{"id":286257,"date":"2023-06-23T10:00:12","date_gmt":"2023-06-23T09:00:12","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=286257"},"modified":"2023-06-22T16:23:32","modified_gmt":"2023-06-22T15:23:32","slug":"a-igreja-sinodal-que-d-nuno-almeida-quer-construir-em-braganca-miranda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-igreja-sinodal-que-d-nuno-almeida-quer-construir-em-braganca-miranda\/","title":{"rendered":"A Igreja sinodal que D. Nuno Almeida quer construir em Bragan\u00e7a-Miranda"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p><em>D. Nuno Almeida \u00e9 o novo bispo de Bragan\u00e7a-Miranda, diocese que se encontrava em sede vacante desde dezembro de 2021. O novo respons\u00e1vel leva para a sua nova diocese sete anos e meio de experi\u00eancia pastoral na arquidiocese de Braga constru\u00edda com a proximidade das pessoas e a descoberta de comunidades que lhe confirmam a realidade \u00abmuito fecunda, bela e desafiante\u00bb da Igreja viva.<\/em><br \/>\n<em>O bispo de Bragan\u00e7a-Miranda deseja construir comunidade sinodais, escutando e aproximando-se de \u00abtodos os homens e mulheres de boa vontade\u00bb, apostando na valoriza\u00e7\u00e3o dos leigos e na aten\u00e7\u00e3o formativa a jovens e fam\u00edlias que procuram o sentido da vida e ao qual a Igreja tem de saber responder.<\/em><br \/>\n<em>D. Nuno Almeida leva para a sua diocese a m\u00e1xima que exprimiu tamb\u00e9m em Braga: \u00abN\u00e3o pode haver v\u00edtimas, agressores e silenciadores\u00bb nos abusos sexuais de menores na Igreja e o caminho passa por assumir que esta n\u00e3o \u00e9 uma \u00abquest\u00e3o perif\u00e9rica\u00bb na pastoral e que a Igreja tem responsabilidade na repara\u00e7\u00e3o de v\u00edtimas e agressores<\/em><\/p>\n<p><em>Entrevista conduzida por L\u00edgia Silveira<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/nuno-almeida5.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-286629 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/nuno-almeida5.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/nuno-almeida5.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/nuno-almeida5-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/nuno-almeida5-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/nuno-almeida5-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/nuno-almeida5-391x260.jpg 391w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Ag\u00eancia Ecclesia (AE) &#8211; Na mensagem \u00e0 Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda, D. Nuno Almeida apela a \u00abum renovado empenho por comunidades mais fraternas e unidas, mais correspons\u00e1veis e org\u00e2nicas\u00bb. Como concretizar esse objetivo diante da desertifica\u00e7\u00e3o crescente do territ\u00f3rio? <\/em><\/p>\n<p>D. Nuno Almeida (DNA) \u2013 N\u00e3o sou capaz ainda de tra\u00e7ar um mapa, nem geogr\u00e1fico nem humano, da diocese de Bragan\u00e7a-Miranda mas, conhecendo a realidade, implica conciliar a vastid\u00e3o de uma grande diocese com a proximidade, porque ser bispo implica caminhar, o m\u00e1ximo poss\u00edvel, com as pessoas, fam\u00edlias e as comunidades.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Ser\u00e1 um bispo de Bragan\u00e7a-Miranda que n\u00e3o vai ter medo das estradas e das curvas da diocese?<\/em><\/p>\n<p>DNA &#8211; Julgo que n\u00e3o. At\u00e9 porque j\u00e1 me apercebi que tem boas estradas e boas autoestradas. J\u00e1 fui andando por ali, em v\u00e1rias circunst\u00e2ncias. Sobretudo este desejo de rapidamente, a diocese de Bragan\u00e7a-Miranda deixar de ser simplesmente uma via de comunica\u00e7\u00e3o ou edif\u00edcios que est\u00e3o constru\u00eddos para passar a ser feita de rostos, de pessoas, de cora\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de projetos e sonhos. No fundo, este caminho sinodal que implica estarmos juntos, ouvirmo-nos, partilharmos as preocupa\u00e7\u00f5es e desejos, mas abrirmos o cora\u00e7\u00e3o ao Espirito Santo, ao que ele nos tem a dizer nesta hora para esta Igreja concreta, no mundo em que vivemos, com tantas incertezas.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; A proximidade era j\u00e1 uma das suas marcas na diocese de Braga, enquanto bispo auxiliar. Mas a geografia \u00e9 outra, as aldeias s\u00e3o mais dispersas. Como manter esta atitude de proximidade, enfrentando o que \u00e9 a geografia pr\u00f3pria de Bragan\u00e7a-Miranda?