{"id":28427,"date":"2007-11-28T11:03:16","date_gmt":"2007-11-28T11:03:16","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/11\/28\/os-jovens-migrantes\/"},"modified":"2007-11-28T11:03:16","modified_gmt":"2007-11-28T11:03:16","slug":"os-jovens-migrantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/os-jovens-migrantes\/","title":{"rendered":"Os jovens migrantes"},"content":{"rendered":"<p>Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado 2008 <!--more--> Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s!  O tema do Dia Mundial do Migrante e do Refugiado convida este ano a reflectir em particular sobre os jovens. De facto, as not\u00edcias quotidianas falam com frequ\u00eancia deles. O vasto processo de globaliza\u00e7\u00e3o em curso no mundo traz consigo uma exig\u00eancia de mobilidade, que estimula tamb\u00e9m numerosos jovens a emigrar e a viver longe das suas fam\u00edlias e dos seus Pa\u00edses. Como consequ\u00eancia, muitas vezes quem sai dos Pa\u00edses de origem \u00e9 a juventude dotada dos melhores recursos intelectuais, enquanto que nos Pa\u00edses que recebem os migrantes est\u00e3o em vigor normativas que tornam dif\u00edcil a sua inser\u00e7\u00e3o efectiva. De facto, o fen\u00f3meno da emigra\u00e7\u00e3o torna-se cada vez mais extenso e inclui um n\u00famero crescente de pessoas de todas as condi\u00e7\u00f5es sociais. Portanto, as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, as organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias e tamb\u00e9m a Igreja cat\u00f3lica dedicam muitos dos seus recursos para ajudar estas pessoas em dificuldade.  \u00c9 muito sentida pelos jovens migrantes a problem\u00e1tica constitu\u00edda pela chamada \u00abdificuldade da dupla perten\u00e7a\u00bb: por um lado, eles sentem profundamente a necessidade de n\u00e3o perder a cultura de origem, mas, por outro, sobressai neles o desejo compreens\u00edvel de se inserir organicamente na sociedade que os recebe, sem que isto, contudo, leve a uma completa assimila\u00e7\u00e3o e \u00e0 consequente perda das tradi\u00e7\u00f5es ancestrais. Entre os jovens encontram-se tamb\u00e9m as jovens, mais facilmente v\u00edtimas de explora\u00e7\u00e3o, de chantagens morais e at\u00e9 de abusos de todos os g\u00e9neros. Que dizer depois dos adolescentes, dos menores n\u00e3o acompanhados, que constituem uma categoria a risco entre quantos pedem asilo? Estes jovens com frequ\u00eancia acabam na estrada deixados a si mesmos e \u00e0 merc\u00ea de exploradores sem escr\u00fapulos que, muitas vezes, os transformam em objecto de viol\u00eancia f\u00edsica, moral e sexual.  Depois, considerando mais de perto o sector dos migrantes for\u00e7ados, dos refugiados, dos pr\u00f3fugos e das v\u00edtimas do tr\u00e1fico de seres humanos, vemos infelizmente tamb\u00e9m muitas crian\u00e7as e adolescentes. A este prop\u00f3sito, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o reagir perante as imagens perturbantes dos grandes campos de pr\u00f3fugos ou de refugiados, presentes em diversas partes do mundo. Como n\u00e3o pensar que aqueles pequenos seres vieram ao mundo com as mesmas leg\u00edtimas expectativas de felicidade dos outros? E, ao mesmo tempo, como n\u00e3o recordar que a inf\u00e2ncia e a adolesc\u00eancia s\u00e3o fases de import\u00e2ncia fundamental para o desenvolvimento do homem e da mulher, e exigem estabilidade, serenidade e seguran\u00e7a? Estas crian\u00e7as e adolescentes tiveram como \u00fanica experi\u00eancia de vida \u00abcampos de perman\u00eancia obrigat\u00f3rios\u00bb, onde se encontram segregados, distantes dos centros habitados e sem possibilidade de frequentar normalmente a escola. Como podem olhar com confian\u00e7a para o seu futuro? Se \u00e9 verdade que muito est\u00e1 a ser feito por eles, \u00e9 necess\u00e1rio todavia comprometer-se ainda mais para os ajudar mediante a cria\u00e7\u00e3o de estruturas adequadas de acolhimento e de forma\u00e7\u00e3o.  