{"id":286507,"date":"2023-06-22T11:16:23","date_gmt":"2023-06-22T10:16:23","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=286507"},"modified":"2023-06-22T11:16:23","modified_gmt":"2023-06-22T10:16:23","slug":"o-lado-de-cristo-continua-a-estar-aberto-na-igreja-cheguemos-lhe-o-calice-nao-mais-a-lanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-lado-de-cristo-continua-a-estar-aberto-na-igreja-cheguemos-lhe-o-calice-nao-mais-a-lanca\/","title":{"rendered":"O lado de Cristo continua a estar aberto na Igreja. Cheguemos-lhe o \u201cc\u00e1lice\u201d, n\u00e3o mais a \u201clan\u00e7a\u201d"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Ant\u00f3nio Jorge dos Santos Almeida, diocese de Viseu<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/antonio-jorge-viseu.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-286510 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/antonio-jorge-viseu-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/antonio-jorge-viseu-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/antonio-jorge-viseu-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/antonio-jorge-viseu-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/antonio-jorge-viseu.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>O lado de Cristo, de onde nos prov\u00e9m a participa\u00e7\u00e3o no seu sacerd\u00f3cio, nunca deixou de estar aberto na Igreja para a salva\u00e7\u00e3o do mundo. Tamb\u00e9m neste tempo, o seu olhar sobre as multid\u00f5es continua a ench\u00ea-l\u2019O de compaix\u00e3o por causa do cansa\u00e7o e o abatimento causado pelas vicissitudes atuais. Sobre as asas do Esp\u00edrito Santo continua a transportar-nos para nos levar at\u00e9 Ele, para ouvirmos a sua voz e nos convidar a guardar a nova alian\u00e7a, n\u00e3o s\u00f3 pela perseveran\u00e7a, mas tamb\u00e9m pela fidelidade criativa.<\/p>\n<p>Vivemos tempos em que a contempla\u00e7\u00e3o do sacerd\u00f3cio, melhor dizendo, da participa\u00e7\u00e3o no \u00fanico Sacerd\u00f3cio de Jesus Cristo, faz ecoar uma disparidade de reflex\u00f5es: umas como rea\u00e7\u00f5es \u00e0s fragilidades dos que participam (tanto de cl\u00e9rigos, como de batizados) e outras como tentativas de resposta ousada a lacunas abertas por novos \u201cferimentos de lan\u00e7a\u201d neste \u201clado\u201d do Corpo de Cristo que \u00e9 a Igreja, por falta de respostas de vocacionados, que se deixem livremente formar para ser enviados em miss\u00e3o diante da realidade atual.<\/p>\n<p>A realidade da presen\u00e7a e da a\u00e7\u00e3o da Igreja no mundo, vista com o m\u00e1ximo de objetividade e seriedade poss\u00edvel, faz-nos contemplar tanto luzes como sombras. Entre estas, sobretudo no Ocidente, est\u00e1 um certo pessimismo gerado pela falta de voca\u00e7\u00f5es de consagra\u00e7\u00e3o especial, de uma pastoral vocacional fortemente apoiada num n\u00famero que satisfa\u00e7a meramente a manuten\u00e7\u00e3o pastoral, a fragmenta\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es eclesiais (comunidades, fam\u00edlias, movimentos, associa\u00e7\u00f5es e obras), o enfraquecimento ou inexist\u00eancia de conselhos de representatividade (que ligam o \u201ccorpo\u201d \u00e0 \u201ccabe\u00e7a\u201d) e as deforma\u00e7\u00f5es \u201ctect\u00f3nicas\u201d na pastoral da Igreja que levaram a alguma confus\u00e3o sobre uma saud\u00e1vel e din\u00e2mica rela\u00e7\u00e3o entre o sacerd\u00f3cio batismal e o minist\u00e9rio apost\u00f3lico, e sobre o seu \u00fanico fundamento que \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o \u2500 necess\u00e1ria e fundamentalmente diferenciada \u2500 no sumo sacerd\u00f3cio de Jesus Cristo. A mesma dificuldade, por vezes, vive-se dentro dos pr\u00f3prios graus do Sacramento da Ordem, assim como no seio da diversidade de carismas que constituem os Institutos de vida consagrada e os Movimentos. Esta descri\u00e7\u00e3o da realidade, aproxima-nos do pessimismo que gerou o \u00edcone cinematogr\u00e1fico \u201cFrankenstein\u201d ou o \u201cprometeu moderno\u201d que \u00e9 produto de um romantismo exacerbado feito de proje\u00e7\u00f5es de desejos humanos (a quem lhe perguntar \u201cde onde vens?