{"id":285821,"date":"2023-06-15T21:16:36","date_gmt":"2023-06-15T20:16:36","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=285821"},"modified":"2023-06-16T10:20:07","modified_gmt":"2023-06-16T09:20:07","slug":"dia-da-consciencia-e-para-que","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/dia-da-consciencia-e-para-que\/","title":{"rendered":"Dia da consci\u00eancia&#8230; E para qu\u00ea?&#8230;"},"content":{"rendered":"<p><em>D. Antonino Dias, Bispo de Portalegre-Castelo Branco<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_184289\" aria-describedby=\"caption-attachment-184289\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-184289 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-184289\" class=\"wp-caption-text\">Fotos: Ag\u00eancia ECCLESIA<\/figcaption><\/figure>\n<p>O Dia da Consci\u00eancia celebra-se a 17 de junho, todos os anos. O Papa Francisco, em 2020, tamb\u00e9m se referiu a este Dia evocando o testemunho \u201cdo diplomata portugu\u00eas Aristides de Sousa Mendes, que, oitenta anos atr\u00e1s, decidiu seguir a voz da consci\u00eancia e salvou a vida de milhares de judeus e outros perseguidos\u201d.<\/p>\n<p>Esta iniciativa pretende chamar a aten\u00e7\u00e3o para o respeito pela liberdade de consci\u00eancia de cada um e para todas as formas de negar ou violentar a dignidade humana. Se a educa\u00e7\u00e3o apostasse nisso, n\u00e3o seriam precisas tantas leis, tantas pol\u00edcias e armas, tantos tribunais e chilindr\u00f3s para terem de enfrentar os desmandos das consci\u00eancias malformadas. Quantas mais leis, mais imperfeita \u00e9 uma sociedade, mais se denota a aus\u00eancia da \u00e9tica, da moral, da solidariedade. A forma\u00e7\u00e3o humana em todas as suas dimens\u00f5es \u00e9 essencial, mas se essa forma\u00e7\u00e3o esquece a forma\u00e7\u00e3o das consci\u00eancias, n\u00e3o poderemos esperar uma feliz conviv\u00eancia humana. Poder-se-\u00e1 perguntar: mas o que isso de formar as consci\u00eancias? Os te\u00f3ricos que se desunhem&#8230; No entanto, que adiantaria termos muitos eruditos e doutores, muitos empres\u00e1rios e o mais que seja, se constru\u00edssemos uma sociedade de ego\u00edstas a olhar apenas para o seu pr\u00f3prio umbigo e a espezinhar os outros?!&#8230; Que adiantariam todos esses conhecimentos se n\u00e3o conduzissem ao respeito pelo outro, \u00e0 prote\u00e7\u00e3o da sua vida e \u00e0 sua justa liberdade, \u00e0 cultura da verdade, \u00e0 pr\u00e1tica da cidadania, \u00e0 toler\u00e2ncia democr\u00e1tica, ao compromisso pessoal e comunit\u00e1rio pelo bem comum, \u00e0 verdadeira sabedoria que nos torna mais justos, mais humanos e fraternos? Um ensino que apenas d\u00e1 valor ao que \u00e9 produtivo e rent\u00e1vel gera o egocentrismo e a competi\u00e7\u00e3o sem limites, atrai a mentira, a corrup\u00e7\u00e3o e a desonestidade, gera o sentimento de vazio social e existencial, faz sentir medo de quem, sem olhar a meios, imp\u00f5e o seu \u2018eu \u00e9 que sou e sei, eu quero, posso e mando\u2019&#8230;<\/p>\n<p>A liberdade \u00e9 uma aspira\u00e7\u00e3o da pessoa, da sociedade e dos povos, sim, \u00e9. Mas n\u00e3o consiste em fazer tudo o que se quer como se tudo fosse permitido. S\u00f3 a verdade nos liberta, s\u00f3 a verdade nos dignifica, s\u00f3 a verdade na liberdade ou a liberdade com verdade nos conduz ao bem e \u00e0 beleza. Quem, em nome da liberdade, opta pelo mal, cozinha leis injustas, espezinha ou destr\u00f3i o mais fraco, promove o descarte ou o abandono, \u00e9 porque n\u00e3o consegue ser interiormente livre para optar pelo bem. \u00c9 escravo de si mesmo ou do grupo que o instrumentaliza para que assim pense e proceda. \u00c9 verdade que a consci\u00eancia pode errar por ignor\u00e2ncia invenc\u00edvel, mas quando a pessoa ou os grupos se dispensam de procurar a verdade ou a relativizam, quando a consci\u00eancia se vai progressivamente cegando e endurecendo com ambi\u00e7\u00f5es e prepot\u00eancias, com import\u00e2ncias e poder, quando se confunde a liberdade com fazer o que se quer e n\u00e3o com fazer o que se deve, quando se procura expulsar Deus do pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o como se Ele fosse um intruso indesej\u00e1vel ou um cota desmancha prazeres, temos o caldo entornado, logo se deixa de considerar o pr\u00f3ximo como um \u00aboutro eu\u00bb, digno de aten\u00e7\u00e3o e acolhimento, de respeito e rever\u00eancia.