\u00e1rio que haja esta mobiliza\u00e7\u00e3o, esta vontade de fazer frente, de enfrentar e tamb\u00e9m de combater estes grupos que est\u00e3o a atuar nesta zona de Mo\u00e7ambique.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O relat\u00f3rio n\u00e3o fala apenas das comunidades crist\u00e3s e faz eco do aumento da persegui\u00e7\u00e3o dos mu\u00e7ulmanos, nomeadamente por outros mu\u00e7ulmanos, e de relatos de agress\u00f5es contra a comunidade judaica. \u00c9 importante este olhar alargado, para a AIS?<\/em><\/p>\n<p>Este relat\u00f3rio \u00e9 sobre a liberdade religiosa, em todas as comunidades, em todas as religi\u00f5es, e para n\u00f3s \u00e9 importante n\u00e3o nos focarmos &#8211; apesar de sermos uma institui\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica &#8211; apenas no que se est\u00e1 a passar na comunidade crist\u00e3. \u00c9 importante olhar de forma imparcial para tudo o que se est\u00e1 a passar, porque n\u00e3o seriam um relat\u00f3rio cred\u00edvel que se n\u00e3o olh\u00e1ssemos para tudo o que se est\u00e1 a passar dentro de um pa\u00eds.<\/p>\n<p>Este relat\u00f3rio fala disso, muitas vezes h\u00e1 persegui\u00e7\u00e3o entre os pr\u00f3prios mu\u00e7ulmanos, temos outros pa\u00edses em que s\u00e3o hindus, temos aqui as v\u00e1rias vertentes das principais religi\u00f5es, exatamente para dar um olhar real e o mais fidedigno poss\u00edvel do que se est\u00e1 a passar em cada pa\u00eds. Por isso, n\u00e3o podemos deixar de fora qualquer religi\u00e3o que seja perseguida ou discriminada, por causa da sua f\u00e9.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/catarina_martins_AIS-5.jpeg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-286375 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/catarina_martins_AIS-5-390x260.jpeg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/catarina_martins_AIS-5-390x260.jpeg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/catarina_martins_AIS-5-1024x683.jpeg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/catarina_martins_AIS-5-768x512.jpeg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/catarina_martins_AIS-5-391x260.jpeg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/catarina_martins_AIS-5-1536x1024.jpeg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/catarina_martins_AIS-5.jpeg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Nesse olhar global, o relat\u00f3rio denuncia e j\u00e1 assinalou uma aparente indiferen\u00e7a da comunidade Internacional perante atrocidades cometidas por regimes autocr\u00e1ticos. O que \u00e9 que est\u00e1 aqui em causa?<\/em><\/p>\n<p>J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 a primeira vez que n\u00f3s mencionamos isso. Neste relat\u00f3rio, por causa daquilo que mencionei no in\u00edcio, de todas as quest\u00f5es globais relacionadas com a guerra, a pandemia, assistimos a uma maior passividade dos grandes Estados ocidentais que, muitas vezes, acabam por ignorar e deixar passar as situa\u00e7\u00f5es. E deixam passar porque est\u00e3o preocupados com situa\u00e7\u00f5es internas ou envolventes do seu pa\u00eds; ao mesmo tempo, tamb\u00e9m d\u00e3o prioridade \u00e0s quest\u00f5es econ\u00f3micas que muitas vezes acabam por fazer com que os nossos governantes acabem por fechar os olhos e deixam as quest\u00f5es dos direitos humanos para segundo plano. E temos v\u00e1rios exemplos de facto no mundo neste momento. Neste relat\u00f3rio, falamos de pa\u00edses como, por exemplo a Nig\u00e9ria e o Paquist\u00e3o, onde a comunidade Internacional &#8211; na Nig\u00e9ria pelo caso do Petr\u00f3leo e o Paquist\u00e3o, que tamb\u00e9m \u00e9 uma das superpot\u00eancias &#8211; acaba por ignorar esta aus\u00eancia de liberdade religiosa. E \u00e9 isso que est\u00e1 a passar no Paquist\u00e3o com as comunidades minorit\u00e1rias, nomeadamente os crist\u00e3os e hindus.