<\/em><\/p>\n<p>DNA &#8211; A miss\u00e3o como bispo auxiliar \u2013 aconteceu comigo, tal com outros bispos \u2013 tem sido sobretudo a visita pastoral que \u00e9 uma experi\u00eancia de proximidade, de contato com as realidades vivas das par\u00f3quias, das freguesias e concelhos. Foram sete anos de peregrina\u00e7\u00e3o e para mim foram tamb\u00e9m de contempla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Eu cheguei a Braga quando o tema pastoral era \u00abF\u00e9 contemplada\u00bb e logo no primeiro ano &#8211; partilhava isso com D. Jorge Ortiga e tamb\u00e9m com D. Francisco Senra Coelho e, com algum bom humor, eles consideravam o meu encanto. A experi\u00eancia que eu fazia nas par\u00f3quias era de contemplar o que Deus faz, n\u00e3o magicamente, mas atrav\u00e9s dos p\u00e1rocos, das pessoas, sobretudo quando as pessoas se congregam em comunh\u00e3o para viver a f\u00e9 e testemunhar a alegria do Evangelho.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; \u00c9 a experi\u00eancia de uma Igreja viva junto de comunidades distantes dos Media e dos holofotes, mas onde se sente uma participa\u00e7\u00e3o viva?<\/em><\/p>\n<p>DNA &#8211; \u00c9 muito isso. \u00c9 quase uma esp\u00e9cie de terapia sair de casa e contactar, durante uma semana normalmente, com a vida concreta das pessoas e das fam\u00edlias na realidade. E a realidade \u00e9 muito fecunda, muito bela e desafiante e, para n\u00f3s, \u00e9 um testemunho que nos desafia a servir com mais alegria e prontid\u00e3o.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 O monsenhor Adelino Pais, administrador diocesano, saudando a sua nomea\u00e7\u00e3o para a diocese, falou na necessidade de uma renova\u00e7\u00e3o pastoral. Como se prepara esta renova\u00e7\u00e3o? O que pressente que o espera a partir deste dia?<\/em><\/p>\n<p>DNA &#8211; Eu recebi uma pergunta do Senhor N\u00fancio (D. Ivo Scapolo), num domingo \u00e0 tarde, precisamente num domingo, que tinha sido dedicado \u00e0 conclus\u00e3o de visitas pastorais, e n\u00e3o esperava o telefonema. O meu primeiro pensamento foi contactar com D. Jos\u00e9 Cordeiro, com quem vivo, tamb\u00e9m com o D. Delfim que veio de Bragan\u00e7a.<\/p>\n<p>Eu tenho procurado aproveitar este m\u00eas em que estamos juntos para fazer comunh\u00e3o das preocupa\u00e7\u00f5es e compreender o percurso que a diocese fez.<\/p>\n<p>Procurei as publica\u00e7\u00f5es que o Sr. D. Jos\u00e9 Cordeiro fez, tamb\u00e9m as que a diocese fez, para conhecer a hist\u00f3ria de Bragan\u00e7a-Miranda e muito particular, algo que D. Jos\u00e9 Cordeiro, juntamente com os padres e os conselhos pastorais, realizaram corajosamente que foi uma passagem \u00e0s unidades pastorais.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; A reorganiza\u00e7\u00e3o pastoral, em julho de 2018. <\/em><\/p>\n<p>DNA &#8211; Olhar com realismo a pr\u00f3pria demografia. Felizmente, em boa hora, tudo foi publicado num volume, e eu j\u00e1 li e reli, e sublinhei.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; \u00c9 um ponto de partida para o seu trabalho?<\/em><\/p>\n<p>DNA &#8211; \u00c9 um ponto de partida que me parece essencial. Olhando, lendo e conversando com o D. Jos\u00e9 Cordeiro e D. Delfim, \u00e9 como ter um celeiro de gr\u00e3o precioso. Muito deste gr\u00e3o est\u00e1 a germinar e \u00e9 necess\u00e1rio continuar, e certamente avaliar o caminho feito. N\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o organizativa.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Que caminhos abre?<\/em><\/p>\n<p>DNA &#8211; Abre a possibilidade de as pessoas puderem manter viva a vida comunit\u00e1ria mesmo nas comunidades e par\u00f3quias que ficaram quase desertas, pelas circunst\u00e2ncias e tend\u00eancia de as pessoas procurarem as vilas e cidades e as aldeias ficarem desertificadas.<\/p>\n<p>Mas nenhuma comunidade pode ficar esquecida, a santifica\u00e7\u00e3o do domingo quando n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel a Eucaristia h\u00e1 que encontrar outra forma, na forma\u00e7\u00e3o de pessoas para que possam assumir responsabilidades.<\/p>\n<p>Este desafio tem uma circunst\u00e2ncia que pode provocar perplexidade quando se mudam ritmos e h\u00e1bitos, mas \u00e9 uma oportunidade para uma Igreja mais fraterna, correspons\u00e1vel e mais mission\u00e1ria.<\/p>\n<p>As comunidades pequenas que vivem o Evangelho s\u00e3o um farol e testemunho vivo nos tempos que correm para outras pessoas.