\u201d ele responder\u00e1 \u201cde muitas partes\u201d, sem a defini\u00e7\u00e3o de uma configura\u00e7\u00e3o unit\u00e1ria). Ora, n\u00e3o \u00e9 assim que somos chamados a contemplar o Corpo de Cristo que \u00e9 a Igreja, o novo Povo de Deus, no seu caminhar em miss\u00e3o pelo mundo.<\/p>\n<p>No entanto, na tentativa de objetivar melhor a realidade dos minist\u00e9rios na participa\u00e7\u00e3o do sacerd\u00f3cio de Cristo, h\u00e1 tamb\u00e9m muita luz, e n\u00e3o meramente sombras, ainda que aparentemente n\u00e3o equitativas, mas mais um fio de luz por onde continuar a tecer a hist\u00f3ria de um amor rec\u00edproco entre Deus e a humanidade, atrav\u00e9s de pessoas concretas que se aventurem a escutar e a responder, na fidelidade \u00e0 Tradi\u00e7\u00e3o viva da Igreja. Perscrutar esta luz no tempo presente, e com esperan\u00e7a no futuro, sem nos esquecermos do legado do passado, implica respondermos com seriedade \u00e0 (talvez \u00fanicas) perguntas ret\u00f3ricas \u201cde onde vimos todos?\u201d e \u201cpara onde estamos chamados a ir todos?\u201d, sabendo de antem\u00e3o que a resposta nos remete para Cristo Morto e Ressuscitado, com um Sacerd\u00f3cio que instaurou neste mundo, mas que n\u00e3o \u00e9 deste mundo.<\/p>\n<p>Permitam-me os leitores uma met\u00e1fora: na linguagem de navega\u00e7\u00e3o, quer a\u00e9rea, quer mar\u00edtima (porque n\u00e3o utilizar a mesma na peregrina\u00e7\u00e3o terrena?), os navegantes d\u00e3o-se conta, frequentemente, de ventos ou mar\u00e9s contr\u00e1rias que provocam a deriva para um rumo diferente do proposto. Ent\u00e3o, de forma a navegarem para o rumo certo, procuram direcionar a proa do avi\u00e3o ou da barca para um \u00e2ngulo com o qual possam corrigir a deriva, necessitando de navegar contracorrente. Quanto \u00e0 (co)exist\u00eancia e \u00e0 reciprocidade entre os minist\u00e9rios ordenados e os minist\u00e9rios institu\u00eddos, assim como da intera\u00e7\u00e3o com os diversos carismas na Igreja, n\u00e3o est\u00e1 a ser f\u00e1cil a \u201cnavega\u00e7\u00e3o\u201d no que toca \u00e0 rota da (nova) evangeliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 tempo de revermos e de falarmos todos a mesma linguagem? N\u00e3o ser\u00e1 tempo de enuclear pontos de confus\u00e3o a partir dos quais tendem a reinar poderes deste mundo que n\u00e3o t\u00eam que ver com o projeto de Deus transmitido por Cristo a partir da Igreja? N\u00e3o ser\u00e1 necess\u00e1rio discernir \u00e0 luz do Esp\u00edrito Santo o \u201c\u00e2ngulo\u201d que nos permita navegar contracorrente, para podermos chegar eclesialmente a bom porto, de modo que entre o dizer e o fazer n\u00e3o aumentemos o mar de permeio (a constata\u00e7\u00e3o rima no italiano: <em>tra il dire e il fare, c\u2019\u00e8 di mezzo il mare<\/em>; este prov\u00e9rbio refere-se a pessoas que t\u00eam tend\u00eancia a falar muito sem sentido ou a fazer promessas que n\u00e3o s\u00e3o cumpridas).