{"id":285594,"date":"2023-06-14T13:19:29","date_gmt":"2023-06-14T12:19:29","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=285594"},"modified":"2023-06-18T10:39:01","modified_gmt":"2023-06-18T09:39:01","slug":"saude-mental-preparar-o-envelhecimento-e-a-melhor-forma-de-combater-o-estigma-sobre-a-demencia-isabel-sousa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saude-mental-preparar-o-envelhecimento-e-a-melhor-forma-de-combater-o-estigma-sobre-a-demencia-isabel-sousa\/","title":{"rendered":"Sa\u00fade Mental: Preparar o envelhecimento \u00e9 a melhor forma de combater o estigma sobre a dem\u00eancia \u2013 Isabel Sousa"},"content":{"rendered":"<p><em>Especialista em psicogerontologia e neuropsicologia defende a cria\u00e7\u00e3o de comunidades \u00abamigas da dem\u00eancia\u00bb, mais literacia e valoriza\u00e7\u00e3o da autonomia das pessoas<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_285595\" aria-describedby=\"caption-attachment-285595\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/isabel-sousa2.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-285595 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/isabel-sousa2.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/isabel-sousa2.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/isabel-sousa2-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/isabel-sousa2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/isabel-sousa2-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/isabel-sousa2-391x260.jpg 391w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-285595\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p>Lisboa, 14 jun 2023 (Ecclesia) \u2013 Isabel Sousa, especialista em psicogerontologia e neuropsicologia, defende maior literacia sobre a dem\u00eancia, para prevenir o estigma sobre pacientes e cuidadores, ajudando tamb\u00e9m a valorizar o tempo \u201cque \u00e9 muito\u201d antes da \u201cfase final\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAinda h\u00e1 uma representa\u00e7\u00e3o social da dem\u00eancia como a pessoa completamente incapaz. Mas sendo esta condi\u00e7\u00e3o evolutiva e degenerativa, os primeiros sinais acontecem quando a pessoa est\u00e1 aut\u00f3noma, com a sua voz e capacidade muito mantida. A sociedade &#8211; e os meios de comunica\u00e7\u00e3o social t\u00eam um papel preponderante &#8211; representam as pessoas com dem\u00eancia j\u00e1 n\u00e3o conhecendo os seus familiares, sem mem\u00f3ria da sua vida. Estamos a empurrar as pessoas para a fase final, que \u00e9 real, mas h\u00e1 anos da evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a antes disso\u201d, refere \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cQuase como se a pessoa deixasse de ser pessoa; e a pergunta que \u00e9 fa\u00e7o \u00e9 quando \u00e9 que as pessoas deixam de ser pessoas? E nunca deixam de ser pessoas. Porque o ser pessoa n\u00e3o depende se eu tenho ou n\u00e3o mem\u00f3ria. A pessoa est\u00e1 l\u00e1, continua l\u00e1, o c\u00e9rebro \u00e9 que j\u00e1 n\u00e3o faz a liga\u00e7\u00e3o\u201d, acrescenta a especialista em psicogerontologia.<\/p><\/blockquote>\n<p>a entrevistada d\u00e1 conta de um movimento denominado \u00abComunidades amigas da Dem\u00eancia\u00bb (Dementia Friendly Community) que permitem uma \u201cnormaliza\u00e7\u00e3o\u201d da doen\u00e7a, cuidando da autonomia da pessoa e mantendo-a inserida numa comunidade.<\/p>\n<p>\u201cPor exemplo, num bairro saber-se quem tem dem\u00eancia e as pessoas podem continuar a ter uma vida mais aproximada ao seu dia-a-dia, a passear pelo bairro e, eventualmente se se perder, sabe que algu\u00e9m o vai orientar para casa. Ou seja, o apoio \u00e0s pessoas ser mais alargado e n\u00e3o apenas a sua fam\u00edlia ou vizinhos, mas a comunidade inteira\u201d,precisa.