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; N\u00e3o \u00e9 uma medida que vem responder \u00e0 falta de sacerdotes para estar \u00e0 frente das par\u00f3quias, mas possibilita outras voca\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>DNA &#8211; Sem d\u00favida. Certamente que a falta de sacerdotes veio desencadear e relevar o que est\u00e1 na doutrina, at\u00e9 h\u00e1 50 anos, de uma Igreja comunh\u00e3o e sempre em sa\u00edda, em miss\u00e3o e samaritana, atenta aos gritos que chegam das pessoas e periferias. Esta circunst\u00e2ncia, claro dolorosa porque precisamos de rezar muito para que haja mais voca\u00e7\u00f5es \u00e0 vida sacerdotal, mission\u00e1ria e consagrada, fez com que o que esta vis\u00e3o pastoral tivesse de se concretizar. Hoje encontramos um ex\u00e9rcito de pessoas que voluntariamente, de uma forma generosa, se preparam \u2013 estou a pensar nos ministros extraordin\u00e1rios da comunh\u00e3o que orientam uma celebra\u00e7\u00e3o dominical, e em como este minist\u00e9rio liga diretamente \u00e0 caridade, porque s\u00e3o uma presen\u00e7a extraordin\u00e1ria junto de quem est\u00e1 doente, de quem n\u00e3o pode ir \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, e como este levar o Senhor liga as pessoas e as faz viver de forma serena quando mais precisam.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; O documento s\u00edntese da reflex\u00e3o sinodal feita em Portugal, apontava para a dispensa dos sacerdotes de algumas fun\u00e7\u00f5es mais burocr\u00e1ticas e vemos algumas dioceses a nomear leigos para cargos na C\u00faria, por exemplo. Prev\u00ea que isso poder\u00e1 acontecer em Bragan\u00e7a-Miranda?<\/em><\/p>\n<p>DNA &#8211; \u00c9 um caminho a continuar porque assim j\u00e1 acontece. H\u00e1 um jovem que assume fun\u00e7\u00f5es de chanceler e uma jovem que cuida do arquivo e da mem\u00f3ria da Igreja diocesana. Mas h\u00e1 espa\u00e7o. O Papa Francisco abriu-nos o caminho, d\u00e1-nos o exemplo, de procurarmos tudo o que \u00e9 poss\u00edvel. H\u00e1 que abrir essa porta para que os sacerdotes possam estar centrados na ess\u00eancia do seu minist\u00e9rio que no fundo passa por criar condi\u00e7\u00f5es para que as pessoas possam entrar em comunh\u00e3o profunda com Jesus e, nesta comunh\u00e3o, crescer na unidade entre as pessoas e no sentirmo-nos um povo de filhos amados, irm\u00e3os, e procuramos oferecer este testemunho \u00e0 nossa volta e ao nosso mundo.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Como acolhe as vozes que durante tanto tempo aguardavam a sua nomea\u00e7\u00e3o para esta diocese? Porqu\u00ea tanto tempo?<\/em><\/p>\n<p>DNA &#8211; Agrade\u00e7o esta pergunta porque me d\u00e1 a oportunidade de mais uma vez esclarecer. Como demorou algum tempo fui ouvindo, mesmo na rua, de forma espont\u00e2nea, pessoas que me interpelavam sobre a ideia de que eu teria recusado ir para Bragan\u00e7a. J\u00e1 publicamente o desmenti. \u00c9 normal que surjam especula\u00e7\u00f5es ou boatos, e eu tenho ocasi\u00e3o de dizer que n\u00e3o, n\u00e3o recusei. Tamb\u00e9m n\u00e3o me ofereci, n\u00e3o entreguei o meu curr\u00edculo ao Senhor N\u00fancio, tamb\u00e9m nunca me escondi, porque a vida de um bispo auxiliar \u00e9 permanentemente em contacto com as pessoas.<\/p>\n<p>Aceitei com alegria, confian\u00e7a. Coloquei-me diante de Jesus e acolhi este chamamento como um chamamento que chega atrav\u00e9s do N\u00fancio, da Igreja, do Papa Francisco, mas que vem do pr\u00f3prio Jesus, na sequ\u00eancia da minha ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal, da ordena\u00e7\u00e3o episcopal.<\/p>\n<p>Quando veio o convite procurei pedir algum tempo para colocar o meu cora\u00e7\u00e3o diante do Senhor, aconselhar-me com quem tem mais experi\u00eancia e depois disse sim, com confian\u00e7a, consciente que tamb\u00e9m vivemos momentos com algumas dificuldades e desafios que implicam o tal trabalho sinodal, o discernimento pastoral em conjunto.<\/p>\n<p>N\u00e3o levo nenhum programa nem nenhum truque escondido. \u00c9 esta disponibilidade de servirmos a Igreja de Bragan\u00e7a-Miranda mas de forma sinodal.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Demorou o convite ou demorou a nomea\u00e7\u00e3o p\u00fablica?<\/em><\/p>\n<p>DNA &#8211; Demorou o processo. A sede vacante foi longa. N\u00e3o tenho raz\u00e3o, nem me compete a mim analisar.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Gostaria que esse processo, at\u00e9 na nomea\u00e7\u00e3o para outras dioceses, fosse mais curto?<\/em><\/p>\n<p>DNA &#8211; Sentimos isso, tendo em conta o momento que vivemos, n\u00e3o s\u00f3 com a dificuldade de recursos que \u00e9 necess\u00e1rio procurar, a forma\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria a fazer, o per\u00edodo especial que vivemos com a Jornada Mundial da Juventude (JMJ). Quanto menos longo o per\u00edodo de sede vacante for, que implica limita\u00e7\u00f5es, at\u00e9 o adiamento de algumas decis\u00f5es, isso sim, melhor.<\/p>\n<p>S\u00e3o decis\u00f5es que pedem serenidade, algum sigilo para que tudo seja feito de uma forma bela e de acordo com a Igreja.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Com a JMJ a marcar o ritmo e as muitas atividades da Igreja em Portugal, quase nos esquecemos que decorre um processo sinodal, com etapas em outubro de 2023 e 2024. De que forma se tem aproximado deste processo em curso na diocese de Bragan\u00e7a-Miranda?