<\/p>\n<p>A respeito deste tema, foi oportuna a realiza\u00e7\u00e3o do Simp\u00f3sio sob o tema \u201cPara uma Teologia Fundamental do Sacerd\u00f3cio\u201d, acontecida em Roma de 17 a 19 de fevereiro de 2022, cujas atas j\u00e1 est\u00e3o dispon\u00edveis em portugu\u00eas. Esta iniciativa, que n\u00e3o se quer ver terminada, implica virar a \u201cproa\u201d desta \u201cbarca\u201d que \u00e9 a Igreja em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 mar\u00e9 contr\u00e1ria que \u00e9 a pervers\u00e3o do clericalismo (patente em v\u00e1rios tipos de abusos e, sublinhe-se, n\u00e3o s\u00f3 de cl\u00e9rigos!), para ali proclamar o Evangelho da comunh\u00e3o no servi\u00e7o, ao estilo das comunidades primitivas fundadas pelos primeiros ap\u00f3stolos, por mandato do Esp\u00edrito de Cristo. Seria bom que temas como as proximidades elencadas pelo Papa Francisco (com Deus, com o bispo, entre presb\u00edteros, com o povo) e a investiga\u00e7\u00e3o de alguns te\u00f3logos sobre os fundamentos antropol\u00f3gicos, b\u00edblicos, patr\u00edsticos, teol\u00f3gicos da rela\u00e7\u00e3o entre o sacerd\u00f3cio batismal e o minist\u00e9rio apost\u00f3lico, chegassem \u00e0s escolas de forma\u00e7\u00e3o nos seus diversos n\u00edveis (a n\u00edvel acad\u00e9mico e n\u00e3o s\u00f3, da forma\u00e7\u00e3o inicial \u00e0 permanente dos presb\u00edteros e na forma\u00e7\u00e3o dos consagrados e dos leigos), para se chegar a um horizonte de equil\u00edbrio que d\u00ea credibilidade \u00e0 miss\u00e3o da Igreja.<\/p>\n<p>Ora, se os navegantes da realidade geof\u00edsica t\u00eam a ousadia de utilizar todo o conhecimento e instrumentos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para uma viagem segura, porque deveria ser menos nos caminhos da evangeliza\u00e7\u00e3o, come\u00e7ando por refletir sobre onde colocar a dire\u00e7\u00e3o do olhar, descobrindo po ronde participar da compaix\u00e3o do Bom Pastor, e vendo onde est\u00e3o os ventos contr\u00e1rios por onde \u00e9 preciso evangelizar? Antes de agir, Jesus, fiel ao Pai e \u201cpranto\u201d Seu diante das dificuldades e necessidades da humanidade, olhou primeiro para as multid\u00f5es que viu \u201ccomo ovelhas sem pastor\u201d, sem l\u00edderes, \u00e0 deriva. Come\u00e7ou por envolver os seus disc\u00edpulos na ora\u00e7\u00e3o \u2500 que \u00e9 central da obra da evangeliza\u00e7\u00e3o \u2500 e teve a ousadia de chamar alguns, formando-os e enviando-os com instru\u00e7\u00f5es precisas.<\/p>\n<p>Aberto \u00e9 o \u00e2ngulo de corre\u00e7\u00e3o da deriva dos navegadores; aberto \u00e9 para sempre o cora\u00e7\u00e3o do nosso Bom Pastor; aberto \u00e9 o \u00e2ngulo que o Esp\u00edrito de Cristo tem vindo a inspirar \u00e0s comunidades da Igreja atrav\u00e9s do Sumo Pont\u00edfice (o \u201cservo dos servos de Deus\u201d) e da colegialidade dos nossos Bispos, para que n\u00e3o percamos, no hoje da hist\u00f3ria, o rumo tra\u00e7ado no projeto de Deus para a nossa humanidade. Nesta abertura de \u00e2ngulo, constam instrumentos diversos para a \u201cnavega\u00e7\u00e3o\u201d como, s\u00f3 para elencar algumas, a n\u00edvel global, a XVI Assembleia Geral do S\u00ednodo \u201cPor uma Igreja Sinodal: Comunh\u00e3o, Participa\u00e7\u00e3o, Miss\u00e3o\u201d, a realiza\u00e7\u00e3o da Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023 e, a n\u00edvel local, as tentativas documentadas e experimentadas de renova\u00e7\u00e3o da Catequese, a cont\u00ednua renova\u00e7\u00e3o da Liturgia, as in\u00fameras respostas da Igreja no \u00e2mbito social, sem nos esquecermos da riqueza dos carismas patentes na vida e iniciativas dos Institutos de vida consagrada e das Sociedades de vida apost\u00f3lica.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, apesar destas bem-vindas \u201caberturas de \u00e2ngulo\u201d para um rumo certo de Igreja, o \u201clado aberto\u201d de Cristo n\u00e3o deixa de transparecer neste seu Corpo m\u00edstico um \u201clatejar\u201d de feridas provocadas por divis\u00f5es e disparidades no que toca a realidades comuns e centrais do ser e da miss\u00e3o da Igreja, onde subjetividades pessoais se interp\u00f5em \u00e0 unanimidade fecunda que, n\u00e3o sendo poss\u00edvel, na melhor das hip\u00f3teses, poderia ser uma intersubjetividade sonhadora. O culto que mais agrada a Deus, que \u00e9 cuidar das pessoas com aquele amor que nos vem do lado aberto de Jesus \u00e9 um desafio poss\u00edvel sempre que unirmos a Vida celebrada (na Liturgia) \u00e0 Liturgia vivida (no quotidiano).