{"id":284620,"date":"2023-06-05T10:17:50","date_gmt":"2023-06-05T09:17:50","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=284620"},"modified":"2023-06-05T10:17:50","modified_gmt":"2023-06-05T09:17:50","slug":"os-santos-populares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/os-santos-populares\/","title":{"rendered":"Os Santos Populares"},"content":{"rendered":"<p><em>Lu\u00eds da Silva Pereira, Diocese de Braga<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/luis-silva-pereira-braga.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-269363 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/luis-silva-pereira-braga-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/luis-silva-pereira-braga-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/luis-silva-pereira-braga-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/luis-silva-pereira-braga-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/luis-silva-pereira-braga-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/luis-silva-pereira-braga-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/luis-silva-pereira-braga-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/luis-silva-pereira-braga-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/luis-silva-pereira-braga.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>A\u00ed est\u00e3o de novo as festas dos santos populares com a sua am\u00e1lgama insepar\u00e1vel de sagrado e profano. Com essa desconcertante mistura, que encontramos em todas as festas religiosas e n\u00e3o apenas nas dos santos mais populares, temos convivido, ao longo dos tempos, sem grandes sobressaltos e at\u00e9 com gostosa alegria, afinal. Mas continua a verificar-se alguma tens\u00e3o entre os que defendem a necessidade de purificar as festas religiosas dessas profanidades que, por vezes, tocam, de facto, as raias da inconveni\u00eancia, e os que as interpretam como compreens\u00edvel manifesta\u00e7\u00e3o da sensibilidade e cultura populares. N\u00e3o podemos esquecer que na vida das pessoas o aspeto religioso nem sempre prevalece sobre os outros aspetos da exist\u00eancia. Uma coisa \u00e9 a piedade oficial, digamos assim, da Igreja, outra \u00e9 a piedade popular, na qual a dimens\u00e3o folcl\u00f3rica, a agita\u00e7\u00e3o, o ruido e a atividade econ\u00f3mica t\u00eam o seu lugar pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>Tirando a missa, o serm\u00e3o, a prociss\u00e3o com os andores e a banda de m\u00fasica, o resto diz mais respeito \u00e0s alegrias do corpo do que \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o da alma. Assim se tem conseguido manter a dimens\u00e3o sobrenatural e a cultura popular em razo\u00e1vel harmonia, mesmo em circunst\u00e2ncias sociais adversas. Do bailarico e das marchas populares ao fogo de artif\u00edcio, da sardinha assada \u00e0 bifana, do copo de vinho \u00e0 cerveja, da do\u00e7aria popular \u00e0s farturas, das tendas de roupa e de sapatos ao artesanato africano e sul-americano, tudo tem cabimento nas festas dos santos populares e vai convivendo mais ou menos harmoniosamente com o sagrado. E tudo isso os santos contemplam com os seus olhos celestes nos quais podemos adivinhar uma compreens\u00e3o e uma ternura sem limites por todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>Confiamos num santo para nos arranjar casamento ou para nos ajudar a encontrar o namorado ou a namorada. Este santo encontra coisas perdidas, aquele protege os pescadores dos perigos do mar e abre-nos as portas do c\u00e9u com as suas chaves. Outros defendem-nos das pestes, das doen\u00e7as de garganta, dos ossos ou dos olhos. A este rogamos que aben\u00e7oe as vacas e as ovelhas; \u00e0quele, que proteja os frutos dos campos. No fundo, \u00e9 toda a nossa vida que entregamos ao seu cuidado. Eles s\u00e3o, nas circunst\u00e2ncias mais dif\u00edceis, quando tudo parece falhar, os m\u00e9dicos, os veterin\u00e1rios, os advogados, os psic\u00f3logos. Atualmente, parece que confiamos mais nas urg\u00eancias dos hospitais, no minist\u00e9rio da agricultura e nos subs\u00eddios da Comunidade Europeia. No entanto, quando j\u00e1 nenhuma urg\u00eancia nos acode nem ministro nenhum nos subsidia, para quem nos havemos de voltar?<\/p>\n<p>Deus e os seus santos existindo, sempre \u00e9 poss\u00edvel um milagre. Com eles, a esperan\u00e7a permanece at\u00e9 para al\u00e9m da morte. Por isso continuamos a celebr\u00e1-los e a invoc\u00e1-los como sabemos, com a linguagem de que somos capazes, segundo a nossa cultura e as tradi\u00e7\u00f5es que herd\u00e1mos dos antepassados. Continuamos teimosamente a record\u00e1-los, apesar das tentativas sempre renovadas e sempre fracassadas, de os remeterem para a sacristia ou para o s\u00f3t\u00e3o das velharias. Afinal, essa insepar\u00e1vel mistura de sagrado e de profano concretiza, melhor ou pior, a exig\u00eancia cat\u00f3lica de fundirmos a nossa vida concreta com a dimens\u00e3o espiritual. \u00c9, afinal, uma das formas de encarnar a mensagem evang\u00e9lica no nosso quotidiano.<\/p>\n<p>Devemos evitar a tenta\u00e7\u00e3o de uma excessiva depura\u00e7\u00e3o destas t\u00e3o arreigadas celebra\u00e7\u00f5es religiosas. Essa purifica\u00e7\u00e3o ser\u00e1 necess\u00e1ria, n\u00e3o duvidamos, mas dever\u00e1 sempre ser feita com paci\u00eancia e compreens\u00e3o inteligente das circunst\u00e2ncias. Doutro modo, corremos o risco de, com a \u00e1gua do banho, deitarmos fora tamb\u00e9m o menino.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lu\u00eds da Silva Pereira, Diocese de Braga<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":269363,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-284620","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/284620","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=284620"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/284620\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/269363"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=284620"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=284620"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=284620"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}