<\/em><\/p>\n<p>DNA &#8211; Ainda n\u00e3o consegui ler alguma documenta\u00e7\u00e3o que j\u00e1 existe fruto do percurso ali feito, falta-me aprofundar este cap\u00edtulo. Como mantive a agenda em Braga n\u00e3o foi poss\u00edvel fazer de outra maneira.<\/p>\n<p>O objetivo n\u00e3o \u00e9 produzir grandes momentos ou linhas pastorais. O Papa prop\u00f4s um laborat\u00f3rio, fazer a experi\u00eancia do que \u00e9, e uma descoberta muito bela, mesmo quando faz\u00edamos os encontros por teleconfer\u00eancia, era um momento de todos, dos pequenos grupos se pronunciarem, ter voz, ter tempo e ningu\u00e9m julgar, mesmo quando alguma coisa n\u00e3o estava t\u00e3o centrada nas respostas.<\/p>\n<p>Esta experi\u00eancia fez-nos perceber que h\u00e1 um caminho novo para a Igreja, que \u00e9 prefer\u00edvel irmos mais calmamente, mais devagar, at\u00e9 ter documentos e decis\u00f5es menos perfeitas mas que foram fruto deste di\u00e1logo, e sobretudo mais alargado.<\/p>\n<p>Tudo o que chegou a Roma nestas etapas vai ser devolvido, para que continue o caminho. Tenho muita esperan\u00e7a nesta nova etapa.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; O di\u00e1logo com os n\u00e3o crentes \u00e9 um tema que lhe \u00e9 pr\u00f3ximo, desde a licenciatura em Teologia, em 1996, com uma tese sobre o \u00abDi\u00e1logo com os n\u00e3o crentes\u00bb. Preocupa-o hoje este di\u00e1logo, levando para a diocese de Bragan\u00e7a-Miranda, e hoje sobretudo o di\u00e1logo com os indiferentes ou com os buscadores, como refere Tom\u00e1\u0161 Hal\u00edk?<\/em><\/p>\n<p>DNA &#8211; J\u00e1 foi h\u00e1 bastante tempo a tese e a vida foi continuando mas \u00e9 algo de fundamental. Vai ser preciso alguma disponibilidade e criatividade para encontrar espa\u00e7os de encontro, de partilha e de conhecimento.<\/p>\n<p>Tenho percebido uma sede de sentido para as experi\u00eancias de cada dia, mas tamb\u00e9m uma sede profunda sobre o sentido \u00faltimo da vida humana.<\/p>\n<p>Encontramos espa\u00e7o para o encontro e, a partir dai, para a participa\u00e7\u00e3o em projetos de pessoas com convic\u00e7\u00f5es n\u00e3o religiosas. Nos \u00faltimos anos, depois da parte acad\u00e9mica, tenho revistado e procurado aprofundar uma express\u00e3o muito presente no Concilio Vaticano II \u00abHomens de boa vontade\u00bb isso tem-me ajudado muit\u00edssimo. Estar atento por onde ando e aperceber-me que nos ambientes mais surpreendentes, aparecem e est\u00e3o l\u00e1.<\/p>\n<p>Visitei recentemente uma f\u00e1brica de componentes para avi\u00f5es e percebi a preocupa\u00e7\u00e3o de os lucros poderem ser distribu\u00eddos entre os trabalhadores e colaboradores.<\/p>\n<p>Julgo que h\u00e1 um caminho a fazer onde nos podemos encontrar, pessoas que acreditam e procuram ter o Evangelho no centro, mas h\u00e1 espa\u00e7o para caminhar com quem n\u00e3o tem esta gra\u00e7a ou n\u00e3o descobriu este dom, mas tem a preocupa\u00e7\u00e3o de encontrar o sentido profundo para a exist\u00eancia.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Este di\u00e1logo e a vontade de ir ao encontro com n\u00e3o crentes e buscadores, pode ter sido beliscado pela forma como a quest\u00e3o dos abusos sexuais na Igreja foi colocada na opini\u00e3o p\u00fablica? Pela forma como a sociedade n\u00e3o se reviu na forma como a Igreja foi traduzindo e comunicando esta quest\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>DNA &#8211; Quando falamos dos abusos, e sobretudo na Igreja, enfrentamos um drama, algo que nos faz tremer ainda, mas tamb\u00e9m houve coisas que n\u00e3o correram bem, mesmo no modo como se comunicou o que est\u00e1 de facto a ser feito.<\/p>\n<p>Julgo que a Igreja, nesse aspeto, procurou pedir ajuda a pessoas, independentemente das suas convic\u00e7\u00f5es ou liga\u00e7\u00e3o a uma comunidade crist\u00e3 ou \u00e0 Igreja. O caminho que se fez, n\u00e3o s\u00f3 com o Papa Francisco, de enfrentar este drama e realidade a partir de uma busca da verdade, sem medo da verdade &#8211; \u00e9 verdade que d\u00f3i muito, e d\u00f3i-nos muito, porque a Igreja \u00e9 a nossa fam\u00edlia, a liga\u00e7\u00e3o ao presbit\u00e9rio diocesano \u00e9 humana mas tamb\u00e9m divina, \u00e9 sacramental, \u00e9 profunda. Mas isto n\u00e3o nos deve levar a esconder ou a fazer de conta que n\u00e3o temos de enfrentar realidades dif\u00edceis.<\/p>\n<p>Claro que depois \u00e9 fundamental a justi\u00e7a. Darmos prioridade a quem porventura tenha sido v\u00edtima de um abuso. Est\u00e1 no centro.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Fala de justi\u00e7a civil, can\u00f3nica, de repara\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica tamb\u00e9m?