Precisamente nesta perspectiva se faz a pergunta: como responder \u00e0s expectativas dos jovens migrantes? Que fazer para os ajudar? Certamente \u00e9 preciso antes de tudo procurar o apoio da fam\u00edlia e da escola. Mas quanto s\u00e3o complexas as situa\u00e7\u00f5es e quanto numerosas s\u00e3o as dificuldades com que se deparam estes jovens nos seus contextos familiares e escolares! No \u00e2mbito das fam\u00edlias deca\u00edram os pap\u00e9is tradicionais que existiam nos Pa\u00edses de origem e assiste-se muitas vezes a um confronto entre pais que permaneceram ancorados \u00e0 sua cultura e filhos velozmente aculturados nos novos contextos sociais. Nem se deve subestimar a fadiga que os jovens encontram para se inserirem nos percursos educativos vigentes nos Pa\u00edses em que s\u00e3o acolhidos. Ali\u00e1s, o pr\u00f3prio sistema escolar deveria ter em conta estas suas condi\u00e7\u00f5es e programar para os jovens imigrados itiner\u00e1rios formativos espec\u00edficos de integra\u00e7\u00e3o adequados \u00e0s suas exig\u00eancias. Ser\u00e1 importante tamb\u00e9m o empenho de criar nas salas de aulas um clima de respeito rec\u00edproco e de di\u00e1logo entre todos os alunos, com base naqueles princ\u00edpios e valores universais que s\u00e3o comuns a todas as culturas. O compromisso de todos \u2013 professores, fam\u00edlias e estudantes \u2013 certamente contribuir\u00e1 para ajudar os jovens migrantes a enfrentar do melhor modo o desafio da integra\u00e7\u00e3o e oferecer-lhes-\u00e1 a possibilidade de adquirir tudo o que pode beneficiar a sua forma\u00e7\u00e3o humana, cultural e profissional. Isto \u00e9 ainda muito mais necess\u00e1rio para os jovens refugiados, para os quais se dever\u00e3o preparar programas adequados, no \u00e2mbito escolar e tamb\u00e9m laboral, de modo a garantir a sua prepara\u00e7\u00e3o fornecendo as bases necess\u00e1rias para uma inser\u00e7\u00e3o correcta no novo mundo social, cultural e profissional.  A Igreja olha com especial aten\u00e7\u00e3o para o mundo dos migrantes e pede a quantos receberam nos Pa\u00edses de origem uma forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 que fa\u00e7am frutificar este patrim\u00f3nio de f\u00e9 e de valores evang\u00e9licos, de modo a oferecer um testemunho coerente nos diversos contextos existenciais. Precisamente em rela\u00e7\u00e3o a isto convido as comunidades receptoras a acolher com simpatia jovens e adolescentes com os seus pais, procurando compreender as suas vicissitudes e favorecer a sua inser\u00e7\u00e3o.  H\u00e1 tamb\u00e9m entre os migrantes, como escrevi na Mensagem do ano passado, uma categoria que se deve considerar de modo especial, que \u00e9 a dos estudantes de outros Pa\u00edses, os quais, por raz\u00f5es de estudo, se encontram longe de casa. O seu n\u00famero aumenta continuamente: s\u00e3o jovens necessitados de uma pastoral espec\u00edfica, porque n\u00e3o s\u00f3 s\u00e3o estudantes, como todos, mas tamb\u00e9m migrantes tempor\u00e1rios. Muitas vezes eles sentem-se sozinhos, sob a press\u00e3o do estudo e por vezes atormentados tamb\u00e9m por dificuldades econ\u00f3micas. A Igreja, na sua materna solicitude, olha para eles com afecto e procura realizar interven\u00e7\u00f5es pastorais e sociais espec\u00edficas, que tenham em considera\u00e7\u00e3o os grandes recursos da sua juventude. \u00c9 necess\u00e1rio fazer com que tenham a ocasi\u00e3o de se abrir ao dinamismo intercultural, enriquecendo-se no contacto com outros estudantes de culturas e religi\u00f5es diversas. Para os jovens crist\u00e3os esta experi\u00eancia de estudo e de forma\u00e7\u00e3o pode ser um campo \u00fatil de matura\u00e7\u00e3o da sua f\u00e9, estimulada a abrir-se \u00e0quele universalismo que \u00e9 elemento constitutivo da Igreja cat\u00f3lica.  