{"id":28612,"date":"2007-12-07T11:54:17","date_gmt":"2007-12-07T11:54:17","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/12\/07\/estudo-denuncia-assimetrias-entre-interior-e-litoral\/"},"modified":"2007-12-07T11:54:17","modified_gmt":"2007-12-07T11:54:17","slug":"estudo-denuncia-assimetrias-entre-interior-e-litoral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/estudo-denuncia-assimetrias-entre-interior-e-litoral\/","title":{"rendered":"Estudo denuncia assimetrias entre interior e litoral"},"content":{"rendered":"<p>S\u00e3o v\u00e1rias as assimetrias sociais que acentuam o fosso entre ricos e pobres e o litoral e o interior do pa\u00eds, os dados constam do estudo que reporta ao ano de 2003 e que agora foi publicado em livro. Isabel Monteiro, na qualidade de presidente da Seiva &#8211; Associa\u00e7\u00e3o ao Servi\u00e7o da Vida, foi a respons\u00e1vel pela realiza\u00e7\u00e3o do estudo; Adelino Duarte Gomes, Professor da Universidade de Coimbra, foi o coordenador cient\u00edfico; o Padre Jos\u00e9 Maia, ex-presidente da UIPSS, incentivou e propiciou as condi\u00e7\u00f5es para execu\u00e7\u00e3o de todo o projecto. A CNIS editou o livro.  O trabalho inclui um levantamento exaustivo das respostas sociais locais, \u00edndices de desenvolvimento e a avalia\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o residente \u00e0s mesmas em 900 freguesias de Portugal Continental. O estudo \u00e9 encarado como um mapa social do pa\u00eds que serve para identificar a evolu\u00e7\u00e3o das problem\u00e1ticas sociais e equacionar as respostas dadas ao n\u00edvel territorial mais b\u00e1sico &#8211; o da freguesia.  Permite ainda perceber que em muitos casos existe uma desadequa\u00e7\u00e3o entre a oferta e a procura no \u201cmercado social\u201d e que existem novos problemas que est\u00e3o a descoberto da solidariedade e da iniciativa quer do Estado quer da sociedade civil.  O estudo aponta para cada regi\u00e3o do pa\u00eds estrat\u00e9gias de interven\u00e7\u00e3o muito pr\u00f3prias consoante a realidade, as problem\u00e1ticas e as respostas existentes. \u201cTivemos a preocupa\u00e7\u00e3o de apontar estrat\u00e9gias, meios de interven\u00e7\u00e3o, poss\u00edveis solu\u00e7\u00f5es de acordo trabalho.  A necessidade de trabalhar em rede, que come\u00e7a logo pela an\u00e1lise das situa\u00e7\u00f5es, deve ser olhada sobre v\u00e1rias perspectivas, as estrat\u00e9gias devem ser definidas consoante os meios e a miss\u00e3o de cada um dos parceiros e as solu\u00e7\u00f5es serem equacionadas por todos e exigirem um compromisso conjunto que passa sobretudo por dar \u00e0s pessoas que servimos a autonomia para criarem e desenvolverem o seu projecto de vida\u201d, acrescenta Isabel Monteiro.  O estudo abrange 900 freguesias portuguesas e aponta para a necessidade de uma \u201creforma urgente do sistema de seguran\u00e7a social\u201d que responda \u00e0s car\u00eancias do interior do pa\u00eds.  Foram efectuadas 23 mil entrevistas telef\u00f3nicas v\u00e1lidas, num trabalho que envolveu a participa\u00e7\u00e3o de uma equipa multidisciplinar, constitu\u00edda por investigadores da Faculdade de Psicologia da Universidade de Coimbra e da Escola Superior de Educa\u00e7\u00e3o de Coimbra.  Foram tamb\u00e9m realizados inqu\u00e9ritos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o e aos l\u00edderes locais, entendidos como os presidentes das Juntas de Freguesia e os presidentes das institui\u00e7\u00f5es de solidariedade. Uma das principais conclus\u00f5es \u00e9 a de que \u201cas respostas sociais nas \u00e1reas metropolitanas s\u00e3o muito mais significativas\u201d do que no interior, onde se assiste a um \u201cgrande envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o e dificuldades no acesso \u00e0 sa\u00fade\u201d. Al\u00e9m destas mat\u00e9rias, s\u00e3o transversais quest\u00f5es como o alcoolismo, a viol\u00eancia familiar ou o analfabetismo, mas Isabel Monteiro destaca o \u201cproblema da solid\u00e3o\u201d que afecta cada vez mais idosos e jovens, devido ao \u201cindividualismo\u201d da sociedade actual, para o qual contribuiu o \u201cenfraquecimento das redes de vizinhan\u00e7a\u201d.  