{"id":28496,"date":"2007-12-03T10:40:49","date_gmt":"2007-12-03T10:40:49","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/12\/03\/tempo-de-esperanca-e-tempo-de-fidelidade-renovada\/"},"modified":"2007-12-03T10:40:49","modified_gmt":"2007-12-03T10:40:49","slug":"tempo-de-esperanca-e-tempo-de-fidelidade-renovada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/tempo-de-esperanca-e-tempo-de-fidelidade-renovada\/","title":{"rendered":"<i>Tempo de esperan\u00e7a \u00e9 tempo de fidelidade renovada"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de D. Jos\u00e9 Policarpo no 1.\u00ba Domingo do Advento. Ordena\u00e7\u00f5es de Di\u00e1conos <!--more--> 1. Primeiro Domingo do Advento, in\u00edcio de outro Ano Lit\u00fargico, ciclo de tempo em que a Igreja \u00e9 chamada a seguir Jesus Cristo, a configurar-se com Ele nessa comunh\u00e3o misteriosa de vida, que constitui a novidade crist\u00e3, a escutar mais atentamente a Sua Palavra, a assumir a responsabilidade da sua miss\u00e3o sem esquecer que esperamos a Sua manifesta\u00e7\u00e3o gloriosa, na nossa vida e na vida do mundo. A palavra de ordem \u00e9-nos dada pelo Ap\u00f3stolo Paulo, na Carta aos Romanos: na viv\u00eancia das realidades deste mundo, \u201crevesti-vos do Senhor Jesus Cristo\u201d (Rom. 13,14). S\u00f3 nesta identifica\u00e7\u00e3o com Cristo a Igreja marca a diferen\u00e7a e se torna, para o mundo, sinal de esperan\u00e7a e de an\u00fancio de vida nova. \t\u00c9 essa esperan\u00e7a que o Profeta Isa\u00edas anuncia ao Povo da Alian\u00e7a do Antigo Testamento: s\u00f3 percorrendo as vias do Senhor esse Povo ser\u00e1 fermento de justi\u00e7a e de paz. Aquele monte do templo do Senhor, erguido sobre as montanhas e sobre as colinas, \u00e9 hoje Jesus Cristo, Senhor da Hist\u00f3ria, pedra angular da Sua Igreja, em quem o Reino de Deus est\u00e1 presente no meio de n\u00f3s; \u00e9 a Sua Igreja, que \u00e9 o Seu Corpo, implantada em todos os povos da terra e para todos sinal e sacramento de salva\u00e7\u00e3o. O Profeta anuncia a esse Israel, renovado pela fidelidade \u00e0 Alian\u00e7a, que para esse monte santo, \u201cafluir\u00e3o todas as na\u00e7\u00f5es e muitos povos acorrer\u00e3o a ele\u201d. Este an\u00fancio interpela a Igreja que n\u00f3s somos, no mundo em que vivemos e no tempo concreto que hoje encetamos: a Igreja atrai para si, na maneira como \u00e9 vista pela sociedade, pelo menos os que procuram a vida? Tal como no Antigo Testamento, s\u00f3 a fidelidade a Jesus Cristo, que celebrou a nova e definitiva Alian\u00e7a, tornar\u00e1 a Igreja atraente, o sinal levantado entre as na\u00e7\u00f5es.  \t2. Nas \u00faltimas semanas, a sociedade, atrav\u00e9s dos diversos \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o social, a prop\u00f3sito do discurso do Santo Padre aos Bispos portugueses em visita \u201cad Limina\u201d, interpelou a Igreja. O pr\u00f3prio facto de a sociedade nos interpelar \u00e9, para n\u00f3s, significativo, embora n\u00e3o possamos aceitar todas as an\u00e1lises feitas e todas as propostas concretas dos caminhos de renova\u00e7\u00e3o das Igrejas de Portugal. A Igreja n\u00e3o pode ter como objectivo, na sua fidelidade a Cristo, prosseguir aquilo que o mundo gostaria que ela fosse, mas o que Jesus Cristo deseja e espera dela e que h\u00e1-de descobrir na escuta da sua Palavra, na beleza da comunh\u00e3o entre todos os fi\u00e9is, iguais em dignidade e chamados \u00e0 santidade e \u00e0 miss\u00e3o, no fundo, na identifica\u00e7\u00e3o cada vez mais profunda com Jesus Cristo. Mas mesmo quando n\u00e3o nos podemos guiar pelo que o mundo nos diz, escutamos a sua interpela\u00e7\u00e3o e recebemo-la como a manifesta\u00e7\u00e3o do desejo de que sejamos, cada vez mais, a Igreja que Jesus Cristo quer e ama. \tUm aspecto positivo dessa avalanche de tomadas de posi\u00e7\u00e3o foi o reconhecimento, pelo menos impl\u00edcito, do papel do Papa, Sucessor de Pedro, na verdade das Igrejas, aquele que, por miss\u00e3o pr\u00f3pria, tem o direito de as interpelar e conduzir. A nossa uni\u00e3o ao Santo Padre \u00e9 a primeira e fundamental express\u00e3o da comunh\u00e3o eclesial, viv\u00eancia da caridade fraterna, ali\u00e1s, ambiente em que decorreu o nosso encontro com Bento XVI e que enquadra as palavras que nos dirigiu. Elas pretenderam confirmar an\u00e1lises e desejos expressos nos diversos relat\u00f3rios que cada Diocese lhe apresentou. A palavra do Papa estendeu a todos os fi\u00e9is os caminhos intu\u00eddos, em parte j\u00e1 percorridos, por cada Bispo em comunh\u00e3o com o Sucessor de Pedro. O Papa n\u00e3o nos ralhou, pelo menos n\u00e3o demos por isso, antes nos incentivou a percorrer os caminhos de renova\u00e7\u00e3o e fidelidade que, em comunh\u00e3o com ele, desejamos, contando com o empenho de todo o Povo de Deus.  \t3. Duas interpela\u00e7\u00f5es, que se devem transformar em linhas de ac\u00e7\u00e3o pastoral, ressaltam no discurso do Santo Padre e que vem a prop\u00f3sito sublinhar nesta celebra\u00e7\u00e3o de ordena\u00e7\u00e3o de di\u00e1conos, que se destinam ao sacerd\u00f3cio, no in\u00edcio deste tempo novo, em que somos chamados a reavivar a esperan\u00e7a: construir a Igreja como comunh\u00e3o, e escutar, sempre de novo, a Palavra do Senhor. Uma Igreja que quer se express\u00e3o de comunh\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o da comunh\u00e3o trinit\u00e1ria, p\u00f5e no centro da sua ac\u00e7\u00e3o pastoral a caridade como dinamismo impulsionador da viv\u00eancia crist\u00e3 e da ac\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria e evangelizadora da Igreja. Tudo o que a Igreja \u00e9 e faz, para seu bem e para bem da humanidade, tem de ser express\u00e3o da caridade. Foi para isso que Cristo convidou os disc\u00edpulos a seguirem-n\u2019O: o primeiro de todos os mandamentos \u00e9 amar, a Deus mais que tudo, e ao pr\u00f3ximo. O mandamento do amor \u00e9 a lei da Igreja, a nova \u201cthora\u201d; aprender a caridade \u00e9 a exig\u00eancia da santidade; o testemunho da caridade \u00e9 o an\u00fancio do Reino de Deus. \tA caridade aprende-se no amor de Deus. Uma Igreja comunh\u00e3o \u00e9 um dom de Deus, constr\u00f3i-se na intimidade com Ele, encontra na ora\u00e7\u00e3o e nos sacramentos o seu caminho, coloca no centro a espiritualidade. \tPor outro lado, a Igreja comunh\u00e3o valoriza a dignidade real e a igualdade fundamental de todos os baptizados, verdadeiro Corpo do Senhor, todos chamados ao amor, na intimidade com Deus e na realiza\u00e7\u00e3o da sua miss\u00e3o. Uma Igreja comunh\u00e3o n\u00e3o pode ser Igreja feita e vivida s\u00f3 por alguns. Nela, os carismas s\u00e3o gra\u00e7as pessoais para o crescimento de todo o corpo da Igreja e os minist\u00e9rios s\u00e3o servi\u00e7os feitos por amor, em nome de Cristo. O minist\u00e9rio dos di\u00e1conos afirma-se, precisamente como um servi\u00e7o. E no caso do minist\u00e9rio dos presb\u00edteros, a sua centralidade deriva do facto de ser express\u00e3o sacramental de Cristo, Servo e Sacerdote, e deve exprimir-se no servi\u00e7o e n\u00e3o no poder. Os leigos n\u00e3o s\u00e3o apenas colaboradores dos sacerdotes, mas de Jesus Cristo e esperam dos sacerdotes que os fortale\u00e7am com a sua gra\u00e7a pr\u00f3pria, os orientem, atrav\u00e9s da Palavra de Deus, na fidelidade e na miss\u00e3o, e que fa\u00e7am com eles, em conjunto, o discernimento dos caminhos da miss\u00e3o. Precisamos de leigos que se considerem co-respons\u00e1veis pela Igreja, que tomem iniciativas na evangeliza\u00e7\u00e3o e no servi\u00e7o da caridade, sobretudo fortalecendo-se uns aos outros para aquela presen\u00e7a nas realidades temporais, que \u00e9 o campo espec\u00edfico da sua miss\u00e3o laical. Precisamos de sacerdotes que sejam para esses leigos a for\u00e7a que dinamiza, a luz que esclarece, o amor que a todos une na fidelidade a Jesus Cristo.  \t4. Factor importante da constru\u00e7\u00e3o da comunh\u00e3o eclesial \u00e9 a escuta crente e amorosa da Palavra de Deus, na Liturgia, na \u201clectio divina\u201d, na medita\u00e7\u00e3o pessoal da Sagrada Escritura. A import\u00e2ncia e o ritmo da escuta da Palavra na edifica\u00e7\u00e3o da Igreja ser\u00e1 tema da pr\u00f3xima sess\u00e3o do S\u00ednodo dos Bispos. Na nossa Diocese realizou-se uma vasta sondagem sobre a import\u00e2ncia da Palavra de Deus na vida da Igreja diocesana e j\u00e1 est\u00e1 pronto um Relat\u00f3rio que nos interpelar\u00e1, durante este ano, para a melhoria da proclama\u00e7\u00e3o e da recep\u00e7\u00e3o da palavra de Deus. Esse \u00e9 um aspecto relevante do minist\u00e9rio dos di\u00e1conos e dos presb\u00edteros.  \t5. O Advento \u00e9 tempo de esperan\u00e7a. Saibamos exprimi-la na nossa fidelidade, na autenticidade generosa da nossa vida crist\u00e3 e da realiza\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o da Igreja. Maria, a cheia de gra\u00e7a, guiar-nos-\u00e1 nos caminhos do amor e proteger-nos-\u00e1 na nossa ousadia de construir a esperan\u00e7a. Mosteiro dos Jer\u00f3nimos, 2 de Dezembro de 2007 <i>\u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. Jos\u00e9 Policarpo no 1.\u00ba Domingo do Advento. 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