{"id":28639,"date":"2007-12-08T12:08:33","date_gmt":"2007-12-08T12:08:33","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/12\/08\/plenitude-de-graca-perfeicao-da-fe\/"},"modified":"2007-12-08T12:08:33","modified_gmt":"2007-12-08T12:08:33","slug":"plenitude-de-graca-perfeicao-da-fe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/plenitude-de-graca-perfeicao-da-fe\/","title":{"rendered":"\u00abPlenitude de gra\u00e7a, perfei\u00e7\u00e3o da f\u00e9\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Homilia proferida na Solenidade da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, <!--more--> 1. Na Solenidade da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o de Maria, celebramos o mist\u00e9rio da salva\u00e7\u00e3o, tocamos na verdade profunda do des\u00edgnio amoroso de Deus acerca do homem, que criou \u00e0 Sua Imagem e continua a recriar pela gra\u00e7a da salva\u00e7\u00e3o. Maria, a cheia de gra\u00e7a, \u00e9 a perfei\u00e7\u00e3o da criatura desejada por Deus, e que \u00e9 obra de Deus. Gra\u00e7a \u00e9 dom e poder criador. \u00c0 gra\u00e7a da cria\u00e7\u00e3o, toldada pela desobedi\u00eancia do homem, segue-se a gra\u00e7a da reden\u00e7\u00e3o, que restitui \u00e0 criatura a beleza desejada por Deus, tornando-a capaz de louvor e de intimidade amorosa com a Sant\u00edssima Trindade. A reden\u00e7\u00e3o \u00e9 gra\u00e7a, pois significou, por parte de Deus que quer salvar o seu des\u00edgnio, uma interven\u00e7\u00e3o radical: a encarna\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Verbo eterno de Deus \u201cpor Quem todas as coisas tinham sido criadas\u201d (cf. Col. 1,16). E que esse seu des\u00edgnio se mant\u00e9m inalterado, porque tornado poss\u00edvel em Cristo, \u00e9 claro para o Ap\u00f3stolo Paulo: \u201cN\u2019Ele nos escolheu, antes da cria\u00e7\u00e3o do mundo, para sermos santos e irrepreens\u00edveis, em caridade, na sua presen\u00e7a\u201d (Ef. 1,4). Gra\u00e7a \u00e9 dom e ac\u00e7\u00e3o de Deus, que sup\u00f5e luta contra o mal e triunfo de Deus sobre o dem\u00f3nio, que surge com o \u201canti-des\u00edgnio\u201d acerca da cria\u00e7\u00e3o. Na Cheia de Gra\u00e7a, beneficiamos desta vit\u00f3ria de Deus sobre o dem\u00f3nio, vit\u00f3ria que, em Jesus Cristo, ser\u00e1 poss\u00edvel em todas as batalhas travadas pelos homens contra o mal e contra o pecado.  2. O texto do G\u00e9nesis revela-nos que a desobedi\u00eancia do primeiro par humano, Ad\u00e3o e Eva, constituiu o primeiro desgosto de Deus acerca do homem que criara \u00e0 Sua imagem: \u201conde est\u00e1s? Terias tu comido dessa \u00e1rvore da qual te proibira de comer?\u201d (Gen. 3,11). Esta tristeza de Deus ser\u00e1 completamente recompensada quando, atrav\u00e9s do Anjo, vai ao encontro de Maria: \u201cN\u00e3o temas, Maria, porque encontraste gra\u00e7a diante de Deus\u201d. A mesma plenitude de alegria manifestar\u00e1 Deus acerca de Jesus, a descend\u00eancia de Maria: \u201cEste \u00e9 o Meu Filho muito amado; n\u2019Ele me revejo\u201d. A gra\u00e7a existe quando Deus se sente amado e glorificado pela criatura. O drama do pecado atingiu a humanidade desde o in\u00edcio, feriu-a na sua estrutura mais \u00edntima e decisiva, o amor do homem e da mulher. O que pode ser a sua principal for\u00e7a tornou-se fraqueza. O inimigo atacou e feriu a humanidade no que de mais precioso e promissor ela tem: \u201cFoi a mulher que me deste por companheira\u201d. A fraqueza surgiu, n\u00e3o de um ou de outro, mas do \u00edntimo da sua rela\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o perceberam ser for\u00e7a que brotava da sua intimidade com Deus. O seu pecado consistiu em n\u00e3o ouvir o chamamento do Senhor. Maria, a cheia de gra\u00e7a \u00e9, desde o in\u00edcio, o an\u00fancio da derrota do dem\u00f3nio: \u201cestabelecerei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descend\u00eancia e a descend\u00eancia dela\u201d. Esta inimizade entre a mulher e o dem\u00f3nio ser\u00e1 definitivamente confirmada no alto da Cruz, quando a cheia de gra\u00e7a \u00e9 proclamada a fonte da gra\u00e7a, co-redentora e M\u00e3e da Igreja: \u201cE disse ao disc\u00edpulo: eis a tua M\u00e3e\u201d (Jo. 19,27).  