<\/p>\n<p>A messe \u00e9 grande e ningu\u00e9m pode dizer que a pode mondar sozinho (porquanto Jesus Cristo tamb\u00e9m n\u00e3o o fez na terra e, ascendendo ao C\u00e9u, n\u00e3o tardou a solicitar a colabora\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, por Quem agem Ele e o Pai). Particularmente nas nossas dioceses portuguesas, considero de inspira\u00e7\u00e3o divina a coragem dos nossos bispos e superiores dos institutos de vida consagrada e sociedades de vida apost\u00f3lica, por um lado, em assumirem a realidade dos ventos maus (ou abusos) que nos fizeram\/fazem andar \u00e0 deriva e, por outro, pela \u201cabertura de \u00e2ngulo\u201d \u2500 de vis\u00e3o e de a\u00e7\u00e3o \u2500 em abra\u00e7ar a possibilidade de novos \u201cminist\u00e9rios laicais para uma Igreja ministerial\u201d, de forma a que n\u00e3o se vejam meramente como experi\u00eancias minorit\u00e1rias a caminho do sacerd\u00f3cio ministerial, mas caminho proped\u00eautico para novas voca\u00e7\u00f5es e estilos de vida consagrada. Passe outra met\u00e1fora: acerca do corpo humano, sabe-se, por exemplo, que do ritmo gerado pelo \u201cminist\u00e9rio\u201d das pernas depende o bombeamento do sangue para a cabe\u00e7a; poder\u00e1 acontecer algo de semelhante com o corpo eclesial no que toca \u00e0 reciprocidade entre voca\u00e7\u00f5es e minist\u00e9rios!<\/p>\n<p>Um eventual apego a uma tradi\u00e7\u00e3o morta \u2500 que tende a pegar mais na \u201clan\u00e7a\u201d que fere o lado deste Corpo m\u00edstico de Cristo do que no \u201cc\u00e1lice\u201d que recolhe a vida nova que jorra d\u2019Ele, sem desperdi\u00e7ar nada \u2500 pode levar-nos a considerar a comunh\u00e3o na diversidade de minist\u00e9rios e carismas como uma amea\u00e7a \u00e0 (porventura menos numerosa) presen\u00e7a do minist\u00e9rio sacerdotal. Uma eventual consequ\u00eancia deste modo de pensar poder\u00e1 ser o enfraquecimento da fecundidade que \u00e9 pr\u00f3pria da fidelidade criativa, que vai mais al\u00e9m que a mera (e muitas vezes dif\u00edcil) perseveran\u00e7a vocacional.<\/p>\n<p>Partilho algumas convic\u00e7\u00f5es que, desde o meu ver e refletir humilde, parecem contradizer o medo aterrador em usar todos os instrumentos de navega\u00e7\u00e3o que o Esp\u00edrito parece dispor \u00e0 Igreja na rota atual para o Reino de Deus:<\/p>\n<p>1) A primeira \u00e9 a de que <em>o lado sempre aberto de Cristo<\/em> parece-me ser <em>a pr\u00f3pria Igreja<\/em> aberta <em>ao<\/em> e <em>para<\/em> o mundo, muitas vezes incompreendida e desde onde muitas pessoas entregam as suas vidas de forma escondida e adulta, no servi\u00e7o alegre e gratuito aos outros, n\u00e3o obstante a falta de reconhecimento devido ou de apoio institucional necess\u00e1rio. Se o lado aberto de Cristo, Bom Pastor, \u00e9 fonte de vida, s\u00f3 faz sentido por uma Igreja ministerial \u00abem sa\u00edda\u00bb (e n\u00e3o fechada sobre si mesma).<\/p>\n<p>2) A segunda \u00e9 a de que se colocarmos mais ardor no cuidado das pessoas do que na autodefesa das nossas institui\u00e7\u00f5es, a nossa miss\u00e3o n\u00e3o tender\u00e1 a entrar em crise, nem de falir, porque concentrada na sua renova\u00e7\u00e3o para atingir o fim para que foram criadas.<\/p>\n<p>3) A palavra \u201cminist\u00e9rio\u201d pode levar-nos sempre a correr o risco de perdermos a sua significa\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica de servi\u00e7o, porquanto a humildade evang\u00e9lica desta significa\u00e7\u00e3o ajuda a impedir a deriva de certos protagonismos que fogem do ardor e fidelidade iniciais, como \u00e9 o caso da tendenciosa considera\u00e7\u00e3o dos minist\u00e9rios (nomeados, institu\u00eddos ou ordenados) como estando na ordem dos fins em vez de estar na ordem dos meios, ao servi\u00e7o do comum caminho batismal pelo qual se \u00e9 chamado a ser salvo.