<\/em><\/p>\n<p>DNA &#8211; O mais poss\u00edvel. Tudo o que humanamente, tamb\u00e9m em termos \u00e9ticos e morais e jur\u00eddicos, devemos faz\u00ea-lo. Nunca \u00e9 poss\u00edvel reparar totalmente mas \u00e9 necess\u00e1rio compreender caso a caso, e ir at\u00e9 onde \u00e9 poss\u00edvel, ou at\u00e9 anteciparmos, porque h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o podem ficar \u00e0 espera que decorra um processo na justi\u00e7a &#8211; h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es de ajuda material ou at\u00e9 m\u00e9dica que tem de ser imediata.<\/p>\n<p>Depois h\u00e1 uma dimens\u00e3o de caridade e miseric\u00f3rdia que nunca pode ser esquecida, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s v\u00edtimas. E depois de cuidado em rela\u00e7\u00e3o aos agressores, aos eventuais agressores, porque sem isso fica algo que se vai perpetuar.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; \u00c9 uma responsabilidade da Igreja?<\/em><\/p>\n<p>DNA &#8211; \u00c9 uma responsabilidade na Igreja.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Este \u00e9 um dossier que o preocupa na diocese de Bragan\u00e7a-Miranda?<\/em><\/p>\n<p>DNA &#8211; Preocupa e vai ocupar-nos certamente, pelo menos de uma forma preventiva. \u00c9 necess\u00e1rio oferecer momentos de forma\u00e7\u00e3o. Muitas situa\u00e7\u00f5es, n\u00f3s apercebemo-nos lendo o relat\u00f3rio que foi publicado. Pegando no \u00abvade-m\u00e9cum\u00bb, est\u00e1 todo o caminho discriminado, as etapas a fazer.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Sem possibilidade de erro.<\/em><\/p>\n<p>DNA &#8211; Exatamente, nem sequer h\u00e1 desculpa porque houve a preocupa\u00e7\u00e3o de as colocar at\u00e9 numa linguagem muito concreta e acess\u00edvel.<\/p>\n<p>H\u00e1 um trabalho a fazer de preven\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o. Muitas situa\u00e7\u00f5es aconteceram porque n\u00e3o s\u00e3o expl\u00edcitas: \u00e9 preciso saber ler os sinais e sobretudo ter uma cultura de vigil\u00e2ncia, no bom sentido, para que depois n\u00e3o haja hesita\u00e7\u00e3o em se comunicar a quem se deve faz\u00ea-lo e, depois, se agir.<\/p>\n<p>Em termos de normas, doutrina e at\u00e9 de discurso, as coisas est\u00e3o claras. A dificuldade \u00e9 quando \u00e9 necess\u00e1rio agir numa situa\u00e7\u00e3o concreta. Tive essa experi\u00eancia na Comiss\u00e3o de Prote\u00e7\u00e3o de Menores e Adultos Vulner\u00e1veis, em Braga, e esses momentos implicam um trabalho em conjunto com as pessoas devidamente preparadas nas diferentes \u00e1reas nas ci\u00eancias sociais e humanas, nas quest\u00f5es jur\u00eddicas. Tem de ser um trabalho em equipa, mas \u00e9 necess\u00e1rio agir.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Como olha para o trabalho que tem sido feito na Igreja nesta \u00e1rea? Tom\u00e1mos pulso sobre a realidade que o relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o Independente apresentou; D. Nuno Almeida sentiu necessidade de publicamente se manifestar sobre a forma como a Igreja comunicou e remeteu as orienta\u00e7\u00f5es do \u00abvade-m\u00e9cum\u00bb; o grupo Vita est\u00e1 em fun\u00e7\u00f5es e adiantou 16 den\u00fancias. <\/em><\/p>\n<p>DNA &#8211; Podemos dizer que estamos numa etapa nova. O Grupo Vita est\u00e1 a trabalhar, e est\u00e1 a publicar e a comunicar o que est\u00e1 a fazer \u2013 que \u00e9 muito importante, o prestar contas, porque isso possibilita criar a tal confian\u00e7a.<\/p>\n<p>Confesso isso: \u00e9 evidente que d\u00f3i muito, \u00e9 quase um murro no est\u00f4mago tomar conta e olhar para a realidade, percebermos o que aconteceu. Temos de fazer tudo o que humanamente poss\u00edvel.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que n\u00e3o pode haver v\u00edtimas na Igreja, nem na sociedade, n\u00e3o pode haver agressores e n\u00e3o pode haver silenciadores. Isto \u00e9 claro. A mim faz-me tremer se n\u00f3s n\u00e3o estamos vigilantes e n\u00e3o nos ajudamos mutuamente. Se n\u00e3o criamos a cultura de colabora\u00e7\u00e3o e coopera\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o abrimos canais, mesmo com as autoridades civis, porque diante de ind\u00edcios ou at\u00e9 de alguma den\u00fancia, s\u00f3 quem legalmente pode fazer uma investiga\u00e7\u00e3o deve faz\u00ea-lo. Tem de haver uma rela\u00e7\u00e3o e confian\u00e7a, mas que seja clara e em tempo \u00fatil. N\u00e3o se adie.<\/p>\n<p>Estamos, portanto, numa etapa nova: de agir sempre uma alguma situa\u00e7\u00e3o aconte\u00e7a, precisamos de olhar para a vida pastoral \u2013 o modo como funcionamos na catequese nos escuteiros, na liturgia.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Como se acompanham os padres?