Isabel Monteiro entende que as institui\u00e7\u00f5es particulares de solidariedade social devem ser um instrumento fundamental para diminuir essas assimetrias.  No estudo \u00e9 aconselhada a revis\u00e3o do sistema de val\u00eancias, que \u201cdeve ser pensado em termos de uma ac\u00e7\u00e3o social integrada, virada para a comunidade onde as val\u00eancias tipificadas se enquadram, mas s\u00f3 como e enquanto meio, entre outros, para promover o desenvolvimento e a cidadania\u201d, diz a investigadora e acrescenta que \u201cac\u00e7\u00f5es, interven\u00e7\u00f5es isoladas n\u00e3o t\u00eam sentido\u201d.  \u201cH\u00e1 que trabalhar a fam\u00edlia, a comunidade no seu todo, dado que as val\u00eancias n\u00e3o s\u00e3o um fim, s\u00e3o um meio\u201d, afirma.  O presidente da CNIS, Lino Maia, considerou existirem demasiadas \u201ccomunidades desestruturadas\u201d, em que as institui\u00e7\u00f5es de solidariedade t\u00eam um papel \u201cintegrador\u201d.  \u201cAs institui\u00e7\u00f5es podem ter um papel muito importante no desenvolvimento econ\u00f3mico\u201d, defendeu, referindo que em muitos concelhos o sector solid\u00e1rio \u00e9 o \u201cprincipal empregador\u201d, nomeadamente no interior do pa\u00eds.  O presidente da Confedera\u00e7\u00e3o encara tamb\u00e9m o estudo como um \u201c\u00f3ptimo instrumento de trabalho, uma vez que qualquer resposta social ou pol\u00edtica implementada deve partir da realidade\u201d. O dirigente diz ainda que numa altura em que est\u00e3o a ser delineadas as estrat\u00e9gias de interven\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito do Quadro de Refer\u00eancia Estrat\u00e9gico Nacional (QREN), h\u00e1 \u201cum conjunto de candidaturas e processos a ser implementados que pressup\u00f5em uma boa ferramenta de trabalho e esse estudo \u00e9 isso mesmo\u201d. Uma ideia partilhada por Adelino Duarte Gomes, coordenador cient\u00edfico do estudo e professor da Universidade de Coimbra que diz que o mesmo \u201cconstitui uma base de apoio para conceber e gerir projectos de desenvolvimento social, a levar \u00e0 pr\u00e1tica para satisfazer necessidades localmente sentidas e aproveitar recursos e oportunidades\u201d.  O trabalho est\u00e1 organizado por regi\u00f5es e identifica, ao n\u00edvel da freguesia, os problemas, os constrangimentos, as oportunidades e as necessidades, situando-os no territ\u00f3rio e no seu contexto social, cultural e econ\u00f3mico.  O professor diz que a leitura do texto proporciona \u201cum conhecimento localmente situado\u201d, algo que considera ser \u201cimprescind\u00edvel para quem pretende intervir para a mudar ou transformar de forma solid\u00e1ria a realidade local\u201d.  O antigo presidente da j\u00e1 extinta Uni\u00e3o das Institui\u00e7\u00f5es Particulares de Solidariedade Social (UIPSS), Jos\u00e9 Maia, afirma que a iniciativa de desenvolvidamente do trabalho surgiu \u201cnum contexto mais amplo de uma nova estrat\u00e9gia de interven\u00e7\u00e3o social que ia ser implementada por parte do Estado, chamada a Rede Social, estrat\u00e9gia que, por sua vez, vinha de encontro a um processo que h\u00e1 muito se adivinhava no sentido da territorializa\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas sociais\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o v\u00e1rias as assimetrias sociais que acentuam o fosso entre ricos e pobres e o litoral e o interior do pa\u00eds, os dados constam do estudo que reporta ao ano de 2003 e que agora foi publicado em livro. 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