Queridos jovens migrantes, preparai-vos para construir juntamente com os vossos jovens coet\u00e2neos uma sociedade mais justa e fraterna, cumprindo escrupulosa e seriamente os vossos deveres em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s vossas fam\u00edlias e ao Estado. Sede respeitadores das leis e nunca vos deixeis transportar pelo \u00f3dio e pela viol\u00eancia. Ali\u00e1s, procurai ser protagonistas desde j\u00e1 de um mundo no qual reine a compreens\u00e3o e a solidariedade, a justi\u00e7a e a paz. A v\u00f3s, em particular, jovens crentes, pe\u00e7o que aproveiteis do tempo de estudantes para crescer no conhecimento e no amor de Cristo. Jesus quer que sejais seus amigos verdadeiros e por isso \u00e9 necess\u00e1rio que cultiveis constantemente uma rela\u00e7\u00e3o \u00edntima com Ele na ora\u00e7\u00e3o e na escuta d\u00f3cil da sua Palavra. Ele quer-vos suas testemunhas e por isso \u00e9 preciso que vos empenheis por viver com coragem o Evangelho traduzindo-o em gestos concretos de amor a Deus e de servi\u00e7o generoso aos irm\u00e3os. A Igreja tem necessidade tamb\u00e9m de v\u00f3s e conta com a vossa contribui\u00e7\u00e3o. Podeis desempenhar um papel muito providencial no actual contexto da evangeliza\u00e7\u00e3o. Provindo de culturas diversas, mas tendo todos em comum a perten\u00e7a \u00e0 \u00fanica Igreja de Cristo, podeis mostrar que o Evangelho \u00e9 vivo e apropriado para qualquer situa\u00e7\u00e3o; \u00e9 mensagem antiga e sempre nova; Palavra de esperan\u00e7a e de salva\u00e7\u00e3o para os homens de qualquer ra\u00e7a e cultura, de todas as idades e \u00e9pocas.  A Maria, M\u00e3e da humanidade inteira, e a Jos\u00e9, seu cast\u00edssimo esposo, ambos pr\u00f3fugos com Jesus no Egipto, confio cada um de v\u00f3s, as vossas fam\u00edlias, quantos se ocupam de v\u00e1rios modos do vosso vasto mundo, os jovens migrantes, os volunt\u00e1rios e os agentes pastorais que vos acompanham com a sua disponibilidade e com o seu apoio af\u00e1vel.  O Senhor esteja sempre ao vosso lado e das vossas fam\u00edlias, para que possais juntos superar os obst\u00e1culos e as dificuldades materiais e espirituais que encontrais no vosso caminho. Acompanho estes meus votos com uma especial B\u00ean\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica para cada um de v\u00f3s e para as pessoas que vos s\u00e3o queridas.  Vaticano, 18 de Outubro de 2007  BENEDICTUS PP. XVI <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado 2008<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,154,206,285,291,314],"class_list":["post-28427","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-crianca","tag-familia","tag-patrimonio","tag-refugiados","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28427","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28427"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28427\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28427"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28427"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28427"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}