<\/em><\/p>\n<p>DNA &#8211; Sim, a forma\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m. Foi aprovada a \u00abRatio\u00bb onde foi acrescentado um cap\u00edtulo para a forma\u00e7\u00e3o inicial dos sacerdotes e para a forma\u00e7\u00e3o permanente. Est\u00e3o ali as linhas necess\u00e1rias a implementar. Cada bispo, na sua diocese, tem a obriga\u00e7\u00e3o de perceber at\u00e9 que ponto o que est\u00e1 definido est\u00e1 a acontecer, precisamente para nos dedicarmos ao que \u00e9 essencial e fundamental que \u00e9 o an\u00fancio do amor de Deus, do Evangelho.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer o an\u00fancio do amor de Deus se as comunidades n\u00e3o s\u00e3o s\u00e3s e se as pessoas n\u00e3os se sentem seguras. Estamos a tocar em algo que n\u00e3o \u00e9 perif\u00e9rico, mas est\u00e1 no centro da nossa miss\u00e3o.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Como olha para a inten\u00e7\u00e3o do gesto p\u00fablico na JMJ, um gesto anunciado como um sinal de determina\u00e7\u00e3o de combater o abuso sexual de menores?<\/em><\/p>\n<p>DNA &#8211; Tem muita import\u00e2ncia para criar a cultura de colabora\u00e7\u00e3o, de aten\u00e7\u00e3o, de cuidado e, sobretudo, de respeito para com quem se sentiu v\u00edtima. H\u00e1 pessoas que ainda n\u00e3o tiveram a coragem de denunciar. Haver um gesto p\u00fablico tem muita import\u00e2ncia e damos conta que, na vida concreta, depois de uma not\u00edcia, de um gesto, de uma celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, h\u00e1 mais pessoas que aparecem e muitas vezes \u00e9 decisivo para um reencontro interior, e para poder continuar a sua vida, mesmo a sua pr\u00e1tica crist\u00e3 de uma forma mais serena.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; O gesto pode correr o risco de magoar mais as v\u00edtimas ou n\u00e3o o l\u00ea dessa forma?<\/em><\/p>\n<p>DNA &#8211; Este equil\u00edbrio exige muita aten\u00e7\u00e3o e cuidado. Esta pol\u00e9mica do encontro das v\u00edtimas com o Papa se devia ou n\u00e3o ser divulgado\u2026 h\u00e1 que ter em conta que uma parte significativa das v\u00edtimas n\u00e3o quer ter exposi\u00e7\u00e3o p\u00fablica, tem esse direito e devemos preserv\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Em Braga, a Comiss\u00e3o funciona na Casa episcopal \u2013 pode ser discut\u00edvel \u2013 mas tinha a inten\u00e7\u00e3o de ser reservado, e h\u00e1 um lugar alternativo. Precisamente porque as pessoas t\u00eam o direito de ir sigilosamente, privadamente e ser atendidas de uma forma segura e serena. Estamos a lidar com aspetos da vida que s\u00e3o delicados, essenciais para o futuro. At\u00e9 o modo como se faz esse encontro.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Porque sentiu necessidade de em mar\u00e7o, publicamente, ajudar a recordar o caminho que o Papa Francisco j\u00e1 tinha delineado?<\/em><\/p>\n<p>DNA &#8211; Foi um pouco acidental. Durante o domingo estive na vida pastoral, e \u00e0 noite, quando me apercebi de uma certa perplexidade, sobretudo da parte da nossa Comiss\u00e3o, que estava preocupada com o modo como a comunica\u00e7\u00e3o, a partir da confer\u00eancia de imprensa, tinha acontecido naqueles dias.<\/p>\n<p>A minha preocupa\u00e7\u00e3o foi simples: reler o \u00abvade-m\u00e9cum\u00bb, fazer um pequeno artigo para o jornal \u00abDi\u00e1rio do Minho\u00bb, no sentido de lembrar aquilo que estava previsto.<\/p>\n<p>Depois foi colocado em paralelo com declara\u00e7\u00f5es de outros irm\u00e3os bispos e eu apercebi-me da situa\u00e7\u00e3o, at\u00e9 da pol\u00e9mica, e tive de fazer v\u00e1rios contactos telef\u00f3nicos e pessoais, porque entre n\u00f3s nunca houve pol\u00e9mica. Claro que h\u00e1 diversidade de pontos de vista e ritmos que cada bispo tem, mesmo de atua\u00e7\u00e3o, mas na Confer\u00eancia episcopal, houve sempre consenso naquilo que era essencial, de atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o p\u00fablica surgiu na circunst\u00e2ncia em que havia ali alguma confus\u00e3o com termos can\u00f3nicos que, para as pessoas em geral, n\u00e3o s\u00e3o muito importantes. O essencial era passar a mensagem de que n\u00f3s cumprir\u00edamos os passos que estavam previstos no \u00abvade-m\u00e9cum\u00bb.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Como v\u00ea este acontecimento da JMJ na Igreja em Portugal, sobretudo como alavanca para a pastoral em Portugal?