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Como \u00e9 que v\u00ea a preocupa\u00e7\u00e3o da Assembleia da Rep\u00fablica em assinalar uma jornada dedicada \u00e0 liberdade religiosa e de colocar esse tema na agenda medi\u00e1tica, tamb\u00e9m no nosso pa\u00eds? <\/em><\/p>\n<p>\u00c9 extremamente importante, porque a \u00fanica forma de n\u00f3s enquanto institui\u00e7\u00e3o que publicamos um relat\u00f3rio com esta dimens\u00e3o sobre esta quest\u00e3o, a \u00fanica forma de n\u00f3s temos de ter algum impacto com este relat\u00f3rio \u00e9 faz\u00ea-lo chegar \u00e0s entidades oficiais do nosso Estado. Dar a conhecer a situa\u00e7\u00e3o no mundo, sobre esta quest\u00e3o da liberdade religiosa, que \u00e9 um direito fundamental, portanto, ter a Assembleia da Rep\u00fablica preocupada com esta quest\u00e3o t\u00e3o importante \u00e9 para n\u00f3s tamb\u00e9m um motivo de orgulho, e ao mesmo tempo de uma maior responsabilidade, porque de facto temos a oportunidade de levar a uma das inst\u00e2ncias m\u00e1ximas do nosso pa\u00eds, esta preocupa\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>de levarmos esta informa\u00e7\u00e3o e de deixarmos tamb\u00e9m este apelo aos nossos deputados que fa\u00e7am a<\/p>\n<p>a sua press\u00e3o, que fa\u00e7am o seu trabalho no sentido de pressionar tanto estes governos que s\u00e3o aqui mencionados ao longo do relat\u00f3rio com problemas de discrimina\u00e7\u00e3o e persegui\u00e7\u00e3o da liberdade religiosa. E de levar e de fazer alguma press\u00e3o sobre estes governos para que haja de facto uma mudan\u00e7a efetiva no terreno e para que estas comunidades possam senti-las. E por isso \u00e9 muito importante esta apresenta\u00e7\u00e3o deste relat\u00f3rio na Assembleia da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Este grande fluxo migrat\u00f3rio e a fixa\u00e7\u00e3o de pessoas em Portugal, nos \u00faltimos tempos de v\u00e1rios quadrantes e regi\u00f5es t\u00eam tido reflexos na realidade no nosso pa\u00eds, ao n\u00edvel da integra\u00e7\u00e3o religiosa e da liberdade? <\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s n\u00e3o temos reportados grandes casos. N\u00e3o podemos comparar o que se passa connosco com o que se passa no resto do mundo. Comparando com \u00c1frica, \u00c1sia, M\u00e9dio Oriente, portanto, \u00e9 incompar\u00e1vel. Mas de facto, a Comiss\u00e3o da Liberdade religiosa tem feito este trabalho e h\u00e1 pouco reporte de casos de persegui\u00e7\u00e3o ou de discrimina\u00e7\u00e3o com base na religi\u00e3o.<\/p>\n<p>Claro que n\u00e3o nos podemos esquecer que somos um pa\u00eds que somos maioritariamente cat\u00f3licos e, portanto, h\u00e1 sempre um ou outro caso, das outras comunidades que acham que n\u00e3o est\u00e3o a ser totalmente respeitadas, mas de qualquer das formas, eu acho que n\u00f3s podemos mostrar que h\u00e1 de facto uma integra\u00e7\u00e3o e temos tido a ajuda das v\u00e1rias comunidades na integra\u00e7\u00e3o destas novas pessoas que chegam com culturas completamente diferentes da nossa. E, portanto, eu acho que, por exemplo, o papel que o Centro Ismaelita tem feito, da comunidade isl\u00e2mica que tem feito de acolher estas pessoas que v\u00eam mu\u00e7ulmanos de uma realidade totalmente diferente, mas v\u00eam ter com uma Comunidade que j\u00e1 est\u00e1 h\u00e1 v\u00e1rios anos em Portugal, que j\u00e1 est\u00e1 integrada em Portugal.