{"id":284251,"date":"2023-06-01T11:56:48","date_gmt":"2023-06-01T10:56:48","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=284251"},"modified":"2023-06-01T15:55:13","modified_gmt":"2023-06-01T14:55:13","slug":"so-nos-poderemos-comunicar-bem-se-amarmos-bem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/so-nos-poderemos-comunicar-bem-se-amarmos-bem\/","title":{"rendered":"\u00abS\u00f3 nos poderemos comunicar bem se \u201camarmos bem\u201d\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><em>Pade Miguel Neto, Diocese do Algarve<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_269915\" aria-describedby=\"caption-attachment-269915\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Padre-Miguel-Neto_VJornadas.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-269915 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Padre-Miguel-Neto_VJornadas-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Padre-Miguel-Neto_VJornadas-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Padre-Miguel-Neto_VJornadas-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Padre-Miguel-Neto_VJornadas-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Padre-Miguel-Neto_VJornadas-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Padre-Miguel-Neto_VJornadas-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Padre-Miguel-Neto_VJornadas-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Padre-Miguel-Neto_VJornadas-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Padre-Miguel-Neto_VJornadas-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Padre-Miguel-Neto_VJornadas.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-269915\" class=\"wp-caption-text\">Foto Ag\u00eancia ECCLESIA\/PR, Padre Miguel Neto &#8211; V Jornadas Nacionais da Pastoral do Turismo<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cRumo \u00e0 presen\u00e7a plena &#8211; Uma reflex\u00e3o pastoral sobre a participa\u00e7\u00e3o nas redes sociais\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, \u00e9 o nome do Documento que o Dicast\u00e9rio para a Comunica\u00e7\u00e3o lan\u00e7ou, no passado dia 29 de maio. O Vaticano assume, nestas indica\u00e7\u00f5es que d\u00e1 a toda a comunidade crist\u00e3 universal, que, no presente, \u00aba quest\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 se, mas como devemos participar no mundo digital\u00bb e que essa presen\u00e7a tem de assentar no mais importante dos mandamentos e valores crist\u00e3os: o amor ao pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>Inspirando-se na par\u00e1bola do Bom Samaritano (ali\u00e1s, um dos temas mais abordados e queridos do Papa Francisco), refor\u00e7a-se, neste documento a ideia, j\u00e1 antes presente no Magist\u00e9rio da Igreja, mas profundamente refor\u00e7ada com o atual Sumo Pont\u00edfice, de que os meios digitais s\u00e3o ambiente de vida. De facto, este tema tem sido profundamente refletido por in\u00fameros estudiosos, que os veem como forma de fazer circular o conhecimento, mas tamb\u00e9m espa\u00e7os de socializa\u00e7\u00e3o e aprendizagem (Aguaded, 2005<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><strong>[2]<\/strong><\/a>) e que, condicionando as nossas representa\u00e7\u00f5es, tornam poss\u00edvel a sua partilha com os demais (P\u00e9rez Tornero, 2020<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><strong>[3]<\/strong><\/a>), para al\u00e9m \u00abdos limites do espa\u00e7o f\u00edsico\u00bb e do tempo (Castells, 2002<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>). Neles todos podem \u00abser encontrados onde est\u00e3o\u00bb, sendo este novo mundo \u00abparte integrante da identidade dos jovens e do seu modo de viver\u00bb, mas tamb\u00e9m de todas as gera\u00e7\u00f5es. Ali\u00e1s, esta conclus\u00e3o de que existe uma barreira geracional entre nativos e imigrantes digitais j\u00e1 \u00e9 posta, h\u00e1 algum tempo, em causa, por investigadores que trabalham as quest\u00f5es da Literacia Medi\u00e1tica, como Scolari <em>et al<\/em>. (2018)<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><strong>[5]<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>Nos media digitais importa, pois, estabelecer uma \u00abcomunica\u00e7\u00e3o profunda e aut\u00eantica\u00bb, que permita que encontremos o pr\u00f3ximo nos que connosco dialogam. E encontrar o pr\u00f3ximo implica vencer barreiras, como o tribalismo, que nos leva a querer escutar somente aqueles que t\u00eam caracter\u00edsticas, origens, gostos e prefer\u00eancias semelhantes aos nossos. Quer seja porque os algoritmos assim o proporcionam, quer seja porque efetivamente o fazemos de forma deliberada, somos pouco abertos ao contradit\u00f3rio e \u00e0 diferen\u00e7a, mas, sobretudo, somos pouco capazes de querer um verdadeiro encontro com \u00ab\u201do outro\u201d, que \u00e9 diferente\u00bb. E este tipo de comportamentos gera novas atitudes, que nos ferem no \u00e2mago da nossa identidade, pois ao inv\u00e9s de proporcionarem a tal conex\u00e3o profunda e respeitosa, \u00abuma experi\u00eancia que se fundamenta no encontro m\u00fatuo, promovendo a constru\u00e7\u00e3o da comunidade\u00bb, promovem o discurso de \u00f3dio e a divis\u00e3o, o insulto gratuito e a ofensa sem pejo. E todos n\u00f3s conhecemos este fen\u00f3meno, que agudiza as divis\u00f5es dentro da Igreja, que facilita a cria\u00e7\u00e3o de grupos com agendas muito espec\u00edficas e pouca abertura ao mundo, sempre prontos a \u00abtra\u00e7ar uma linha entre \u201cn\u00f3s\u201d e \u201celes\u201d, entre \u201calgu\u00e9m que devo tratar com respeito\u201d e \u201calgu\u00e9m que posso ignorar\u201d\u00bb e a transformar o ambiente digital num espa\u00e7o \u00abt\u00f3xico\u00bb. E, na verdade, \u00abo estilo crist\u00e3o nas redes sociais deveria ser reflexivo, n\u00e3o reativo\u00bb, logo, ponderado.