<\/p>\n<p>No fundo da pr\u00f3pria consci\u00eancia h\u00e1 uma lei que o homem n\u00e3o se imp\u00f4s a si mesmo, mas \u00e0 qual deve obedecer. \u00c9 uma voz que constantemente ecoa no mais \u00edntimo do seu cora\u00e7\u00e3o. No momento oportuno faz-se presente, chama-o a fazer o bem e a fugir do mal, chama-o \u00e0 responsabilidade. Esta lei foi escrita pelo pr\u00f3prio Deus, \u201c\u00e9 o centro mais secreto e o santu\u00e1rio do homem, no qual ele se encontra a s\u00f3s com Deus, cuja voz se faz ouvir na intimidade do seu ser; a sua dignidade est\u00e1 em obedecer-lhe, por ela \u00e9 que ser\u00e1 julgado\u201d.<\/p>\n<p>Pela fidelidade a esta voz da consci\u00eancia, estamos \u201cunidos aos demais homens, no dever de buscar a verdade e de nela resolver tantos problemas morais que surgem na vida individual e social. Quanto mais, portanto, prevalecer a reta consci\u00eancia, tanto mais as pessoas e os grupos estar\u00e3o longe da arbitrariedade cega e procurar\u00e3o conformar-se com as normas objetivas da moralidade\u201d (cf. GS16).<\/p>\n<p>A dignidade da pessoa humana \u00e9 superior a todas as coisas e tem direitos e deveres universais e inviol\u00e1veis. Por isso, \u201ctudo quanto se op\u00f5e \u00e0 vida, como seja toda a esp\u00e9cie de homic\u00eddio, genoc\u00eddio, aborto, eutan\u00e1sia e suic\u00eddio volunt\u00e1rio; tudo o que viola a integridade da pessoa humana, como as mutila\u00e7\u00f5es, os tormentos corporais e mentais e as tentativas para violentar as pr\u00f3prias consci\u00eancias; tudo quanto ofende a dignidade da pessoa humana, como as condi\u00e7\u00f5es de vida infra-humanas, as pris\u00f5es arbitr\u00e1rias, as deporta\u00e7\u00f5es, a escravid\u00e3o, a prostitui\u00e7\u00e3o, o com\u00e9rcio de mulheres e jovens; e tamb\u00e9m as condi\u00e7\u00f5es degradantes de trabalho; em que os oper\u00e1rios s\u00e3o tratados como meros instrumentos de lucro e n\u00e3o como pessoas livres e respons\u00e1veis. Todas estas coisas e outras semelhantes s\u00e3o infamantes; ao mesmo tempo que corrompem a civiliza\u00e7\u00e3o humana, desonram mais aqueles que assim procedem, do que os que padecem injustamente; e ofendem gravemente a honra devida ao Criador\u201d (GS27).<\/p>\n<p>Para n\u00f3s, crist\u00e3os, como afirma a Constitui\u00e7\u00e3o Gaudium et Spes da qual me estou a servir, \u201cNenhuma lei humana pode salvaguardar t\u00e3o perfeitamente a dignidade pessoal e a liberdade do homem como o Evangelho de Cristo, confiado \u00e0 Igreja. Pois este Evangelho anuncia e proclama a liberdade dos filhos de Deus; rejeita toda a esp\u00e9cie de servid\u00e3o, a qual tem a sua \u00faltima origem no pecado; respeita escrupulosamente a dignidade da consci\u00eancia e a sua livre decis\u00e3o; sem descanso recorda que todos os talentos humanos devem redundar em servi\u00e7o de Deus e bem dos homens; e a todos recomenda, finalmente, a caridade. \u00c9 o que corresponde \u00e0 lei fundamental da economia crist\u00e3. Porque, embora seja o mesmo Deus o Criador e o Salvador, o senhor da hist\u00f3ria humana e o da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, todavia, segundo a ordena\u00e7\u00e3o divina, a justa autonomia das criaturas e sobretudo do homem, n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 delimitada mas antes \u00e9 restitu\u00edda \u00e0 sua dignidade e nela confirmada. Por isso, a Igreja, em virtude do Evangelho que lhe foi confiado, proclama os direitos do homem e reconhece e tem em grande apre\u00e7o o dinamismo do nosso tempo, que por toda a parte promove tais direitos. Este movimento, por\u00e9m, deve ser penetrado pelo esp\u00edrito do Evangelho, e defendido de qualquer esp\u00e9cie de falsa autonomia. Pois estamos sujeitos \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de julgar que os nossos direitos pessoais s\u00f3 s\u00e3o plenamente assegurados quando nos libertamos de toda a norma da lei divina. Enquanto que, por este caminho, a dignidade da pessoa humana, em vez de se salvar, perde-se (GS41).<\/p>\n<p>Educar \u00e9 muito mais dif\u00edcil do que ensinar ou instruir, n\u00e3o pode distanciar-se do bem comum e da experi\u00eancia comunit\u00e1ria.<\/p>\n<p><em>Antonino Dias<\/em><br \/>\n<em>Portalegre-Castelo Branco, 14-06-2023.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. Antonino Dias, Bispo de Portalegre-Castelo Branco<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":184289,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-285821","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/285821","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=285821"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/285821\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/184289"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=285821"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=285821"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=285821"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}