<\/em><\/p>\n<p>DNA &#8211; Pelo que j\u00e1 vivemos na prepara\u00e7\u00e3o, j\u00e1 valeria a pena. Certamente todo o empenho\u2026<\/p>\n<p><em>AE &#8211; O que tem sentido na prepara\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>DNA &#8211; Tenho experimentado, falo por Braga, sobretudo no m\u00eas em que os s\u00edmbolos percorreram par\u00f3quia a par\u00f3quia, provocaram uma viv\u00eancia intensa e perceber que o Papa Francisco tem raz\u00e3o na Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u00abChristus Vivit\u00bb, nas duas linhas que indica para a pastoral de jovens: precisamos urgentemente de ter momentos de atra\u00e7\u00e3o, de nos reaproximarmos dos jovens e dos jovens se reaproximarem da Igreja, uns dos outros, e de Jesus. Isto \u00e9 necess\u00e1rio faz\u00ea-lo. Tem acontecido e aconteceu.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a dos s\u00edmbolos significou uma grande corrente de luz, amor, esperan\u00e7a dos jovens de todo o mundo.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Mas h\u00e1 um cont\u00e1gio entre os que j\u00e1 est\u00e3o contagiados e uma dificuldade em chegar em quem est\u00e1 fora das margens da Igreja, ou os s\u00edmbolos s\u00e3o um atrativo para quem est\u00e1 fora da Igreja?<\/em><\/p>\n<p>DNA &#8211; Experiment\u00e1mos que s\u00e3o um atrativo mesmo nos ambientes mais surpreendentes. Nas escolas, por exemplo, nos ambientes desportivos, onde os jovens est\u00e3o e gostam de estar. Cada arciprestado organizou \u00e0 sua maneira, mas este ir para al\u00e9m das fronteiras habituais foi uma realidade. Tive a experi\u00eancia de levar os s\u00edmbolos a um tro\u00e7o do \u00abRally Serras de Fafe\u00bb, e o impacto que isso teve nas pessoas que vibram com entusiasmo. S\u00e3o os tais momentos em que criamos liga\u00e7\u00e3o, amizade, porque a partir da\u00ed muita coisa acontecer.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria JMJ \u00e9 um momento para cativar, de atra\u00e7\u00e3o, de juntar e congregar.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; D. Am\u00e9rico Aguiar falou dos dias da JMJ como dias de \u00abfogo-de-artif\u00edcio\u00bb, que importa depois cuidar a partir do dia 7 de agosto.<\/em><\/p>\n<p>DNA &#8211; O Papa Francisco \u00e9 muito claro e muito simples, tamb\u00e9m. Como os carris de comboio, a pastoral dos jovens tem duas vias: cativar e depois caminhar, aprofundando a viv\u00eancia do Evangelho, a rela\u00e7\u00e3o com Jesus Cristo e a rela\u00e7\u00e3o em grupo, para quem o desejar. Nunca o Senhor imp\u00f4s nenhum caminho. Para n\u00f3s, \u00e9 at\u00e9 uma desilus\u00e3o, porque temos feito e h\u00e1 capacidade de organizar eventos com os jovens, os pr\u00f3prios jovens sabem muito bem a linguagem e o que fazer, mas temos a dificuldade \u2013 e esse \u00e9 um desafio claro \u2013 os jovens que quiserem caminhar juntos, aprofundar a f\u00e9 e os valores, crescer humanamente, mesmo no servi\u00e7o ou numa voca\u00e7\u00e3o \u2013 este n\u00f3 que temos de aprofundar neste momento.<\/p>\n<p>As jornadas pastorais do Episcopado estiveram centradas neste aspeto. Est\u00e1 prevista \u2013 e posso dizer isso, espero n\u00e3o estar a antecipar an\u00fancios \u2013 uma escola de animadores para a pastoral de jovens que \u00e9 absolutamente urgente. Hoje com os meios que temos, \u00e9 poss\u00edvel organizar uma escola com pessoas bem preparadas onde permanentemente, os que s\u00e3o animadores e l\u00edderes naturais, possam preparar-se devidamente para que depois este caminho seja de aprofundamento e os grupos da pastoral e jovens tenham uma respira\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 eclesial mas humana, sempre abertos \u00e0 realidade que nos circunda.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; A realidade juvenil e familiar muda rapidamente. Pode a Igreja correr o risco de aplicar esquemas antigos a uma realidade que ainda n\u00e3o est\u00e1 a acompanhar, propondo esquemas adequados a um tempo que n\u00e3o \u00e9 o de hoje? Concretamente \u00e0 realidade e linguagem de jovens hoje? <\/em><\/p>\n<p>DNA &#8211; N\u00e3o devemos ter medo da dimens\u00e3o paradoxal da f\u00e9 crist\u00e3. H\u00e1 sempre algo que parece que n\u00e3o se concilia: por um lado teremos de ser fi\u00e9is a Jesus, ao Evangelho, a um caminho que a Igreja fez, mas fieis tamb\u00e9m aos jovens, \u00e0s fam\u00edlias e \u00e0s pessoas do nosso tempo. N\u00e3o somos do mundo, pertencemos a Cristo, mas somos deste tempo.<\/p>\n<p>Estamos e caminhamos, somos companheiros de viagem das pessoas do s\u00e9culo XXI, nas realidades que vivemos hoje, nesta mudan\u00e7a epocal, como tantas vezes o Papa nos recorda, que est\u00e1 a acontecer.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Mas esse tem procurado ser o caminho h\u00e1 dois mil anos.