<\/p>\n<p>As nossas bolhas n\u00e3o devem ser o \u00fanico lugar onde vivemos, nem f\u00edsica, nem digitalmente. Deixar-se tocar \u00e9 fundamental, para que cada um de n\u00f3s possa \u00abtornar-se pr\u00f3ximo no ambiente das redes sociais\u00bb e essa atitude \u00abexige intencionalidade\u00bb, como se salienta neste documento. Ou seja, exige vontade, capacidade de sair de n\u00f3s mesmos, do nosso conforto, para \u00abouvir bem\u00bb e \u00abpermitir que a realidade do outro nos comova\u00bb. Exige, igualmente, discernimento e capacidade de nos interrogarmos constantemente, bem como \u00abprud\u00eancia\u00bb e \u00abuma pondera\u00e7\u00e3o orante\u00bb, que transforme a rede num \u00ablugar rico de humanidade\u00bb e de sentido de comunidade. As redes sociais podem e devem ser lugares onde chamamos a aten\u00e7\u00e3o para as \u00abHistorias dos outros\u00bb, sobretudo dos que sofrem, para \u00abconstruir a solidariedade\u00bb e devem, ainda, permitir que se fortale\u00e7am os la\u00e7os entre os membros das comunidades, aproximando-os e levando-os a agir concertadamente, mesmo quando a dist\u00e2ncia e as dificuldades n\u00e3o permitem o contacto f\u00edsico.<\/p>\n<p>Como se diz no documento, \u00abs\u00f3 nos poderemos comunicar bem se \u201camarmos bem\u201d\u00bb, se construirmos mensagens baseadas na verdade, em conte\u00fados de qualidade, com a inten\u00e7\u00e3o de dar a conhecer a beleza e de promover a\u00e7\u00f5es positivas. Todos entendemos que \u00e9 preciso existir complementaridade entre as \u00abexperi\u00eancias digitais e f\u00edsicas\u00bb e que h\u00e1 um caminho a percorrer, mas \u00e9 \u00abcada vez mais urgente\u00bb envolvermo-nos nas \u00abplataformas das redes sociais\u00bb, dando sinais de quem somos chamados a ser pelo batismo, pelo amor a Nosso Senhor.<\/p>\n<p>E termino, citando aquela que me parece ser a t\u00f3nica na qual a Igreja pretende construir a sua presen\u00e7a neste \u201ccontinente\u201d, uma t\u00f3nica em que acredito verdadeiramente, mas que obriga a que todos estejamos dispostos a trabalhar, a aprender, a melhorar o nosso n\u00edvel de conhecimentos e compet\u00eancias espec\u00edficas desta \u00e1rea, as compet\u00eancias da Literacia Medi\u00e1tica. \u00abEm s\u00edntese, tudo o que fazemos, com palavras e a\u00e7\u00f5es, deveria ter em si o sinal do testemunho. N\u00e3o estamos presentes nas redes sociais para \u201cvender um produto\u201d. N\u00e3o fazemos publicidade, mas comunicamos a vida, a vida que nos foi concedida em Cristo. Por isso, cada crist\u00e3o deve ter o cuidado de n\u00e3o fazer proselitismo, mas dar testemunho\u00bb.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>_______<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Ruffini, Paolo (2023). Rumo \u00e0 presen\u00e7a plena &#8211; Uma reflex\u00e3o pastoral sobre a participa\u00e7\u00e3o nas redes sociais, Dicastero per la Comunicazione &#8211; Libreria Editrice Vaticana, <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/dpc\/documents\/20230528_dpc-verso-piena-presenza_pt.html\">https:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/dpc\/documents\/20230528_dpc-verso-piena-presenza_pt.html<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Aguaded, I. (2005). \u201cEstrategias de edu-comunicaci\u00f3n en la sociedad audiovisual\u201d. <em>Comunicar<\/em>, (24), p\u00e1gs. 25-34. <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3W4dmgk\">https:\/\/bit.ly\/3W4dmgk<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> P\u00e9rez Tornero, J.M. (2020). \u201cIntroducci\u00f3n\u201d. P\u00e9rez Tornero, J.M., Orozco, G. y Hamburger, E. (Eds.) (2020). <em>MILID Yearbook 2018\/2019. Media and information literacy in critical times: Re-imagining learning and information Environments<\/em>. Universidad Aut\u00f3noma de Barcelona, p\u00e1gs. 15-17. <a href=\"https:\/\/bit.ly\/43qR2A0\">https:\/\/bit.ly\/43qR2A0<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Castells, M. (2002). <em>A Sociedade em Rede<\/em>. Vol. I, Lisboa: Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><strong>[5]<\/strong><\/a> Scolari, C. A., Masanet, M. -., Guerrero-Pico, M. y Establ\u00e9s, M. -. (2018). \u201cTransmedia literacy in the new media ecology: Teens&#8217; transmedia skills and informal learning strategies\u201d. <em>Profesional de la Informacion<\/em>, 27(4), p\u00e1g. 801-812. <a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.3145\/epi.2018.jul.09\">http:\/\/dx.doi.org\/10.3145\/epi.2018.jul.09<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pade Miguel Neto, Diocese do Algarve<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":269915,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-284251","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/284251","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=284251"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/284251\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/269915"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=284251"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=284251"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=284251"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}