<\/p>\n<p>Isabel Sousa defende ainda a import\u00e2ncia da literacia para que a consciencializa\u00e7\u00e3o aconte\u00e7a e se reduzam os medos, \u201cquer a n\u00edvel pessoal\u201d como no tratamento de outro, promovendo uma \u201cnormaliza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<blockquote><p>\u00c9 importante aceitar que a velhice tem uma dimens\u00e3o de solid\u00e3o mas tamb\u00e9m de possibilidade do que est\u00e1 para vir e isso d\u00e1 esperan\u00e7a. Envelhecer bem convida a ter os olhos postos no futuro, desfrutar ainda do que se tem pela frente e, se n\u00e3o for muito tempo, que seja desfrutando o melhor poss\u00edvel\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>A\u00a0 psic\u00f3loga cl\u00ednica acompanha pessoas com dem\u00eancia e os seus cuidadores, e indica a import\u00e2ncia do reconhecimento sobre o quadro cl\u00ednico, mas tamb\u00e9m de se \u201cdesfrutar do tempo que ainda se tem\u201d.<\/p>\n<p>Nesse sentido, alerta para a import\u00e2ncia de valorizar a autonomia das pessoas e, reconhecendo as dificuldades, procurar que as respostas a dar nas\u00e7am das necessidades dos pacientes e n\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cEstamos a tirar autonomia a quem est\u00e1 a perder autonomia, quando dev\u00edamos cuidar do que as pessoas ainda conseguem fazer, quer cognitivamente como no seu dia-a-dia. A perda de capacidade muitas vezes \u00e9 precoce porque n\u00e3o se permite \u00e0 pessoa continuar a fazer o que ainda consegue fazer com autonomia. A pessoa tem de ser o mais aut\u00f3noma poss\u00edvel, em cada momento e de acordo com as suas capacidades. O que estamos a dizer \u00e9 \u00abtu n\u00e3o sabes fazer\u00bb. Estamos a esquecer que a pessoa consegue fazer e a achar que \u00e9 melhor n\u00e3o o fazer\u201d, lamenta.<\/p>\n<p>Portugal \u00e9, segundo dados da OCDE, um dos pa\u00edses mais envelhecidos do mundo e os n\u00fameros, \u201cque est\u00e3o longe de ser reais\u201d, indicam 182 mil pessoas a viver com dem\u00eancia.<\/p>\n<blockquote><p>A maioria dos pacientes n\u00e3o quer ser cuidado numa institui\u00e7\u00e3o, mas continuar na sua casa, e isso traz muitas dificuldades \u00e0s fam\u00edlias que n\u00e3o t\u00eam, na sua maioria, capacidade financeira para responder aos cuidados que a pessoa necessita, 24 horas por dia mas n\u00e3o tem, tamb\u00e9m, a capacidade financeira para institucionalizar a pessoa. Esta procura da resposta na comunidade torna o processo muito complicado porque as unidades residenciais, comparticipadas pela Seguran\u00e7a Social, t\u00eam lista de espera de anos, e as pessoas n\u00e3o t\u00eam anos para estar \u00e0 espera e a m\u00e9dia das reformas em Portugal n\u00e3o paga uma unidade semelhante no regime privado\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>Reconhecendo que Portugal tem dados passos com a elabora\u00e7\u00e3o da Estrat\u00e9gia nacional da sa\u00fade para as dem\u00eancias, \u201cpublicada h\u00e1 uns anos\u201d, traduzindo-se assim numa maior preocupa\u00e7\u00e3o sobre a \u00e1rea, Isabel Sousa afirma ainda a dificuldade em \u201csair do papel\u201d e pede que as pol\u00edticas locais sejam mais sens\u00edveis a esta mat\u00e9ria.<\/p>\n<p>\u201cO envelhecimento ativo e saud\u00e1vel deve-se come\u00e7ar a preparar mais cedo. As pessoas n\u00e3o est\u00e3o a pensar como v\u00e3o ser os seus anos mais tardios e parece-me importante falar sobre isso, porque esses anos preparam-se na vida ativa\u201d, indica.<\/p>\n<p>A conversa com a especialista em psicogerontologia e neuropsicologia pode ser acompanhada esta noite no programa ECCLESIA na <a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/radio\/\">Antena 1<\/a>, pouco depois da meia-noite, e escutada posteriormente no portal de informa\u00e7\u00e3o ou no podcast \u00ab<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/show\/6tnh9XiqqKiV8K9WtzHJI1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alarga a tua tenda<\/a>\u00bb.<\/p>\n<p><em>LS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especialista em psicogerontologia e neuropsicologia defende a cria\u00e7\u00e3o de comunidades \u00abamigas da dem\u00eancia\u00bb, mais literacia e valoriza\u00e7\u00e3o da autonomia das 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