<\/em><\/p>\n<p>DNA &#8211; Precisamente, e vai oscilando. Mesmo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pastoral familiar, e o que est\u00e1 delineado na Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u00abA alegria no amor\u00bb, existe a preocupa\u00e7\u00e3o com o acolhimento das fam\u00edlias, e do acompanhar, o que significa fazer caminho hoje, como as fam\u00edlias s\u00e3o, na diversidade, nas circunst\u00e2ncias que temos, no integrar \u2013 e sabemos bem que precisamente o integrar significa a fidelidade a Jesus, ao Evangelho, \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o, ao magist\u00e9rio, mas tamb\u00e9m \u00e0 vida das fam\u00edlias nas vicissitudes, sobretudo as que passam ou passaram por provas dif\u00edceis.<\/p>\n<p>H\u00e1 outro aspeto, que n\u00e3o est\u00e1 dito de forma expl\u00edcita mas presente, que \u00e9 n\u00e3o termos medo de propor. Este conciliar, acolher e o propor, temos sido t\u00edmidos \u2013 falo por mim, sou t\u00edmido de temperamento \u2013 n\u00e3o termos medo de propor aos jovens, e \u00e0s fam\u00edlias, propor a medida alta do Evangelho e da santidade.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio, etapa a etapa, mas \u00e9 necess\u00e1rio propor sempre algo mais, mesmo quando algu\u00e9m vem pedir um documento, ou uma informa\u00e7\u00e3o: temos de ter algo a propor ou informa\u00e7\u00e3o do que temos e do que existe. Se temos grupos de jovens, movimentos que congregam fam\u00edlias\u2026 Tenho andado a dizer isto sempre que h\u00e1 uma assembleia paroquial por onde ando: perdermos a timidez. Claro que o propor e o anunciar tem de ser sempre respeitoso, ou seja aceitar que a quem propomos possa dizer n\u00e3o, porque tantas vezes um primeiro n\u00e3o, n\u00e3o significa um n\u00e3o definitivo.<\/p>\n<p>Quando falamos de uma Igreja sinodal, falamos de uma Igreja fam\u00edlia de fam\u00edlias.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; D. Nuno Almeida inicia tr\u00eas anos \u00e0 frente da Comiss\u00e3o Episcopal Laicado e Fam\u00edlia. Que atitudes vai procurar para chegar a fam\u00edlias, tamb\u00e9m \u00e0quelas que podem ter dificuldades em se aproximar dessa medida alta? Fam\u00edlias at\u00e9 distantes do modelo tradicional familiar, mas que procuram um caminho e sentido para a sua vida?<\/em><\/p>\n<p>DNA &#8211; Precisamos de passar essa mensagem e esse convite, a tal capacidade de acolher, mesmo quando isso possa incomodar ou n\u00e3o vemos logo \u00e0 primeira como fazer. Temos, felizmente, muitas pessoas que ao longo dos anos, pela pr\u00f3pria experi\u00eancia pastoral que tiveram, em movimentos, pelo percurso acad\u00e9mico.<\/p>\n<p>Precisamos de congregar, ser\u00e1 uma das prioridades da Comiss\u00e3o. \u00c9 formada por quatro ou cinco bispos mas est\u00e1 prevista a colabora\u00e7\u00e3o de pessoas com capacidade e que sejam especialistas nas diferentes \u00e1reas e precisamos de congregar e juntar, para descobrir este caminho de acolhimento, integra\u00e7\u00e3o, acompanhamento e tamb\u00e9m de proposta.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Quando foi tornada p\u00fablica a sua nomea\u00e7\u00e3o para diocese de Bragan\u00e7a-Miranda, falava com humildade e reconhecendo a \u00abfragilidade\u00bb com que iniciava o seu caminho na diocese. \u00c9 renovando essas duas vertentes do seu caminho que inicia este percurso?<\/em><\/p>\n<p>DNA &#8211; Sinto por um lado, interiormente, este desafio e a disponibilidade, at\u00e9 porque o lema da minha ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal e episcopal \u00abEstou em v\u00f3s como aquele que serve\u00bb, mas consciente que este \u00abcolocar-me ao servi\u00e7o\u00bb implica uma entrega total.<\/p>\n<p>Tenho feito a experi\u00eancia de estar inteiro onde ando, mesmo que as vezes seja dif\u00edcil porque o pensamento e o cora\u00e7\u00e3o voa para a nova diocese, mas estar inteiro, mesmo com as minhas fragilidades.<\/p>\n<p>H\u00e1 quatro anos e meio tive uma interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica que felizmente correu bem, tem estado tudo bem, n\u00e3o me tem condicionado, mas isso faz parte. Quando nos entregamos, entregamo-nos inteiramente, mesmo com as incapacidades que temos, que implicam o tal caminho sinodal, que implica procurarmos irm\u00e3os e irm\u00e3s com quem fazemos caminho juntos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":9,"featured_media":286633,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[173],"class_list":["post-286257","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","tag-diocese-de-braganca-miranda"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/286257","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=286257"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/286257\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/286633"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=286257"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=286257"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=286257"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}