<\/p>\n<p>4) Por \u00faltimo, parece-me que quando, dentro das fam\u00edlias, das comunidades, dos arciprestados, das dioceses, do pa\u00eds, se multiplicar o di\u00e1logo sobre os carismas, assim como a forma\u00e7\u00e3o e a viv\u00eancia dos minist\u00e9rios \u2500 sejam os \u201cenraizados no Sacramento da Ordem\u201d, seja os \u201cenraizados nos Sacramentos da Inicia\u00e7\u00e3o e no Matrim\u00f3nio\u201d (como se refere no documento da CEP a este respeito) \u2500, mais se suscitar\u00e1 o interesse por todos os minist\u00e9rios que, apesar de distintos e entendidos como servi\u00e7o, n\u00e3o se esgotam uns aos outros, uma vez que a evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 responsabilidade de todos os batizados. O cardeal Oscar Maradiaga dizia algo sobre o desenvolvimento social que convido a aplicar \u00e0 dimens\u00e3o eclesial no que toca \u00e0 rela\u00e7\u00e3o entre os minist\u00e9rios\/voca\u00e7\u00f5es e a nova evangeliza\u00e7\u00e3o: <em>sem \u00e9tica n\u00e3o haver\u00e1 desenvolvimento para ningu\u00e9m<\/em>. Parafraseando-o, a este respeito: <em>sem boa forma\u00e7\u00e3o para todos, n\u00e3o haver\u00e1 desenvolvimento para ningu\u00e9m<\/em> e <em>nenhum membro pode dizer \u201cn\u00e3o preciso de ti\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>Mais do que esperarmos que venham de outro planeta as pessoas id\u00f3neas a formar para nomear, instituir ou ordenar, h\u00e1 que olhar para as pessoas de boa vontade que est\u00e3o \u00e0 nossa frente (nos espa\u00e7os lit\u00fargicos, nos cart\u00f3rios, nos centros pastorais e nos processos catequ\u00e9ticos, na JMJ, etc.), e dos que se cruzam todos os dias connosco como matrim\u00f3nios ou consagrados, procurando conhecer as suas vidas com mais profundidade e acompanhando-as no discernimento dos carismas, voca\u00e7\u00f5es e minist\u00e9rios. N\u00e3o \u00e9 o chamamento que favorece o clericalismo, mas a falta de forma\u00e7\u00e3o que se lhe deve seguir. E quem j\u00e1 vive de forma madura a sua resposta ao chamamento confirma a verdade da sua voca\u00e7\u00e3o como chamadouro. Se nos aventurarmos sem medo a formar servidores que \u2500 desde os processos catequ\u00e9ticos e de discernimento vocacional \u2500 poder\u00e3o vir a traduzir-se em respostas vocacionais est\u00e1veis, talvez a Igreja n\u00e3o se derive na, por vezes, aparente amalgama \u201cfrankensteiniana\u201d que pouco tem que ver com a realidade (n\u00e3o s\u00f3 m\u00edstica mas tamb\u00e9m asc\u00e9tica) do Corpo eclesial de que Cristo \u00e9 a Cabe\u00e7a, que est\u00e1 e nos guia a partir de onde a todos nos (ch)ama. Levantemo-nos e partamos, como Maria, apontados unanimemente e alegres para onde nos indicar o Mensageiro!<\/p>\n<p>Padre Ant\u00f3nio Jorge dos Santos Almeida<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Ant\u00f3nio Jorge dos Santos Almeida, diocese de Viseu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":286510,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-286507","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/286507","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=286507"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/286507\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/286510"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=286507"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=286507"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=286507"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}