3. Perante o pecado de Ad\u00e3o e Eva, Deus n\u00e3o condena, chama Ad\u00e3o \u00e0 salva\u00e7\u00e3o. Diz o texto do G\u00e9nesis: \u201cDepois de Ad\u00e3o ter comido da \u00e1rvore, o Senhor Deus chamou-o\u201d (Gen. 3,9). Este chamamento a Ad\u00e3o \u00e9 definitivamente renovado por Jesus Cristo quando, partilhando a sorte de Ad\u00e3o, desceu \u00e0 morada dos mortos. Lemos num texto do s\u00e9c. IV: \u201cDeus morreu segundo a carne e acordou a regi\u00e3o dos mortos. Vai \u00e0 procura de Ad\u00e3o, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Quer visitar os que jazem nas trevas e nas sombras da morte. Vai libertar Ad\u00e3o do cativeiro da morte, Ele que \u00e9 ao mesmo tempo seu Deus e seu filho\u201d (cf. Liturgia das Horas de S\u00e1bado Santo). Chamar os que jazem nas trevas da inimizade com Deus, \u00e9 o que Deus far\u00e1 continuamente desde aquele primeiro chamamento a Ad\u00e3o; chamou atrav\u00e9s dos Profetas, atrav\u00e9s do Seu Filho feito Homem, atrav\u00e9s da Igreja, para que os homens se abram ao seu des\u00edgnio: \u201csermos santos e irrepreens\u00edveis, em caridade na Sua presen\u00e7a\u201d (Efes. 1,4). A resposta a estes chamamentos \u00e9 a f\u00e9, enquanto escuta e ades\u00e3o \u00e0 Palavra do Senhor. A f\u00e9 \u00e9 a atitude decisiva da salva\u00e7\u00e3o; \u00e9 ades\u00e3o ao Senhor e ao Seu chamamento, s\u00f3 porque Ele falou e nos chamou. A f\u00e9 \u00e9 a primeira manifesta\u00e7\u00e3o da caridade e da adora\u00e7\u00e3o, porque confiamos em Deus s\u00f3 porque Ele \u00e9 Deus. Amar a Deus sobre todas as coisas \u00e9 um acto de f\u00e9. A obedi\u00eancia da f\u00e9 \u00e9 j\u00e1 em n\u00f3s o triunfo da gra\u00e7a sobre o pecado. A perfei\u00e7\u00e3o da resposta de f\u00e9 aproxima-nos da perfei\u00e7\u00e3o da gra\u00e7a, que \u00e9 a santidade. Deus chamou Maria e revelou-lhe o Seu des\u00edgnio. O que Deus lhe prop\u00f5e, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma raz\u00e3o humana que o possa explicar, nem nenhum dinamismo da natureza que o possa realizar. Ela s\u00f3 pode aceitar esse chamamento, porque se abandona \u00e0 Palavra de Deus que o anuncia, e acredita que a for\u00e7a de Deus o pode realizar. Em Maria, a plenitude da gra\u00e7a manifesta-se na radicalidade da f\u00e9. \u00c9 isso que Isabel elogia nela: tu \u00e9s bem-aventurada porque acreditaste que se realizar\u00e1 o que te foi dito pelo Senhor (cf. Lc. 1,45). Acreditar que a Palavra do Senhor se cumprir\u00e1. A f\u00e9 \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o do homem na obra de Deus. A gra\u00e7a \u00e9 dom e ac\u00e7\u00e3o. Quando Jesus faz milagres, diz ao miraculado: foi a tua f\u00e9 que te salvou. A f\u00e9 \u00e9 a indispens\u00e1vel participa\u00e7\u00e3o do homem na obra da santifica\u00e7\u00e3o que Deus realiza. S\u00e3o Paulo resumir\u00e1 este dinamismo da salva\u00e7\u00e3o como colabora\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel de Deus e do homem, ao afirmar que a salva\u00e7\u00e3o vem pela f\u00e9, acontece no interior do dinamismo da f\u00e9: \u201cO Evangelho \u00e9 uma for\u00e7a de Deus para a salva\u00e7\u00e3o de todo o crente. Porque nele a justi\u00e7a de Deus revela-se da f\u00e9 \u00e0 f\u00e9, como est\u00e1 escrito: o justo viver\u00e1 da f\u00e9\u201d (Rom. 1,16-17). A cheia de gra\u00e7a \u00e9, para n\u00f3s, modelo da perfei\u00e7\u00e3o da f\u00e9.  4. Esta festa da plenitude da gra\u00e7a, em Maria, convida-nos a aprofundar a dimens\u00e3o sobrenatural da vida crist\u00e3. A plenitude de vida e de tudo na vida, que nos torne capazes e dignos de louvar e contemplar a Deus, \u00e9 obra de Deus em n\u00f3s, \u00e9 dom e ac\u00e7\u00e3o criadora. A cultura ambiente que se respira, comunica-nos um entusiasmo pela natureza, como se o homem fosse capaz da perfei\u00e7\u00e3o apenas desenvolvendo as capacidades da sua natureza. N\u00e3o h\u00e1 perfei\u00e7\u00e3o humana sem a ac\u00e7\u00e3o criadora de Deus em n\u00f3s, tornada poss\u00edvel pela firmeza da nossa f\u00e9. Essa \u00e9 a raz\u00e3o de ser da nossa caminhada em Igreja. O que esta tem para nos dar s\u00e3o os meios da gra\u00e7a, concretiza\u00e7\u00f5es eficazes da interven\u00e7\u00e3o criadora de Deus na nossa vida e que n\u00f3s, com f\u00e9, movidos pela Palavra do Senhor, podemos desejar e devemos procurar. Cheia de gra\u00e7a, Maria \u00e9 mediadora da gra\u00e7a; ajuda-nos e encaminha-nos nessa busca do dom e da for\u00e7a de Deus, para que um dia se possa dizer de n\u00f3s o que Isabel disse dela: seremos bem-aventurados porque acredit\u00e1mos que se realizaria em n\u00f3s o que o Senhor nos prometeu pela Sua Palavra, ao chamar-nos \u00e0 f\u00e9 e \u00e0 salva\u00e7\u00e3o.   \u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia proferida na Solenidade da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[231,246],"class_list":["post-28639","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-imaculada-conceicao","tag-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28639","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28639"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28639\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28639"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28639"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28639"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}