<\/p>\n<p>E esse apoio \u00e9 tamb\u00e9m muito importante para ajudar a fazer de forma correta a integra\u00e7\u00e3o destas comunidades que chegam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas \u00e9 preciso manter alguma vigil\u00e2ncia? <\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida. Temos de manter a vigil\u00e2ncia, mas \u00e9 preciso tamb\u00e9m que estas comunidades continuem a fazer o trabalho, e todos, trabalharmos em conjunto para que Portugal possa continuar a ser de facto, um exemplo relativamente \u00e0 liberdade religiosa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E este relat\u00f3rio \u00e9 apresentado em Lisboa, mas tamb\u00e9m em muitas cidades do mundo, o que me permite fazer uma pergunta mais global sobre a atividade da funda\u00e7\u00e3o, ajuda a Igreja que sofre. Que projetos \u00e9 que desenvolve e quais s\u00e3o os principais focos da sua a\u00e7\u00e3o pelo mundo? <\/em><\/p>\n<p>Reportando-nos ao ano de 2022, a nossa principal \u00e1rea de a\u00e7\u00e3o concreta, portanto de apoio direto \u00e0 Igreja que sofre, \u00e0 Igreja que \u00e9 necessitada ou \u00e0 Igreja que \u00e9 perseguida no mundo, foi no Continente africano e tamb\u00e9m na \u00c1sia. Foi nesses dois Continentes que estivemos mais focados na ajuda. \u00c9 claro que tamb\u00e9m tivemos na Europa a quest\u00e3o da Ucr\u00e2nia e, portanto, tivemos tamb\u00e9m um apoio muito direto \u00e1 Igreja da Ucr\u00e2nia, com projetos espec\u00edficos e apoio concreto.<\/p>\n<p>Tivemos semin\u00e1rios, conventos que foram transformados em centros de acolhimento de refugiados. Portanto, de repente passaram de uma comunidade de cerca de 100 jovens para 500 ou mil pessoas que necessitavam diariamente de apoio e, portanto, foi um apoio muito concreto, uma situa\u00e7\u00e3o muito concreta, mas se olharmos para a nossa \u00e1rea, de facto \u00c1frica, M\u00e9dio Oriente e \u00c1sia s\u00e3o as nossas principais preocupa\u00e7\u00f5es. N\u00f3s, o ano passado tivemos cerca de 5900 projetos de apoio no Mundo em 128 pa\u00edses, o que \u00e9 extraordin\u00e1rio, porque foi tamb\u00e9m um ano extraordin\u00e1rio para n\u00f3s, porque o apoio dos nossos benfeitores foi extraordin\u00e1rio e permitiu que a nossa ajuda chegasse a mais s\u00edtios e a mais comunidades e isto \u00e9 muito importante. Aproveito para agradecer tamb\u00e9m aos nossos benfeitores em Portugal porque \u00e9 com a ajuda de todas estas pessoas que conseguimos fazer tanto trabalho, em tantos pa\u00edses do Mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Houve projetos especiais para a Ucr\u00e2nia ap\u00f3s o in\u00edcio da guerra?<\/em><\/p>\n<p>Sim ouve este projeto principal de apoio \u00e0s comunidades, \u00e0s congrega\u00e7\u00f5es que estavam a acolher refugiados. Tamb\u00e9m ajudamos a adquirir uma furgoneta para poder tamb\u00e9m transportar para a linha da frente apoio de mantimentos, porque as pessoas n\u00e3o tinham \u00e1gua, comida. E esse apoio foi dado a v\u00e1rias par\u00f3quias e dioceses que fizeram esse trabalho extraordin\u00e1rio de conseguir furar as linhas e ir at\u00e9 \u00e0s popula\u00e7\u00f5es mais isoladas e continuar a apoi\u00e1-las. Foi um trabalho muito concreto, e esperamos agora poder continuar a apoiar. E gostamos muito de poder ajudar na reconstru\u00e7\u00e3o, porque h\u00e1 v\u00e1rios pedidos de ajuda para reconstruir muitos edif\u00edcios da Igreja que ficaram danificados. Mas s\u00f3 o poderemos fazer se a guerra terminar e se houver essa possibilidade de reconstruir, porque h\u00e1 uma vontade muito grande de voltar a ter os semin\u00e1rios com jovens, voltar a ter os conventos com as irm\u00e3s, mas \u00e9 preciso recuperar muito do que est\u00e1 destru\u00eddo neste momento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_286373\" aria-describedby=\"caption-attachment-286373\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/catarina_martins_AIS-8.jpeg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-286373\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/catarina_martins_AIS-8-390x260.jpeg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/catarina_martins_AIS-8-390x260.jpeg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/catarina_martins_AIS-8-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/catarina_martins_AIS-8-768x512.jpeg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/catarina_martins_AIS-8-391x260.jpeg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/catarina_martins_AIS-8-1536x1024.jpeg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/catarina_martins_AIS-8.jpeg 1796w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-286373\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/OC<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Em Portugal, como tem sido a a\u00e7\u00e3o do secretariado nacional da Funda\u00e7\u00e3o AIS? A crise pelo que j\u00e1 podemos perceber n\u00e3o teve grande impacto nos apoios recolhidos?