{"id":28585,"date":"2007-12-06T12:36:18","date_gmt":"2007-12-06T12:36:18","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/12\/06\/comemorar-s-geraldo-recordacao-actualizada\/"},"modified":"2007-12-06T12:36:18","modified_gmt":"2007-12-06T12:36:18","slug":"comemorar-s-geraldo-recordacao-actualizada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/comemorar-s-geraldo-recordacao-actualizada\/","title":{"rendered":"Comemorar S. Geraldo: Recorda\u00e7\u00e3o actualizada"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de D. Jorge Ortiga <!--more--> S. Geraldo, o organizador da cidade de Braga depois do per\u00edodo da reconquista, \u201cno cumprimento do seu dever pastoral e nobre desempenho da sua miss\u00e3o\u201d, j\u00e1 doente, arrastou-se at\u00e9 Bornes, concelho de Vila Pouca de Aguiar, onde consagrou a Igreja, pregou e administrou o Sacramento do Crisma, \u201c e no dia 5 de Dezembro de 1108, reunidos os padres da sua comitiva, deu-lhes a b\u00ean\u00e7\u00e3o, ouviu Missa, comungou e morreu, voando a sua alma gentil ao c\u00e9u, para viver com Deus\u201d. Assim Mons. Jos\u00e9 Augusto Ferreira descreve a morte de S. Geraldo. Acontecida no dia 5 de Dezembro de 1108 quer dizer que no pr\u00f3ximo ano teremos a celebra\u00e7\u00e3o dos 900 anos do seu falecimento. \u00c9 mais um evento a preparar e aproveitar para compreender o significado da sua vida como padroeiro da cidade e como modelo para toda a Arquidiocese. Os tempos s\u00e3o outros e os \u00e2mbitos de interven\u00e7\u00e3o alteraram-se. O tempo do Senhorio dos Arcebispos est\u00e1, gra\u00e7as a Deus, ultrapassado mas resta-nos o dever de reequacionar o relacionamento entre o poder pol\u00edtico e o servi\u00e7o religioso. Outrora o conceito de cristandade unificava, agora o regime da separa\u00e7\u00e3o e a concretiza\u00e7\u00e3o duma laicidade justa e positiva traz consigo outras exig\u00eancias. Importa que, mutuamente, nos consciencializemos da autonomia das realidades temporais que, precisamente por isso, se regem por normas pr\u00f3prias e orienta\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. Imp\u00f5e-se, por\u00e9m, que nesta independ\u00eancia n\u00e3o se prescinda de inst\u00e2ncias e motiva\u00e7\u00f5es \u00e9ticas que encontram o seu fundamento em algo n\u00e3o opcional e determinado pela livre vontade de alguns intervenientes mas que se radicam na ess\u00eancia do homem e no seu estrutural sentido religioso atrav\u00e9s do qual se exprime a sua constitutiva abertura ao transcendente. Isto sup\u00f5e que a Igreja seja capaz de propor, e tentar preservar, as reservas de energias morais que acompanham o agir quotidiano do cidad\u00e3o e que o poder legitimamente constitu\u00eddo aceite, como natural e humana, esta proposta eclesial. Com isto n\u00e3o queremos fugir \u00e0s cr\u00edticas ou sugest\u00f5es que o nosso empenho p\u00fablico na edifica\u00e7\u00e3o duma sociedade mais justa pode merecer. Mais ainda, a pr\u00f3pria hostilidade e confronto podem tornar-se enriquecedoras desde que manifestadas numa parceria que congrega as boas vontades para o bem de todos. J\u00e1 nos atemoriza mais a indiferen\u00e7a ou empenho na promo\u00e7\u00e3o camuflada de pseudo valores que possam querer significar irrelev\u00e2ncia ou falta de considera\u00e7\u00e3o. N\u00e3o ignoramos, em tempo de Presid\u00eancia Portuguesa da Uni\u00e3o Europeia, uma tend\u00eancia secularizante que, muitas vezes, se acolhe dum modo acr\u00edtico destruindo a nossa identidade religiosa, moral e cultural atrav\u00e9s dum desprezo ou desconsidera\u00e7\u00e3o dos valores. Esta necessidade de reflectir em comum, onde o contributo de cada um se torna imprescind\u00edvel, para uma celebra\u00e7\u00e3o dos 900 anos, pode conduzir a Igreja \u00e0 redescoberta duma pastoral urbana mais delineada e a sociedade civil a reconhecer que a cidade deve estar ao servi\u00e7o dum humanismo integral onde todas as dimens\u00f5es s\u00e3o devidamente equacionadas. Fundamental \u00e9 a viv\u00eancia duma comum dignidade da pessoa humana a exigir igual tratamento e uma solidariedade efectiva que harmoniza diferen\u00e7as e destr\u00f3i dist\u00e2ncias econ\u00f3micas. Tudo converge para a cidade e tudo parte da cidade. Esta \u00e9 um hino onde todos aprendem, e de que nos dever\u00edamos consciencializar dos seus conte\u00fados sabendo, \u00e0 partida, da exist\u00eancia de muitos mundos que nada testemunham em termos de humanismo. Em muitas \u00e1reas a evolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o aconteceu mas, queiramos ou n\u00e3o, est\u00e1 a acontecer uma regress\u00e3o em muitos aspectos. Deixando estas e outras perspectivas para um desenvolvimento posterior, aproveito este dia para lembrar o trabalho que a Arquidiocese, e nesta as par\u00f3quias, est\u00e1 a efectuar para que interpretemos um projecto de ser uma fam\u00edlia de fam\u00edlias. Pode parecer uma utopia. Acredito que o futuro da humanidade passa pela fam\u00edlia e reconhe\u00e7o que o concelho de Braga teria outra fisionomia se testemunhasse a exist\u00eancia duma \u00fanica fam\u00edlia onde as desigualdades se atenuam e as oportunidades s\u00e3o iguais para todos n\u00e3o s\u00f3 nos discursos e iniciativas ocasionais mas no concreto. Urge intensificar uma nova mentalidade duma solidariedade activa e duma sensibilidade efectiva que acorda cora\u00e7\u00f5es e congrega vontades para resolver muitos problemas que ainda existem. Preparemo-nos para os 900 anos da morte de S. Geraldo e tornemos o seu milagre dos frutos um compromisso para que as nossas comunidades sejam humanas. <i>S\u00e9 Catedral, 05-12-07 D. Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. Jorge Ortiga<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[172,206,314],"class_list":["post-28585","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-braga","tag-familia","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28585","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28585"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28585\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28585"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28585"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28585"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}