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o. N\u00e3o teve e tem sido extraordin\u00e1rio o apoio em Portugal. Recolhemos o maior n\u00famero de donativos de sempre em Portugal. Ultrapassamos a barreira dos quatro milh\u00f5es o que \u00e9 uma coisa extraordin\u00e1ria para o nosso pa\u00eds, porque n\u00e3o nos podemos esquecer que somos um pa\u00eds com dificuldades econ\u00f3micas, onde os nossos sal\u00e1rios e pens\u00f5es s\u00e3o baixos. E \u00e9 extraordin\u00e1rio ver como h\u00e1 tantas pessoas que retiram do pouco que t\u00eam, e retiram um bocadinho para dar a algu\u00e9m que est\u00e1 a passar pior.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 comum praticamente a todos os telefonemas, cartas que vamos recebendo, e e-mail. S\u00e3o pessoas que dizem que t\u00eam pouco e que recebem muito pouco, e quase sempre nos dizem o que \u00e9 que recebem de reforma, mas tamb\u00e9m dizem que n\u00e3o podem deixar de ajudar algu\u00e9m que est\u00e1 a viver uma situa\u00e7\u00e3o bem mais dif\u00edcil&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas isso \u00e9 tamb\u00e9m um sinal de confian\u00e7a muito grande na Funda\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida. \u00c9 um sinal de confian\u00e7a muito grande porque est\u00e3o a depositar o pouco que t\u00eam nas nossas m\u00e3os para n\u00f3s entregarmos a quem tem menos do que n\u00f3s. E isso \u00e9 uma responsabilidade muito grande. E temos conseguido corresponder a estas necessidades da Igreja e temos continuado a ajudar e queremos continuar a ajudar e tem sido o facto extraordin\u00e1rio ver esta solidariedade, esta empatia que os portugueses t\u00eam de facto, quando n\u00f3s falamos dos problemas da Igreja no mundo, as pessoas contactam-nos e ficam de tocadas, ficam sensibilizadas e n\u00e3o querem deixar de ajudar. E por isso foi de facto um ano extraordin\u00e1rio em Portugal, com o apoio de milhares de portugueses que nos t\u00eam ajudado consecutivamente e que nos t\u00eam de facto ajudado a fazer este trabalho, que depois \u00e9 espelhado nestes relat\u00f3rios que vamos produzindo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Funda\u00e7\u00e3o Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre acaba de apresentar o Relat\u00f3rio sobre a Liberdade Religiosa no Mundo. Um documento, publicado a cada dois anos, que regista as viola\u00e7\u00f5es ao n\u00edvel dos direitos humanos, nomeadamente o direito fundamental da liberdade religiosa, numa an\u00e1lise a 196 pa\u00edses. Para falar sobre os principais desafios identificados, \u00e9 convidada [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":286374,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[189,215],"class_list":["post-286619","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-direitos-humanos","tag-fundacao-ais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/286619","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=286619"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/286619\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/286374"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=286619"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=286619"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=286619"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}